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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Porto Rio (02/07/2011): Rato54 e Sindicato Sonoro


No último sábado, dia 2 de Julho, o Porto Rio teve mais uma noite em que o barco atracado na margem direita do Douro andou perto de virar submarino tamanha a quantidade de gente que se instalou no piso inferior da embarcação. Os DJ’s Casca e Guze, Rato54 e Sindicato Sonoro eram os nomes em cartaz, numa altura em que do outro lado do rio chegava o ruído e a agitação da folia do São Pedro da Afurada - festa importante para a comunidade piscatória daquela zona.

As portas do Porto Rio abriram-se por volta da meia-noite, altura em que o fogo de artifício da festa popular de Gaia explodia lá bem no alto. Embora não propositado, o lançamento dos foguetes parecia um chamariz para a multidão começar a embarcar num dos espaços festivos mais peculiares da Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto. E a verdade é que a sala esteve praticamente a abarrotar e o ambiente literalmente quente! A primeira actuação iniciou-se por volta da 1h e esteve a cargo de Rato54, que, tal como Sindicato Sonoro, apresentou oficialmente o seu EP. O mc e writer do colectivo Doink (juntamente com Ortega, Alex, Guito e Lois) foi bastante aplaudido, tendo tido o mérito de agarrar uma plateia naturalmente expectante quanto ao seu primeiro trabalho a solo. E foi notória a cumplicidade entre o público e Rato54.

Momentos altos da performance: a parceria a meio com Ex-Peão e o single mais visível do EP, “Cinco Quatro”, que até conduziu Rato até junto da multidão. Rato54 só pode sentir-se feliz por ter tido uma festa de apresentação tão concorrida e vivida intensamente com muitos braços no ar e aplausos. Convém dizer que aquele espaço não proporciona grandes possibilidades de visionamento a quem se acomoda muito para trás, sendo por isso normal o acotovelamento em busca de uma posição mais privilegiada. Nos pratos esteve sempre o produtor e DJ D-One.

Por volta das 2h30 surgiu no palco o trio sindical: Mundo, Berna e Né. Se a atmosfera já estava a ferver então a partir daqui ardeu a valer! “Não Há Crise” é o segundo disco de Sindicato Sonoro e surge cinco anos após “Tempo d’Antena”. E foi com o supa clássico “Abram Alas” do álbum de estreia que Mundo, Berna e Né deram o mote para uma performance sempre muito bem correspondida por uma plateia que tinha a maioria das letras na ponta da língua e que desfrutou da noite de uma forma realmente muito intensa. A temperatura na sala foi ficando cada vez mais elevada, mas não foi por isso que houve falta de ânimo, aplausos e mãos no ar, muito pelo contrário. Que o diga, por exemplo, o single que dá nome ao novo EP “Não Há Crise”, que deve ter saído do barco Gandufe de ego inchado depois de ouvir o seu nome ser gritado a plenos pulmões e em uníssono.

Quem teve uma actuação com alguns momentos para esquecer foi Né, que várias vezes tropeçou nas letras, tendo sido mais visível a branca que graças à perspicácia do próprio virou improviso e até acabou por gerar grande entusiasmo na plateia. “Não Há Crise”, foi o que alguns oportunamente gritaram. Alguns dos obreiros do novo disco (Virtus e DJ Upgrade, por exemplo) subiram ao palco para o devido reconhecimento, mesmo antes de “O Elo Mais Forte” (quanto a mim, um dos temas mais valorosos do EP) fechar o alinhamento... até o encore. Depois do regresso, para fechar verdadeiramente a actuação, e tal como na abertura, o trio optou por um som do primeiro álbum, neste caso “Três”. Após os concertos, DJ Guze tomou de assalto as colunas com um set carregado de rap português, o que agradou bastante aos presentes.

Em suma, Rato54 e Sindicato Sonoro proporcionaram uma excelente festa a quem se dirigiu até ao Porto Rio e não poderiam desejar melhor noite para apresentar os respectivos trabalhos. Casa cheia, com gente de vários pontos do norte do país, excelente ambiente e nem as falhas de Né assombraram o espectáculo. Se há ideia que fica da noite de 2 de Julho é a de que o rap no Porto está tudo menos morto.

Texto: Sempei
Fotos por: Ana Mendes

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Às 3 Pancadas" @ Vaticano Club, Barcelos (18/02/2011)

O HIPHOPulsação teve a honra de se associar e de se tornar patrocinador oficial do evento “Às 3 Pancadas”. A festa da 4º edição do evento decorreu na noite da última sexta-feira, dia 18 de Fevereiro, no Vaticano Club, em Barcelos, e teve como objectivo a apresentação de uma compilação, onde artistas do norte ao sul do país poderam mostrar o seu rap, depois de terem sido previamente seleccionados para integrarem o dito trabalho. Para abrilhantar o momento, o colectivo Sindicato Sonoro foi chamado para fechar a noite em beleza (até porque também incorporou uma faixa na compilação).

Para nós, a festa começou mais cedo. Amavelmente, a organização do “Às 3 Pancadas” convidou-nos para um convívio que aconteceu antes dos concertos, onde pudemos estar mais por dentro dos bastidores e pulsar o ambiente que normalmente ali se sente. A diversão é, sem dúvida, o prato principal. Não nos esqueçamos, todavia, de referir a simpatia dos donos do "Xispes", que nos brindaram com um saboroso jantar (um hábito da casa, segundo consta).

Com as forças retemperadas e com o ânimo em alta, depois dos bons momentos, era hora de ultimar os preparativos para os concertos. O Vaticano Club foi enchendo, DJ Guze foi sacudindo os presentes com uma selecção primorosa de rap de primeira água (foi assim também durante todas as pausas) e estavam todas as condições reunidas para uma noite agradável, longe da chuva que nos fez companhia durante todo o tempo, mas que ali ficou à porta naturalmente.

Type Z (Braga) e D2 (Barcelos) foram, mais uma vez, os apresentadores eleitos para esta empreitada sonora. Eles que fizeram questão de se alhear de qualquer género de animosidade entre o povo de Barcelos e o de Braga (isto porque surgiu aqui e ali um burburinho na plateia que incitava a essa possível rivalidade). Nem todos os elencados da compilação estavam presentes no Vaticano Club para actuar, mas ainda assim seriam muitos os que pisariam o palco, tendo oportunidade de exibir dois ou três sons de sua autoria. Depois de DJ Guze soltar a sua “Intro” a abrir os concertos, directamente de Ermesinde, apresentou-se Elite 4445 que se fez acompanhar por uma ruidosa trupe de fãs. Os dois jovens não temeram a responsabilidade e soltaram as línguas, que mormente se notavam afiadas, cuspindo refrões difíceis de esquecer: "Elite no teu deck, já sabes que promete (...)".

Obviamente que a terra que pariu o "Às 3 Pancadas" serve também de berço a jovens com vontade de singrar no rap. O duo Delimitação (Suiço & Miles) insere-se nessa nova escola barcelense e foi também um dos nomes que agarrou a oportunidade de desfilar nesta crescente montra de talentos chamada "Às 3 Pancadas". Contudo, na performance conjunta de Suiço e Miles sobressaiu sobretudo a tenra presença de ambos em palco, que, face à sua juventude, terão obviamente bastante tempo para a madurecer. O grupo O.D.E., constituido por D'elite, Oráculo e Dude, representando Vila Real, entregou-se ao público com uma energia notável, trazendo um ritmo muito funky àquela noite, num registo singular em relação a todos os outros participantes. A cargo de Oráculo, o breakdance não foi também esquecido.

O calor na sala aumentava e não havia tenções da temperatura descer. Até porque Cálculo colocava-se diante do público. Pé na porta, como se esperava! O barcelense, amparado pelo compatriota ET, apresentou o seu rap rasgadinho conjugado com a atitude extrovertida que se consolida a cada actuação sua. Desfilando inicialmente o single homónimo do seu primeiro trabalho discográfico ("Rimas Equacionadas"), Cálculo soltou igualmente aquele que é neste momento o tema mais conhecido de todo o seu repertório: "Bem-vindo à selva", obviamente. Intervalando o elenco da compilação, Zeca presenteou as hostes com uma sessão de improviso (com contribuição de Type Z e do beatbox de D2), ele que tem sido o nome maior dos Concursos de MC's do "Às 3 Pancadas" até agora disputados. Sam, PLH e CuSS só tocaram uma música ("Ponto de Vista") mas mesmo assim foi o suficiente para que os presentes fixem os seus nomes e o seu carisma (com PLH aparentemente mais retraído que os companheiros). Tempo ainda para Substanza mostrar o que valia. Apoiado por bons beats, o jovem começou muito titubeante, mas foi ganhando pulso com o passar do tempo.

Buli 2B, acompanhado por P1, teve uma agradável prestação. Companheiros de luta de outras noites, os dois MC's fizeram-se valer da garra e empatia que os une em sons tão quentes como "Sangue no Zoi". Destaque para o ressurgimento do colectivo luso-brasileiro Clandestino (formado por Jordan, Mokbuloso, Sudanes Raz e Tica) que promete vincar com maior solidez a presença do rap barcelense no panorama nacional, isto depois de uma pausa do grupo (embora mantivessem ligação com o Hip Hop por outros projectos).

Após o calcorrear pela compilação, o grande atractivo da noite estava à distância de uma meia dúzia de movimentos do ponteiro dos minutos do relógio. Mundo, Né e Berna, sempre acompanhados por DJ Guze, iriam dar início à actividade do Sindicato Sonoro. O trio partiu para Barcelos com o intuito de reinvidicar o seu som diante da plateia. A acção seria bem sucedida se atentarmos na reacção de todos. Trazendo à vida os sons do seu E.P. de 2006 “Tempo d’Antena” (e tirando as “teias de aranha”, como dizia Né), os três bravos sindicalistas apresentavam o seu manifesto. Com uma entrega assinalável, com a experiência e consciência do costume, Berna, Mundo e Né facilmente levaram a água ao seu moinho com as míticas canções que interpretaram, tais como "Abram Alas" ou "Estrutura". Com pouco material editado como grupo, Sindicato Sonoro encetou a festa com uma lufada de ar fresco a.k.a. um novo tema ("Sindicato Está de Volta"), composto propositadamente para a compilação. Foi entoando palavras como "Esta tropa nunca cai" que os três MC's fecharam com chave de ouro uma noite que se não foi perfeita, foi muito perto disso.

O evento “Às 3 Pancadas” soma novamente pontos a nível nacional pela sua iniciativa, dinamismo em prol do Hip Hop nacional e dedicação à causa. No Verão, em meados de Agosto, o festival está de volta, de novo no registo de concursos de MC & Beatbox e um rol de outras surpresas. Até lá, resta-nos desejar que a data chegue rápido e do HIPHOPulsação só temos a agradecer à organização por mais esta festa e pela forma impecável com que nos recebeu e tratou. Um grande bem-haja. E até breve!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

18 de Fevereiro @ Vaticano Club, Barcelos

Apresentação da compilação, com a participação de grandes bandas nacionais
Mega concerto de Sindicato Sonoro (Mundo|Berna|Né)
Todo o evento será animado por DJ Guze (Dealema)
Presença dos vencedores da 3º Edição Concurso de MC & Beatbox| MC - Zeca| Beatbox - Beats
Apresentadores: D2 e Type Z
Muitas mais surpresas...

Abrem portas pelas 00h
Entrada do evento: 4€ c/ ofert. 1 bebida
6€ c/ compilação + ofert. 1 bebida

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"Às 3 Pancadas" - Fevereiro (Actualização)



Falta precisamente uma semana para encerrar o prazo de aceitação de participações com vista à compilação levada a cabo pela organização do Às 3 Pancadas. Tal como havíamos dado conta neste post, a próxima edição do festival terá como base a performance dos 15 integrantes da compilação, assim como a presença de outros artistas, tendo sido já anunciada a actuação de Sindicato Sonoro, colectivo que reúne Mundo, Berna e Barrako 27. O evento realizar-se-à no dia 18 de Fevereiro, no Vaticano Club, em Barcelos.