terça-feira, 4 de outubro de 2011
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
J Dilla: 4 Anos de Saudade!
O tempo passa rápido! Já volveram 4 anos desde que Dilla nos deixou fisicamente. Musicalmente, nunca poderemos queixar-nos de não lhe sentirmos a companhia, a alma, o génio. Quotidianamente, eu sinto-o. Puro ídolo e verdadeiro responsável por eu gostar tanto de rap e da cultura Hip Hop. Logo nos primórdios do blog, escrevi um texto sobre o inesquecível J Dilla. Podem recordá-lo aqui. Nunca te esqueceremos, Jay!sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Vídeos de Sr. Alfaiate, Raekwon & The Foreign Exchange
Sr. Alfaiate, alter-ego de DJ Nel'Assassin, prepara-se para regressar com álbum novo. Como aperitivo, ofereceu-nos este vídeo da canção "O Meu Lugar" que tem os préstimos vocais de Dino.
Raekwon espera recuperar o brilho de Wu-Tang com o seu novo álbum "Only Built 4 Cuban Linx II". Juntou-se com alguns dos seus camaradas, pegou numa batida de J Dilla e produziram-lhe um vídeo para o tema «House of Flying Daggers". Agora só falta mesmo ver o brilho.
The Foreign Exchange (Phonte e Nicolay) avançam com o primeiro vídeo de "Leave It All Behind". «House of Cards» com a participação de Muhsinah foi a canção eleita para ter videoclip.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Vídeo: J Dilla feat. Raekwon e Havoc - 24k Rap
Raekwon e Havoc são os protagonistas deste vídeo, que ilustra o tema "24k Rap" incluído no álbum «Jay Stay Paid» do falecido J Dilla. Saudades!
quinta-feira, 23 de abril de 2009
SampleMania: 9th Wonder / J Dilla / Tony Tato x Let The Dollar Circulate
Comummente, surgem algumas celeumas no universo Hip Hop. Ora por rimas que são ditas, ora porque alguém era underground e virou comercial, ora porque há personalidades que colidem, ora porque um produtor usou um mesmo sample que outro já tinha usado. É exactamente este último ponto que me faz bater os dedos no teclado hoje. Será que quando um produtor usa um sample nunca mais outro produtor deve usar esse sample? Será que se justifica que seja novamente utilizado?
Em primeiro lugar, o Hip Hop prima e primará sempre pela liberdade. Desse modo, creio que é perfeitamente normal e legítimo que um mesmo sample seja a ferramenta de trabalho de todos os que queiram poli-lo. Em segundo lugar, entendo que a criatividade é fundamental nesta cultura. Logo, qualquer produtor que se preze, munido da sua arte e engenho, procurará pegar num trecho de uma música de modo a obter dali uma peça exclusiva. Assim, dificilmente serão criados instrumentais iguais e não haverá lugar para suspeitas de usurpação de ideias. Quem labora com um mesmo sample é alguém que com outra experiência e sensibilidade artísticas tentará imprimir o seu toque pessoal na obra, conferindo a sua valia técnica e reinventando outras possibilidades musicais. São ridículas algumas polémicas que se levantam que nem poeira, toldando as pessoas da verdadeira realidade: cada produtor possui as suas ideias e processos criativos próprios ao engendrar um instrumental e não é justo que os sucessores do primeiro produtor a usar determinado sample sejam apelidados de imitadores.Para justificar o que atrás referi, trago-vos três instrumentais que se basearam na mesma música. O tema samplado é “Let The Dollar Circulate” de Billy Paul, que foi incluído no álbum «When Love is New» de 1975. Billy Paul nasceu a 1 de Dezembro de 1934, em Filadélfia. Começou precocemente a cantar e nos anos 50 e 60 já fazia companhia em palco a muitos dos grandes nomes da cena musical norte-americana. Coleccionou sucessos, fazendo uma notável carreira nos domínios da Soul e do R&B com canções como “Me & Mrs. Jones”, “Let ‘Em In”, “Your Song”, “Only The Strong Survive” e “Thanks For Saving My Life”.
O primeiro instrumental que apresento é da autoria de 9th Wonder. Destacadíssimo produtor da Carolina do Norte, 9th Wonder já colaborou com alguns dos mais meritórios artistas do Hip Hop norte-americano. Granjeou o reconhecimento do público fazendo parte do grupo Little Brother. 9th Wonder é um fiel discípulo de produtores como Pete Rock e Premier. Neste instrumental, a Nona Maravilha conseguiu um resultado soberbo. É carregar no play e confirmar.
O segundo instrumental é uma cortesia de J Dilla. Já teci algumas considerações sobre J Dilla aqui. Artista de mão cheia, não necessita de apresentações. Forneceu este beat a Steve Spacek, inglês que cruza géneros vários mas sempre norteado pela Soul, onde se assume como um ponta-de-lança. A canção é estrondosa e faz parte do álbum “Spaceshift”, lançado em 2005 pela editora Sound In Color, sediada em Los Angeles.
O terceiro instrumental foi uma descoberta casual que fiz no youtube. O produtor é um perfeito desconhecido. No entanto, o resultado final é muito bom e merece absolutamente uma audição. Tony Tato é assim que se apresenta.
O que pretendi relevar aqui é que, desde os nomes maiores da produção de batidas a nível mundial como 9th Wonder e J Dilla até completos anónimos como Tony Tato, todos eles realizaram instrumentais belíssimos e distintos apesar de terem usado o mesmíssimo sample. Em suma, estes produtores trabalharam a mesma amostra à sua maneira, sendo que os instrumentais, precisamente por essa diferença, mostraram-se transbordantes de sublimidade, acentuando a multiplicidade de soluções criativas que um único sample oferece.quinta-feira, 19 de março de 2009
J Dilla Changed Our Lives
J Dilla mudou as nossas vidas. A de todos os que gostam de Hip Hop. Digo-o peremptoriamente. Poderia basear-me somente na minha pessoalidade e exprimir a admiração que nutro por J Dilla. Porém, coloco definitivamente a afirmação no plural, por ter a plena consciência de que J Dilla não tocou somente o meu coração. Ele conquistou o mundo, com o seu talento, com a sua obra extraordinária, com a sua paixão pela música e pela cultura Hip Hop. Onde quer que esteja hoje, J Dilla deve estar orgulhoso e pode descansar em paz, pois deixou na Terra pegadas intemporais, conservadas pelo estatuto de mito dentro da comunidade Hip Hop.
Natural de Detroit, J Dilla cresceu rodeado de música, por influência directa dos seus pais. Em virtude desse facto, precocemente ganhou uma forte educação e paixão musicais. Há quem diga que J Dilla só veio a este mundo para nos presentear eternamente com o seu primoroso dom. James Dewitt Yancey a.k.a. Jay Dee a.k.a. J Dilla rapidamente se notabilizou, tendo sido o mentor do aclamado grupo Slum Village. No seu currículo, são infindáveis as colaborações que fez enquanto MC e produtor. J Dilla criou batidas para gente ilustre, desde The Pharcyde, Common, passando por De La Soul, A Tribe Called Quest, até Busta Rhymes, entre muitos outros. Essas mesmas figuras do rap eram fãs de J Dilla e beneficiaram muito do toque de Midas do genial produtor. Outros arquitectos de batidas, inclusive mais bem sucedidos em termos de vendas, nunca tiveram pejo em afirmar a influência de J Dilla nos seus trabalhos.
Com uma sonoridade difícil de classificar, em virtude da sua versatilidade mas também pelo experimentalismo característico das suas produções, J Dilla fundou um estilo único, onde o extremo bom gosto impera, catapultando-nos obrigatoriamente para um outro universo sonoro. J Dilla introduziu no jogo das produções uma classe, um brilho, um requinte, um sabor, uma emoção, perfeitamente ímpares. Dominando a MPC, namorando com os instrumentos ou empunhando o microfone, Jay Dee realizou um trabalho maravilhoso e inesquecível. Envolto numa aura magnificiente, J Dilla era acarinhado pelas mais diversas celebridades musicais, tanto pelo seu génio como pela sua postura sóbria.
Então por que partiu J Dilla injustamente tão cedo, três dias depois de completar 32 anos? A vida tem mistérios insondáveis é certo, mas ainda assim Yancey teve oportunidade de deixar um vastíssimo espólio e o seu fantástico exemplo de vida. A doença que ceifou a vida de J Dilla – lúpus – corroera-lhe o corpo durante cerca de quatro anos. Desde 2002, altura em que soube do diagnóstico, até falecer, em 2006, “o produtor favorito do teu produtor favorito” foi resistindo bravamente às agruras da doença. Não deixou que a abominável maleita o afastasse da sua paixão. Assim, J Dilla continuou envolvido em projectos, como até aí tinha feito. Apenas na fase terminal, em que a doença ganhara vantagem na batalha entre a vida e a morte, é que J Dilla foi obrigado a largar definitivamente as notas musicais. Porém, já tinha preparado a sua partida, deixando três álbuns originais prontos para serem editados: “Donuts”, “The Shining” e “Jay Love Japan”.
J Dilla deveria ter vivido muito mais tempo, de modo a presenciar, in loco, a toda a aclamação que lhe devotam. Ele merecia. Todavia, J Dilla vive em cada instrumental que criou. Uma a uma, cada batida é uma gota de genialidade que lhe escorreu da alma. J Dilla faleceu mas legou à humanidade um cardápio de canções que nos faz sentir o valor da vida, que nos transmite a emergência de viver, essa dádiva celestial. Yancey, tal como Alberto Caeiro, era do tamanho do que via. Inovador, visionário, sempre empenhado na perseguição da originalidade. Foi um ser humano altruísta, predestinado a alimentar o espírito de todos os apreciadores da arte e ciência de combinar harmoniosamente os sons. Deu-nos música como quem nos dá matéria essencial para a vida. Preciosa, única, apaixonante. Por isso, é eterna a existência e obra de James Dewitt Yancey.
O exemplo de J Dilla e a sua criação despertam-nos para a vida. Lembram-nos que não há tempo a perder para nos entregarmos ao que realmente amamos. Ele, que preencheu os seus dias a fazer arte, incita-nos através desse modelo a sermos determinados, perseverantes, lutadores e corajosos. A estes predicados juntou-se o talento em J Dilla. A sua música entra-nos pelos canais auditivos, numa osmose de êxtase e de nirvana, atravessa todo o nosso corpo e infiltra-se no nosso espírito até atingirmos a satisfação plena.O maestro James Dewitt Yancey nasceu a 7 de Fevereiro de 1974 e faleceu a 10 de Fevereiro de 2006 mas, assim como com o mestre Alberto Caeiro, entre a data do seu nascimento e a da sua morte todos os dias foram seus. O mais reconfortante de tudo é saber que os dias vindouros também serão eternamente de J Dilla, pois ele é a luz permanente que irradia, desde o céu, a inspiração!
