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terça-feira, 15 de março de 2011

Snake (15 de Março de 2010)

Completa-se hoje precisamente um ano desde que Nuno Rodrigues aka Snake foi mortalmente alvejado por um agente da PSP que, até à data, continua em liberdade, estando a ser julgado desde Fevereiro último. Na próxima sexta-feira realizar-se-à uma simbólica homenagem a Snake, na Pedra do Couto, em Santo Tirso, numa cerimónia que contará com a presença, entre outros, de Sam The Kid.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Caso Snake: O desfecho (im)previsível?

Polícia que baleou MC Snake acusado de homicídio qualificado

O agente da PSP que atingiu mortalmente Nuno Rodrigues, mais conhecido por MC Snake, foi formalmente acusado de homicídio qualificado pelo Ministério Público.
Na acusação, o Ministério Público salienta a ocorrência de três disparos, um para o ar e dois na direcção da viatura do rapper, quando este tentava fugir a uma perseguição policial. Uma das balas perfurou o veículo, atingindo MC Snake nas costas, provocando a sua morte.

A revista ‘Sábado’ adianta que o documento faz ainda referência ao facto do agente da PSP não ter actuado dentro das normas legais para recorrer à arma de fogo.

A acusação, assinada pelo procurador Carlos Figueira, destaca que o agente agiu “ciente de que não se verificava, no caso concreto, nenhuma das situações legitimadoras do recurso a arma de fogo por agente policial”. As situações em que os polícias podem utilizar armas fogo são: perigo, fuga de alguém armado e com explosivos ou existência de reféns.

O caso ocorreu a 15 de Março, próximo do Instituto Militar dos Pupilos do Exército. A autópsia ao rapper não identificou álcool ou drogas, não sendo conhecido o motivo que levou à tentativa de fuga do músico que chegou a actuar com Sam The Kid.

in Correio da Manhã

domingo, 16 de maio de 2010

Snake

*Foto retirada do Facebook de STK

terça-feira, 27 de abril de 2010

Caso Snake

Há novos desenvolvimentos sobre a fatídica morte do rapper Snake. Após a autópsia e efectuada uma investigação ao caso, chegaram-se a algumas conclusões que inocentam o falecido Snake. Para mais pormenores, visitem o blog do Madkutz:

segunda-feira, 22 de março de 2010

Em Memória de Snake...



O legado de Snake no rap nacional foi curto mas mesmo assim não deixou ninguém indiferente. Tinha dois sons mais mediáticos, ambos com Sam The Kid, e outros dois mais underground, resultantes de participações nas mixtapes de Regula “Kara Davis Vol.2” e «De Volta ao Serviço», de DJ Cruzfader. Referência ainda para uma pequena introdução que fez num tema de Sam The Kid do seu álbum “Sobre(tudo)”, na faixa intitulada – amarga e vil coincidência - «P.S.P.». Nessa altura, recorde-se, Snake estava preso no Linhó, cumprindo a sua pena e a sua dívida à sociedade.

Apesar desse escasso trabalho no rap, ao nível da gravação de sons, Snake via serem-lhes reconhecidas capacidades no microfone e os ouvintes gostavam do seu estilo. Iniciado por Sam The Kid, que lhe deu uma chance no mundo da música, após o encarceramento no Linhó, Snake conseguiu assim reunir admiradores. A maior prova de grandeza de Snake no rap português é que lhe bastaram quatro sons para conseguir reconhecimento. O empurrão de Sam The Kid terá ajudado muito, claro. Mas a simplicidade, o entusiasmo, a forma de ser dele, terão também contribuído para a formação dessa empatia entre ele e o público.



Prestando tributo a este mártir do rap português, vou viajar pela música que Snake nos deixou. Em “Negociantes”, Snake faz uma espécie de balanço da sua vida depois de ter saído da cadeia. Assaltam-lhe as dúvidas. Que futuro para ele, originário de Chelas e com cadastro? Tudo interrogações levantadas por alguém que buscava um sentido para o resto da sua vida. De que serve a prisão? Para reabilitar gente? Ouvindo as palavras de Snake percebe-se que não. O que se escuta com mais força são os termos “fachada” e sistema. Foste culpado por tentares sobreviver, Snake? “Não, G., fui só mais um sacrificado!”. Ele não renega o seu berço e abertamente narra-nos as características do seu bairro, Chelas, lugar de crime, droga e violência. Todos sabemos que essas enfermidades só abundam em sítios onde as pessoas são negligenciadas e não lhes é dada uma oportunidade digna para sobreviverem.

Seguindo para outro tema, Snake teve uma boa prestação, talvez a sua melhor, em “Dopping” de Sam The Kid. “O que acontece no dia-a-dia é uma coisa chata”, analisa. Instigado a rimar, debruça-se essencialmente sobre os acontecimentos do quotidiano que lhe dizem respeito. Consciente de que o orgulho férreo pode levar-nos a um beco sem saída, Snake prova-nos aqui a sua humildade e simplicidade. Mais adiante, encontraremos ainda vestígios desse calibre como quando diz: “Tens de ser forte e dar o braço a torcer/ Para muitos é fraqueza para mim veio-me fortalecer”. O nativo de Chelas tinha noção perfeita dos erros que cometera enquanto jovem e nunca os negou. Pelo contrário, expunha-os como forma de nunca se esquecer deles e possibilitar um aviso, um conselho, para quem o estivesse a ouvir. Melhor do que palavras minhas para descrever Snake, nesse contexto, é lerem com atenção aquilo que sabiamente disse o próprio. Meditem:

“Apareceram más ideias pela cabeça e eu matei-as
Quando ‘tava a perder tempo a passar por várias cadeias
Da Judite a Caxias, do EPL ao Linhó
Foram noites e dias que tinha que me aguentar só
E não ser uma cabeça perdida
Para poder sair de cabeça erguida, sempre à espera da chance
Sara a tua ferida ou podes perder a tua vida
Que diga o meu sócio Bruno, o Deus o tenha em descanso
É nada por nada, é uma vida marada, entregues à bicharada
Prisioneiros do bairro, encostados ao muralha(?) a planear a fezada
Com a mãe desempregada sem fazer um caralho
Mas não é por isso que hei-de ficar fraco
Luto pela liberdade todos os dias para não ir de saco
Tiro pontos positivos numa situação inversa
Quando um gajo está em baixo basta só uma conversa
Para eu ficar mais forte!”



Bem forte, pelo exemplo e pelo conteúdo! Que esta “situação inversa” de Snake sirva para despertar e alertar a mente dos mais jovens. A revolução também se faz pelas palavras. Mas sem coragem, bravura, espírito de sacrifício e resistência também nada se consegue, e é isso mesmo que Snake exprime na sua participação na mixtape “Kara Davis Vol.2” de Regula.

«Continuo na luta, luta é sobrevivência», ora confiram Snake no mais recente trabalho de DJ Cruzfader:

“Somos puros por dentro esse é o lema da vida
Pros juízes e pros políticos isso não faz sentido
Não sabem nada da vida, não vivem onde eu vivo
Não têm rusgas à toa, não são revistados na rua
Não são pisados na esquadra, eles têm vida boa
(...)
Eu nunca os vi no meu bairro seja de noite ou de dia
Que raio de líderes são esses só fodem a banca aos dealers
Eu não fujo à realidade, eu aperto comigo
E pra nova geração, boy, aperta contigo
Mesmo que estejas na merda ou na banca rota
Eu sei que a força é pouca mas é melhor que a forca”

A revolta e os calos da vida estão atestados em todas as rimas que Snake cuspiu. De facto, só quem não conhece as dificuldades da vida ou as ignora, preferindo assobiar para o ar, é que pode afirmar sem decoro que as pessoas só porque nascem em determinados sítios têm de ser necessariamente más. Existe o preconceito. Há gente cheia de capacidades e de talento que simplesmente por não ser branca ou viver em determinado lugar ninguém lhes dá trabalho, quando estava perfeitamente habilitada para determinados cargos onde poderia representar mais-valias. Pior do que ver este esbanjamento de capitais humanos, é vê-los a terem de enveredar por vidas de ilegalidade e frustração. E muito pior do que isso, é verificar os políticos de meia-tigela que temos que só se preocupam a descer a determinados locais e bairros em campanhas eleitorais. Como Snake bem assinalou, a transformação e a força tem de vir de nós mesmos, do interior de cada um, não se espere a ajuda de políticos ou similares. Como diz Sam The Kid em “P.S.P.”:

«Quanto custa uma vida boa para um inocente?
Não tem culpa de ter nascido sem um ingrediente
Importante pra viver com dois olhos positivos
Sociedade afasta e cria os fugitivos
Vivendo à margem duma vida normal
O chamado marginal numa vida ilegal
O fundamental é saber de onde é que vem a causa
Porque ninguém anda nesta merda pra mandar pausa»

Snake não era dos MC’s mais talentosos que Portugal tinha, nem era, como é fácil constatar, daqueles que mais gravava música. Todavia, Snake era um de nós. Vivia e representava a cultura Hip Hop, nutria por ela uma grande paixão e esta respondeu em peso na altura de o homenagear pelo desfecho trágico que foi a sua morte. Tudo o que Snake deixou será relembrado com grande respeito por todos os integrantes do movimento Hip Hop português, disso tenho a certeza. Cumpre-se aqui também a minha homenagem à pessoa e ao rapper Snake. Que estejas num sítio melhor do que este que deixaste!

sábado, 20 de março de 2010

Snake e as verdadeiras cobras

A comunidade Hip Hop portuguesa está de luto e consternada, depois do choque que foi a notícia da morte do rapper Snake. Vítima dum disparo fatal dum polícia, o rapper de Chelas deixou este mundo com apenas 30 anos e com tanto ainda por fazer no rap português. O seu erro foi desrespeitar a ordem de paragem das autoridades policiais. Todavia, ninguém merece morrer por não parar numa operação stop. Houve um gravíssimo abuso de autoridade por parte da polícia que, naquelas circunstâncias, ou seja, numa perseguição, nunca poderia disparar sobre alguém sem saber se a pessoa em causa era portadora de arma de fogo. O pior, no meio destes dois erros, é que foi o lado mais fraco a perder a vida. A corda rebenta sempre nas mãos dos mais desprotegidos. Esperemos, em todo este drama, que o agente envolvido neste triste acontecimento jamais possua uma arma no seu coldre e nunca mas nunca mais tenha uma arma nas suas mãos, enquanto agente da Polícia de Segurança Pública. Segurança Pública... Pois...

Quem já lidou com a polícia sabe muito bem do ninho de cobras que ali se esconde. Percebe que há muita fruta podre, num núcleo que tem obrigação de dar ou ser um exemplo para a sociedade. Há gente boa na polícia, com ética, bem formada, com sentido de responsabilidade e com consciência cívica, preocupada em zelar pelos interesses dos cidadãos. O pior são as víboras que espetam o ferrão e destilam o veneno na social circulação sanguínea, denegrindo a instituição Polícia e gerando uma desconfiança – uma ferida de morte – na opinião pública.

Quantos são os agentes policiais condenados pelos crimes que cometeram? Quantos casos destes são ventilados na comunicação social? A protecção mútua, o encobrimento, a cumplicidade, entre polícias é real e só quem viver no mundo da lua ou da Carochinha é que não vislumbra esta evidência. Aguardemos o que acontecerá com este agente que tirou a vida a Snake. Mas que ninguém se espante se este processo de investigação e apuramento da verdade durar largo tempo. Que ninguém se admire ainda se o caso for abafado. Ontem li no «Jornal de Notícias» a coluna habitual do escritor e jornalista Manuel António Pina. Escrevia este que é espantoso como em Portugal desaparecem documentos que poderiam servir de prova a muitos crimes em causa. O escritor progride no seu pensamento constatando como a “indecência” galga terreno no nosso país. Concluindo o seu artigo, levanta um curioso exercício: se fossem encontrados todos estes tais documentos que desaparecem sem deixar rasto e deixam impunes tantos colarinhos brancos e afins, talvez esses papéis dissessem mais sobre a nossa identidade e sobre o nosso país do que aquele amontoado de manuscritos antigos que estão na Torre do Tombo. Ora nem mais! Lapidar!

“Se fosse branco e usasse gravata, teriam disparado?”. A pergunta retórica é de Sam The Kid e é inteiramente legítima e impunha-se fazê-la. Ainda vivemos numa sociedade portuguesa racista e preconceituosa, que julga as pessoas pela cor da pele e pela roupa que veste. Assim, o entendimento que se pode tirar daqui é que, por exemplo, José Sócrates só pode ser um santo porque é branco e veste-se bem, já que compra alguma da sua roupa numa das lojas mais caras do mundo, situada na Rodeo Drive, em Beverly Hills, Estados Unidos da América. Ladrão? Nunca! Ainda seguindo essa linha de julgamentos “a priori”, Snake só podia ser um criminoso sem escrúpulos e sem remédio, que devia ter gravada na testa a inscrição “bandido”. Claro, ele preto, sem gravata, com street wear, num carro velho, só podia ser um desprezível ser humano que não merecia respeito, dignidade ou tolerância, nem viver neste mundo de gente fina e irreprensível. Valha-nos a ironia para lidarmos com a estupidez e com a barbárie.

O que mais me assusta e arrepia em tudo isto é pensar no país em que vivemos. Na sociedade que vive das aparências, do clima de hipocrisia, da justiça que não se cumpre quando entram em cena os ricos e os poderosos, na desconfiança das instituições judiciárias e policiais, na forma como se tira a vida a uma pessoa por “dá cá aquela palha”. Vivemos numa selva competitiva onde tudo acontece e serve para “mostrar serviço”, movidos a ódio e guiados por ambições desmedidas. Em tudo isto, lá se vai o humanismo e a consciência pelo cano abaixo. Como consequência, lá foi mais um Snake para debaixo da terra também. E mais uma criança que crescerá sem o pai. Muito triste!

Já dizia o Bónus: “os anos vão passando mas nada muda”. Temos de deitar mão a isto, juventude! Caso contrário, o monstro vai continuar a engolir-nos e a deitar-nos precocemente no caixão. Até sempre, Snake!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Rest In Peace, Snake


Rapper colaborador de Sam The Kid morto pela polícia

O rapper Snake, habitual colaborador de Sam The Kid, foi morto pela PSP.
O Correio da Manhã relata um disparo de um agente da PSP, na madrugada desta segunda-feira, depois de um condutor «não ter parado numa operação stop montada perto das Docas de Santo Amaro». Foi entretanto confirmado que o referido condutor era Snake, um rapper da zona de Chelas que, por exemplo, canta no tema «Negociantes», de Sam The Kid.

Na mesma notícia pode ler-se que «a polícia partiu numa perseguição ao fugitivo, que só terminou pelas 05h00, na Travessa de São Domingos, junto aos Pupilos do Exército. Um dos agentes seguia numa carrinha das Equipas de Intervenção Rápida, «efectuou dois disparos para o ar e um na direcção dos pneus do carro, tendo esta última bala perfurado a chapa do veículo e atingido mortalmente o condutor pelas costas».

Pode ler-se ainda que «o agente da PSP já foi ouvido pela Polícia Judiciária e constituído arguido» e que «a PSP vai abrir um inquérito interno ao caso, em paralelo ao processo crime dirigido pelo Ministério Público, para apurar se foi cometido o crime de homicídio involuntário». Em comunicado emitido entretanto, a PSP adianta que «aguardará a conclusão» dos inquéritos «antes de prestar quaisquer outras declarações sobre o incidente e o seu lamentável resultado».

http://diariodigital.sapo.pt/disco_digital/news.asp?id_news=37929

terça-feira, 2 de junho de 2009

Documentário sobre Sam The Kid











"Dicas no Vinil" é um documentário sobre Sam The Kid que há uns tempos passou na televisão. Pormenores sobre a sua vida, a música, os amigos, o processo criativo, tudo isto e muito mais é abordado neste documentário. Uma óptima recordação para aqueles que já viram e uma excelente proposta para todos aqueles que nunca assistiram a este documentário que nos dá a conhecer mais profundamente Sam The Kid, um dos ícones do Hip Hop nacional.