
domingo, 6 de dezembro de 2009
Suarez na Notícias Magazine

segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Suarez - Blue Note (Crítica)
Politicamente incorrecto, liricamente arrebatador e com um flow que, de tão ágil, coerente e certeiro, fortalece a sua atitude convicta e realista, Suarez esgrime argumentos que exprimem o seu valor, quer seja numa batida suja ou numa melodia mais suave. Como os sons que se seguem. “Preciso dum Motivo” (que teve direito a vídeo no primeiro álbum) apresenta-se numa linha diferente da original (como é óbvio), mas mantém a costela ténue porque a letra assim a obriga. As sílabas fluem a cada dedo que passa pelas cordas da guitarra, a percussão complementa-se e faz por complementar o ritmo. Sem dar-mos por isso, embarcamos numa onda harmoniosa que nos embala e carrega sem rumo. Numa sequência nada entediante, deixamo-nos levar pelas palavras sinceras, profundas e intimistas de Suarez, escutando por detrás as duas vozes femininas baterem ao de leve nos ouvidos. Luisa Casola e Helena Sardica são os nomes, fascinantes e sublimes são os adjectivos. Se há dois anos Suarez procurava nesta faixa um motivo que lhe motivasse a vida, hoje poderá dizer que o encontrou em “Blue Note”, porque, de certeza, que a sua alma estará bem viva. E se há um par de anos esta faixa cotou-se como uma das minhas eleitas, hoje reforço esse sentimento de admiração.
Não esquecendo todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, influenciaram a sua forma de estar, Suarez volta a registar o seu “Obrigado (Outra Vez)”. O ambiente sinistro que o próprio empreendera na versão original desapareceu (pelo menos não está tão agressivo), mas a letra e a mensagem política e socialmente interventiva não. Por isso, a mira continua apontada a editoras, promotoras, fingidos, interesseiros, verdadeiros que nunca o apoiam, partidos, aos que receberam a sua ajuda e retribuiram com nada, enfim, a tudo e todos que fazem (ou fizeram) parte da sua vida, que acabaram por o fortalecer ainda mais, Suarez agradece (outra vez). O MC de Beja é um observador nato, um relatador de histórias e de comportamentos bem reais. “(...) e a democracia dele (país) vive dependente de um sistema capital parasita, “Poligamia de Bens” não é para quem necessita”. Nesta faixa é o quotidiano que inspira Suarez. O dia a dia de uma vida que ninguém escolheu, “apesar de sermos os nossos condutores dos nossos berços”. Um trompete, acarinhado por mãos que o bem tratam, enternece a música, que carrega um refrão vocalmente bem pensado e ainda melhor cantado.
Para quem é músico, que corre o país (ou por vezes apenas metade dele) sem grandes posses, actua em espaços onde muitas vezes os caches prometidos desaparecem, mas que mesmo assim continua a subir ao palco por amor ao que faz e respeito a quem o ouve, então vai-se identificar com a malha número 7. “Somos emigrantes musicais em "Movimentos Migratórios” resume praticamente tudo. O “tudo” que Suarez relata são as vivências e histórias que muitos artistas retratam naqueles documentários de bastidores. Uma letra sentida, liricamente perfeita e um hino ao rap. Sim, porque isto continua a ser rap, onde uma guitarra marca o compasso, onde não faltam os arranhões de Pass One, e um Trompete que volta a fazer estragos…
Antes de a cassete acabar, fita ainda para um encontro a três: Luís Soares, Suarez e a guitarra. Num momento largamente introspectivo, Luís, o homem, debita palavras amargas, que transbordam mágoa, tristeza, e que encontram em Suarez, o rapper, o seu amparo. Em "O Meu Nome é Luís", não podia ter sido mais honesto. Nos derradeiros quarenta e cinco segundos, uma mensagem idêntica à introdução, onde se diz que “Convicções (Há Muitas)” e “o mais cego é aquele que não quer ver… do que aquele que não vê mesmo”.
“Blue Note” é um disco recheado de surpresas, até para quem já ouviu rap acústico. Por detrás das rimas agridoces de Suarez acomodam-se melodias envolventes. O desenrolar das faixas será sempre um exercício agradável, e nada penoso. Sentimentalista, espectador e ouvinte atento na vida, activista. Umas vezes corrosivo, outras vezes pungente, completamente à vontade na escrita, super-à-vontade no flow, eis o rapper Suarez, que agora dá um passo que ninguém ousou dar em terras lusas. Depois do primeiro trabalho “Visão de Um Estranho“ ter sido inalado e aclamado por muita gente, haverá quem considere “Blue Note” uma estranha visão de rap. Mas é preciso recordar que o Hip Hop sempre se serviu de outros estilos. Por isso, “Blue Note” não demorará a entranhar-se, assim suave, suavemente...
Desde hoje, "Blue Note" está disponível para descarga e consumo completamente gratuito neste sítio: http://www.suarezbluenote.com/
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Duas boas notícias numa só!
Baixem aqui: Lost Tape Vol.2 ou ali: www.myspace.com/covilproducoesestudios



