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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mais duas parelhas lusófonas



Nova conexão Chelas-África por parte de Sam The Kid, desta feita com o rapper moçambicano Impro, conhecido sobretudo pelo seu primeiro single a solo "Number One". STK será, muito provavelmente, o obreiro de mais este belíssimo instrumental.



Já Bob da Rage Sense integrou o álbum de estreia do duo angolano Filhos da Arte (Spike e BeQ), intitulado "De Volta À Essência", que teve edição em 2010.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Expensive Soul - Utopia (Crítica)

Os Expensive Soul têm aproveitado o verão para assentar arraiais em inúmeros palcos montados por todo o país - sobretudo em festivais - e não é por acaso. O último disco deste duo da "terra mais bonita de Portugal" alojou-se nos escaparates comerciais há relativamente pouco tempo. Editado no último mês de Maio por via independente, "Utopia" define-se em 13 faixas que redefinem parte da alma melódica do repertório de Expensive Soul. New Max vai-se assumindo um compositor de músicas de excelência (e já não é de hoje), não deixando porém de projectar as suas cordas vocais de forma cantada (e com sucesso, diga-se). Já Demo interpreta (cada vez mais) o papel de rapper do grupo, onde embarca numa onda com pouca exigência rimática, encurtando muitas vezes caminho pelo verso mais acessível e algo repetitivo, vulgarizando-se constantemente. Neste capítulo das líricas, o duo leceiro mantém-se fiel à temática romântica enraizada na música Soul e comummente adoptada pelos seus seguidores. Contudo, denota-se uma musicalidade bem mais graúda do que em discos anteriores, graças, em grande parte, ao delicioso trabalho de New Max (com a ajuda de outros comparsas, é certo) nos instrumentais.

Todo o disco procura desbravar um mundo algo fantasioso, onde nem sempre a felicidade impera, mas onde a busca pela mesma nunca é descurada. No roteiro estão gravadas histórias mas também estórias. Para nós, ouvintes, é difícil descodificar as verdadeiras das ficcionadas, mas essa acaba por ser parte da essência do utopismo deste álbum. É possível encontrar-se um fio condutor no desenrolar das faixas, como por exemplo na série "O Amor É Mágico"/ "Tem Calma Contigo"/ "Deixei de Ser Bandido". O single de avanço do disco é só a primeira grande tela pintada por este soberbo artista contemporâneo de batidas chamado Tiago Novo a.k.a. New Max. A inspiração, essa, é facilmente reconhecível nos traços de "O Amor É Mágico". As décadas de 60 e 70 são, de facto, duas épocas ricas para quem, como New Max, procura molhar o pincel em estilos como o Funk, o R&B ou a Soul para compor novas obras. A faixa faz por celebrar aquilo que há (ou havia de haver) de melhor na vida de cada um: o amor. "O amor é rápido, sádico, às vezes é trágico, mágico". É assim, com adjectivos que o refrão canta o amor em jeito de alegria. É basicamente um grito pela felicidade, logo, um tema que fica facilmente retido no ouvido.

Se a anterior canção começa por sugerir uma primeira troca de olhares entre dois apaixonados, "Tem Calma Contigo", o terceiro tema do álbum, incide-se sobre aqueles encontros de uma noite, em que as hormonas fervilham, sendo estas, muitas das vezes, a via verde para o sexo desprotegido. "Tem calma contigo ou vai ser um perigo". É o aviso tácito inserido no refrão que devia ser acatado por todos aqueles que ousam vestir a capa de super homem (como o Valete lhes chama). E porque a mensagem é séria, mais umas palavras de Demo para guardar desta música: "Mantém a consciência em permanência". O instrumental está novamente bem esculpido.

De seguida a estória ameaça avançar para o matrimónio, ou nem por isso. Porque surgem dúvidas, poucas certezas, questões pertinentes e muita insegurança. “Deixei de Ser Bandido” podia ser o princípio daquele dia com que a maioria das mulheres mais sonha, mas será assim também nos homens? Uma coisa é certa: o ser masculino também é sonhador... ou será apenas um “Contador de Histórias”?: “Sou comentador de filmes de terror/ Crio mistérios na vida sempre a meu favor/ Sou um jornalista, sigo bem a pista/ E quando se trata de falar sou bué realista/ Tento ser optimista, um tanto ou quanto egoísta/ Um consumidor futurista, e quem sou eu? Risca...”. Bem-vindos à génese do universo alucinado dos novos "EXS".

A esmagadora maioria dos temas tem New Max anexado ao refrão, surgindo antes ou depois o rap (ainda muito "adolescente") de Demo. No ar paira instantemente uma fragrância de romance, de sedução, de paixão, de conquista... Porque neste disco os Expensive Soul surgem profundamente in love, e são muitas as palavras e os minutos dedicados ao amor, como por exemplo em "Só Contigo" e "Sara" (uma música forte, passível de várias interpretações). Mas é na posição '6' do alinhamento que vive, na minha opinião, uma das melhores passagens do registo: "Dou-te Nada". Aqui a neo-soul ferve de tal maneira que é impensável esta faixa não ser futuramente extraída como single. É capaz de derreter muitos corações por aí. Curiosamente, ao ouvi-la (e isto é apenas um aparte) veio-me à lembrança Mayer Hawthorne (também ele um incurável e moderno amante do velho ambiente da Soul).

Os únicos convidados do álbum - se Dino e Catí Freitas não forem considerados como tal - são Bob da Rage Sense e A.S2. Os dois MC's surgem num dos temas com mais boa onda do disco. Porque se "Hoje É O Dia + Feliz da Minha Vida", ele tem que ser celebrado com música. Com o bpm bem acelerado, A.S2 (em particular) acaba por surgir com um jogo de palavras engraçado. Um destaque final para a disparidade das últimas duas faixas. A pragmática e crua "Gameover" (com uma questão oportuna: "De quem é que foi a mão/ Que nos pôs nesta esfera/ Que acabou com a nossa era?" ) e a festiva "Celebração", com uma roupagem fresca, algo electrofunk ou disco, que finalizada dá lugar a um trecho só instrumental, algo curto, mas com um groove bem delicioso. Como nem tudo o que parece é - e esta expressão ganha contornos inigualáveis neste disco-, 13 não é o número do azar, nem da sorte, tão pouco do total de faixas do álbum. Isto porque, à semelhança dos dois anteriores, também este esconde uma surpresa para além da tracklist.

Concluindo, acaba por não ser difícil catalogar o novo trabalho dos Expensive Soul. Em termos de sonoridade é indubitavelmente uma rajada de ar fresco na música portuguesa, muito desidratada neste género de som. Apesar de soar a novo, “Utopia” tem vestígios encantadores de uma antiguidade de 40 ou 50 anos – o que pode significar que o duo abrace novas audiências daqui para a frente (embora a juvenilidade das letras possa dificultar tal facto). Somos contemplados com muita Soul, algum Rap e também laivos de Funk (em detrimento do Reggae injectado nos dois primeiros discos). Em termos individuais, New Max partiu em vantagem para este novo registo em relação a Demo (que se manteve entretido como DJ). Porque não dizer que “Phalasolo” (o aprazível álbum pessoal de Max) serviu de estágio para este registo colectivo? É que a musicalidade de ambos é semelhante – e neste caso foi bem-vinda. Nunca será demais elevar o tacto de New Max na produção dos temas, geridos com pinças. No que toca às letras, o amor é o tópico basilar de grande parte delas, que tentam transmitir algumas mensagens importantes embora camufladas pela boa onda do grupo. Passados 11 anos desde que se juntaram, embora o país só os tenha conhecido em 2004 através do “B.I.” e definitivamente acolhido pela “Alma Cara” dois anos depois, os Expensive Soul fazem em 2010 uma viagem ao futuro através do passado.

domingo, 20 de junho de 2010

SampleMania: "Feeling Good"



Anthony Newley foi um cantor, compositor e actor inglês que iniciou uma carreira artística por meados dos anos 50 e que teve o seu término quando faleceu em 1999. Leslie Bricusse, também ela uma compositora britânica, ocupa ainda os seus 79 anos de vida escrevendo musicais, isto numa altura em que parece já ter arrumado para canto a composição de canções fora desse âmbito teatral (ela que deixou as suas impressões digitais em alguns sucessos de grandes nomes). Esta dupla de compositores tem em comum o facto de ter recolhido uma considerável popularidade na década de 60 quando se incidiram na criação de vários musicais, precisamente. Em 1964 estariam longe de imaginar que um pedaço da banda-sonora de “The Roar of the Greasepaint – The Smell of the Crowd” iria ser ressuscitado pelas gerações seguintes, até à dos dias de hoje. Falo concretamente de uma das muitas canções reproduzidas por Negro & The Orchans durante o tal espectáculo: “Feeling Good” (vídeo acima). Esta peça musical partiria desde essa época numa viagem pelo tempo, atravessando longos anos a renascer em covers de um qualquer artista, num qualquer estilo musical.



Nina Simone terá sido apenas a primeira a morrer de amores por esse tema. John Coltrane também não lhe resistiu, soprando toda a sua admiração pelo o interior do seu saxofone. O Rock começou por ficar in love com a declaração pública dos ingleses Traffic, na entrada para a década de 70. Com relativa frequência também se testemunha a Pop a cantarolar a famosa letra de Anthony e Leslie.



Foquemo-nos no registo gravado por Nina Simone para o seu disco “Put a Spell on You”, de 1965. Tem sido elegido para soundtrack de filmes e séries de tv de modo recorrente. A sua “Feeling Good” terá sido, porventura, a música mais samplada do seu extenso repertório. Também no que ao Hip Hop diz respeito, esta é a versão que tem caído no goto, ou melhor, nos beats de inúmeros produtores internacionais... e nacionais.



Quem já ouviu o último álbum de Bob da Rage Sense por certo deslumbrou o fragmento recolhido de “Feeling Good” exposto no single “Andar à Chuva”. O acto foi concebido pelos dedos de Sam The Kid, com um resultado final deveras delicioso. De Chelas para Portimão os gostos parecem não se diferenciar muito. Pelo menos da prateleira de STK para a de Gijoe. O DJ e produtor algarvio também já se recriou com o vinil de Nina Simone, quando confeccionou um instrumental para o seu compatriota da Kimahera Kristo, nomeadamente a faixa “Eu Sou Tipo”.





Atravessando fronteiras, sem, contudo, abandonar a Europa, detecto desde logo uma intervenção idêntica na região escandinava deste continente. Promoe – proeminente rapper do colectivo sueco Looptroop Rockers – marcou o primeiro dia do ano passado com um novo som a que só lhe poderia chamar “New Day”. A produção coube a uma dupla originária de Estocolmo (cidade na vanguarda do rap sueco) chamada Astma & Rocwell. O sample, esse, é indubitavelmente de Nina Simone. Outra ode feita por aquele país (limitando-me ao Hip Hop, naturalmente) a esta diva do Jazz partiu do grupo Fjärde Världen, na faixa "Ingen Annan", do disco "Världsomspegling".





Mal seria se no país de Nina Simone não houvesse quem “brincasse” com a sua obra. Já muitos o fizeram e outros continuarão com certeza a fazê-lo. AZ, por intermédio do produtor Goldfinga, recolheu na americana inspiração para o primeiro minuto e meio do álbum “Pieces of a Man” (1998). Curiosamente, RZA pegou em “Feeling Good”, mas não em Nina Simone. A cantora Freda Payne havia também ela feito uma cover de Nina Simone, e foi essa versão que o produtor e rapper do clã Wu-Tang foi resgatar para o seu terceiro disco - "Birth of a Prince".

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Entrevista Jornal "Metro": Bob da Rage Sense

Como nasce o nome deste álbum? Quem é Marcos Robert?
Bem, o nome nasce da paixão que tenho pela América Latina, das revoltas populares e das grandes revoluções que fizeram história, Marcos somos todos, é uma metafora inspirada no partido zapatista Mexicano (EZLN), que tem muitos significados, como por exemplo: Um gay em São Francisco, um homem negro no Apartheid, um jornalista sem portfolio, um escritor sem meios pra editar as suas obras e etc. São basicamente todos aqueles que pertencem a uma minoria excluída...

Este é um álbum cheio de colaborações. Quem destaca? E com quem gostava um dia de trabalhar?
Este foi o álbum que me deu mais prazer trabalhar, tudo aquilo que visualisei concretizou-se, desde a produção musical e artística às participações fortes que ele traz, como o New Max, Sam the kid, Sir Scratch, Dino, Tamin, Laton, Dj Scotch RAF TAG e etc. Não faço destaques porque na minha opinião todos estiveram muito bem. E quanto a futuras participações gostaria muito de trabalhar com pessoas que me inspiram a escrever e a fazer música, como o Chico Buarque, Manuela Azevedo (Clã) e muitos mais nomes nacionais e internacionais.

O álbum foi lançado no dia 11 de Novembro, dia da Independência de Angola. O dia não foi escolhido ao acaso, pois não? Porque escolheu esse dia?
O dia foi escolhido de propósito, tendo em conta que eu nunca acreditei que Angola fosse realmente independente e cada álbum que gravo serve como um veículo de libertação, para quem sonha com a verdadeira democracia em Angola e não só.

Quais as diferenças face ao álbum anterior?
Já tenho dois álbuns editados antes deste: "Bobinagem" e "MPLA (Menos Pão, Luz e Água)". E cada álbum traz um registo musical diferente, desde a composição lírica à parte instrumental. O "Bobinagem" é um álbum mais virado para o meio hip hop (foi eleito o melhor álbum independente em 2004), e no "MPLA" ja se nota um discurso muito mais abrangente e mais melodia nas músicas, mais refrões cantados. A diferença que o "Diários de Marcos Robert" traz é o meu lado mais orgânico, tenho o João Cabrita nos sopros (saxofone, trompete e etc), tenho o João Gomes (Cool Hipnoise e Orelha negra) nas teclas. Isto é algo que nunca tinha feito antes, chamar músicos para tocar nas faixas.

O seu pai era grande admirador do Bob Marley. É verdade? Foi daí que veio o seu nome?
Sim, o meu pai era grande fã de Bob Marley, viu-o duas vezes ao vivo nos anos 70, era mesmo fanático, por isso me chamo Robert (Bob).

Em que é que isso o influenciou, em termos musicais?
Tudo o que sou e faço pela arte é consequência da música do Bob Marley, as letras dele fizeram-me ganhar uma outra perspectiva sobre o mundo e as sociedades, a crença na paz e no amor são factores muito importantes para sobreviver nesta selva de betão. Quem conhece os meus trabalhos sabe que a flosofia é igual à do Bob: paz, amor e união.

O tema “Nunca estiveste na minha pele” fez-me querer perguntar-lhe... Pode dar-me exemplos de situações concretas, reais, em que sentiu o racismo na pele?
Esse tema não retrata propriamente situações que vivi baseadas em racismo ou algo parecido. Trata-se do medo que as pessoas têm daquilo que desconhecem. Eu nasci e cresci em Luanda, Angola, e quando cheguei cá e comecei a ter alguma "ascenção" no hip hop "Tuga" senti que muitas pessoas desenvolviam sentimentos estranhos em relação a mim, sentimentos de ódio e inveja em relação ao meu trabalho, já ouvi mesmo coisas como "Vem esse gajo de Angola a querer ocupar o nosso lugar"... Não havia lugares marcados quando cheguei cá e consegui encontrar o meu também. Já vivi situações tristes cá como nunca tinha vivido quando estava em Angola mas pronto, como disse o meu mano Mc K "uma gota de sucesso, um oceano de rivais". E esta letra é sem dúvida a minha favorita do álbum, senti-me bem depois de a ter gravado, senti-me aliviado.

Em que é que se inspira para escrever?
Inspiro-me em tudo, leio muitos livros, vejo muitos filmes e documentários, inspiro-me no quotidiano, política, Bob Marley, Rage Against the Machine, Common Sense, Chico Buarque de Hollanda, Vinicius de Morais, John Lennon, Jim Morrison, Pink floyd e muito mais...

Considera-se um político da música?
Eu considero-me uma pessoa politizada que quer apresentar os seus pontos de vista de forma escrita e cantada. A política faz parte de tudo o que nos rodeia por isso não nos podemos dissociar dela, sou político sim, mas mais um ser humano que se importa com tudo que está mal.

Escolha três palavras para definir o álbum. E três para o definir a si...
Álbum: Ritmo, Arte e Poesia. Eu: Humanista, objectivo e verdadeiro.

Foto: David Francisco

sábado, 29 de maio de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

Orgânica (Bob da Rage Sense + DJ Scotch) e Monster Jinx Goodies para download

Já escrevi sobre o projecto Orgânica aqui no HIPHOPulsação. A novidade agora é que Bob da Rage Sense e DJ Scotch tiveram a amabilidade de colocar para download gratuito as faixas que compuseram e que se encontravam para audição apenas no space deles.

A Monster Jinx também disponibilizou para download gratuito mais trabalhos, embora estes já tenham conhecido edição há algum tempo. É o caso de "Conversas de Café" que juntou Stray e Paulo Leitão, mas também trabalhos de DarkSunn e Pulso, por exemplo. É uma boa oportunidade para quem não escutou ainda estes registos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Fotos de Bob da Rage Sense no Plano B

Na noite do dia 11 deste mês de Dezembro, Bob da Rage Sense, Sir Scratch, DJ G.I.Joe, Dino e Tamin subiram ao palco do Plano B, na Baixa portuense. Alguns momentos deste concerto foram captados fotograficamente e estão expostos em mais um álbum.

Para vê-los basta seguir o link:

http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewPicture&friendID=470195182&albumId=1148860

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Reportagem: Bob da Rage Sense no Plano B (11-12-2009)

No passado dia 11 de Dezembro, Bob da Rage Sense esteve na cidade do Porto para uma actuação que reuniu mais alguns convidados. Podem ler a reportagem que fizemos do evento no H2T. Aqui fica o link:

http://www.h2tuga.net/cronicasdeeventos/088_bobdaragesense_11dez2009.php

sábado, 12 de dezembro de 2009

Projecto Orgânica

Bob da Rage Sense esteve ontem no Porto, a actuar no Plano B (brevemente a crónica será divulgada no H2T). Mas o que me leva a escrever agora, é a descoberta, já há algum tempo diga-se, dum projecto com o qual me tenho deliciado a escutá-lo frequentemente. Orgânica é o produto do esforço criativo de DJ Scotch, nos instrumentais, e de Bob da Rage Sense , na confecção de letras. O projecto é assente numa base musical que deambula entre o Hip Hop e a Soul. Nesse prisma, DJ Scotch brilha em boa altura, com batidas muito bonitas, que deixam nos ouvidos um rasto de sublimidade mesmo. Bob da Rage Sense costura o bom rap a que nos tem habituado. E não é preciso ser-se um ás a matemática para se chegar a esta conclusão: boas rimas mais bons instrumentais só podem ter um resultado interessante. O que se confirma. Sintam os “sons orgânicos” no seguinte myspace:

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Bob da Rage Sense - Diários de Marcos Robert

Aproxima-se a data oficial de lançamento do novo álbum de Bob da Rage Sense. É já dia 11 de Novembro que ele será colocado nos escaparates. Para aguçar o apetite sobre este terceiro registo de Bob, fica a descrição dada sobre o conceito de "Diários de Marcos Robert":

Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestiniano em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, rockeiro na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México. Em suma, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias não toleradas, oprimidas, resistentes, exploradas, que dizem Basta! Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e aguentar. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, esse é Marcos.

Em Portugal, o álbum terá o selo da Footmovin', enquanto que em Angola será a Mad Tapes a dar a sua chancela. Ora foi precisamente no blog da Mad Tapes, cujo blogger é o DJ Samurai, que descobri que ele oferece de forma promocional três temas do novo álbum de Bob da Rage Sense. Aproveitem esta dádiva concedida pela Mad Tapes. Os temas disponibilizados são "Conheço-te de algum lado?" com New Max e instrumental de Laton, "Nunca estiveste na minha pele", numa batida de Sam The Kid, e "Rap Real", que contou com a produção de Levell Khronico. Passem pela Mad Tapes para catar os sons.

sábado, 19 de setembro de 2009

Vídeo de Bob da Rage Sense em exclusivo na MTV

O novo vídeo de Bob da Rage Sense é um exclusivo da MTV (por que será que nunca mais nos disseram nada acerca do imbróglio com Dealema???). Bob da Rage Sense está prestes a lançar «Diários de Marcos Robert» e o vídeo "Conheço-te de algum lado?" já passa então na estação musical. Podem vê-lo aqui.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bob da Rage Sense - Conheço-te de Algum Lado?



Bob da Rage Sense prepara-se para lançar brevemente o álbum "Diários de Marcos Robert". Na apresentação do vídeo que ilustra o single "Conheço-te de Algum Lado?", Bob fez uma actuação ao vivo cantando este mesmo tema juntamente com o convidado especial New Max. Sintam o pulso deste pedacinho do mais recente single de Bob da Rage Sense.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Cacique'97

Anunciado como sendo o primeiro disco tuga de afrobeat, "Cacique'97" apadrinha a estreia do grupo com o mesmo nome nas edições discográficas (Footmovin'). Isto enquanto Cacique'97, porque os elementos que o completam estão "fartos" de música. Philharmonic Weed, Cool Hipnoise e Most Wanted são alguns dos dadores na formação deste colectivo.
Amparadas pelas teclas de João Gomes ou pelo alto gabarito de Francisco Rebelo no baixo, as vozes dos irmãos Gulli (Milton e Marisa) elevam as raízes luso-africanas dos Cacique'97 até à reivindicação e consciencialização social.
O primeiro vídeo reivindicativo já se passeia (literalmente) pelas ruas e está visível "pra toda a gente" mais abaixo. Outro dos nove singles do álbum também já se chegou à frente, embora por um meio mais discreto, mas arrastou consigo Ikonoklasta, Sagas, Bob da Rage Sense e Sir Scratch.
A SóHipHop constitui, mais uma vez, o caminho mais confortável de chegar a um álbum de edição nacional.

A Fnac do Colombo (4 de Julho às 22h) será a próxima paragem dos Cacique'97.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Se eles são incendiários... (Parte II)


Lume Brando

Nerve não conseguiu criar um tema divertido e simultaneamente corrosivo e original como já fez anteriormente. Na mixtape, nem sempre se entenderam as palavras de Nerve talvez devido a alguma falha por parte de quem tratou as questões de ordem técnica da gravação. Assim, a mensagem de Nerve ficou um tanto ou quanto nublada. Todos têm as suas canções menos boas, mas estou certo de que esta constituirá a excepção à regra, já que Nerve é um mc de inegável valor. Um dia menos bom acontece a todos.

Sir Scratch deu início ao incêndio. Na faixa de abertura, mostrou-se em boa forma, no seguimento da tarimba alcançada com o seu álbum. Nota-se a garra sempre em cada palavra jogada pela boca fora. O à-vontade a rimar em cima dos instrumentais é uma das maiores armas de Sir Scratch. A ironia e os lampejos vindos directamente do ego são uma constante na sua carreira e aqui continuam a ser sentidos. Observa-se ainda um Scratch cáustico com quem o julga com a “mania”, alvitrando que o êxito dele se resume a um par de canções. Porém, o mc não conseguiu manter a bitola elevada nas restantes canções em que participou. A colaboração com Lancelot, Bob e God G retundou em rimas fracas e desconexas, longe da consistência que nos deu a ouvir no seu primeiro álbum. A sua intervenção com NGA passou completamente despercebida. Por vezes, Sir Scratch torna-se tão abstracto que qualquer que seja a sua intenção ela acaba diluída precisamente nessa confusão de quadro de Pollock. Pelo contrário, quando o mc imprime uma maior objectividade, os seus raps adquirem logo uma maior dimensão. Completamente ao lado do alvo foram também as rimas no tema com Blasph e Pródigo. Se estes últimos elaboraram um conceito para a feitura da canção, Scratch irrompeu com rimas totalmente descabidas, fora do contexto alinhavado pelos outros dois rappers.

NGA é um workaholic no que ao rap diz respeito. Só este facto já é extremamente positivo para o rapper da Linha de Sintra. Mas há mais: NGA imprimiu bastante força às suas rimas, que funcionam sempre ou quase sempre como reflexo da sua vida. O momento mais marcante da sua interpretação é quando demonstra o seu respeito pelo rap dos antigos. NGA transmite-nos tal transparência nas suas palavras que ninguém lhe pode levar a mal que afirme que o rapper favorito dele é o que ele vê no espelho.

God G é um jovem mc com potencial que tem vindo a fazer algum buzz. Na mixtape, teve uma prestação bastante razoável, antevendo-se-lhe ainda uma boa margem de progressão para o seu rap. Estaremos atentos ao seu trabalho futuro, com certeza.

As primeiras palavras de Bob da Rage Sense nesta mixtape são duras e provocam estupefacção: “Mato o teu pequeno mito”. Visado à parte, Bob mostra-se mais agressivo do que nunca. Investe contra quem maltrata o Hip Hop, pois esses despojando-no das suas raízes e atribuem-lhe actualmente uma conotação marcadamente sexual. Por entre palavras ácidas, Bob radicaliza o seu discurso, extrapolando que a única via para a saúde do rap é acabar com um “tu” que vagabundeia na sua boca. O mc que encantou Portugal com temas marcantes, andou totalmente arredado desses momentos de glória nesta mixtape. A sua participação com Zuka é horrível. Bob entra de mal a pior na faixa, apregoando baboseiras impensáveis de se ouvir há uns tempos. Curiosamente, na colaboração com Raf Tag não se deixou influenciar pelo acompanhamento desinspiradíssimo de Raf Tag e esteve num nível aceitável. A participação de Bob nesta mixtape podia resumir-se a uma frase que ele debita com Scratch, Lancelot e God G: “complexo como explicar a cor a um cego”. De facto, é complexo entender como Bob regrediu tanto! Quando já se pensava que não haveríamos de escutar o rapper de “M.P.L.A.” eis que o encontramos junto a Sagas. Bob apetrechou-se duma mensagem positiva e apresentou-se poético, profundo, rimando com alma e sem raiva e amargura. Soube a muito pouco sentir o gosto do Bob que nos habituou a grandes interpretações.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Documentário sobre Sam The Kid











"Dicas no Vinil" é um documentário sobre Sam The Kid que há uns tempos passou na televisão. Pormenores sobre a sua vida, a música, os amigos, o processo criativo, tudo isto e muito mais é abordado neste documentário. Uma óptima recordação para aqueles que já viram e uma excelente proposta para todos aqueles que nunca assistiram a este documentário que nos dá a conhecer mais profundamente Sam The Kid, um dos ícones do Hip Hop nacional.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Onde há fumo há... Incendiários Mixtape

Desde quarta-feira 1 de Abril que Portugal está a arder. Não, isto não se trata de uma qualquer mentira atrasada com o intuito de lançar o pânico a todos que a lêem. Trata-se da confirmação do alastramento das chamas de norte a sul do país. É verdade, a "Incendiários Mixtape" já queima tudo que é aparelho sonoro. Se não chegarem até ela pelas Fnacs, podem fazê-lo pela Só Hip Hop. Mas não se pense que vai ser fácil controlar o incêndio por ela provocado. Tudo porque as labaredas ameaçam chegar a território internacional, ou não tivessem sido avistadas no portal da Amazon.
Gratuitamente disponível está o "Extintor" de Bob da Rage Sense e Sir Scratch e ainda outros sons para auscultação no quartel dos 'Incendiários'.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Época de Incêndios

A Footmovin’ prepara o regresso às lides com “Incendiários Mixtape”, que sairá a 1 de Abril. A mixtape será rastilhada por Bob da Rage Sense e Sir Scratch, contando com mais incendiários de serviço. Por sua vez, DJ Bomberjack também fez fagulhas, sendo o responsável pela mixagem. O calor já começa a apertar, a altura é, portanto, propícia à deflagração. Quem quiser que chame os bombeiros. Por nós, deixa arder!

Ordem dos Ateamentos:
1) Mr. Morrison
2) Sir Scratch
3) Bob da Rage Sense
4) Blasph, Sir Scratch e Pródigo
5) Capicua
6) Raftag
7) Bob da Rage Sense & Sir Scratch
8) QQ
9) Eva
10) Zuka e Bob da Rage Sense
11) Sir Scratch e Nga
12) Raftag & Bob da Rage Sense
13) Sir Scratch, Lancelot, Bob da Rage Sense e God G
14) Sagas e Bob da Rage Sense
15) Nerve
16) Brasileiro (Teorema)