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domingo, 3 de junho de 2012

HIPHOPulsação Magazine #02 - Junho

O nº2 da HIPHOPulsação Magazine já está disponível. Esta edição de Junho estreia um artista nacional na capa, Virtus. Para além da grande entrevista com o MC/Produtor do Porto, há muito mais para ver. A revista pode ser vista ao detalhe a qualquer hora no site www.hiphopulsacao.com.

Eis alguns dos conteúdos de Junho:

Artigos de opinião
- "A Golden Age existiu?"
- "A melhor rima de sempre"
Entrevistas
- Virtus
- Dead End
Reviews
- Deau
- Kacetado
- Virtus
Reportagens
- Sam the Kid vs Mundo Segundo
- Immortal Technique
- Red Bull BC One Chyper Portugal
Graffiti
- Filmografia
- Exposição "Arte ou Vandalismo? Decida Você"


sábado, 31 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Álbum de Capicua para download

Tracklist e download do álbum

O nome pode soar a novo mas Capicua é um segredo que o Hip Hop português guarda há demasiado tempo. Concretamente desde meados da década de 90 no Porto, onde pintava na rua com os rapazes, invicta entre os primeiros writers e MC em potência. Senhora do seu nariz, eterna militante do inesperado, Capicua não é de fácil rotulagem. Apesar de estar longe do "retrato robot" típico de um rapper, é o Rap que faz o seu coração bater a 120 bpm's. E foi precisamente do seu lugar cativo fora da caixa que ganhou a aprovação da turma.

Na vida real, Ana cresceu numa família feliz, teve uma educação marxista, estudou sociologia, fez um doutoramento em Barcelona e a caminho dos 30 construiu a sua identidade algures entre a maria rapaz, a dona de casa que gosta de telenovelas e a tripeira de vontade férrea!

Depois de dois EP’s em colectivo, de uma mixtape a solo com beats de DJ Premier e de inúmeras colaborações em projectos de alguns dos mais conceituados Dj’s e Produtores nacionais, Capicua confirma o seu trajecto num álbum maior. De rima ágil e verbo pungente, a MC cresce sobre instrumentais de D-One, Ruas, Sam the Kid, Xeg ou Nelassassin, e enfrenta o momento, o movimento e a sua própria identidade com sensibilidade, bom humor e valentia. Terna e feroz, íntima e torrencial, Capicua rima como é, coisa rara e preciosa.

O álbum saiu pela Optimus Discos a 13 de Fevereiro de 2012. O single tem beat de Sam the Kid e o seu título, "Maria Capaz", corre o sério risco de tornar-se um epíteto.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

terça-feira, 15 de março de 2011

Snake (15 de Março de 2010)

Completa-se hoje precisamente um ano desde que Nuno Rodrigues aka Snake foi mortalmente alvejado por um agente da PSP que, até à data, continua em liberdade, estando a ser julgado desde Fevereiro último. Na próxima sexta-feira realizar-se-à uma simbólica homenagem a Snake, na Pedra do Couto, em Santo Tirso, numa cerimónia que contará com a presença, entre outros, de Sam The Kid.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Reportagem: Nocas, Regula & Reks @ Hard Club (5 de Março)

Mais uma noite de grande rap em perspectiva, mais uma ida ao Hard Club. Saudável rotina em que se está a tornar. Desta vez, Nocas (+ Dior), Regula (+ Sam The Kid) e Reks (+ DJ Premier... Não!!! Mentira, mas que bom que seria!!!). Dois nomes de respeito do rap nacional, mais um talento em crescendo no rap americano, que veio culminar no Porto a tour europeia de apresentação do seu mais recente disco: "R.E.K.S. (Rhythmatic Eternal King Supreme)". A noite de 5 de Março prometia.
Com apresentação de Maze, o primeiro a subir ao palco foi Nocas. Eram certamente muitos os que aguardavam pela oportunidade de ver este valoroso rapper ao vivo, depois da aclamada mixtape que lançou ("Manutenção") e da longa ausência dos palcos. Auxiliado por Dior, Nocas esteve exímio com o microfone na mão, mostrando-se sempre seguro, descontraído e comunicativo. Apesar de não ser um artista que se exiba regularmente (muito pelo contrário), o rapper de Aldoar é portador de uma acentuada admiração no seio dos aficionados de rap nortenho e prova disso foi o caloroso acolhimento por parte da plateia (embora esta tenha esmorecido em certos períodos) que compunha muito bem a sala (algo distante da lotação máxima, mesmo assim). O grande momento da actuação de Nocas foi guardado para o fim, com o clássico "Expansão Suspeita" a ser interpretado em dois beats diferentes, acabando acompanhado pelas acrobacias do b-boy matosinhense Aiam (ele que até à altura assumira o comando da mesa dos pratos)

Seguiu-se Regula, com o seu estilo muito particular e a lírica que o caracteriza. Apresentando temas quer dos seus álbuns quer das suas mixtapes, Gula fez-se acompanhar por Holly-Hood e Short Size (Show No Love) e ainda DJ Kronic e não desiludiu os seus fãs, ávidos por o ouvir cuspir no microfone. Deu um concerto talvez demasiado longo, mas entregou-se a fundo. Com ele, trazia um trunfo que sozinho era gerador de compensar qualquer desastre em palco de todos aqueles que estavam em cartaz: Sam The Kid! E como o povo se mostrou feliz quando ele entrou em cena... STK surgiu para pôr em práctica sons de projectos alheios onde participou juntamente com Regula, como a mixtape de Xeg, o álbum de New Max ou "Kara Davis" do próprio Bellini. Escusado será dizer que as rimas de Sam (sobretudo) foram acompanhadas por inúmeras vozes entusiastas, tendo a faixa de "Kara Davis" posto o Hard Club em polvorosa como nenhuma outra naquela noite. Regula sentiu o calor tripeiro pela segunda vez em 2011 e foi ele (e Sam the kid, claro!) quem gerou maior êxtase no público na noite de 5 de Março.

Finalmente, Reks punha a casa em alvoroço. Quer dizer, punha alegres aqueles que esperaram para o ver. De facto, muita gente se retirou assim que acabaram as actuações lusas. Convenhamos que os concertos começaram às 2h50. Reks começou quase às 5h da matina. É só fazer as contas e pensar se vale mesmo a pena começar tão tarde e depois o cabeça de cartaz, vindo dos States, entrar em palco, olhar o público e ver grandes clareiras. Não obstante este facto, Reks mostrou ânimo e derramou paixão sobre aquele mic. A sua exibição no Hard Club foi a confirmação de um artista de mão cheia, com grande capacidade lírica que se mostra arrasador cuspindo nos beats de Premier e Statik Selektah (sobretudo destes dois)! Do alinhamento que Reks escalou, incidência óbvia nos dois últimos álbuns, sem esquecer grandes malhas como "Say Goodnight" ou "The One". De sublinhar a (dizemos nós) surpreendentemente fria recepção a "This or That", a contrastar com a boa reacção a "25th Hour", um dos novos sons de Reks, que acabou por ceder ao pedido de vários dos presentes e repetiu o tema antes de se retirar do palco.

O seu respeito pelo show, pelo público, o seu carácter e humildade, ficaram impressos quando ofereceu o seu chapéu a um fã que lhe clamou por esse gesto (também o relógio que trouxe no pulso voou para a plateia). Reks fê-lo prontamente (note-se que o MC americano se exibiu sozinho em palco, tendo sido somente acompanhado atrás dos pratos por D-One)! É muito bom ver estes nomes americanos de grande qualidade a passarem pelo Porto, mas melhor seria que o público mostrasse maior entusiasmo e não abandonasse a sala assim que terminam as actuações portuguesas.

Resumindo, foi mais uma bela noite, sem dúvida, apesar da debandada que antecedeu a entrada de Reks, o que acabou por esfriar naturalmente as hostes. Todavia, todos se empenharam ao máximo em palco para proporcionarem um momento bem passado aos presentes. Isso é meio caminho andado para um espectáculo ter êxito. Que venha a próxima noite no Hard Club, com bons artistas nacionais e com grandes rappers/grupos internacionais. Só nós sabemos porque não ficamos em casa!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

D-Mars - "Subterrânea Vol.1" (1999)

Editada há mais de uma década unicamente em formato de cassete pelas mãos de D-Mars, a compilação "Subterrânea" renasce agora digitalmente por iniciativa do próprio produtor/MC/DJ luso-croata. Aos instrumentais inteiramente produzidos por D-Mars juntaram-se grandes nomes do rap português que, à altura das gravações, mantinham uma carreira ainda algo imberbe, como eram os casos de Sam the Kid, Chullage ou Xeg. Esta é pois uma boa oportunidade para (voltar a) escutar alguns temas da velha escola nacional perdidos nos já longínquos anos 90.

Tracklist:
1- Xeg, Sam The Kid, NBC, Black Mastah, Ridículo, D-Mars, Vitoni - "Subterrânea"
2- Chullage - Resistência
3- Ridículo - It´s Ridiculous
4- Projecto Secreto (Xeg & Vinagre) - Directo
5- Sam The Kid - Autoavaliação
6- Xeg & D-Mars - O Jogo
7- DJ Kronic - Raska Style
8- Projecto Secreto (Xeg & Vinagre) - Mundo Adormecido
9- 6º Templo - Microfobia
10- Filhos De Um Deus Menor (NBC & Black Mastah) - Povo Em Busca De Um Milénio
11- Ridículo - Teoria da Conspiração
12- Chullage - Ciclo Infernal
13- 6º Templo - Eu Sou
14- D-Mars - Mano

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mais duas parelhas lusófonas



Nova conexão Chelas-África por parte de Sam The Kid, desta feita com o rapper moçambicano Impro, conhecido sobretudo pelo seu primeiro single a solo "Number One". STK será, muito provavelmente, o obreiro de mais este belíssimo instrumental.



Já Bob da Rage Sense integrou o álbum de estreia do duo angolano Filhos da Arte (Spike e BeQ), intitulado "De Volta À Essência", que teve edição em 2010.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Kumpania Algazarra - Donde La Vida Va (Sam The Kid Remix)

Espectacular remistura de Sam The Kid de uma das canções da Kumpania Algazarra. O vídeo é muito bom também.

domingo, 20 de junho de 2010

SampleMania: "Feeling Good"



Anthony Newley foi um cantor, compositor e actor inglês que iniciou uma carreira artística por meados dos anos 50 e que teve o seu término quando faleceu em 1999. Leslie Bricusse, também ela uma compositora britânica, ocupa ainda os seus 79 anos de vida escrevendo musicais, isto numa altura em que parece já ter arrumado para canto a composição de canções fora desse âmbito teatral (ela que deixou as suas impressões digitais em alguns sucessos de grandes nomes). Esta dupla de compositores tem em comum o facto de ter recolhido uma considerável popularidade na década de 60 quando se incidiram na criação de vários musicais, precisamente. Em 1964 estariam longe de imaginar que um pedaço da banda-sonora de “The Roar of the Greasepaint – The Smell of the Crowd” iria ser ressuscitado pelas gerações seguintes, até à dos dias de hoje. Falo concretamente de uma das muitas canções reproduzidas por Negro & The Orchans durante o tal espectáculo: “Feeling Good” (vídeo acima). Esta peça musical partiria desde essa época numa viagem pelo tempo, atravessando longos anos a renascer em covers de um qualquer artista, num qualquer estilo musical.



Nina Simone terá sido apenas a primeira a morrer de amores por esse tema. John Coltrane também não lhe resistiu, soprando toda a sua admiração pelo o interior do seu saxofone. O Rock começou por ficar in love com a declaração pública dos ingleses Traffic, na entrada para a década de 70. Com relativa frequência também se testemunha a Pop a cantarolar a famosa letra de Anthony e Leslie.



Foquemo-nos no registo gravado por Nina Simone para o seu disco “Put a Spell on You”, de 1965. Tem sido elegido para soundtrack de filmes e séries de tv de modo recorrente. A sua “Feeling Good” terá sido, porventura, a música mais samplada do seu extenso repertório. Também no que ao Hip Hop diz respeito, esta é a versão que tem caído no goto, ou melhor, nos beats de inúmeros produtores internacionais... e nacionais.



Quem já ouviu o último álbum de Bob da Rage Sense por certo deslumbrou o fragmento recolhido de “Feeling Good” exposto no single “Andar à Chuva”. O acto foi concebido pelos dedos de Sam The Kid, com um resultado final deveras delicioso. De Chelas para Portimão os gostos parecem não se diferenciar muito. Pelo menos da prateleira de STK para a de Gijoe. O DJ e produtor algarvio também já se recriou com o vinil de Nina Simone, quando confeccionou um instrumental para o seu compatriota da Kimahera Kristo, nomeadamente a faixa “Eu Sou Tipo”.





Atravessando fronteiras, sem, contudo, abandonar a Europa, detecto desde logo uma intervenção idêntica na região escandinava deste continente. Promoe – proeminente rapper do colectivo sueco Looptroop Rockers – marcou o primeiro dia do ano passado com um novo som a que só lhe poderia chamar “New Day”. A produção coube a uma dupla originária de Estocolmo (cidade na vanguarda do rap sueco) chamada Astma & Rocwell. O sample, esse, é indubitavelmente de Nina Simone. Outra ode feita por aquele país (limitando-me ao Hip Hop, naturalmente) a esta diva do Jazz partiu do grupo Fjärde Världen, na faixa "Ingen Annan", do disco "Världsomspegling".





Mal seria se no país de Nina Simone não houvesse quem “brincasse” com a sua obra. Já muitos o fizeram e outros continuarão com certeza a fazê-lo. AZ, por intermédio do produtor Goldfinga, recolheu na americana inspiração para o primeiro minuto e meio do álbum “Pieces of a Man” (1998). Curiosamente, RZA pegou em “Feeling Good”, mas não em Nina Simone. A cantora Freda Payne havia também ela feito uma cover de Nina Simone, e foi essa versão que o produtor e rapper do clã Wu-Tang foi resgatar para o seu terceiro disco - "Birth of a Prince".

domingo, 13 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sam The Kid...

... disponibilizou no seu blog um programa sobre Hip Hop que nunca chegou a ir para o ar. Independentemente dos anos que já tenha, vale a pena ver, que é interessante. www.neuronewz.blogspot.com

sábado, 22 de maio de 2010

Valete + Sam The Kid + Xeg + Regula = Sopranos



"Sopranos" é o último colectivo a fundir-se no Hip Hop nacional e é constituído por quatro elementos bem conhecidos do movimento: Valete, Sam The Kid, Xeg e Regula. A primeira junção destas quatro vozes deu-se no som intitulado "MPC" que integra a mais recente mixtape de Xeg, "Egotripping". Resta aguardar por novos episódios...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Karaboss Remix



* Pelo que nos foi dado a entender, o link para download do single que disponibilizamos aqui não é oficial, logo, seria um estimulo à pirataria. Pedimos desculpa aos intervenientes porque, de facto, só o fizemos por termos a percepção de ter sido disponibilizado pelos próprios artistas.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Em Memória de Snake...



O legado de Snake no rap nacional foi curto mas mesmo assim não deixou ninguém indiferente. Tinha dois sons mais mediáticos, ambos com Sam The Kid, e outros dois mais underground, resultantes de participações nas mixtapes de Regula “Kara Davis Vol.2” e «De Volta ao Serviço», de DJ Cruzfader. Referência ainda para uma pequena introdução que fez num tema de Sam The Kid do seu álbum “Sobre(tudo)”, na faixa intitulada – amarga e vil coincidência - «P.S.P.». Nessa altura, recorde-se, Snake estava preso no Linhó, cumprindo a sua pena e a sua dívida à sociedade.

Apesar desse escasso trabalho no rap, ao nível da gravação de sons, Snake via serem-lhes reconhecidas capacidades no microfone e os ouvintes gostavam do seu estilo. Iniciado por Sam The Kid, que lhe deu uma chance no mundo da música, após o encarceramento no Linhó, Snake conseguiu assim reunir admiradores. A maior prova de grandeza de Snake no rap português é que lhe bastaram quatro sons para conseguir reconhecimento. O empurrão de Sam The Kid terá ajudado muito, claro. Mas a simplicidade, o entusiasmo, a forma de ser dele, terão também contribuído para a formação dessa empatia entre ele e o público.



Prestando tributo a este mártir do rap português, vou viajar pela música que Snake nos deixou. Em “Negociantes”, Snake faz uma espécie de balanço da sua vida depois de ter saído da cadeia. Assaltam-lhe as dúvidas. Que futuro para ele, originário de Chelas e com cadastro? Tudo interrogações levantadas por alguém que buscava um sentido para o resto da sua vida. De que serve a prisão? Para reabilitar gente? Ouvindo as palavras de Snake percebe-se que não. O que se escuta com mais força são os termos “fachada” e sistema. Foste culpado por tentares sobreviver, Snake? “Não, G., fui só mais um sacrificado!”. Ele não renega o seu berço e abertamente narra-nos as características do seu bairro, Chelas, lugar de crime, droga e violência. Todos sabemos que essas enfermidades só abundam em sítios onde as pessoas são negligenciadas e não lhes é dada uma oportunidade digna para sobreviverem.

Seguindo para outro tema, Snake teve uma boa prestação, talvez a sua melhor, em “Dopping” de Sam The Kid. “O que acontece no dia-a-dia é uma coisa chata”, analisa. Instigado a rimar, debruça-se essencialmente sobre os acontecimentos do quotidiano que lhe dizem respeito. Consciente de que o orgulho férreo pode levar-nos a um beco sem saída, Snake prova-nos aqui a sua humildade e simplicidade. Mais adiante, encontraremos ainda vestígios desse calibre como quando diz: “Tens de ser forte e dar o braço a torcer/ Para muitos é fraqueza para mim veio-me fortalecer”. O nativo de Chelas tinha noção perfeita dos erros que cometera enquanto jovem e nunca os negou. Pelo contrário, expunha-os como forma de nunca se esquecer deles e possibilitar um aviso, um conselho, para quem o estivesse a ouvir. Melhor do que palavras minhas para descrever Snake, nesse contexto, é lerem com atenção aquilo que sabiamente disse o próprio. Meditem:

“Apareceram más ideias pela cabeça e eu matei-as
Quando ‘tava a perder tempo a passar por várias cadeias
Da Judite a Caxias, do EPL ao Linhó
Foram noites e dias que tinha que me aguentar só
E não ser uma cabeça perdida
Para poder sair de cabeça erguida, sempre à espera da chance
Sara a tua ferida ou podes perder a tua vida
Que diga o meu sócio Bruno, o Deus o tenha em descanso
É nada por nada, é uma vida marada, entregues à bicharada
Prisioneiros do bairro, encostados ao muralha(?) a planear a fezada
Com a mãe desempregada sem fazer um caralho
Mas não é por isso que hei-de ficar fraco
Luto pela liberdade todos os dias para não ir de saco
Tiro pontos positivos numa situação inversa
Quando um gajo está em baixo basta só uma conversa
Para eu ficar mais forte!”



Bem forte, pelo exemplo e pelo conteúdo! Que esta “situação inversa” de Snake sirva para despertar e alertar a mente dos mais jovens. A revolução também se faz pelas palavras. Mas sem coragem, bravura, espírito de sacrifício e resistência também nada se consegue, e é isso mesmo que Snake exprime na sua participação na mixtape “Kara Davis Vol.2” de Regula.

«Continuo na luta, luta é sobrevivência», ora confiram Snake no mais recente trabalho de DJ Cruzfader:

“Somos puros por dentro esse é o lema da vida
Pros juízes e pros políticos isso não faz sentido
Não sabem nada da vida, não vivem onde eu vivo
Não têm rusgas à toa, não são revistados na rua
Não são pisados na esquadra, eles têm vida boa
(...)
Eu nunca os vi no meu bairro seja de noite ou de dia
Que raio de líderes são esses só fodem a banca aos dealers
Eu não fujo à realidade, eu aperto comigo
E pra nova geração, boy, aperta contigo
Mesmo que estejas na merda ou na banca rota
Eu sei que a força é pouca mas é melhor que a forca”

A revolta e os calos da vida estão atestados em todas as rimas que Snake cuspiu. De facto, só quem não conhece as dificuldades da vida ou as ignora, preferindo assobiar para o ar, é que pode afirmar sem decoro que as pessoas só porque nascem em determinados sítios têm de ser necessariamente más. Existe o preconceito. Há gente cheia de capacidades e de talento que simplesmente por não ser branca ou viver em determinado lugar ninguém lhes dá trabalho, quando estava perfeitamente habilitada para determinados cargos onde poderia representar mais-valias. Pior do que ver este esbanjamento de capitais humanos, é vê-los a terem de enveredar por vidas de ilegalidade e frustração. E muito pior do que isso, é verificar os políticos de meia-tigela que temos que só se preocupam a descer a determinados locais e bairros em campanhas eleitorais. Como Snake bem assinalou, a transformação e a força tem de vir de nós mesmos, do interior de cada um, não se espere a ajuda de políticos ou similares. Como diz Sam The Kid em “P.S.P.”:

«Quanto custa uma vida boa para um inocente?
Não tem culpa de ter nascido sem um ingrediente
Importante pra viver com dois olhos positivos
Sociedade afasta e cria os fugitivos
Vivendo à margem duma vida normal
O chamado marginal numa vida ilegal
O fundamental é saber de onde é que vem a causa
Porque ninguém anda nesta merda pra mandar pausa»

Snake não era dos MC’s mais talentosos que Portugal tinha, nem era, como é fácil constatar, daqueles que mais gravava música. Todavia, Snake era um de nós. Vivia e representava a cultura Hip Hop, nutria por ela uma grande paixão e esta respondeu em peso na altura de o homenagear pelo desfecho trágico que foi a sua morte. Tudo o que Snake deixou será relembrado com grande respeito por todos os integrantes do movimento Hip Hop português, disso tenho a certeza. Cumpre-se aqui também a minha homenagem à pessoa e ao rapper Snake. Que estejas num sítio melhor do que este que deixaste!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Orelha Negra



É já na próxima segunda-feira, 22 de Março, que o aguardado álbum de estreia dos Orelha Negra saltará para as prateleiras nacionais. Gomes Prodigy, Rebelo Jazz Bass, Ferrano, Cruz e Mira Profissional são os nicknames que (quase) ocultam a identidade deste quinteto, constítuido por artistas que resolveram juntar-se com o intuito de honrar a boa música.

"Blessed" foi um dos singles oferecidos pelo grupo e encontra-se para download legal através da Antena 3 directamente por aqui. Entretanto, foram colocadas mais duas faixas do trabalho no myspace dos Orelha Negra. A "Memória" e a "Cura" podem ser ouvidas em www.myspace.com/orelhanegra.

Este álbum homónimo dos Orelha Negra já está, contudo, em pré-venda na Fnac, com uma edição limitada CD+LP.