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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dealema, Nach e Rob Swift @ Hard Club, Porto (10/12/11)

Dia 10 de Dezembro. O Natal aproxima-se e é tempo de se pensar em prendas. Como bens materiais não aquecem nem arrefecem a alma (esqueçam lá as meias e as cuecas), os fãs de rap queriam era um cartaz atractivo no sapatinho. Rob Swift, Dealema e Nach no Porto (depois de passagens por Faro e Lisboa). Rica prenda, Pai Natal.

Animada pela óptima recepção do livro, a comitiva HIPHOPulsação seguiu rumo ao Hard Club, na expectativa de mais uma noite histórica. De facto, assim aconteceu: ver uma lenda do turntablism como Rob Swift, ex-integrante do colectivo X-Ecutioners, sentir as novas malhas de “A Grande Tribulação” de Dealema e contemplar pela primeira vez na Invicta um dos mais talentosos MC’s do Mundo, o espanhol Nach. Acrescente-se à história o recorde estabelecido em concertos de rap no Hard Club, com mais de mil pessoas assistindo ao show (curiosamente, quase um ano depois da então histórica passagem dos americanos M.O.P. a 17 de Dezembro de 2010).

Quando entrámos, já Rob Swift dava largas ao seu trabalho. A sua passagem pela Invicta serviu para promover um DVD seu e claro para mostrar ao vivo toda a capacidade técnica no manuseamento dos pratos. Sempre animado, dialogante e servindo vários clássicos de Hip Hop, Rob Swift deixou boa impressão, motivando até alguns b-boys a exercitarem-se no meio da multidão.

Dealema. Bastava esta palavra para deixar em polvorosa toda uma audiência. 4 MC’s e 1 DJ. Basta entrarem em palco, não dizerem uma palavra, não haver um arranhão no vinil, para que o delírio se instale. Fuse, Ex-Peão, Mundo, Maze e DJ Guze quiseram provar que não vivem dos louros do passado e no presente pretendem justificar toda esta idolatria. A massiva correria ao Hard Club reforça-os como os grandes estandartes do rap nortenho.

Com “A Grande Tribulação” prometem ainda aumentar mais a base de fãs, embora não seja o álbum mais fácil de se digerir à primeira auscultação. A entrada no palco fez-se um a um, ao som da faixa homónima do disco. “A Última Criança” e “Verdade ou Consequência” já estão na boca do povo e os restantes temas, com convidados como Ace ou Ana, é só uma questão de dias para estarem sabidos de cor e salteado. A festa de apresentação do novo trabalho foi intensa e longa, com a recordação de alguns clássicos do Pentágono como “Bófiafobia” ou “Sala 101”, que incendiaram uma sala que transpirava por todos os “poros” . Um concerto à Dealema, portanto. Mais uma vez, foram os mais aclamados da noite, e, convém que fique bem registado para mais tarde recordar, foram eles os grandes responsáveis por uma afluência pouco vista no Hard Club.

Para fechar a noite, o alicantino Nach, acompanhado de Abram, ZPU e do multifacetado DJ Joaking. Foi sempre um dos sonhos aqui dos escribas assistir a um concerto do MC espanhol. A concretização do sonho foi mais especial ainda por ter acontecido na nossa cidade. Uma pequena parte da plateia não ficou para ver Nach, mesmo assim a sala maior do HC manteve-se muito bem povoada quando “Hambre de victoria” deu o mote no espectáculo de apresentação ao povo portuense do seu disco mais recente. Nesta sua primeira actuação em solo tripeiro, Nach viajou por temas de “Mejor que el silencio”, mas também passou por “Un dia en suburbia” (“Infama”), não esquecendo “Poesia difusa” (“Ser o no ser”), “Ars Magna - Miradas” (“Palabras”) e até “En la brevedad de los dias” (“Basado en hechos reales”).

Momento épico da noite foi quando Nach desceu do palco e circulou pelo meio do público que já contava, na altura, com algumas clareiras. Joaking, DJ em grande parte do show, acolheu todas as atenções quando mostrou dotes como beatboxer ou b-boy. O concerto foi forte, a presença de Nach foi notável, de alguém em pleno estado de forma enquanto MC e atravessando uma maturidade artística. Para fecho do tasco guardou “Efectos Vocales”, e que melhor tema para concluir uma mini-tour que se estendeu por três cantos do país? Como dizemos no Porto: do carago!

A conclusão nem necessita de ser muito extensa, basta apontar os nomes em cartaz e classificar esse conjunto de artistas e as suas prestações na noite portuense: Rob Swift + Dealema + Nach = Perfeição.





Texto: Druco e Sempei
Fotos: Ana Mendes
Vídeos: André Silva (Primouz)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Maze e Terrorismo Sónico @ Porto-Rio (08/10/2011)

8 de Outubro de 2011. Foi este o dia, ou melhor, a noite, que cravou o ressurgimento discográfico de Terrorismo Sónico nas ruas do Porto (isto depois de uma primeira aparição no dia anterior, em Santo Tirso). Mundo e Ex-Peão são os dois rostos e vozes deste projecto que até este ano de 2011 tinha gerado apenas um trabalho há precisamente dez anos atrás, o álbum “1º Assalto”. A festa do último sábado no Porto-Rio serviu de apresentação ao segundo registo desta dupla história do rap tripeiro com um título que dispensa justificações: “2º Assalto”. Para o seu lançamento foram convidados: Maze, Sagaz, DJ Guze e DJ A.C. (ACTS). Chullage seria certamente outra ilustre presença caso não lhe tivesse surgido, para a mesma noite, outro compromisso inadiável.

Como é hábito em qualquer festa hiphopiana, foi um dos DJ’s de serviço que abriu as hostes, neste caso DJ Guze. Guze estendeu o seu set até por volta da 1h30, altura em que se iniciou o primeiro round, que é como quem diz, a primeira actuação. Maze, novamente em missão a solo (ou quase), surgiu com a descrição e segurança que lhe são reconhecidas e com alguma dose de bom-humor, anunciando a cada passagem de tema o novo álbum de Dealema (com lançamento público assinalado para Dezembro). No piso inferior do barco mais festivo da margem portuense do Douro, Maze jogou pelo seguro, com as faixas de cunho pessoal que o público melhor conhece. Exemplo disso, “Lágrimas de Gratidão” (da compilação “Roka Forte Vol.1”) ou “Brilhantes Diamantes”. Por outro lado, também foi buscar ao baú Dealemático dois êxitos, “Sonhar Acordado”, com a colaboração de Mundo, e mais tarde também Ex-Peão se juntaria a Maze para o eclodir de “Bofiafobia”. Pouco depois terminaria o showcase de cerca de 30 minutos, sem falhas, com boa disposição e uma boa empatia com a plateia presente que esteve, contudo, longe de encher a sala.

A rondar as 2h15, Mundo e Ex-Peão subiram ao ringue (leia-se palco) para o despontar do “2º Assalto”. De logótipo “terrorista” estampado no peito e sem ninguém nos pratos, os dois MC’s embarcaram no Porto-Rio com a lição bem estudada. Antes de trilharem o segundo disco fizeram questão de invocar o primeiro. Invadimos o palco/Ponham já as mãos no alto/Isto é um assalto. O grito de guerra elevado por dezenas de pulmões pôs desde logo o barco em polvorosa. Após o tema de abertura, entrou então em rotação o “2º Assalto”. Num primeiro contacto, este segundo trabalho de Terrorismo Sónico revela-se mais consciente e maduro (como seria de esperar) e menos cru. “Calão Distinto” foi provavelmente o som do novo repertório que maior receptividade recolheu.

Sagaz foi convidado de honra na performance de Terrorismo Sónico. Com uma bela participação na faixa “Desliguei a Máquina” (responsável por 16 barras e refrão), Sagaz claudicou um par de vezes na letra, falhas que Mundo e Ex-Peão prontamente colmataram, mas que não impediram o lisboeta de sair cabisbaixo do palco. À parte dos dois “Assaltos”, Mundo e Ex-Peão trouxeram sons a solo para loucura (literalmente) da audiência e ainda remisturaram o clássico “Bairro” de Ex-Peão com “Eles Andam Ao Cheiro” de Mundo. Para fechar em beleza, ou melhor, em histeria, marcaram um encore com “Lei da Ruas”, talvez o tema mais hardcore com selo Terrorismo Sónico. Não tivesse o barco atracado à margem e nessa altura teria certamente se deslocado dali com a agitação humana que se gerou no piso inferior. Findadas as actuações, DJ A.C. fechou o tasco.

Em suma, foi uma noite onde todas as boas previsões se cumpriram, exceptuando talvez o facto de a plateia ter sido um pouco menos numerosa do que se esperaria. Maze cumpriu as perspectivas, numa altura em que começa a ser evidente a falta de temas novos que dêem uma lufada de ar fresco nos seus concertos de cariz pessoal, isto apesar do MC ter normalmente poucas actuações sozinho. O duo Terrorismo Sónico abriu e fechou o show com as duas malhas mais pesadas do primeiro disco, desvendou o novo como se já se tratasse de um clássico e ainda teve a feliz ideia de juntar sons que marcaram o percurso de ambos a solo. Perfeito.

Texto: Sempei
Fotos: Ana Mendes



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Plano B (17/09/2011): Auge, Rato54 e Fuse

Sábado, 17 de Setembro de 2011. Mais uma noite festiva bombeada com rap tripeiro, um hábito no coração da Cidade Invicta. Na rua Cândido dos Reis – uma das artérias mais vivas do Porto -, o povo dispersa-se em grupinhos, ao longo do arruamento, nas esplanadas ou dentro dos vários espaços de diversão. Um deles, o Plano B, voltou a ser primeira escolha na hora de eleger um local que albergasse Auge, Rato54 e Fuse (não esquecendo os DJ’s D-One, Guze e SlimCutz).

Podia uma festa de Hip Hop em Portugal começar a horas? Podia, mas não era a mesma coisa. No fundo, a culpa é de todos. Foi já com os ponteiros do relógio abraçados a domingo, que é como quem diz, à 1 hora e picos da matina, que Auge subiu ao palco, pegou no mic e iniciou a sua actuação. Para deleite dos casalinhos que se aconchegavam na sala, “Crónica Paixão Fula” foi dos primeiros sons lançados por DJ Guze, o disk-jockey que auxiliou o MC de Mau Feitio. A dispersão da plateia por toda a sala maquilhava algumas clareiras, que, apesar da alta temperatura no espaço, foi pouco calorosa para com Auge. Culpa do MC? Culpa do público? Ficou a dúvida. A verdade é que Auge só agitou verdadeiramente os presentes quando sacou da sua maior cartada sonora: “Mambo”, claro está. De resto, teve ainda tempo para se aventurar em algumas acappellas.

Do fim da performance de Auge para o começo da de Rato54 não distaram muitos minutos mas foi o tempo suficiente para uma clara transformação no ambiente do andar subterrâneo do Plano B. Culpa do MC? Culpa do público? Nova dúvida no ar. Mas Rato54 pegou de estaca, contando com a colaboração de uma audiência mais predisposta a distribuir palmas. De Rato54 não se espera grandes cerimónias ou discursos pré-concebidos. É aquele rapper que vive sintonizado com o público, que desce até junto do mesmo e por lá se deixa estar, sem se importar que alguns espectadores subam para cima do palco, o “seu” lugar. O single “Cinco Quatro” foi recebido alegremente mas não foi o único. Com uma cartada de beats potentes desaconselhável a qualquer pescoço, a exibição de Rato mostrou ser, uma vez mais, suficiente para não defraudar os parâmetros básicos de qualquer festa de rap: beats, rimas e mãos no ar a acompanhar o mestre de cerimónias. Ex-Peão foi convidado ilustre (mas não raro) na performance de Rato54.

Com poucos minutos contados para além das 3h, Fuse entrou para fechar o tasco das actuações. Que Fusível dispensa apresentações todos nós sabemos; que goza de um estatuto alcançado a solo, mas sobretudo no quinteto dealemático não é novidade para ninguém, logo, dizer que Fuse pôs o Plano B em sobressalto é reportar o inevitável. Inevitáveis foram também as passagens pelos dois álbuns de nome pessoal. “Eterno No Teu Ouvido” e “Febre da Selva” são dois exemplos de faixas quase obrigatórias, embora se tenha notado a ausência de outras como “A Outra Face”. “A Revolução Vive dentro de ti” foi resgatada ao primeiro álbum de Mundo, num alinhamento que não deu tempo para contemplações, tendo sido percorrido a um ritmo frenético, ou não fosse "andamento" a palavra de ordem. Como o que é bom acaba rápido, não restou alternativa que não implorar por um último som, isto já depois das despedidas de Fuse. O pedido foi aceite, mas acabaria por ser mesmo o derradeiro tema.

Contas positivas para Rato54 e Fuse que conseguiram gerar um verdadeiro clima de festa de Hip Hop. Rato com o seu jeito simples e "popular", Fuse com o carisma e personalidade que lhe são reconhecidos. Por sua vez, Auge teve razões para sair um pouco arreliado do Plano B, não pela sua prestação, mas sim pelo saldo geral do concerto, pois não estava certamente nas suas cogitações gerar tão fraco entusiasmo à sua frente.

Texto: Sempei
Fotos: Ana Mendes

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Às 3 Pancadas" @ Vaticano Club, Barcelos (18/02/2011)

O HIPHOPulsação teve a honra de se associar e de se tornar patrocinador oficial do evento “Às 3 Pancadas”. A festa da 4º edição do evento decorreu na noite da última sexta-feira, dia 18 de Fevereiro, no Vaticano Club, em Barcelos, e teve como objectivo a apresentação de uma compilação, onde artistas do norte ao sul do país poderam mostrar o seu rap, depois de terem sido previamente seleccionados para integrarem o dito trabalho. Para abrilhantar o momento, o colectivo Sindicato Sonoro foi chamado para fechar a noite em beleza (até porque também incorporou uma faixa na compilação).

Para nós, a festa começou mais cedo. Amavelmente, a organização do “Às 3 Pancadas” convidou-nos para um convívio que aconteceu antes dos concertos, onde pudemos estar mais por dentro dos bastidores e pulsar o ambiente que normalmente ali se sente. A diversão é, sem dúvida, o prato principal. Não nos esqueçamos, todavia, de referir a simpatia dos donos do "Xispes", que nos brindaram com um saboroso jantar (um hábito da casa, segundo consta).

Com as forças retemperadas e com o ânimo em alta, depois dos bons momentos, era hora de ultimar os preparativos para os concertos. O Vaticano Club foi enchendo, DJ Guze foi sacudindo os presentes com uma selecção primorosa de rap de primeira água (foi assim também durante todas as pausas) e estavam todas as condições reunidas para uma noite agradável, longe da chuva que nos fez companhia durante todo o tempo, mas que ali ficou à porta naturalmente.

Type Z (Braga) e D2 (Barcelos) foram, mais uma vez, os apresentadores eleitos para esta empreitada sonora. Eles que fizeram questão de se alhear de qualquer género de animosidade entre o povo de Barcelos e o de Braga (isto porque surgiu aqui e ali um burburinho na plateia que incitava a essa possível rivalidade). Nem todos os elencados da compilação estavam presentes no Vaticano Club para actuar, mas ainda assim seriam muitos os que pisariam o palco, tendo oportunidade de exibir dois ou três sons de sua autoria. Depois de DJ Guze soltar a sua “Intro” a abrir os concertos, directamente de Ermesinde, apresentou-se Elite 4445 que se fez acompanhar por uma ruidosa trupe de fãs. Os dois jovens não temeram a responsabilidade e soltaram as línguas, que mormente se notavam afiadas, cuspindo refrões difíceis de esquecer: "Elite no teu deck, já sabes que promete (...)".

Obviamente que a terra que pariu o "Às 3 Pancadas" serve também de berço a jovens com vontade de singrar no rap. O duo Delimitação (Suiço & Miles) insere-se nessa nova escola barcelense e foi também um dos nomes que agarrou a oportunidade de desfilar nesta crescente montra de talentos chamada "Às 3 Pancadas". Contudo, na performance conjunta de Suiço e Miles sobressaiu sobretudo a tenra presença de ambos em palco, que, face à sua juventude, terão obviamente bastante tempo para a madurecer. O grupo O.D.E., constituido por D'elite, Oráculo e Dude, representando Vila Real, entregou-se ao público com uma energia notável, trazendo um ritmo muito funky àquela noite, num registo singular em relação a todos os outros participantes. A cargo de Oráculo, o breakdance não foi também esquecido.

O calor na sala aumentava e não havia tenções da temperatura descer. Até porque Cálculo colocava-se diante do público. Pé na porta, como se esperava! O barcelense, amparado pelo compatriota ET, apresentou o seu rap rasgadinho conjugado com a atitude extrovertida que se consolida a cada actuação sua. Desfilando inicialmente o single homónimo do seu primeiro trabalho discográfico ("Rimas Equacionadas"), Cálculo soltou igualmente aquele que é neste momento o tema mais conhecido de todo o seu repertório: "Bem-vindo à selva", obviamente. Intervalando o elenco da compilação, Zeca presenteou as hostes com uma sessão de improviso (com contribuição de Type Z e do beatbox de D2), ele que tem sido o nome maior dos Concursos de MC's do "Às 3 Pancadas" até agora disputados. Sam, PLH e CuSS só tocaram uma música ("Ponto de Vista") mas mesmo assim foi o suficiente para que os presentes fixem os seus nomes e o seu carisma (com PLH aparentemente mais retraído que os companheiros). Tempo ainda para Substanza mostrar o que valia. Apoiado por bons beats, o jovem começou muito titubeante, mas foi ganhando pulso com o passar do tempo.

Buli 2B, acompanhado por P1, teve uma agradável prestação. Companheiros de luta de outras noites, os dois MC's fizeram-se valer da garra e empatia que os une em sons tão quentes como "Sangue no Zoi". Destaque para o ressurgimento do colectivo luso-brasileiro Clandestino (formado por Jordan, Mokbuloso, Sudanes Raz e Tica) que promete vincar com maior solidez a presença do rap barcelense no panorama nacional, isto depois de uma pausa do grupo (embora mantivessem ligação com o Hip Hop por outros projectos).

Após o calcorrear pela compilação, o grande atractivo da noite estava à distância de uma meia dúzia de movimentos do ponteiro dos minutos do relógio. Mundo, Né e Berna, sempre acompanhados por DJ Guze, iriam dar início à actividade do Sindicato Sonoro. O trio partiu para Barcelos com o intuito de reinvidicar o seu som diante da plateia. A acção seria bem sucedida se atentarmos na reacção de todos. Trazendo à vida os sons do seu E.P. de 2006 “Tempo d’Antena” (e tirando as “teias de aranha”, como dizia Né), os três bravos sindicalistas apresentavam o seu manifesto. Com uma entrega assinalável, com a experiência e consciência do costume, Berna, Mundo e Né facilmente levaram a água ao seu moinho com as míticas canções que interpretaram, tais como "Abram Alas" ou "Estrutura". Com pouco material editado como grupo, Sindicato Sonoro encetou a festa com uma lufada de ar fresco a.k.a. um novo tema ("Sindicato Está de Volta"), composto propositadamente para a compilação. Foi entoando palavras como "Esta tropa nunca cai" que os três MC's fecharam com chave de ouro uma noite que se não foi perfeita, foi muito perto disso.

O evento “Às 3 Pancadas” soma novamente pontos a nível nacional pela sua iniciativa, dinamismo em prol do Hip Hop nacional e dedicação à causa. No Verão, em meados de Agosto, o festival está de volta, de novo no registo de concursos de MC & Beatbox e um rol de outras surpresas. Até lá, resta-nos desejar que a data chegue rápido e do HIPHOPulsação só temos a agradecer à organização por mais esta festa e pela forma impecável com que nos recebeu e tratou. Um grande bem-haja. E até breve!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Dealema - EP "Arte de Viver" (download)

Como havíamos escrito no início da semana, o novo EP dos Dealema, "Arte de Viver", estava prestes a sair do escuro, e eis que hoje já foi visto na plataforma da Optimus Discos. As 6 novas faixas do colectivo dealemático estão então à distância de um simples registo (para quem ainda não o tem) e um (ainda mais simples) click.

O primeiro single tem aguçado muitos ouvidos por aí. Vão já devorar o resto dos sons que vos falta!

http://www.optimusdiscos.com/discos/arte-de-viver

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dealema - Mais uma sessão (vídeo)



Novo ano, novo trabalho, novos sons, novo vídeo, a mesma autenticidade de Mundo, Expeão, Fuse, Maze e DJ Guze. O conjunto dealemático mantém-se fiel à sua "Arte de Viver". Este é o título do novo registo dos quatro MC's (e DJ) nortenhos, e que se prevê que esteja acessível ainda este mês de Março. O EP (de 6 faixas) dará continuidade à saga de lançamentos gratuitos na plataforma Optimus Discos, mas terá também edição física.

Em cima, o primeiro vídeo e single "Mais uma sessão"...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

"Mixtape VCK Volume 1"

Da iniciativa de Dareal nasceu a "Mixtape VCK Volume 1". Em Junho largou o primeiro single, e hoje expõe todo o material fabricado por artistas como Chullage, Berna, Poker, Barrako 27, Kromo Di Ghetto, Raptor, Poeta de Rua, DJ Guze, DJ Score ou DJ Hipe. Enquanto não chega o segundo volume, há muita música para consumir no primeiro, isto depois, como é óbvio, de descarregado o projecto do seu myspace:

http://www.myspace.com/vckvck


Recordando a parceria de Barrako 27 com Koffy Jr, "No Fundo (do túnel)", o primeiro som revelado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Entrevista a Dealema





Vagueando no youtube, encontrei esta entrevista a Dealema. Mundo e DJ Guze representaram o colectivo no Posto 7 da mvmTV. A entrevista foi feita em Dezembro de 2008 e aborda vários assuntos relacionados com o grupo. Confiram!

domingo, 5 de julho de 2009

Eixo Rap - 2º Dia (4 de Julho de 2009)

Quatro de Julho, segundo e último dia do “Eixo Rap” em Vila Nova de Gaia. Após uma estreia fantástica, as expectativas para a noite de ontem eram também elevadas. Sabia-se, porém, que seria muito difícil vivenciar-se sensações semelhantes à noite anterior, onde o povo esteve em polvorosa. Mas a esperança mantinha-se em se passar um bom momento, curtindo boa música. Felizmente, os artistas fizeram-nos a vontade.

Devemos dizer que não pudemos satisfazer o pedido que Mundo fizera, na noite de Sexta-Feira. Ele tinha solicitado que o pessoal ontem chegasse cedo para que quem abrisse as hostes tivesse uma plateia minimamente composta. À hora em que pisámos as ruas de Miramar, Império Norte ultimava os preparativos para soltar a sua música. No “Eixo Rap”, foi nota dominante o entusiasmo e o suor que os artistas deixaram no palco. DJ Guze, Wöyza, Mundo, Ex-Peão e El Puto Coke proporcionaram aos presentes um show agradável, apesar de curto. A potencialidade deste grupo é grande e será curioso acompanhar a evolução deste projecto, bem como a carreira individual dos artistas que compõem este colectivo luso-galego.

Wöyza era a seguinte no alinhamento do “Eixo Rap” de 4 de Julho, mas agora a solo. Bem, também não esteve completamente sozinha durante a sua actuação já que DJ Limbo esteve na sua retaguarda. E logicamente o público presente deu a maior força à artista natural de Vigo. Assim, a lindíssima Wöyza cantou e encantou. Misturando o Hip Hop com a Soul, a música de Wöyza tem todos aqueles pozinhos especiais que nos fazem levitar. A interpretação sentida de cada tema seu aliada ao bom suporte musical, faz com que o nosso corpo e mente retenham das canções de Wöyza propriedades como a elegância, a excelência e a frescura. Apesar de se expressar numa outra língua que não o português sentia-se toda a classe que Wöyza destilava em cada palavra cantada. Depois, o jogo corporal dela é um espectáculo à parte. Sempre enérgica, Wöyza conseguia fazer emergir toda uma comunicação corporal que complementava a verbal. Canta com alma, com garra e empenha-se em fazer com que a sua mensagem seja decifrável para as pessoas. Daí a constante interacção que privilegiou com a plateia. Despediu-se em grande, agradecendo aos portugueses a forma como sempre a recebem. Portugal já adoptou esta galega. A noite foi dela.

Mind da Gap era o grupo mais esperado da noite. DJ Serial, Presto e Ace subiram ao palanque e os aficionados do grupo saudaram os músicos com gritos de boas-vindas. Ace e Presto estiveram também cheios de pica, mostrando-se irrequietos, movimentando-se por todos os espaços do palco. Os mc’s desde logo estabeleceram um diálogo com as suas gentes. Ace mostrou um humor muito particular. Não que estivesse mal disposto, longe disso, mas contou umas piadas cuja decifração era de alcance bastante complicado. Mas todos se riram e divertiram com a intenção de Ace, que ou não estava muito inspirado para o humor ou as suas piadas são mesmo muito rebuscadas. Foram momentos engraçados em que o próprio mc teve a capacidade de se rir de si próprio. No plano musical, foram sendo tocados alguns clássicos de Mind da Gap. Os fãs não cabiam em si de contentes e acompanhavam em uníssono os mc’s. Destaque para a estreia ao vivo duma nova canção de Mind da Gap – “Abre os Olhos” – que fará parte do novo álbum do grupo nortenho. O pano caiu ao som da emocionante “Invicta”. Mind da Gap em boa forma num concerto que foi certamente do agrado da legião de apoiantes da tríade.

Cabe-nos fazer um balanço do festival “Eixo Rap”. Não nos foi possível, infelizmente, acompanhar todos os artistas e grupos que actuaram nesta iniciativa. Todavia, no que observámos dos instantes em que estivemos presentes, pode garantir-se que o festival foi francamente positivo. Assistiu-se à entrega total de todos, o público respondeu à chamada e nos dois dias o recinto esteve sempre praticamente cheio na hora em que actuavam os nomes mais consagrados. O primeiro dia do “Eixo Rap” foi mais electrizante e emblemático muito graças à soberba actuação de Dealema e do impacto que teve em todos aqueles que acompanhavam o evento. Ontem, não se sentiu tanto essa atmosfera vibrante mas, em abono da verdade, houve momentos de muito boa música e duma grande sintonia entre os artistas e as pessoas. Saúde-se a Câmara Municipal de Gaia e os restantes mentores pela excelente iniciativa que desenvolveram, mostrando que estão atentos ao fenómeno do rap, que tem profundas raízes e tradição na cidade. Enalteça-se também a conexão entre o Norte de Portugal e a Galiza, que sempre tiveram historicamente uma forte ligação. Uma palavra sentida de apreço pelos artistas espanhóis que deixaram uma óptima impressão em Gaia e foram muito bem acolhidos pelos portugueses. Afinal de contas é isto o rap, é isto o Hip Hop – irmandade e intercâmbio de mentalidades entre os povos, através da fomentação e elevação da arte. Parabéns a todos os que contribuíram para o sucesso do “Eixo Rap”, numa iniciativa «Gaia – Capital da Cultura do Eixo Atlântico 2009».

sábado, 4 de julho de 2009

Eixo Rap - 1º Dia (3 de Julho de 2009)

A elevação de Gaia a “Capital da Cultura do Eixo Atlântico” foi coroada com a organização de um festival de dois dias completamente à borla. Entre a realização de algumas iniciativas culturais, destaca-se a mostra de sons luso-galegos no halo do Hip Hop. Nomes importantes do movimento ibérico juntam-se assim em Gaia, na Alameda do Senhor da Pedra, para estreitarem laços culturais insolúveis com o rap como pólo agregador. Neste primeiro dia do Eixo Rap, as nuvens no céu pareciam querer abençoar o festival. Dito e feito. As minúsculas lágrimas que os deuses brotaram sobre as nossas cabeças, num curtíssimo espaço de tempo, benzeram os presentes, e a acreditar na sabedoria popular, auguravam então uma noite especial.

Quando chegámos a Miramar, artistas espanhóis já actuavam no palco perante um reduzidíssimo número de espectadores. Seria o efeito chuva, seria ainda cedo? Aproveitámos para dar um giro pelas redondezas e contemplar da belíssima praia o imenso mar e a castiça morada do Senhor da Pedra (uma pequena capela construída em plena praia sobre os rochedos). Aproximava-se a hora de Syzygy actuar e acorremos para junto do palco expectantes sobre se o recinto já estava mais composto. Felizmente, as muitas pessoas que vagueavam pelos espaços de lazer próximos aglomeraram-se junto do palco e deram calor humano a M7, Capicua e D-One.

O concerto foi bom, com o repertório escolhido a recair em temas presentes nas mixtapes que as mc’s de serviço lançaram a título individual. A entrega de M7 e Capicua foi salutar e a intensidade foi diabólica! Autênticas diabas com o microfone na mão, espalharam a sua energia, atitude e boas rimas, sempre sem filtro. D-One naturalmente também contribuiu com a sua colaboração para enriquecer a actuação. Syzygy despediu-se dos presentes com um caloroso agradecimento e Capicua anunciou que seguiria para Lisboa. Boa viagem, rebenta com eles!

Seguiu-se El Puto Coke, com o seu DJ. Após a exibição de skillz do segundo, El Puto Coke entrou no palco a fim de conquistar Gaia. O começo não foi muito animador, pois não conseguiu cativar muito o público. A dificuldade em se entender a língua, mas também a linha mais morna e lenta dos beats talvez tenha contribuído para esse início. Porém, isso durou dois temas. El Puto Coke estabeleceu um diálogo com o público, interpretando dali em diante canções mais intensas, com mais garra e mais agressividade nos instrumentais e isso emocionou mais o público. À medida que o tempo passava mais pessoas El Puto Coke alcançava. Nos dois últimos temas seus, antes de chamar um seu convidado ao palco, El Puto já nos tinha deixado rendidos ao seu rap consciente, onde são evocados relatos e sensações da vida quotidiana com que todos se identificam. Depois do tal dueto com o amigo que trouxe da Galiza, que rima ainda mais depressa dificultando a percepção, despediram-se do público português com um enorme agradecimento e aliciando os espectadores a chamarem o grupo por que todos ansiavam: DLM.

Um pequeno interlúdio para organização do material logístico era tudo o que separava o público de ver Dealema. Todas as brechas que existiam nos lugares da frente foram prontamente preenchidas por aqueles que estavam mais atrás. Nessa altura, o recinto era já um mar de gente. A maré estava a encher em direcção ao palco. Às pessoas não lhes bastava serem o tal mar de gente pois estavam era sedentas por ver os seus ídolos. Aos primeiros indícios de Dealema se apresentar ao serviço, as gentes agitaram-se, entraram numa convulsão de emoções e a loucura foi de tal ordem que parecia que de repente tínhamos sido teletransportados para uma outra dimensão. Ou, no mínimo, para um festival à parte. Assim foi, efectivamente. Dealema a jogar em casa nem sequer precisava de pedir para as pessoas se manifestarem, elas faziam ruído naturalmente. Foi algo único, extraordinário mesmo. Os momentos foram de cumplicidade total entre público e DJ Guze, Mundo, Ex-Peão, Fuse e Maze! Não será atrevimento nem andará longe da verdade dizer-se que é ímpar no Hip Hop português a corrente de entusiasmo que une o público a um artista ou grupo, neste caso o Pentágono. Os elos de identificação criaram uma sinergia maravilhosa e perfeita que catapultou o espectáculo para níveis galácticos!

O Colectivo Dealemático é um verdadeiro embaixador cultural da região. A sua influência na juventude é impressionante e a sua mensagem é extraordinária também pela eficácia com que capta a atenção dessa camada da nossa sociedade. Não se deve estranhar portanto que dessa empatia se atinga a idolatração por parte dos seguidores do grupo. Dealema foi desfilando os seus hinos e o povo foi acompanhando em uníssono e rejubilando. A satisfação do colectivo era indisfarçável por ver tantas pessoas a celebrarem a sua música e prestando-lhes tributo com a sua presença e participação no concerto. Maze tirava fotos ao público, Mundo logo no início filmara-o. O delírio aconteceu quando Wöyza foi chamada ao palco para interpretar “Segunda Vinda (A Profecia)” – suposto último tema do concerto. Os níveis de ruído atmosférico atingiam o píncaro e ganhavam com certeza em altura no duelo com os vapores da planta mágica. Foi um momento arrepiante a que se assistiu em Gaia, com os músicos e fãs num perfeito e envolvente abraço. Depois, as luzes apagavam-se, os artistas disseram adeus e abandonaram o palco mas o público não se fiou na cantiga. Sabíamos todos que eles iam voltar porque o clássico “Portugal Surreal” não tinha sido ainda tocado e exigia-se que o tema ecoasse alto pois está mais actual que nunca.

Dealema voltou ao palco, o barulho foi ensurdecedor e os mc’s apelavam que para neste último tema ensaiássemos uma coreografia a preceito. Vai daí tudo se preparou para fazer uma enorme chifrada ao ex-ministro da Economia Manuel Pinho e aproveitando a deixa dedicou-se ainda aquele gesto primoroso ao Ministério da Cultura que tem tido uma prestação execrável nos últimos anos, num desempenho transversal em todas as administrações que têm governado Portugal. O êxtase tomou conta de Miramar. Emocionados e convocando todos para estarem presentes no dia de hoje nas actuações que serão feitas, Dealema despediu-se com a certeza de que toda a sua carreira e trabalho tem compensado. O amor que receberam na actuação foi indescritível. Só quem sente entende! Não se esqueçam, hoje há mais!