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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Nach - "Mejor Que El Silencio"

Nach está de regresso com mais um registo discográfico, intitulado "Mejor Que El Silencio", dois anos volvidos sobre o último "Un Día en Suburbia". O rapper de Alicante é indubitavelmente um dos melhores liricistas do velho continente (a recente chamada à dream team europeia Diversidad foi como um reconhecimento desse estatuto), mas a visibilidade do seu trabalho não conhece fronteiras.

Em Portugal são muitos os apreciadores deste Mago de la palabra (ao que tudo indica o espanhol participará no próximo álbum de Valete). Mas a ilustre entrada de Talib Kweli e Immortal Technique neste novo disco é o indício claro de que a obra de Nach - outrora Scratch - também não passa despercebida aos ouvidos hiphopianos da Terra do Tio Sam. O francês Akhenaton (IAM) e a espanhola Wöyza são outros convidados convocados para este quinto álbum de Nach, à venda a partir do próximo dia 12 de Abril.

"El Reino De Lo Absurdo" e "El Idioma De Los Dioses" (vídeo em baixo) são os dois únicos temas conhecidos antes do lançamento.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Festival Às 3 Pancadas, Barcelos (20/8/2010) 1º dia

Fomos até à mítica terra do Galo – Barcelos – para vivenciarmos a experiência de um evento que vai na sua terceira edição: Festival «Às 3 Pancadas». Esta cerimónia dirigida aos entusiastas do Hip Hop contemplava sessões de batalha nas modalidades de Beatbox e Mcing, para além de concertos de gente conceituada. Quando chegámos a Barcelos, na noite de Sexta, o relógio ainda não tinha badalado as 23 horas. Numa espécie de antigo anfiteatro grego, DJ Casca fazia circular discos de rap clássico ao mesmo tempo que mostrava toda a sua técnica ao público que ia chegando e se distribuía pelo imenso espaço que subia a pique para quem estivesse em palco.

Pode afirmar-se que no início do espectáculo estava um bom número de pessoas a engrandecer o evento, tendo em conta a imensidão do espaço – ao ar livre e na zona ribeirinha – e contando também com a dimensão da cena Hip Hop barcelense que, apesar de dar mostras de estar em crescimento, está naturalmente ainda longe do enraizamento da cultura nos grandes centros urbanos. No entanto, viu-se público muito jovem, maioritariamente sub-21, pelo que o futuro do movimento deverá estar garantido naquelas terras.

Vamos ao que interessa. Primeiro, a batalha de Beatbox que abriu o festival. Pese embora o atraso do início das actividades, o público aguentou bem e estava com água na boca para o que poderia acontecer. Algumas caras conhecidas do Beatbox nacional, que até já figuraram em programas de TV, foram a concurso e previa-se que a luta talvez fosse desigual a favor destes. Nada mais errado! As exibições e as batalhas de Beatbox revelaram uma super qualidade e um super equilíbrio que, confessamos, muito nos surpreendeu. Terá sido custoso para o júri composto por Woyza, Mundo Segundo e Rui Miguel Abreu nomear aqueles que mereciam seguir em frente. Impossível decorar todos os nomes que participaram (inclusive o júri teve essa dificuldade, já que a organização não providenciou atempadamente o nome, que por vezes era nickname, o que suscitou alguma confusão e demora). Os apresentadores de serviço engonharam muito e não permitiram uma boa fluência do show dos beatboxers, havendo muitas quebras. Após as exibições dos concorrentes, o júri escolheu os melhores para a final (a realizar no dia seguinte) e que nos pareceu ter sido uma decisão correcta e justa, apesar de ter sido certamente árduo decidir. Passaram à final Fubu, Pedro Alexandre, Rizumik, Beats, Robinho e Vítor Hugo. Portanto, nota bastante alta para o Beatbox que teve momentos de grande criatividade, técnica, potência e sobretudo muito equilíbrio.

Seguia-se a batalha de MC’s. Talvez esta gerasse a maior das expectativas. Todos pretendiam destronar o campeão Zeka e sabe-se que na hora de afiar as palavras as coisas podem aquecer muito. Com os candidatos perfilados e apresentados, notava-se a grande jovialidade da maior parte. Ou teríamos ali grandes promessas ou gente com bastante caminho para percorrer. Confirmou-se o segundo caso. Nem a boa prestação de abertura a cargo de Zeka fez com que os outros candidatos se inspirassem e tivessem o seu golpe de asa, esmerando-se na qualidade das palavras debitadas. Com excepção do referido Zeka e de Cálculo, todos os outros candidatos apresentaram-se num patamar bastante fraco. Houve uma batalha em que não sabíamos se havíamos de chorar ou rir com o absurdo do que foi dito! A imaturidade, com excepção de Zeka (ou Zekinha), resvalou para o puro insulto, para a pobreza de vocabulário, para o mero vernáculo e questionamentos de cariz sexual. Foi uma desilusão o nível da batalha de MCing. Previa-se que Zekinha na final não teria dificuldades em ganhá-la.

Já passava das duas horas da manhã, o frio começava a querer estalar os ossos, algumas pessoas debandaram mas ainda havia Woyza e Sagas. A viguense subiu ao palco e pronto: os corações aqueceram, esqueceu-se o frio e partilhou-se o enamoramento desta artista espanhola com o público português. Com uma tribo de indefectíveis a cantar em conjunto com Woyza, esta mostrou-se encantada. Percorrendo os sons do seu último disco, entregou-se com toda a alma possível, deu o seu calor aos presentes e estes retribuíram na mesma moeda. Destaque para a aparição de El Puto Coke que entrou com um freestyle (?) de arrepiar! Muito bom. Woyza esteve igual a si mesma: encantadora na música, afável no trato, espalhando simpatia e admiração por Barcelos.

Após mais ou menos uma hora de concerto de Woyza, Sagas ainda tinha de actuar. Cada vez havia menos público no recinto. O que se compreendia, devido ao clima gélido (relembramos que era ao ar livre) e a hora também já era das mais adiantadas. No entanto, aquelas pessoas que ficaram entregaram-se completamente ao concerto de Sagas e à sua energia. Primeiro, DJ Nel’Assassin desbundou como só ele sabe, a solo, e depois sim Sagas entrou com grande humildade, soube juntar as pessoas e fez um final de festa bem quente como não se pensava que ainda pudesse ser feito. Para isso, contribuiu o leque de temas escolhidos, alguns mais antigos, outros que fez com Nel’Assassin, relembrou Micro e na companhia de mais dois elementos que se juntaram nos batuques e na voz prendeu as pessoas com as boas vibrações difundidas, naquela mistura de português e crioulo e de vários sabores musicais. Certamente que todos os que esperaram pelo concerto de Sagas não se arrependeram.

Em suma, uma boa noite de Hip Hop, com dois grandes concertos, com muitas revelações ao nível do beatbox, com a constatação da fragilidade de muitos MC’s que estão ainda a gatinhar na competição de batalha (esteve-se ali muito distante duma «Liga dos MC’s» brasileira, por exemplo) e alguns reparos para a organização pelo atraso e fraca desenvoltura que deu principalmente na batalha de Beatbox, pois impossibilitou que houvesse maior dinâmica, interesse e ânimo do público.

Cinco e trinta da matina, chegada finalmente à Invicta. No dia seguinte, haveria mais Barcelos para galgar, desfrutar e narrar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

El Puto Coke - Piya Esto III (download)

Directamente de Vigo, El Puto Coke disponibiliza mais um trabalho inteiramente grátis para download. Com o carimbo da sua própria editora - Likor Kafé - El Puto Coke realizou todos os instrumentais de "Piya Esto III" e convidou diversos artistas, entre os quais Mind da Gap. São onze os temas. Em baixo, podem fazer o download deste e de muitos mais trabalhos da Likor Kafé.
1- Pasen y vean (con Seilaesencia)
2- Superarme (con Make D y Woyza)
3- Ma nansac (con Shidi)
4- Paulinha (con Gran Purismo)
5- Le temps secouler (con Pumpkin)
6- Dejate llevar (con Woyza y Mind da Gap)
7- Como lo transformo (con Dr.Valda y Nalia)
8- La epoca dorada (con Sale y Zentinela)
9- Mira los que matan (con Cartel Hispano)
10- Y quiero (con Kesia)
11- Si termina (con Shelar)

El Puto Coke - Piya Esto III (download)
Já está no youtube o som de Wöyza com Mind da Gap:

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Wöyza - Vendrás Detrás

Todos aqueles que estiveram no "Eixo Rap", em Gaia, ficaram certamente bem impressionados com Wöyza. Para quem ficou enamorado pela música da artista galega e pretende saber mais sobre ela, aqui fica uma novidade bem recente. O seu primeiro videoclip oficial "Vendrás Detrás". Esta canção faz parte do seu disco "Pisando el Suelo que Ves", o primeiro de Wöyza. Podem fazer o download grátis deste trabalho no site da artista, onde é possível baixarem igualmente outros trabalhos do selo Licor Kafé.

www.woyza.es

domingo, 5 de julho de 2009

Eixo Rap - 2º Dia (4 de Julho de 2009)

Quatro de Julho, segundo e último dia do “Eixo Rap” em Vila Nova de Gaia. Após uma estreia fantástica, as expectativas para a noite de ontem eram também elevadas. Sabia-se, porém, que seria muito difícil vivenciar-se sensações semelhantes à noite anterior, onde o povo esteve em polvorosa. Mas a esperança mantinha-se em se passar um bom momento, curtindo boa música. Felizmente, os artistas fizeram-nos a vontade.

Devemos dizer que não pudemos satisfazer o pedido que Mundo fizera, na noite de Sexta-Feira. Ele tinha solicitado que o pessoal ontem chegasse cedo para que quem abrisse as hostes tivesse uma plateia minimamente composta. À hora em que pisámos as ruas de Miramar, Império Norte ultimava os preparativos para soltar a sua música. No “Eixo Rap”, foi nota dominante o entusiasmo e o suor que os artistas deixaram no palco. DJ Guze, Wöyza, Mundo, Ex-Peão e El Puto Coke proporcionaram aos presentes um show agradável, apesar de curto. A potencialidade deste grupo é grande e será curioso acompanhar a evolução deste projecto, bem como a carreira individual dos artistas que compõem este colectivo luso-galego.

Wöyza era a seguinte no alinhamento do “Eixo Rap” de 4 de Julho, mas agora a solo. Bem, também não esteve completamente sozinha durante a sua actuação já que DJ Limbo esteve na sua retaguarda. E logicamente o público presente deu a maior força à artista natural de Vigo. Assim, a lindíssima Wöyza cantou e encantou. Misturando o Hip Hop com a Soul, a música de Wöyza tem todos aqueles pozinhos especiais que nos fazem levitar. A interpretação sentida de cada tema seu aliada ao bom suporte musical, faz com que o nosso corpo e mente retenham das canções de Wöyza propriedades como a elegância, a excelência e a frescura. Apesar de se expressar numa outra língua que não o português sentia-se toda a classe que Wöyza destilava em cada palavra cantada. Depois, o jogo corporal dela é um espectáculo à parte. Sempre enérgica, Wöyza conseguia fazer emergir toda uma comunicação corporal que complementava a verbal. Canta com alma, com garra e empenha-se em fazer com que a sua mensagem seja decifrável para as pessoas. Daí a constante interacção que privilegiou com a plateia. Despediu-se em grande, agradecendo aos portugueses a forma como sempre a recebem. Portugal já adoptou esta galega. A noite foi dela.

Mind da Gap era o grupo mais esperado da noite. DJ Serial, Presto e Ace subiram ao palanque e os aficionados do grupo saudaram os músicos com gritos de boas-vindas. Ace e Presto estiveram também cheios de pica, mostrando-se irrequietos, movimentando-se por todos os espaços do palco. Os mc’s desde logo estabeleceram um diálogo com as suas gentes. Ace mostrou um humor muito particular. Não que estivesse mal disposto, longe disso, mas contou umas piadas cuja decifração era de alcance bastante complicado. Mas todos se riram e divertiram com a intenção de Ace, que ou não estava muito inspirado para o humor ou as suas piadas são mesmo muito rebuscadas. Foram momentos engraçados em que o próprio mc teve a capacidade de se rir de si próprio. No plano musical, foram sendo tocados alguns clássicos de Mind da Gap. Os fãs não cabiam em si de contentes e acompanhavam em uníssono os mc’s. Destaque para a estreia ao vivo duma nova canção de Mind da Gap – “Abre os Olhos” – que fará parte do novo álbum do grupo nortenho. O pano caiu ao som da emocionante “Invicta”. Mind da Gap em boa forma num concerto que foi certamente do agrado da legião de apoiantes da tríade.

Cabe-nos fazer um balanço do festival “Eixo Rap”. Não nos foi possível, infelizmente, acompanhar todos os artistas e grupos que actuaram nesta iniciativa. Todavia, no que observámos dos instantes em que estivemos presentes, pode garantir-se que o festival foi francamente positivo. Assistiu-se à entrega total de todos, o público respondeu à chamada e nos dois dias o recinto esteve sempre praticamente cheio na hora em que actuavam os nomes mais consagrados. O primeiro dia do “Eixo Rap” foi mais electrizante e emblemático muito graças à soberba actuação de Dealema e do impacto que teve em todos aqueles que acompanhavam o evento. Ontem, não se sentiu tanto essa atmosfera vibrante mas, em abono da verdade, houve momentos de muito boa música e duma grande sintonia entre os artistas e as pessoas. Saúde-se a Câmara Municipal de Gaia e os restantes mentores pela excelente iniciativa que desenvolveram, mostrando que estão atentos ao fenómeno do rap, que tem profundas raízes e tradição na cidade. Enalteça-se também a conexão entre o Norte de Portugal e a Galiza, que sempre tiveram historicamente uma forte ligação. Uma palavra sentida de apreço pelos artistas espanhóis que deixaram uma óptima impressão em Gaia e foram muito bem acolhidos pelos portugueses. Afinal de contas é isto o rap, é isto o Hip Hop – irmandade e intercâmbio de mentalidades entre os povos, através da fomentação e elevação da arte. Parabéns a todos os que contribuíram para o sucesso do “Eixo Rap”, numa iniciativa «Gaia – Capital da Cultura do Eixo Atlântico 2009».

sábado, 4 de julho de 2009

Eixo Rap - 1º Dia (3 de Julho de 2009)

A elevação de Gaia a “Capital da Cultura do Eixo Atlântico” foi coroada com a organização de um festival de dois dias completamente à borla. Entre a realização de algumas iniciativas culturais, destaca-se a mostra de sons luso-galegos no halo do Hip Hop. Nomes importantes do movimento ibérico juntam-se assim em Gaia, na Alameda do Senhor da Pedra, para estreitarem laços culturais insolúveis com o rap como pólo agregador. Neste primeiro dia do Eixo Rap, as nuvens no céu pareciam querer abençoar o festival. Dito e feito. As minúsculas lágrimas que os deuses brotaram sobre as nossas cabeças, num curtíssimo espaço de tempo, benzeram os presentes, e a acreditar na sabedoria popular, auguravam então uma noite especial.

Quando chegámos a Miramar, artistas espanhóis já actuavam no palco perante um reduzidíssimo número de espectadores. Seria o efeito chuva, seria ainda cedo? Aproveitámos para dar um giro pelas redondezas e contemplar da belíssima praia o imenso mar e a castiça morada do Senhor da Pedra (uma pequena capela construída em plena praia sobre os rochedos). Aproximava-se a hora de Syzygy actuar e acorremos para junto do palco expectantes sobre se o recinto já estava mais composto. Felizmente, as muitas pessoas que vagueavam pelos espaços de lazer próximos aglomeraram-se junto do palco e deram calor humano a M7, Capicua e D-One.

O concerto foi bom, com o repertório escolhido a recair em temas presentes nas mixtapes que as mc’s de serviço lançaram a título individual. A entrega de M7 e Capicua foi salutar e a intensidade foi diabólica! Autênticas diabas com o microfone na mão, espalharam a sua energia, atitude e boas rimas, sempre sem filtro. D-One naturalmente também contribuiu com a sua colaboração para enriquecer a actuação. Syzygy despediu-se dos presentes com um caloroso agradecimento e Capicua anunciou que seguiria para Lisboa. Boa viagem, rebenta com eles!

Seguiu-se El Puto Coke, com o seu DJ. Após a exibição de skillz do segundo, El Puto Coke entrou no palco a fim de conquistar Gaia. O começo não foi muito animador, pois não conseguiu cativar muito o público. A dificuldade em se entender a língua, mas também a linha mais morna e lenta dos beats talvez tenha contribuído para esse início. Porém, isso durou dois temas. El Puto Coke estabeleceu um diálogo com o público, interpretando dali em diante canções mais intensas, com mais garra e mais agressividade nos instrumentais e isso emocionou mais o público. À medida que o tempo passava mais pessoas El Puto Coke alcançava. Nos dois últimos temas seus, antes de chamar um seu convidado ao palco, El Puto já nos tinha deixado rendidos ao seu rap consciente, onde são evocados relatos e sensações da vida quotidiana com que todos se identificam. Depois do tal dueto com o amigo que trouxe da Galiza, que rima ainda mais depressa dificultando a percepção, despediram-se do público português com um enorme agradecimento e aliciando os espectadores a chamarem o grupo por que todos ansiavam: DLM.

Um pequeno interlúdio para organização do material logístico era tudo o que separava o público de ver Dealema. Todas as brechas que existiam nos lugares da frente foram prontamente preenchidas por aqueles que estavam mais atrás. Nessa altura, o recinto era já um mar de gente. A maré estava a encher em direcção ao palco. Às pessoas não lhes bastava serem o tal mar de gente pois estavam era sedentas por ver os seus ídolos. Aos primeiros indícios de Dealema se apresentar ao serviço, as gentes agitaram-se, entraram numa convulsão de emoções e a loucura foi de tal ordem que parecia que de repente tínhamos sido teletransportados para uma outra dimensão. Ou, no mínimo, para um festival à parte. Assim foi, efectivamente. Dealema a jogar em casa nem sequer precisava de pedir para as pessoas se manifestarem, elas faziam ruído naturalmente. Foi algo único, extraordinário mesmo. Os momentos foram de cumplicidade total entre público e DJ Guze, Mundo, Ex-Peão, Fuse e Maze! Não será atrevimento nem andará longe da verdade dizer-se que é ímpar no Hip Hop português a corrente de entusiasmo que une o público a um artista ou grupo, neste caso o Pentágono. Os elos de identificação criaram uma sinergia maravilhosa e perfeita que catapultou o espectáculo para níveis galácticos!

O Colectivo Dealemático é um verdadeiro embaixador cultural da região. A sua influência na juventude é impressionante e a sua mensagem é extraordinária também pela eficácia com que capta a atenção dessa camada da nossa sociedade. Não se deve estranhar portanto que dessa empatia se atinga a idolatração por parte dos seguidores do grupo. Dealema foi desfilando os seus hinos e o povo foi acompanhando em uníssono e rejubilando. A satisfação do colectivo era indisfarçável por ver tantas pessoas a celebrarem a sua música e prestando-lhes tributo com a sua presença e participação no concerto. Maze tirava fotos ao público, Mundo logo no início filmara-o. O delírio aconteceu quando Wöyza foi chamada ao palco para interpretar “Segunda Vinda (A Profecia)” – suposto último tema do concerto. Os níveis de ruído atmosférico atingiam o píncaro e ganhavam com certeza em altura no duelo com os vapores da planta mágica. Foi um momento arrepiante a que se assistiu em Gaia, com os músicos e fãs num perfeito e envolvente abraço. Depois, as luzes apagavam-se, os artistas disseram adeus e abandonaram o palco mas o público não se fiou na cantiga. Sabíamos todos que eles iam voltar porque o clássico “Portugal Surreal” não tinha sido ainda tocado e exigia-se que o tema ecoasse alto pois está mais actual que nunca.

Dealema voltou ao palco, o barulho foi ensurdecedor e os mc’s apelavam que para neste último tema ensaiássemos uma coreografia a preceito. Vai daí tudo se preparou para fazer uma enorme chifrada ao ex-ministro da Economia Manuel Pinho e aproveitando a deixa dedicou-se ainda aquele gesto primoroso ao Ministério da Cultura que tem tido uma prestação execrável nos últimos anos, num desempenho transversal em todas as administrações que têm governado Portugal. O êxtase tomou conta de Miramar. Emocionados e convocando todos para estarem presentes no dia de hoje nas actuações que serão feitas, Dealema despediu-se com a certeza de que toda a sua carreira e trabalho tem compensado. O amor que receberam na actuação foi indescritível. Só quem sente entende! Não se esqueçam, hoje há mais!