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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Festival Às 3 Pancadas, Barcelos (21/8/2010) 2º dia

No segundo dia do festival, as actividades começaram mais cedo. Às 18 horas, iniciou-se uma palestra com Rui Miguel Abreu sobre o pretexto “O que é o Hip Hop?”. Simpaticamente, Rui Miguel foi oferecendo a quem chegava discos da editora que ele fundou, a Loop Recordings. Com a tenda razoavelmente bem composta por curiosos do movimento dispostos a ouvir as palavras deste orador muito especial, que tem uma importante história no panorama desta cultura em Portugal. Foi precisamente por uma interessante apresentação sobre o seu primeiro contacto com o Hip Hop e todo o seu trajecto no meio que começou esta iniciativa louvável de aproximar alguém tão conhecedor não só do Hip Hop mas da música, em geral, a todos os amantes que o quiseram escutar, marcando presença naquela sessão. Houve uma interacção boa entre o jornalista e a plateia, que foi convidada a pronunciar-se sobre o que representava o Hip Hop e que esclarecidamente falou de sua justiça. De entre muitas histórias e curiosas revelações, tanto do seu trajecto pessoal como profissional, destacaríamos as palavras de Rui Miguel Abreu sobre o rapper NGA. Confessando nutrir uma grande admiração pessoal por NGA, embora ressalvando que não faz o tipo de rap que mais aprecia, a voz do programa “Rimas e Batidas” da Antena 3 revelou uma frase que o marcou dita por NGA por ocasião de uma entrevista radiofónica. As palavras de NGA foram as seguintes: “O Hip Hop salvou-me a vida”. E por que é que isto tocou de forma especial Rui Miguel Abreu e toca todos quanto a ouviram ou a lêem? Porque o Hip Hop foi uma oportunidade que NGA agarrou com as duas mãos para fugir a uma vida difícil para quem é proveniente de uma das zonas mais complicadas do país, porque NGA graças ao Hip Hop não acabou como muitos dos seus amigos de infância na cadeia por terem enveredado por uma vida de crime ou mortos por essas mesmas malhas... Tudo isto para exemplificar que o Hip Hop pode ser uma escapatória, uma oportunidade, na vida das pessoas, que lhes pode trazer efeitos benéficos. Salvaguardando as devidas distâncias, foi isso que aconteceu àquelas pessoas que inventaram o Hip Hop, no Bronx, e seguiram a sua filosofia. Tiveram uma oportunidade de melhorar as suas vidas.

A palestra fluiu bem, nem se deu pelo tempo passar, revelou-se interessantíssima pela presença da figura em questão e por todas as histórias que foram desembrulhadas. Foi uma óptima experiência. E não acabou sem música!

Aproveitámos o tempo de pausa entre o fim da conferência e o início das actividades nocturnas para vaguear pela cidade, onde estreámos um autocolante do HIPHOPulsação dedicado ao genial J Dilla. Enquanto conhecíamos cada recanto e esquina da cidade de Barcelos, fomos colando o nosso adesivo em alguns sítios e fotografamo-lo junto de alguns locais emblemáticos lá do burgo. Nota para a beleza do centro da cidade com o edifício municipal e demais monumentos em redor, mas também para a degradação e abandono de muitos edifícios públicos e não só, o que é uma pena.

A vadiagem provocou-nos cansaço e fome, o que nos conduziu a um restaurante, onde depois de jantarmos, o Sempei teve uma péssima digestão pela clamorosa derrota do Benfica!... O Roberto não mais lhe saiu da cabeça mas a perspectiva do início do festival deu-lhe a possibilidade de desanuviamento e animação que precisava!

Havia uma grande expectativa relativamente às finais dos concursos. A luta prometia ser muito renhida no Beatbox e muito desequilibrada no MCing. Assim foi. No Beatbox, Fubu, Beats, Robinho, Rizumik, Pedro Alexandre e Vítor Hugo iam com legítimas aspirações de arrecadarem o grande prémio. As prestações foram de grande nível e ficaram pelo caminho numa primeira etapa os dois últimos nomes mencionados. No tira-teimas, os intervenientes deram o seu máximo e complicaram bastante a decisão do júri (Woyza, Mundo e Rui Miguel Abreu). O desfecho foi surpreendente e o vencedor foi Beats! Rizumik ficou em segundo e o campeão da edição passada – Robinho – a quedar-se no 3º posto. Não questionámos de modo algum a decisão do júri, demonstrámos apenas a nossa surpresa pois o nosso preferido e a quem prognosticámos a vitória era Rizumik. Mas Beats esteve em muito bom plano também e a vitória assenta-lhe bem. Qualquer um dos três primeiros classificados tinha nível para ser o campeão.

Na componente do MCing, havia um super favorito, o vencedor das duas primeiras edições Zeka e que no dia anterior nas eliminatórias já nos tinha convencido de que era realmente o melhor. A nossa dúvida era saber qual seria o concorrente que mais se aproximaria do nível dele. Na verdade, nenhum. Zeka venceu sem surpresas e sem oposição forte numa finalíssima que teve a surpresa de ter a presença de Beats (sim, o mesmo do Beatbox), quando se esperava que Cálculo pudesse apresentar melhores argumentos, mas este foi penalizado por usar muitas muletas e até por se repetir em dicas que tinha usado no dia anterior, nas eliminatórias! O júri valorizou mais a espontaneidade de Beats e até a sua comicidade, quiçá, no modo dele enfrentar o opositor nos olhos e sempre em pleno desafio. Zeka foi demolidor na finalíssima, venceu justamente e de todos é o que apresenta melhor nível de improvisação, melhor linguagem e melhor interacção com o espaço e situação. Nota ainda para a presença de Zé Pequeno na final, onde fortuitamente chegou. Muito jovem ainda, muito imberbe nas rimas, fica-lhe a experiência de palco e o estímulo de ter atingido uma final para melhorar as suas ainda débeis capacidades.

Balanço dos concursos: reinou o equilíbrio no Beatbox, onde o nível foi mesmo muito bom, não nos cansamos de realçar este aspecto, e contra todas as previsões de favoritismo de Robinho ou Rizumik, Beats com mérito a surpreender a concorrência e a convencer o júri; na outra modalidade, reinou o desequilíbrio. Com excepção de Zeka, que desde a primeira performance convenceu de imediato, mais nenhum MC provou ter nível para o improviso, usando e abusando de muletas (tal como Mundo frisou) e de rimas decoradas, nuns casos, e noutros tentando ser espontâneos mas faltando-lhes o traquejo de melhor se desenvencilharem com o recurso a uma maior originalidade. Por favor, usar “n” vezes num improviso a expressão “tou-me a cagar” é de bradar aos céus e de pedir com urgência uma retrete para MC’s que só verbalizam merda... Colocado o dedo na ferida, era muito interessante que freestylers de outras zonas do país se dispusessem a participar neste tipo de eventos de modo a que a qualidade aumentasse. Assim, só se fica com a certeza que regionalmente Zeka é o rei do improviso e tricampeão do festival “Às 3 Pancadas”. Mas fica difícil manter o interesse neste tipo de concursos quando a organização decide anunciar apenas os resultados depois dos concertos (já passava das 4h da manhã). Quando os apresentadores tentam criar um clima de suspense que redonda num profundo aborrecimento e numa atordoante agonia, pior ainda! A maioria do público já se tinha ido embora quando se conheceram os vencedores dos concursos pois Sonoplastia e Dealema já tinham actuado. Uma situação que fica para a organização rever.

Relativamente aos concertos, não há muito a dizer. Sonoplastia é um colectivo da terra, bastante jovem que apresentou argumentos interessantes para singrar, mas que só o trabalho deles e o tempo dirá se isso é uma realidade. Sentiram o apoio dos amigos, actuaram na sua zona e abriram caminho para Dealema. Foi uma actuação positiva mas sem nenhuma relevância especial a destacar.

Quanto a Dealema, se se diz que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, adaptando isto à realidade dealemática ficará algo como «muda-se o lugar, mantém-se a euforia». Onde quer que Dealema actue, eles varrem a feira. A apoteose e adoração dos jovens por eles não conhece limites. Seguem as letras em uníssono, gesticulam, saltam, enfim, vibram imenso com o Pentágono, que tem sempre uma entrega total, um puro compromisso com o Hip Hop.

Sintetizando os dois dias de festival, achamos ter sido uma iniciativa louvável que reuniu muitos patrocinadores sendo de assinalar o apoio do município local. Moveu-nos mais nesta ida a Barcelos a curiosidade e oportunidade de assistirmos aos concursos, mais do que os concertos. Todavia, as actuações, apesar de nem todas terem sido novidade para nós, foram exemplares. Oxalá houvesse mais iniciativas como esta no nosso país. Nem tudo correu bem no “Às 3 Pancadas”, mas felizmente houve muito mais pontos positivos do que negativos. O festival está de parabéns por isso. Que volte, que venha ainda melhor, com mais força, com mais gente, com mais talento, pois tudo isto é a bem do Hip Hop nacional.

Festival Às 3 Pancadas, Barcelos (20/8/2010) 1º dia

Fomos até à mítica terra do Galo – Barcelos – para vivenciarmos a experiência de um evento que vai na sua terceira edição: Festival «Às 3 Pancadas». Esta cerimónia dirigida aos entusiastas do Hip Hop contemplava sessões de batalha nas modalidades de Beatbox e Mcing, para além de concertos de gente conceituada. Quando chegámos a Barcelos, na noite de Sexta, o relógio ainda não tinha badalado as 23 horas. Numa espécie de antigo anfiteatro grego, DJ Casca fazia circular discos de rap clássico ao mesmo tempo que mostrava toda a sua técnica ao público que ia chegando e se distribuía pelo imenso espaço que subia a pique para quem estivesse em palco.

Pode afirmar-se que no início do espectáculo estava um bom número de pessoas a engrandecer o evento, tendo em conta a imensidão do espaço – ao ar livre e na zona ribeirinha – e contando também com a dimensão da cena Hip Hop barcelense que, apesar de dar mostras de estar em crescimento, está naturalmente ainda longe do enraizamento da cultura nos grandes centros urbanos. No entanto, viu-se público muito jovem, maioritariamente sub-21, pelo que o futuro do movimento deverá estar garantido naquelas terras.

Vamos ao que interessa. Primeiro, a batalha de Beatbox que abriu o festival. Pese embora o atraso do início das actividades, o público aguentou bem e estava com água na boca para o que poderia acontecer. Algumas caras conhecidas do Beatbox nacional, que até já figuraram em programas de TV, foram a concurso e previa-se que a luta talvez fosse desigual a favor destes. Nada mais errado! As exibições e as batalhas de Beatbox revelaram uma super qualidade e um super equilíbrio que, confessamos, muito nos surpreendeu. Terá sido custoso para o júri composto por Woyza, Mundo Segundo e Rui Miguel Abreu nomear aqueles que mereciam seguir em frente. Impossível decorar todos os nomes que participaram (inclusive o júri teve essa dificuldade, já que a organização não providenciou atempadamente o nome, que por vezes era nickname, o que suscitou alguma confusão e demora). Os apresentadores de serviço engonharam muito e não permitiram uma boa fluência do show dos beatboxers, havendo muitas quebras. Após as exibições dos concorrentes, o júri escolheu os melhores para a final (a realizar no dia seguinte) e que nos pareceu ter sido uma decisão correcta e justa, apesar de ter sido certamente árduo decidir. Passaram à final Fubu, Pedro Alexandre, Rizumik, Beats, Robinho e Vítor Hugo. Portanto, nota bastante alta para o Beatbox que teve momentos de grande criatividade, técnica, potência e sobretudo muito equilíbrio.

Seguia-se a batalha de MC’s. Talvez esta gerasse a maior das expectativas. Todos pretendiam destronar o campeão Zeka e sabe-se que na hora de afiar as palavras as coisas podem aquecer muito. Com os candidatos perfilados e apresentados, notava-se a grande jovialidade da maior parte. Ou teríamos ali grandes promessas ou gente com bastante caminho para percorrer. Confirmou-se o segundo caso. Nem a boa prestação de abertura a cargo de Zeka fez com que os outros candidatos se inspirassem e tivessem o seu golpe de asa, esmerando-se na qualidade das palavras debitadas. Com excepção do referido Zeka e de Cálculo, todos os outros candidatos apresentaram-se num patamar bastante fraco. Houve uma batalha em que não sabíamos se havíamos de chorar ou rir com o absurdo do que foi dito! A imaturidade, com excepção de Zeka (ou Zekinha), resvalou para o puro insulto, para a pobreza de vocabulário, para o mero vernáculo e questionamentos de cariz sexual. Foi uma desilusão o nível da batalha de MCing. Previa-se que Zekinha na final não teria dificuldades em ganhá-la.

Já passava das duas horas da manhã, o frio começava a querer estalar os ossos, algumas pessoas debandaram mas ainda havia Woyza e Sagas. A viguense subiu ao palco e pronto: os corações aqueceram, esqueceu-se o frio e partilhou-se o enamoramento desta artista espanhola com o público português. Com uma tribo de indefectíveis a cantar em conjunto com Woyza, esta mostrou-se encantada. Percorrendo os sons do seu último disco, entregou-se com toda a alma possível, deu o seu calor aos presentes e estes retribuíram na mesma moeda. Destaque para a aparição de El Puto Coke que entrou com um freestyle (?) de arrepiar! Muito bom. Woyza esteve igual a si mesma: encantadora na música, afável no trato, espalhando simpatia e admiração por Barcelos.

Após mais ou menos uma hora de concerto de Woyza, Sagas ainda tinha de actuar. Cada vez havia menos público no recinto. O que se compreendia, devido ao clima gélido (relembramos que era ao ar livre) e a hora também já era das mais adiantadas. No entanto, aquelas pessoas que ficaram entregaram-se completamente ao concerto de Sagas e à sua energia. Primeiro, DJ Nel’Assassin desbundou como só ele sabe, a solo, e depois sim Sagas entrou com grande humildade, soube juntar as pessoas e fez um final de festa bem quente como não se pensava que ainda pudesse ser feito. Para isso, contribuiu o leque de temas escolhidos, alguns mais antigos, outros que fez com Nel’Assassin, relembrou Micro e na companhia de mais dois elementos que se juntaram nos batuques e na voz prendeu as pessoas com as boas vibrações difundidas, naquela mistura de português e crioulo e de vários sabores musicais. Certamente que todos os que esperaram pelo concerto de Sagas não se arrependeram.

Em suma, uma boa noite de Hip Hop, com dois grandes concertos, com muitas revelações ao nível do beatbox, com a constatação da fragilidade de muitos MC’s que estão ainda a gatinhar na competição de batalha (esteve-se ali muito distante duma «Liga dos MC’s» brasileira, por exemplo) e alguns reparos para a organização pelo atraso e fraca desenvoltura que deu principalmente na batalha de Beatbox, pois impossibilitou que houvesse maior dinâmica, interesse e ânimo do público.

Cinco e trinta da matina, chegada finalmente à Invicta. No dia seguinte, haveria mais Barcelos para galgar, desfrutar e narrar.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Às 3 Pancadas (vídeos)









Estivemos no Festival "Às 3 Pancadas", em Barcelos. Amanhã não percam toda a reportagem do evento. Até lá, fiquem com alguns vídeos das batalhas de MCing que lá ocorreram.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Às 3 Pancadas

Embora as imagens tenham sido capturadas por telemóvel (certamente), o som está minimamente perceptível. Trata-se do 2º Concurso de Batalhas MC & Beatbox denominado "Às 3 Pancadas" e teve lugar na última sexta-feira, no Vaticano Club, em Barcelos.

Para além do concerto dealemático de Fuse, vários Mc's confrontaram-se em palco, exibindo todos os seus skills. No júri realçe para o nome Né (Barrako 27).

Na grande final o 'puto' NTS (de Espinho) bateu-se contra Zeka, mas foi o homem da casa a levar o troféu para... casa. Ao último e honroso degrau do pódio subiu CuSS, da Póvoa de Varzim.