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domingo, 6 de dezembro de 2009

Suarez na Notícias Magazine

Vem hoje na Notícias Magazine, suplemento do "Jornal de Notícias", um interessante artigo sobre o rapper Suarez. Confiram!



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Suarez - Blue Note (Crítica)

Emergiu no Alentejo o primeiro disco de rap acústico português. Suarez, MC e produtor nascido em Beja, vestiu a bata de cientista e fez de “Visão de um Estranho” a sua cobaia. Numa iniciativa que não mudará o Mundo mas que pode muito bem transformar o panorama musical nacional (nomeadamente o rap), pegou no seu primeiro álbum, datado de 2007, apagou samples, livrou-se dos loops, desalinhou programações, enfim, dissolveu quase todas as partículas que compunham as suas músicas. O passo seguinte foi agrupar uma gama de músicos (bons músicos, diga-se) que manipulassem uma série de instrumentos vitais para o pretérito. Desde o contra-baixo à bateria, ou do trompete à guitarra (claro), todos eles foram bastante espremidos, de forma a que cada um, nota a nota, reconstruísse a obra imortalizada há dois anos por Suarez. Numa astuta operação de estética, cerca de uma dezena de faixas surgem não só com uma nova aparência, como também carregam consigo uma outra alma. Os sons que no primeiro álbum soavam rude, transparecem agora harmonia. As batidas que antes nos compeliam a agitar incessantemente a cabeça, baloiçam-nos o pescoço suavemente. “Blue Note” é um formato acústico que cheira a Soul, reflete Blues, respira Country (também!) e transpira rap.

É nos moldes mais básicos, acusticamente falando, que Suarez se inicia nesta experiência aventuresca. “Sonhos (Há Muitos)” e, sussurra o rapper, não os devemos concretizar. “Vive com eles, luta com eles”, numa clara nota introdutória de esperança e positivismo. No entanto, com a segunda faixa, rapidamente sopra uma aragem do sul dos EUA, e com ela chega a descrença e pessimismo. Que na verdade é o reflexo da sociedade dos nossos dias. A letra mantém-se actual (e não parece que nos próximos tempos se torne antiquada). Quem não “vive o dia à procura de uma luz”, com “sacrifício atrás de outro mas nada já seduz”? Porque cada vez mais “o que conta é a influência, gritamos e apelamos mas já falta paciência”. As palavras de Suarez escoam a tristeza que carrega por olhar em redor e ver um povo que não faz por honrar o esforço despendido em tempos pela glória numa revolução. Acontecimento que pertence a uma “história onde só já resta o brazão”. No final de contas, “a gente luta e conseguimos “2006 Kg de Cultura”, atingindo a amargura”. Em 2007 ou em 2009, estamos perante um enorme som.

Politicamente incorrecto, liricamente arrebatador e com um flow que, de tão ágil, coerente e certeiro, fortalece a sua atitude convicta e realista, Suarez esgrime argumentos que exprimem o seu valor, quer seja numa batida suja ou numa melodia mais suave. Como os sons que se seguem. “Preciso dum Motivo” (que teve direito a vídeo no primeiro álbum) apresenta-se numa linha diferente da original (como é óbvio), mas mantém a costela ténue porque a letra assim a obriga. As sílabas fluem a cada dedo que passa pelas cordas da guitarra, a percussão complementa-se e faz por complementar o ritmo. Sem dar-mos por isso, embarcamos numa onda harmoniosa que nos embala e carrega sem rumo. Numa sequência nada entediante, deixamo-nos levar pelas palavras sinceras, profundas e intimistas de Suarez, escutando por detrás as duas vozes femininas baterem ao de leve nos ouvidos. Luisa Casola e Helena Sardica são os nomes, fascinantes e sublimes são os adjectivos. Se há dois anos Suarez procurava nesta faixa um motivo que lhe motivasse a vida, hoje poderá dizer que o encontrou em “Blue Note”, porque, de certeza, que a sua alma estará bem viva. E se há um par de anos esta faixa cotou-se como uma das minhas eleitas, hoje reforço esse sentimento de admiração.

E como pode uma alma não ficar estarrecida quando ouve a composição seguinte? Falo do “Álbum de Fotografias”, que não foi, nem poderia ser, esquecido. Recordam-se os tempos em que Suarez, também ele um puto, partilhava as aulas com outros miúdos, “cromos” outrora, homens nos dias que correm. No início da carreira de rapper (adolescente), Suarez remava com vários parceiros (Pika, MCM, Ró, Camate e NT) no mesmo “Movimento Clandestino”, que testemunhou os primeiros concertos, as primeiras palmas, certamente. O momento é envolvente, doce e especial. Tal como um álbum de fotos palpável, este também nos deixa aquele bichinho que nos leva a pegar nele de tempos em tempos. A voz de Fábio Dias, particularmente, acaba por o elevar a um nível que, sinceramente, imaginava inatingível num registo deste género. Simplesmente fantástica toda a composição e arranjos desta canção!

Não esquecendo todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, influenciaram a sua forma de estar, Suarez volta a registar o seu “Obrigado (Outra Vez)”. O ambiente sinistro que o próprio empreendera na versão original desapareceu (pelo menos não está tão agressivo), mas a letra e a mensagem política e socialmente interventiva não. Por isso, a mira continua apontada a editoras, promotoras, fingidos, interesseiros, verdadeiros que nunca o apoiam, partidos, aos que receberam a sua ajuda e retribuiram com nada, enfim, a tudo e todos que fazem (ou fizeram) parte da sua vida, que acabaram por o fortalecer ainda mais, Suarez agradece (outra vez). O MC de Beja é um observador nato, um relatador de histórias e de comportamentos bem reais. “(...) e a democracia dele (país) vive dependente de um sistema capital parasita, “Poligamia de Bens” não é para quem necessita”. Nesta faixa é o quotidiano que inspira Suarez. O dia a dia de uma vida que ninguém escolheu, “apesar de sermos os nossos condutores dos nossos berços”. Um trompete, acarinhado por mãos que o bem tratam, enternece a música, que carrega um refrão vocalmente bem pensado e ainda melhor cantado.

Para quem é músico, que corre o país (ou por vezes apenas metade dele) sem grandes posses, actua em espaços onde muitas vezes os caches prometidos desaparecem, mas que mesmo assim continua a subir ao palco por amor ao que faz e respeito a quem o ouve, então vai-se identificar com a malha número 7. “Somos emigrantes musicais em "Movimentos Migratórios” resume praticamente tudo. O “tudo” que Suarez relata são as vivências e histórias que muitos artistas retratam naqueles documentários de bastidores. Uma letra sentida, liricamente perfeita e um hino ao rap. Sim, porque isto continua a ser rap, onde uma guitarra marca o compasso, onde não faltam os arranhões de Pass One, e um Trompete que volta a fazer estragos…

Seguem-se dois momentos díspares (curiosamente). “Sangue Novo (Pt.I)” e “Sangue Novo (Pt.II)”. No primeiro, as rimas de Suarez ausentam-se, deixando os holofotes iluminarem as cordas vocais de Pedro Bicas. No segundo, as palavras do rapper são cuspidas a todo gás. Se na parte I a melodia propicia a cantoria sobre a geração rasca contemporânea, na parte II a guitarra espicaça os versos que o alentejano já direcionara contra o governo e políticos nacionais que gostam de queimar o povo: “Somos boicotados mas o rap é o meu partido/As nossas medidas são formatos cds/assembleias são concertos e quem escolhe são vocês”
Antes de a cassete acabar, fita ainda para um encontro a três: Luís Soares, Suarez e a guitarra. Num momento largamente introspectivo, Luís, o homem, debita palavras amargas, que transbordam mágoa, tristeza, e que encontram em Suarez, o rapper, o seu amparo. Em "O Meu Nome é Luís", não podia ter sido mais honesto. Nos derradeiros quarenta e cinco segundos, uma mensagem idêntica à introdução, onde se diz que “Convicções (Há Muitas)” e “o mais cego é aquele que não quer ver… do que aquele que não vê mesmo”.

“Blue Note” é um disco recheado de surpresas, até para quem já ouviu rap acústico. Por detrás das rimas agridoces de Suarez acomodam-se melodias envolventes. O desenrolar das faixas será sempre um exercício agradável, e nada penoso. Sentimentalista, espectador e ouvinte atento na vida, activista. Umas vezes corrosivo, outras vezes pungente, completamente à vontade na escrita, super-à-vontade no flow, eis o rapper Suarez, que agora dá um passo que ninguém ousou dar em terras lusas. Depois do primeiro trabalho “Visão de Um Estranho“ ter sido inalado e aclamado por muita gente, haverá quem considere “Blue Note” uma estranha visão de rap. Mas é preciso recordar que o Hip Hop sempre se serviu de outros estilos. Por isso, “Blue Note” não demorará a entranhar-se, assim suave, suavemente...

Desde hoje, "Blue Note" está disponível para descarga e consumo completamente gratuito neste sítio: http://www.suarezbluenote.com/

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Duas boas notícias numa só!

O mui estimado blog Primouz está de regresso após um período de férias. Não deixem de passar por lá à cata de novidades. Aliás, foi precisamente ali que vi a notícia de que a Covil Produções já tirou da toca a mixtape "Lost Tape Vol.2".

Baixem aqui: Lost Tape Vol.2 ou ali: www.myspace.com/covilproducoesestudios

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Covil - Lost Tape Vol.1

Denominada pelas próprias raposas que lá se albergam como uma «toca» bastante acolhedora, a Covil Produções Estúdios leva a cabo a missão de conceber e gravar projectos musicais. Fruto das muitas noites de uivos ininterruptos, a Covil foi coleccionando material que foi ficando para consumo interno dos que encontram conforto naquele espaço. Mas decididos a partilhar esses segredos ritualistas ainda sem eco fora da «toca», as raposas lançam assim “Lost Tape Vol.1”, o primeiro de vários volumes estilo mixtape, que conhecerão edição até ao fim de 2009. Cada mês, cada uivo, preparem-se! Algures em Beja, na calada da noite, apenas com o brilho dos olhos a sobressaírem na escuridão, DJ Parasita, Suarez, JV e MCM seguem liderando a trupe de raposas. Em “Lost Tape Vol.1”, Suarez, Zikler, Sacana, Asma, Bastos e os espanhóis KFR e Plumbico, desvendam-nos auditivamente as cerimónias paridas além do Tejo. Ouçam as raposas aqui ou dirijam-se ao próprio Covil: