Mostrar mensagens com a etiqueta Kaku. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Kaku. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Red Bull BC One USA 2009 (As Fotos)

O Red Bull BC One USA 2009 primou mais uma vez pela alta craveira dos participantes. Há quem considere esta edição uma das melhores de sempre. As grandes batalhas foram uma constante, o divertimento também marcou presença (e em grandes doses). O facto de se ter realizado em Nova Iorque revistiu a edição de 2009 com um significado extra. KRS-One foi o host óbvio dos mais de 1600 entusiastas nas bancadas. Nascido na Argélia, mas vivido em França, Ali Ramdani aka Lilou levantou pela segunda vez o grandioso cinto BC One. É já um marco histórico na prova. As suas performances libertam sempre a ideia de ele próprio se divertir na pista mais do que qualquer outro B-Boy. Na superfinal, disparou os cartuchos suficientes para alvejar 'mortalmente' Cloud, outro gigante do B-Boying. Exibindo "I'm Muslim, Don't Panik" na roupa, Lilou abateu com o seu corpo um concorrente da Ucrânia (Kolobok) e três dos quatro norte-americanos em prova (Thesis, Morris e Cloud). Pode-se dizer que Lilou lançou o pânico em Nova Iorque e poderá agora almejar o título que para muitos assenta-lhe que nem uma luva (cinto?): o de melhor B-Boy do universo.

Depois dos vídeos, seguem-se as fotos, que captaram os melhores instantes da competição:

No dia da grande noite

Na noite do grande dia

1600 entusiastas nas bancadas

KRS-One sabe tratar o mic como ninguém

16 B-Boys de 11 países distintos

Kid Glyde, o único norte-americano a representar a cidade

Lagaet e Neguin em estreia absoluta

Apesar das aparências, foi o brasileiro a sair por cima de Lagaet

Menno viajou da Holanda para fazer as malas a Kid Glyde

Kaku a girar perante o impertubável Cloud

Quando Cloud se iniciou em pista...

... despachou o japonês

O venezuelano Lil G deu réplica a Morris...

... mas o americano voou para a eliminatória seguinte

A exuberância de Differ...

Respect!

KRS-One também se rendeu às acrobacias

Kolobok foi a primeira vítima de Lilou

Punisher estatelou-se perante Wing

Lilou saltou sobre Thesis na segunda disputa

A elasticidade de Morris...

A elegância de Cloud...

Neguin só foi surpreendido por Cloud

Lilou e Morris iniciaram a semi-final a dançar...

... e acabaram a dar espectáculo...

... um dos grandes momentos do argelino...

... e mais um, entre tantos outros

Cloud e Lilou brilharam na grande final

Acabando por ser Lilou o mais iluminado da noite

Uma diferença mínima, um vencedor máximo

Já não são um, mas sim dois, os BC One assinados por Lilou!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Red Bull BC One USA 2009

Red Bull BC One é um dos maiores espectáculos de B-Boying do mundo, sendo mesmo considerado o grande baluarte dos confrontos denominados one-on-one. Para os que tão pouco conectados com o assunto, basta dizer que dois B-Boys se defrontam em batalhas de duas ou três rondas, onde expõem todo um leque de movimentos, acrobacias (que possuem os seus nomes técnicos), num composto de criatividade, estilo e skills, com o intuito de deslumbrar a plateia mas, sobretudo, convencer os júris (afinal são estes que decidem). Isto tudo porque está em jogo, além do prestígio e brio internacionais, um cinto imponente, vistoso e portador da mística dos mais possantes e bem sucedidos. Para o vencedor, o direito de ostentar o dito objecto durante um ano, ou seja, até à edição seguinte. Curiosamente, após vencer a competição em 2005, Lilou (que representa a França e a Argélia) não mais devolveu o cinto à organização, defendendo-se com a tese de que se o entregasse não teria como saborear o título conquistado...

Foi em 2004 que a Red Bull organizou o primeiro BC One, instalando-se na Suiça e consagrando o americano Omar como o primeiro campeão, numa final contra o compatriota Ronnie - um dos símbolos do Red Bull BC One. Um ano volvido, Berlim presenteou Lilou com o tão desejado cinto, após duelo final contra Hong 10. Mas não demorou muito até o sul-coreano arrecadar o título. Foi na edição seguinte, no Brasil, que Hong 10 superou todos os outros B-Boys, batendo Ronnie (EUA) no derradeiro combate. Curiosamente, também o americano haveria suplantar essa derrota com o título de campeão um ano depois, na África do Sul. Em 2008, Paris premiou outro sul-coreano, o habilidoso Wing, após uma final asiática contra o japonês Taisuke.

Neste ano de 2009, o Red Bull BC One já se previa especial muito antes de se conhecerem os B-Boys em competição. Isto porque o solo do Hammerstein Ballroom, em Manhattan, Nova Iorque, foi o piso escolhido para receber as carícias dos 16 Break-Boys de 11 países de todo o globo. Pela primeira vez na sua curta história, o Red Bull BC One decidiu embalar (ou abalar) a cidade berço do Hip Hop, e só por isso esta seria, certamente, uma edição com outro sabor para os participantes. Os fãs do evento, ávidos por degustar a espectacularidade do mesmo, vazaram os bilhetes em 30 minutos. O grande momento foi assinado a 18 de Novembro. Moldada a arena que receberia os B-Boys, alinhado o quadro de combates, abertas as portas aos fãs e, de seguida, lotadas as bancadas, batia a hora do início do show.


O grande host da noite foi, naturalmente, o primeiro a pisar o recinto. Envergando "The Emcee" nas costas, KRS-One abriu a cortina de euforia da plateia, quando iluminou o clássico "Step into a World (Rapture's Delight)". O boom-bap nova-iorquino a aguçar o apetite de todos os aficionados presentes. Seguiu-se DJ DP One, o disk-jokey contratado para ofertar a banda-sonora da noite. Um a um, os júris foram entrando ordenados pela chamada: Ronnie (EUA), Katsu (Japão), Float (lenda americana da década de 80), Cico (Itália) e Salah (França). Logo a seguir, os artistas mais aguardados pelo público circundaram a pista, sendo apresentados um a um. Minutos depois, o show começou.

Ao grito de "Let the battle begin" da voz rouca do 'professor' KRS-One, os B-Boys foram desfilando o seu portfólio acrobático. Como cada combate tem uma história diferente (embora guiões semelhantes), seguem-se as imagens de todos os rounds do Red Bull BC One 2009:
Oitavos-de-final

Neguin (Brasil) 4-1 Lagaet (Portugal)


Na abertura dos confrontos, nada melhor que um duelo em português, entre dois estreantes na competição. Lagaet (Momentum Crew) carregou nos ombros a relevância de ser o primeiro luso a competir pelo título BC One. Originário de Santa Catarina, Neguin (Tsunami All Stars) também nunca tinha pisado o palco da Red Bull. Após pouco mais de dois minutos (regados com músicas de Eric B & Rakim e Barry White), os júris renderam-se à mescla de capoeira e breakdance do brasileiro Neguin, oferecendo-lhe uns contundentes 4 votos, contra apenas 1 de Lagaet. A estreia do jovem professor de dança português esgotou-se na primeira eliminatória, todavia, a grande réplica oferecida a Neguin não o desprestigiou de maneira alguma.

Menno (Holanda) 4-1 Kid Glyde (EUA)


Seguiram-se Menno e Kid Glyde. Este último, B-Boy da crew Dynamic Rockers (consagrada na última EuroBattle em Portugal), também em estreia, actuou em casa, mas nem esse factor o fez sobressair do adversário. O holândes Menno registou a seu favor o mesmo resultado do duelo de abertura: 4-1.

Cloud (EUA) 5-0 Kaku (Japão)


No terceiro combate, o japonês Kaku (Mortal Combat e Cube) optou quase sempre por divertir-se de cabeça para baixo. Perante isto, Cloud não sucumbiu e com toda a mestria levou o júri até às nuvens, que não podia ter sido mais esclarecedor na votação.

Flying Buddha (Rússia) 2-3 Differ (Coreia do Sul)


O quarto frente-a-frente foi tão renhido que Salah - um dos júris - viu-se obrigado a votar nos dois B-Boys, exigindo de seguida nova ronda para dissipar as suas dúvidas. O coreano Differ aproveitou a oportunidade para mandar para casa Flying Buddha, o Break-Boy (filho de pai coreano e mãe russa) que representa a nação onde nasceu, Ucrânia, juntamente com o país que o acolhe actualmente, a Rússia.

Morris (EUA) 4-1 Lil G (Venezuela)


Ao som de Big Daddy Kane, Lil G (da crew Speedy Angels Family - que também já triunfou em Portugal) pareceu inicialmente agarrar a plateia, mas segundos depois a versatilidade de Morris começou a somar pontos. No fim das contas, o B-Boy da West Coast averbou 4 e o venezuelano apenas 1.

Wing (Coreia do Sul) 3-2 Punisher (França)


O estreante Punisher foi baptizado pelo campeão em título Wing. O sul-coreano havia arrecadado no ano passado o cobiçado cinto, precisamente no país do seu adversário. A disputa foi morna, tendo sido o B-Boy asiático premiado com a vitória. Punisher ainda recebeu os dois primeiros votos, contudo, o mais matreiro, Wing, levou os três restantes.

Lil Ceng (Alemanha) 1-4 Thesis (EUA)


Thesis viajou de Seatle para Nova-Iorque carregando consigo o B.I. mais jovem em prova (começou no B-Boying aos 8 anos). Lil Ceng (elemento das crews Flying Steps e Style Crax) nasceu na Macedónia mas cresceu na Alemanha. Mais experiente nestas andanças, Lil Ceng alcançou na edição passada a semi-final. Desta vez, evaporou-se na primeira eliminatória, isto porque Thesis bateu-o por claros 4-1.

Lilou (Argélia) 5-0 Kolobok (Ucrânia)


Lilou é, indubitavelmente, um dos B-Boys mais carismáticos e divertidos no panorama actual. A sua história no Red Bull BC One é digna de registo: na primeira participação arrecadou logo o título; no total das seis edições (desde 2004) competiu em quatro delas, tendo sido convidado para júri em 2008. Nessa edição, Kolobok granjeou atingir as meias-finais. Este ano, Lilou começou desde logo a cilindrar os adversários. Kolobok foi apenas o primeiro.

Quartos-de-final

Menno (Holanda) 1- 5 Neguin (Brasil)

Depois de eliminar o português Lagaet, o representante brasileiro, que já averbou vários títulos no seu país, fez valer a sua maior irreverência para esmagar Menno (5-1, com 2 votos de um só júri), embora o holandês possua uma maior rodagem internacional (integra três colectivos: Mighty Zulu Kingz, Hustle Kidz e Def Dogz). Em 2007, Menno chegou mesmo a subir ao lugar mais alto do pódio de outra competição de alto gabarito: o UK B-Boy Championships.

Cloud (EUA) 5-0 Differ (Coreia do Sul)


Após vários segundos sem qualquer iniciativa dos dois B-Boys, Cloud assume os primeiros passos, numa demonstração de personalidade perante o sul-coreano Differ (T.I.P. e Seven Commandoz). Embora carreguem estilos semelhantes, a maior variedade e exuberância dos truques exibidos por Cloud pareceu facilitar a árdua tarefa dos jurados, que acabaram por ser unânimes no veredicto final. Contudo, esta terá sido uma das melhores batalhas.

Morris (EUA) 5-3 (4-1) Wing (Coreia do Sul)


Seguiu-se mais um grande desafio EUA-Coreia do Sul. E mais uma vez o americano saiu por cima (que disputa!). Antes do início do torneio, Morris tinha vincado o desejo de roubar o cinto de campeão a Wing. O frente-a-frente não se deu na final, antes nos quartos-de-final, acabando por ser uma batalha excitante, divertida, duradoura, e recheada de inúmeras provocações de parte a parte (saudáveis e normais nesta modalidade, diga-se). Tudo porque ambos se esmeraram e se exibiram a um grande nível, provocando no júri uma indecisão total. Contudo, a primeira (e supostamente única) contagem atribuiu a vitória a Morris por 5-3(!), mas ninguém parecia convencido. Então saiu mais uma ronda e, após o seu término, a confirmação da passagem do norte-americano.

Thesis (EUA) 2-5 Lilou (Argélia)


Todos os duelos onde alinha Lilou geram sempre grande expectativa. O 1-on-1 com Thesis não fugiu à regra. Mais uma oportunidade para o argelino (estabelecido em França) desfilar o seu talento como entertainer. Sete são os anos de diferença entres os dois B-Boys. Lilou é um peso-pesado destas competições. Embora já tenha arrecado alguns prémios internacionais, Thesis é um nome que poucos terão assente na memória. Como se previa, Lilou divertiu a plateia e foi novamente premiado pelos júris.

Semi-final

Cloud (EUA) 5-0 Neguin (Brasil)

Nas duas semi-finais previa-se emoção, espectáculo e êxtase em quantidade superior às eliminatórias anteriores. Nos confrontos passaram-se a contar três rondas de demonstrações para cada lado. O estreante Neguin já se havia estabelecido nesta altura como uma das agradáveis surpresas da edição de 2009. Irreverente e atrevido nas performances, Neguin enfrentaria, contudo, aquele que terá sido, na minha opinião, o B-Boy mais surpreendente: Daniel 'Cloud' Campos (representante da crew Skill Methodz). Ele que figurou vários anos na turma de dançarinos de Madonna e que regressara às pistas de competição. O combate pareceu inicialmente equilibrado, mas, para mal dos pecados de Neguin, Cloud decidiu abrir completamente o livro. Impressionante a rapidez e elegância dos golpes do B-Boy nascido nas Filipinas. Uma performance arrebatadora!

Morris (EUA) 0-5 Lilou (Argélia)


Morris e Lilou. Flexible Flav versus Pockémon Crew. Dois break-boys ágeis, velozes e versáteis. Depois de neste ano já ter erguido o troféu de vencedor do UK B-Boy Championships, Morris alcança a semi-final do Red Bull BC One. E só não adquiriu entrada para a grande final porque o incontrolável Lilou se apoderou do último bilhete que restava, graças a mais uma enorme série de arriscadas acrobacias. A plateia berrou o seu nome, o júri ergueu-o por 5 vezes.

Final

Cloud (EUA) 2-3 Lilou (Argélia)


O derradeiro one-on-one da noite. O climax do Red Bull BC One! Na pista, Cloud e Lilou. Chegaram à última exibição da noite com pontuações máximas nas semi-finais (Cloud coleccionou mesmo três '5-0' em todas as eliminatórias!). Um estreante contra um dos nomes carismáticos da competição. Dois estilos diferentes a confrontarem-se. Ao longo da prova Cloud exibiu-se sempre com extrema sagacidade. Pragmático e de enorme carácter, aparenta agir sempre nos momentos cruciais do combate. Os movimentos, esses, parecem resgatados ao mundo cinematográfico. Já lilou é o espectáculo dentro do próprio espectáculo. Permanentemente activo, esbanja enormes doses de humor quando se movimenta na pista, não se coibindo de libertar toda a electricidade que o seu corpo produz. A performance de ambos previa-se de nível idêntico, e assim foi. O juízo final antecipava-se renhido, e os números não enganam. Dois cartões para cada lado. Mas restava um. Esse iria consagrar "Lilou" a palavra mágica da noite...