Mostrar mensagens com a etiqueta Supremo G. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Supremo G. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
domingo, 20 de novembro de 2011
Deau e Jimmy @ Plano B, Porto (18/11/11)
Que nos últimos anos as ruas da Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade têm moldado um jovem MC cheio de talento já não deve constar novidade para (quase) ninguém, pelo menos para os mais atentos apreciadores de bom rap. Apesar de só em Janeiro de 2012 surgir o seu primeiro registo discográfico, Deau começa a dispensar o rótulo de jovem promessa, reclamando antes o título de jovem certeza. Os acontecimentos da noite da última sexta-feira, dia 18 de Novembro, sustentam qualquer palavra atrás escrita. No andar subterrâneo do Plano B, Deau teve como primeiro plano a apresentação de novos temas, que, de boca em boca, ganharam estatuto de EP. Jimmy P foi seu convidado de abertura e DJ D-One responsável pelos pratos (aventurando-se também nas dobras).
Com o habitual compasso de espera para que a sala se povoasse o mais possível, a (curta) performance de Supremo G a.k.a. Jimmy P iniciou-se quando os ponteiros já faziam cócegas às duas horas da matina. Como o próprio fez questão de frisar, a sua actuação serviu sobretudo como warm up para o cabeça de cartaz - Deau, pois claro-, e, numa das noites mais importantes da carreira deste, terá sido também, de alguma forma, uma espécie de retribuição pelo companheirismo de Jimmy ao longo do despontar de Deau no rap nacional. “Gameover” foi o primeiro som a puxar pelas gargantas dos presentes, seguido pelo muito comentado “Dope Boy”. Jimmy P esteve sozinho na frente do palco, sem MC de apoio, por isso recaía sobre ele o bom ou o mau arranque da noite. Com maior ou menor dificuldade a tarefa foi cumprida com êxito. Já depois da faixa que selou “O Regresso” às gravações depois de uma fase de ausência, Jimmy lançou “Warrior” e foi nesse instante que sentiu o maior calor da plateia e a certeza que esta já se encontrava suficientemente aquecida para Deau.
Sem intervalo, Jimmy nem saiu do palco, pois logo de seguida serviria de apoio – juntamente com Ruca – ao MC oriundo do Candal. Numa hora e um quarto de concerto, Deau fez questão de apresentar todos os 9 temas que constituem o dito EP. “Questão de Tempo” e “Diva Suburbana” foram os dois primeiros e serviram desde logo como teste à recepção da audiência. Com o espaço quase cheio, um bom grupo de apoiantes de Deau mostrou já ter as novas letras decoradas. Por várias vezes Deau fez referência ao “seu povo”, sendo bem evidente a sua felicidade por ter gente que bem conhece e com quem convive naquele espaço, naquela noite. Prova disso, as várias vezes que partilhou o microfone com alguns deles. “Cara Metade” foi um dos clássicos (juntamente com “Lamento”) que meteu Deau na boca e nos ouvidos de muita gente, e, nesta noite especial, recorda-lo era obrigatório, até porque Supremo G (a voz metade desta música) estava mesmo ali ao lado. Deau revela-se cada vez mais maduro, indócil em algumas ideias, mas sempre com opiniões bem traçadas, seja nas suas músicas ou quando encara uma plateia de mic na mão.
Uma das habilidades que também tem catapultado Deau para os cabeçalhos do rap português é o improviso. Todo e qualquer concerto de Deau tem de ter rimas geradas na hora. Isso já parece ponto assente. No Plano B não foi excepção. Embora não tenha sido tão empolgante como noutras vezes, foi o suficiente para manter a fama que arrecadou em vários palcos e ruas onde tem improvisado. A flexibilidade enquanto MC está bem patente na diversidade de abordagens nos novos sons. Dos 7 minutos do “Advogado do Diabo” à visão teatral da “Invicta” (para mim, uma das suas melhores canções) ou o meloso “Ao Pé de Ti”, num registo algo diferente de tudo que tinha feito até agora.
"Acham que ia embora sem a ‘Lamento?'", perguntou Deau perante um público mais do que convicto da resposta. À efervescência que esta faixa provoca sempre que é tocada ao vivo, juntou-se Chek, do duo Enigma. Deau acabou levado em ombros, como se de uma condecoração se tratasse. Mas ninguém queria arredar pé da sala, nem o público, nem o próprio Deau, e isso foi notório. Mais 10 minutos de improviso improvisados (passo a redundância) fecharam a actuação. De brilho nos olhos, e depois do apoio e da cumplicidade que recebeu numa noite onde, pela primeira vez, foi o centro de todas as atenções, Deau terá se sentido nas nuvens mesmo estando no subsolo do Plano B. No final, ficou o desafio lançado pelo próprio (e que poucos artistas ousariam fazer): "Quem não gostou que faça barulho". Silêncio ensurdecedor na sala. Quem cala, consente, já diz o povo.Texto: Sempei
Fotos: Fisko
Etiquetas:
Deau,
DJ D-One,
Hip Hop Nacional,
Jimmy P,
Reportagens,
Supremo G,
Versus Eventos,
Vídeos
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Raw Beats Vol. 001 (15/07/2011): Seada, Enigma, Jimmy P, Keso e Maze @ Plano B

Foi na sexta-feira, 15 de Julho, que, cerca de mês e meio após a última festa de Hip Hop por si engendrada, a promotora Versus voltou a delinear um cartaz de rap – sem nomes internacionais, é certo-, mas com uma bela mão cheia de artistas nacionais, todos eles nortenhos: Seada, Enigma, Jimmy, Keso e Maze (juntando-lhes os DJ’s D-One e SlimCutz). O local escolhido foi o Plano B, um espaço exíguo, impróprio para grandes multidões, mas aconchegante para um ambiente muito caloroso e vibrante em caso de casa cheia. E foi isso que se sucedeu.
Muitas caras conhecidas de outros dias festivos. É caso para dizer que há já um núcleo duro de aficionados que frequenta a maioria das grandes noites de Hip Hop no Porto. Em sentido inverso, se há artista que ultimamente não tem por hábito pisar os palcos destes shows esse dá pelo nome de Seada. O MC/produtor portuense abriu as hostes das actuações um pouco depois da uma hora da manhã, já após SlimCutz ter dado as boas-vindas com um set a seu gosto. Seada não tem muita música editada, por isso fez-se valer dos sons que mesmo assim lhe conferem algum respeito no seio da cena underground tripeira, pese embora o seu modus operandi bastante discreto.
Ao segundo tema já Seada contagiara a plateia, que se deleitou com o single “Táxi”, pertencente à compilação “Best Off”. Kayn (Caixa Toráxica) foi o braço direito de Seada, que ainda teve a certa altura outro parceiro especial: Supremo G aka Jimmy P. Um sublinhado para o momento acústico da performance do duo. “Digam a verdade às crianças” pôs os presentes embevecidos e solenemente à escuta dos acordes da guitarra nas mãos de Seada e da mensagem conjunta com Jimmy. O reverso sucedeu-se à passagem de “Cartão de visita”, canção que teve o condão de erguer muitos braços no ar, devido até à própria tónica algo revolucionária da letra. Excelente na entrega e na interactividade com o público, Seada conseguiu uma das melhores actuações da noite, e logo na abertura. Muito, muito bom!
Seguiu-se Enigma para uma curta estadia em palco. Each e Chek actuaram durante pouco tempo, cerca de um quarto de hora, e aproveitaram esses 15 minutos de mic na mão para darem a conhecer novas músicas. E a julgar pela reacção da plateia, as novas rimas da dupla deixaram muita gente a salivar. De facto, tanto Each como Chek têm crescido permanentemente e ganho com o tempo o seu espaço no rap nacional. De negativo na performance no Plano B apenas uma ou duas falhas de memória de Each que, apesar de pouco notadas, fez questão de se desculpar por isso. No final da noite viria a certeza de que conseguiram, mesmo em pouco tempo, uma das actuações mais aplaudidas.
Já passavam das duas da matina e o cartaz ia a meio, sendo que Mundo foi o host da festa que trouxe de volta Jimmy P à rotina dos shows ao vivo. De facto, Jimmy selou o regresso à actividade depois de algum tempo ausente por razões menos felizes. Mas o MC trouxe muita vontade e boas vibrações embora os novos sons não parecem ter cativado tanto o público que o admira, como por exemplo o dubplate com Celebration Sound. Jimmy fez-se acompanhar pelos seus tropas habituais, JêPê nas dobras e nos sons que partilham e Damani Van Dúnem apenas no novíssimo “Soletra”.
Sons tradicionais como “Game Over” foram revisitados, tendo o badalado single “Dope Boy” do EP que ainda está a caminho também feito parte do alinhamento, assim como “Mãe”, tema que Jimmy pôde dedicar directamente à sua progenitora que se encontrava no Plano B. Generoso como de costume, Jimmy P fez questão de dar tempo de antena a Contrabando 88. O grupo, acompanhado como é tradição por uma barulhenta camioneta humana vinda da Póvoa de Varzim, matou igualmente um hiato fora dos palcos recorrendo aos dois sons que o junta a Supremo G: “Oportunidades” (com Sandra) e “Revolu-som”. Prometido está um EP com lançamento para os próximos meses.
Keso foi o homem que seguiu. Com a sala ainda praticamente cheia, o MC e produtor tripeiro levou à letra o desígnio da festa (Raw Beats) e inovou renovando alguns instrumentais dos seus sons. Como foi o caso de“Acólito por alcoólico”, tema de abertura que surgiu com nova companheira (leia-se batida) e que por isso inicialmente causou estranheza mas foi-se entranhando nos tímpanos naturalmente. Keso apresentou-se no espaço de concertos subterrâneo do Plano B divertido como sempre, mais descontraído que nunca e em drunk style como não há memória... Mas ninguém se importou com isso, bem pelo contrário.
O seu show foi uma risota do princípio ao fim, com um excesso ou outro, mas gerindo bem a faceta de mestre de cerimónias com a de rapper. Ou seja, Keso intercalou o dom de comediante com as rimas e os beats, com os clássicos e com o KS Xaval. Foi notório que muita boa gente tem guardada no disco rígido das lembranças a época “Raios Te Partam” de Keso, ou melhor, de KS Xaval, por isso músicas como “Pintor de Interiores” foram debitadas por mais de que uma garganta. “Insólito kesone” e “2º Capítulo” foram outras faixas degustadas como autênticas guloseimas auditivas. “Eternamente em cena” foi a cereja no topo do bolo.
O último homem a pisar o palco foi Maze. Completamente sozinho em acção, Maze tinha a missão de fechar as actuações, numa altura em que a assistência já apresentava algumas clareiras e não se exibia com o mesmo fulgor. O EP em registo próprio datado de 2007 deu o mote com “Mundo Bizarro” (mais tarde “Quando o Céu Desaba” teve uma inédita aparição). Apesar do estatuto dealemático, a tarefa de Maze não foi fácil, precisando de muito suor para cativar a atenção dos presentes. Com mais ou menos dificuldade assim foi. Não é hábito ver Maze em modo one man show, até porque só conta com um trabalho em nome pessoal, por isso foi entremeando algumas acappelas de excertos seus em temas de Dealema. “Sonhar Acordado” foi excepção, rodando com beat e o contributo de Mundo. Foi sem dúvida um dos pontos de maior agitação. Outro veio com a última faixa, “Brilhantes Diamantes”. A partir das quatro horas, D-One girou discos até às 6h sempre com a sala lotada.
O rescaldo desta noite é francamente positivo, com o regresso de alguns artistas e o surgimento de outros pouco vistos em shows a solo. Seada abriu magistralmente a cortina do espectáculo; os Enigma aguçaram o apetite para futuros projectos; Jimmy matou com emoção as saudades de estar de mic na mão perante uma plateia; Keso divertiu-se e fez divertir num dos seus últimos concertos antes de rumar ao estrangeiro (confissão de Mundo) e Maze fechou o tasco com carisma e alguma sobriedade mas nada se lhe pode apontar.
Muitas caras conhecidas de outros dias festivos. É caso para dizer que há já um núcleo duro de aficionados que frequenta a maioria das grandes noites de Hip Hop no Porto. Em sentido inverso, se há artista que ultimamente não tem por hábito pisar os palcos destes shows esse dá pelo nome de Seada. O MC/produtor portuense abriu as hostes das actuações um pouco depois da uma hora da manhã, já após SlimCutz ter dado as boas-vindas com um set a seu gosto. Seada não tem muita música editada, por isso fez-se valer dos sons que mesmo assim lhe conferem algum respeito no seio da cena underground tripeira, pese embora o seu modus operandi bastante discreto. Ao segundo tema já Seada contagiara a plateia, que se deleitou com o single “Táxi”, pertencente à compilação “Best Off”. Kayn (Caixa Toráxica) foi o braço direito de Seada, que ainda teve a certa altura outro parceiro especial: Supremo G aka Jimmy P. Um sublinhado para o momento acústico da performance do duo. “Digam a verdade às crianças” pôs os presentes embevecidos e solenemente à escuta dos acordes da guitarra nas mãos de Seada e da mensagem conjunta com Jimmy. O reverso sucedeu-se à passagem de “Cartão de visita”, canção que teve o condão de erguer muitos braços no ar, devido até à própria tónica algo revolucionária da letra. Excelente na entrega e na interactividade com o público, Seada conseguiu uma das melhores actuações da noite, e logo na abertura. Muito, muito bom!
Seguiu-se Enigma para uma curta estadia em palco. Each e Chek actuaram durante pouco tempo, cerca de um quarto de hora, e aproveitaram esses 15 minutos de mic na mão para darem a conhecer novas músicas. E a julgar pela reacção da plateia, as novas rimas da dupla deixaram muita gente a salivar. De facto, tanto Each como Chek têm crescido permanentemente e ganho com o tempo o seu espaço no rap nacional. De negativo na performance no Plano B apenas uma ou duas falhas de memória de Each que, apesar de pouco notadas, fez questão de se desculpar por isso. No final da noite viria a certeza de que conseguiram, mesmo em pouco tempo, uma das actuações mais aplaudidas.
Já passavam das duas da matina e o cartaz ia a meio, sendo que Mundo foi o host da festa que trouxe de volta Jimmy P à rotina dos shows ao vivo. De facto, Jimmy selou o regresso à actividade depois de algum tempo ausente por razões menos felizes. Mas o MC trouxe muita vontade e boas vibrações embora os novos sons não parecem ter cativado tanto o público que o admira, como por exemplo o dubplate com Celebration Sound. Jimmy fez-se acompanhar pelos seus tropas habituais, JêPê nas dobras e nos sons que partilham e Damani Van Dúnem apenas no novíssimo “Soletra”. Sons tradicionais como “Game Over” foram revisitados, tendo o badalado single “Dope Boy” do EP que ainda está a caminho também feito parte do alinhamento, assim como “Mãe”, tema que Jimmy pôde dedicar directamente à sua progenitora que se encontrava no Plano B. Generoso como de costume, Jimmy P fez questão de dar tempo de antena a Contrabando 88. O grupo, acompanhado como é tradição por uma barulhenta camioneta humana vinda da Póvoa de Varzim, matou igualmente um hiato fora dos palcos recorrendo aos dois sons que o junta a Supremo G: “Oportunidades” (com Sandra) e “Revolu-som”. Prometido está um EP com lançamento para os próximos meses.
Keso foi o homem que seguiu. Com a sala ainda praticamente cheia, o MC e produtor tripeiro levou à letra o desígnio da festa (Raw Beats) e inovou renovando alguns instrumentais dos seus sons. Como foi o caso de“Acólito por alcoólico”, tema de abertura que surgiu com nova companheira (leia-se batida) e que por isso inicialmente causou estranheza mas foi-se entranhando nos tímpanos naturalmente. Keso apresentou-se no espaço de concertos subterrâneo do Plano B divertido como sempre, mais descontraído que nunca e em drunk style como não há memória... Mas ninguém se importou com isso, bem pelo contrário. O seu show foi uma risota do princípio ao fim, com um excesso ou outro, mas gerindo bem a faceta de mestre de cerimónias com a de rapper. Ou seja, Keso intercalou o dom de comediante com as rimas e os beats, com os clássicos e com o KS Xaval. Foi notório que muita boa gente tem guardada no disco rígido das lembranças a época “Raios Te Partam” de Keso, ou melhor, de KS Xaval, por isso músicas como “Pintor de Interiores” foram debitadas por mais de que uma garganta. “Insólito kesone” e “2º Capítulo” foram outras faixas degustadas como autênticas guloseimas auditivas. “Eternamente em cena” foi a cereja no topo do bolo.
O último homem a pisar o palco foi Maze. Completamente sozinho em acção, Maze tinha a missão de fechar as actuações, numa altura em que a assistência já apresentava algumas clareiras e não se exibia com o mesmo fulgor. O EP em registo próprio datado de 2007 deu o mote com “Mundo Bizarro” (mais tarde “Quando o Céu Desaba” teve uma inédita aparição). Apesar do estatuto dealemático, a tarefa de Maze não foi fácil, precisando de muito suor para cativar a atenção dos presentes. Com mais ou menos dificuldade assim foi. Não é hábito ver Maze em modo one man show, até porque só conta com um trabalho em nome pessoal, por isso foi entremeando algumas acappelas de excertos seus em temas de Dealema. “Sonhar Acordado” foi excepção, rodando com beat e o contributo de Mundo. Foi sem dúvida um dos pontos de maior agitação. Outro veio com a última faixa, “Brilhantes Diamantes”. A partir das quatro horas, D-One girou discos até às 6h sempre com a sala lotada.O rescaldo desta noite é francamente positivo, com o regresso de alguns artistas e o surgimento de outros pouco vistos em shows a solo. Seada abriu magistralmente a cortina do espectáculo; os Enigma aguçaram o apetite para futuros projectos; Jimmy matou com emoção as saudades de estar de mic na mão perante uma plateia; Keso divertiu-se e fez divertir num dos seus últimos concertos antes de rumar ao estrangeiro (confissão de Mundo) e Maze fechou o tasco com carisma e alguma sobriedade mas nada se lhe pode apontar.
Etiquetas:
Contrabando88,
Enigma,
Hip Hop Nacional,
Jêpê,
Jimmy P,
Keso,
Maze,
Mundo,
Reportagens,
Seada,
Supremo G,
Versus Eventos,
Vídeos
domingo, 5 de setembro de 2010
Reportagem: GSM Fest 2010 (4-9-2010): Mind da Gap, Berna, Sonoplastia, Contrabando88, entre outros
Chegámos a Galegos com algumas dificuldades. Conhecíamos o centro de Barcelos mas foi-nos algo difícil descobrir o Estádio das Devesas, onde se realizaram os concertos. Como quem tem boca vai a Roma, depois de uns quantos pedidos de informações, encontrámos finalmente o local. Por volta das 21 horas, o ambiente era ainda calmo mas já algumas pessoas circulavam pelas redondezas. Sabíamos que existiam dois palcos para que todos mantivessem o entretenimento e se evitassem quebras. Assim, depois do palco secundário acender as primeiras luzes e desbobinar os primeiros sons, estava dado o mote para o início das festividades.
Claro que o grande interesse residia no palco principal, mas houve sempre curiosos que, no intervalo dos concertos no palco mor, iam espreitar quem se exibia na tenda que acolheu gente como Caixa Toráxica ou Consultório Lírico. A primeira atracção para as grandes andanças foi Contrabando88 que contou, como sempre, com a sua aguerrida base de fãs, proveniente da Póvoa de Varzim. Já se contava uma boa assistência para ver, ouvir e aplaudir o grupo, mas quem vibrava com toda a alma e intensidade eram mesmo os amigos do grupo, que vão a qualquer lado para os apoiar. O Contrabando88 mostrou a garra do costume, sempre entusiastas no debitar das rimas, houve tempo para apresentarem um tema novo e, para além de outras, a chamada sempre especial ao palco de Supremo G para interpretar com o grupo os temas “Pequenos Heróis” e o mortífero “Revolu-som” para fechar a prestação.
Sonoplastia revezou Contrabando88 e mostrou, em casa, o que é, de facto, “pé na porta”. Confiantes, com o apoio da sua gente, desfilaram temas que farão parte do seu novo trabalho, sempre com energia e pedindo o apoio de todos para que a performance fosse mais forte. Conseguiram uma actuação boa, com Cálculo a assumir-se na linha da frente do grupo, destacando-se ainda a subida ao palco de Alice para dar o seu contributo nas cantorias. Estiveram na mesma linha do que protagonizaram há, mais ou menos, quinze dias no concerto do festival “Às 3 Pancadas”.
Quem se deslocou ao GSM Fest 2010, no dia consagrado ao Hip Hop, certamente que levava em mais evidência na mente os nomes de Mind da Gap e Berna. Seriam mesmo eles os grandes senhores da noite. Primeiro, Berna. Directamente de Aldoar, o tripeiro de gema, esteve mesmo muito muito bem em palco. Quer na interpretação das faixas que alinhavou para apresentar, quer pelo discurso, diríamos, importantíssimo, que teve com o público. Mostrou realmente ser um Mestre de Cerimónias com uma vastíssima experiência nos meandros do Hip Hop, com um profundo conhecimento do movimento, da vida e do mundo e foi isso que partilhou com todas as pessoas, quer fosse através da música, quer fosse através da brilhante comunicação que fazia na pausa daquelas. A empatia com o público foi soberba, viu-se no rosto de Berna a felicidade estampada pelo apoio dispensado e o povo esteve ao rubro a cada clássico desfiado pelo rapper portuense. Uma muito boa actuação de Berna!
Depois do MC de Aldoar ter fomentado sérios abanamentos do “melão”, Mind da Gap veio com a corda toda para que os pescoços dos presentes atingissem o torcicolo justo. DJ Serial, Presto e Ace trouxeram para o palco uma grande panóplia de canções, desde temas do mais recente disco até memórias mais antigas, mas sempre clássicas, que levaram o público ao êxtase. Movimentando-se em palco com grande adrenalina, exemplificaram que a idade é um posto, que o estatuto que têm é fruto do seu trabalho, que o pioneirismo que engrenaram é um dos seus cartões de visita e um sinal de respeito dos fãs. Maze foi o convidado especial de Mind da Gap para a entoação de “A Essência”. Mind da Gap deu uma grande prova de vitalidade, qualidade e festividade. Havia dúvidas?Em resumo, o “Gallus Sonorus Musicallis Fest 2010” foi uma óptima surpresa para nós, pelo cartaz que conseguiu reunir, por ter tido a versatilidade de apontar em dois estilos musicais diferentes, em dois dias, o Metal e o Hip Hop, por ter conseguido atrair bastante público e com todo o valor, o mérito e uma merecida vénia concretizou esta festa no sentido de angariar fundos para o Núcleo de Barcelos da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP). A cidade de Barcelos está de parabéns pela proactividade que demonstra na divulgação cultural, concretamente na música, e os organizadores deste evento merecem igualmente a nossa congratulação, bem como todo o público envolvido, já que reinou uma aura de verdadeira festa e paz. Uma pequena nota nossa apenas para o facto de nos ter sido impossível acompanhar um concurso de B-Boying que paralelamente decorria. Pelo facto, assinalamos a nossa pena.
Etiquetas:
Berna,
Caixa Toráxica,
Contrabando88,
GSM Activo,
GSM Fest,
Hip Hop Nacional,
Mind da Gap,
Reportagens,
Sonoplastia,
Supremo G
domingo, 25 de abril de 2010
Live On Stage Vol. 2 (download)
Etiquetas:
DJ Deeflow,
DJ Sir,
Downloads,
Hip Hop Nacional,
Jêpê,
Supremo G
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Mixtape "Live On Stage Vol.2"
Cerca de meio ano após a primeira difusão ilegal do projecto "Live On Stage", eis que os mentores da Ilegal Promo voltam à carga nos próximos dias com um segundo volume, apadrinhado, mais uma vez, por Supremo G. Neste segundo capítulo, JêPê surge como cabeça de cartaz, ao lado dos DJ's Sir e Deeflow. Jimmy P. e Vasco têm também presença assegurada, num registo com 10 novas faixas e 2 remisturas de dois temas do volume 1.O dia oficial da disseminação está marcado para a próxima segunda-feira, dia 26 de Abril, quando a mixtape for colocada à disposição de todos os ouvintes de forma gratuita nos seguintes myspaces:

Etiquetas:
DJ Deeflow,
DJ Sir,
Hip Hop Nacional,
Ilegal Promo,
Jêpê,
Jimmy P,
Notícias,
Supremo G,
Vasco
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Reportagem: Gare Clube, Porto (2 de Abril 2010)
O relato das peripécias da noite de Hip Hop no Gare Clube, no Porto, já pode ser visto no H2T. O nosso texto dá conta de tudo o que se passou na noite em que actuaram DJ D-One, DJ SlimCutz, Supremo G, Deau, Enigma, Fuse e Ex-Peão. À distância dum clique:
http://www.h2tuga.net/artigos-h2t/eventos/2997-gare-clube-porto-02042010.html
Etiquetas:
Deau,
DJ D-One,
DJ SlimCutz,
Enigma,
Ex-Peão,
Fuse,
H2T,
Hip Hop Nacional,
Reportagens,
Supremo G,
Vídeos
segunda-feira, 15 de março de 2010
Reportagem da noite de Hip Hop no Pin Up (6-3-2010)
Numa noite sensacional, Supremo G, Capicua, M7, Deau, Mundo, Berna, Auge e ainda Body Rock Crew proporcionaram uma portentosa festa de Hip Hop, que teve um excelente ambiente no Pin Up, no Porto. A reportagem está visível no H2T. Recordem o que viveram, se estiveram presentes, arrependam-se (e muito!), se tiveram hipóteses de ir e não o fizeram:
http://www.h2tuga.net/cronicasdeeventos/094_pinup_6mar2010.php
http://www.h2tuga.net/cronicasdeeventos/094_pinup_6mar2010.php
Etiquetas:
Auge,
Berna,
Body Rock Crew,
Capicua,
Deau,
H2T,
Hip Hop Nacional,
M7,
Mundo,
Pin UP,
Reportagens,
Supremo G
terça-feira, 9 de março de 2010
Valeu a pena, não valeu?
Brevemente a nossa reportagem da noite hiphopiana do último sábado (6 de Março) no Pin Up surgirá online no H2T, mas podemos já adiantar (a quem não marcou presença) que foram cerca de 3 horas a ferver! O vídeo acima é só a ponta da labareda...
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Pin Up, 30 de Novembro de 2009 (Fotos)
Mais um álbum para a colecção fotográfica do HIPHOPulsação. Desta vez, as fotos foram captadas no bar portuense Pin Up, na noite de 30 de Novembro, quando DJ Yoke, Soldado, DJ SlimCutz, SimpLe e Supremo G (assim como todos os convidados de cada um) subiram ao palco.Para ver as fotos (assim como os outros álbuns) basta sentir o pulso a este link:
http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewAlbums&friendID=470195182
A qualquer momento a colecção poderá ser abonada, assim que haja material para tal. Para acompanhar o processo de enriquecimento basta, obviamente, estar atento ao myspace ou ao blog.
Etiquetas:
Contrabando88,
Divisão de Honra,
DJ SlimCutz,
DJ Yoke,
Hip Hop Nacional,
Simple,
Soldado,
Supremo G
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Evento: Hip Hop no Pin Up (30-11-09)
http://www.h2tuga.net/cronicasdeeventos/085_pinup_30nov2009.php
Etiquetas:
Contrabando88,
Divisão de Honra,
DJ SlimCutz,
DJ Yoke,
H2T,
Hip Hop Nacional,
Reportagens,
Simple,
Soldado,
Supremo G
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Mais um cartaz
Está marcada para dia 30 de Novembro (precisamente de hoje a duas semanas) mais uma festa de Hip Hop no Pin Up - bar que anima a baixa da Cidade Invicta. Supremo G aka Jimmy P (que respondeu a algumas perguntas nossas aqui) dá a conhecer ao vivo a Mixtape "Live On Stage", contando com alguns convidados seus. Já LT aka Philly Gonzalez (Governo Sombra) apresentará a sua Mixtape "LT Primeiro". A noite contará ainda com a actuação de Soldado (Crewzada) e dos Dj's Yoke e SlimCutz (Monstro Robot), 4º classificado e campeão do último DMC Portugal, respectivamente. * SimpLe - que foi inexplicavelmente esquecido no texto acima - fará um teaser do segundo volume da "Complexidade Da Simplicidade", não deixando de percorrer as faixas clássicas da Mixtape "Um 1/7 Sétimo".
Etiquetas:
cartaz,
DJ SlimCutz,
DJ Yoke,
Hip Hop Nacional,
Jimmy P,
LT,
Simple,
Soldado,
Supremo G
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
5 de Outubro: Live on Stage
MIXTAPE LIVE ON STAGE - Dj Sir - Supremo G - Dj DeeflowDisponível para download no dia 5 de Outubro ( próxima 2ª Feira )
O projecto Live On Stage conta com a participação de Rusty, D.K., Damani Van Dúnem, Eric P., Jêpê e Discreto ( 3 em 1 ), Contrabando 88.
Para além das faixas da mixtape, também estará disponível para download um ficheiro com videos de sessões de estúdio e concertos, e um apanhado de faixas perdidas do Supremo G.
Para descarregar o projecto, aceder aos seguintes sites:
www.myspace.com/supremog
www.myspace.com/djdeeflow
Bless
Etiquetas:
Downloads,
Hip Hop Nacional,
Ilegal Promo,
Jimmy P,
Notícias,
Supremo G
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Ilegal Promo "Live On Stage"
Supremo G aka Jimmy P dará brevemente seguimento à "promoção ilegal" do seu rap e dos seus parceiros. Contando com a preciosa colaboração de DJ Deeflow e DJ Sir na concepção, esta mixtape adoptou o nome ""Live On Stage" e estará brevemente disponível para download gratuito.Por enquanto, e para aguçar o apetite, Jimmy P e Rusty convidam-nos a ouvir a preview do projecto, que conta com um título bem sugestivo: "Let's the Music Play". Deixem tocar!
Etiquetas:
DJ Deeflow,
DJ Sir,
Hip Hop Nacional,
Ilegal Promo,
Jimmy P,
Rusty,
Supremo G
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Entrevista a Supremo G a.k.a. Jimmy P
Supremo G a.k.a. Jimmy P acedeu ao nosso pedido e deu-nos a possibilidade de lhe colocarmos algumas questões. Não se escapulindo a nenhuma pergunta, Jimmy revelou-se na entrevista tão hábil como a fazer rimas. Partilhou connosco alguns aspectos da sua vida, traçou objectivos e vincou que só editará um álbum a solo quando se sentir completamente apto. Da Margem Sul a França, passando pelo Porto e Angola, Jimmy P palmilha no rap lusófono um percurso que deseja que se torne marcante. Ao talento, junta-se a sinceridade.1- A primeira pergunta é sempre a mais fácil que fazemos. Portanto, a fim de entendermos se somos bons ou maus na arte de persuadir, diz-nos: a partir do momento em que viste o nosso pedido, quanto tempo é que demoraste a aceitar a entrevista (risos)?
No vosso caso, respondi imediatamente. Às vezes demoro um pouco a responder porque não vou muitas vezes ao space. Por acaso, tiveram sorte!! Apanharam-me num bom dia (risos).
2- Nasceste na Margem Sul, estiveste uma década em França, antes do Porto te acolher e testemunhar os teus primeiros passos como MC. Qual destas zonas pode reclamar para si a maior quota-parte de importância na tua ligação com o Hip Hop?
Mas que bela pergunta!! Apesar de me sentir intimamente ligado a todas as regiões mencionadas, o tempo que vivi em França moldou definitivamente a minha maneira de estar e o meu estado de espírito relativamente ao Rap. No que diz respeito às minhas preferências de Rap, quase tudo que oiço é francês. Oiço muito pouco Rap Americano. Mas independentemente disso, sinto uma ligação muito forte à cidade do Porto. Amo esta cidade! Também tem um peso importante naquilo que faço. Quanto à Margem Sul, e especificamente o Barreiro, tem um cantinho especial cá dentro por motivos óbvios. Até à data presente só dei um concerto na Margem Sul e foi dos sítios onde fui melhor recebido.
3- Plantaste a semente da tua carreira no Hip Hop nacional com algumas participações em álbuns alheios mas grande parte da tua projecção deu-se com o projecto Crewcial. Todavia, nos últimos tempos não temos ouvido falar muito do grupo... E Afroclick, como está?
Infelizmente (ou felizmente), os meus parceiros foram viver para Angola. Considerando que a oferta de emprego para pessoas formadas cá em Portugal é escassa, tanto o Diggy como o P acabaram por ir para lá. Quanto aos restantes membros do colectivo Afroclick, a grande maioria acabou por ir também embora. No fundo, sempre foi esse o nosso desejo, acabarmos os nossos cursos e voltar à nossa terra. Como tal, fiquei eu por cá com mais alguns tropas e dei seguimento a um projecto que começamos juntos: “Ilegal Promo”.
4- Deves ter consciência de que quem aprecia a tua música há muito que anseia marcar no calendário o dia do lançamento do teu álbum a solo. Ainda teremos que tomar medicamentos para controlar a ansiedade durante muito tempo? O que podemos esperar desse registo discográfico?
(risos) Eu tenho consciência que há pessoas que estão à espera há algum tempo. Costumo receber mensagens a perguntar pelo álbum com alguma frequência. Já tive o meu álbum pronto e conforme tenho dito às pessoas, senti que ainda não estava na altura para lançar. Simplesmente porque o produto final não me agradava. Sabem, não tenho pressa nenhuma. Confesso que quero lançar um álbum, mas não pretendo que seja mais um álbum que fica a apanhar pó nas prateleiras das Fnacs e afins. Quero reunir as condições necessárias para que o meu trabalho tenha um impacto positivo no público mas, acima de tudo, quero que traga um contributo positivo ao panorama da musica lusófona. Não quero que seja "apenas" mais um álbum de Rap.
5- Há uns tempos, fomos presenteados com a “Ilegal Promo”. Que balanço fazes desta “promoção ilegal” do rap que, diga-se, disseminou-se por vários pontos de Portugal?
Honestamente, o feedback foi mesmo muito positivo. Eu não estava cá quando o trabalho ficou disponível para download. O que posso dizer é o seguinte: tendo em conta que não fizemos tudo que era possível em termos de promoção (fizemos apenas o básico), no final da segunda semana tínhamos cerca de 3.500 downloads. O pessoal passou a palavra e a cena naturalmente chegou aos ouvidos das pessoas. Quando voltei para Portugal, fui ao Algarve gravar uma cena com o Realpunch e fiquei surpreendido ao ver que em algumas zonas havia pessoas com sons da Mixtape a tocar nos telemóveis. Não esperava mesmo. Por outro lado, permitiu-me conhecer e relacionar-me com MC's cujo Rap apreciava e com quem mantenho o contacto até hoje. Acho que dentro do que era possível fazer, tendo em conta que tudo é feito às nossas custas, o balanço é extremamente positivo para todos.
6- Na tua opinião, que prós e contras vislumbras no lançamento de uma mixtape? Há actualmente, dadas as vicissitudes do mercado musical, mais vantagem em se lançar uma mixtape em detrimento de um álbum?
Bom, a meu ver, as mixtapes também são trabalhos discográficos, logo, devem ser encaradas com a mesma seriedade que se encara um álbum porque, bem ou mal, é o teu nome que vai estar associado a esse trabalho. Acredito que é uma maneira saudável de trabalhar, isto é, para os artistas se darem a conhecer. Contudo, conforme disse há pouco, tem de haver seriedade naquilo que se faz. Normalmente oiço quase tudo que se faz cá em Portugal em termos de Rap e tenho ouvido muitas mixtapes que denotam muito pouco cuidado, seriedade e profissionalismo. Quanto ao resto, parece-me que depende muito das expectativas de cada um. Vejo o álbum como algo muito pessoal, algo muito sério. Não acho que haja mais vantagens em lançar um ou outro trabalho pois acredito que álbuns e mixtapes servem propósitos diferentes.
7- Em virtude das tuas ligações a África, é natural que a música desse continente te inspire – particularmente a música angolana. Ultimamente, têm chegado aos ouvidos dos portugueses vários nomes de rappers dos países lusófonos. Sentes que esta injecção de rap da lusofonia é importante e suficiente aqui em Portugal ou deveriam todos os países lusófonos aprofundar mais esta irmandade?
Parece-me que esta "injecção", conforme lhe chamam, é extremamente salutar para todos nós. Nesta era global, não podemos viver fechados sobre nós próprios. Há que tirar proveito daquilo que os outros nos trazem de bom. Para mim, a música, e neste caso o Rap, é partilha, é o quebrar de fronteiras e acho que é isso que estamos a começar a fazer. Só temos a ganhar em ouvir artistas de outros países! Embora algumas pessoas (os ditos puritanos) queiram preservar o estado "puro" do Rap, sem os estrangeirismos, sem influências de fora. O panorama musical mostra precisamente o contrário: o Rap lusófono é extremamente heterogéneo, isto porque se alimenta de realidades, influências e vivências distintas. Devemos cultivar essa irmandade porque só temos a ganhar com isso.
8- Inseres-te numa geração de MC’s da Invicta que tem despertado um crescente optimismo e entusiasmo nos defensores do rap nacional e nortenho, em particular. Como vês, estando por dentro da comunidade, a evolução do rap no norte do país?
Pelo que tenho observado, aqui no Norte há muita gente com talento. Lembro-me que há uns anos era muito difícil alguém impor-se se não tivesse aquela sonoridade característica do Rap nortenho. Houve um tempo em que todos os MCs da New School tinham como referências os mesmos MCs e, em consequência disso, muitos acabavam por ter sonoridades parecidas. Hoje, o contexto mudou. Há MCs que apareceram com estilos muito próprios, formas de pensar e de abordar o Rap muito próprias e, consequentemente, trouxeram um Rap diferente daquilo que as pessoas estão habituadas a ouvir. Desta nova geração de MCs, destaco alguns artistas como Deau, Enigma, Caixa Toráxica, Capicua, M7, Jêpê, Bordaz, Contrabando 88 ...
9- “O Deau é, no momento, um dos melhores MC’s de Portugal”. Esta é uma afirmação tua. Privando e acompanhando o desenvolvimento de Deau, até onde poderá ele chegar no rap? (Era inevitável perguntarmos-te sobre Deau!)
(risos) Ele é, sem dúvida, dos MCs mais talentosos que eu ouvi até hoje. A meu ver, ele reúne todas as características que um MC deve ter: escreve muito bem, tem grande flow, tem musicalidade e sabe envolver o ouvinte com palavras. É importante realçar um facto: a maior parte dos MCs só consegue ter o impacto que ele teve depois de dar uma considerável parte do seu trabalho a conhecer. Ele apareceu com um som e deixou todos de boca aberta. Acho que só isso já denota que ele é um artista muito acima da média. Considerando que tenho vindo a acompanhar o trabalho dele, posso afirmar que o Deau vai ser uma das maiores referências do Rap Lusófono. Que ninguém duvide disso!
10- Para finalizarmos, o que é que te apetece destacar positiva e negativamente no Hip Hop português actual?
Positivo: a atitude empreendedora que muitos artistas, e não só, estão a ter em prol do crescimento do Hiphop. Tenho assistido à criação de Mixtapes, Labels independentes, fóruns, blogs... Tudo isto permite manter a chama acesa. Keep it up!!
Negativo: A falta de cultura que existe no seio do Rap. Muita gente resume o Hiphop ao Rap quando há tanto para descobrir. Portugal deve ser um dos únicos países onde as vertentes do Hiphop não agem de forma articulada, funcionam independentemente umas das outras.
Posto isto, quero mandar um grande props pela iniciativa!!! Continuem a fazer um bom trabalho. Um grande abraço.
Obrigado pela entrevista, Jimmy!
Por Sempei e Druco
Foto generosamente cedida pelo artista
Etiquetas:
Afroclick,
Crewcial,
Deau,
Entrevistas,
Hip Hop Nacional,
Ilegal Promo,
Jimmy P,
Supremo G
Subscrever:
Mensagens (Atom)

