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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mundo & Each e Pharoahe Monch @ Hard Club, Porto (05/11/2011)

Quem tinha saudades de uma grande noite festiva de Hip Hop com grandes nomes nacionais e internacionais? Foram várias as centenas que responderam afirmativamente e que quase encheram a sala 1 do Hard Club (com capacidade para albergar cerca de 800 pessoas). Havia duas boas desculpas para uma ida até ao HC apesar do frio pungente desta noite de 5 de Novembro: as apresentações ao vivo da mixtape conjunta de Mundo e Each e do álbum “W.A.R.” do americano Pharoahe Monch. O anunciado showcase de Sir Scratch em cartaz foi abortado por “questões logísticas”, segundo a editora do próprio artista. Os Dj’s D-One e SlimCutz completaram o line up. Maze foi o apresentador de serviço.

Mundo Segundo e Each entraram em cena às 3h quando muita gente ainda entrava na sala (já muito bem composta, mesmo assim). A expectativa em volta da actuação de ambos era grande, pela novidade dos sons e, sobretudo, por estes fundirem dois reconhecidos liricistas exímios em roer cacos. De Each, cara-e-voz-metade de Enigma e habitual companheiro de Mundo nas performances deste a solo, recaía talvez a maior dose de curiosidade, até porque uma coisa é acompanhar Mundo nas dobras, outra é complementa-lo (e ser complementado) em vários temas. Numa primeira auscultação geral dir-se-á que Each não desiludiu, um cenário que só lhe ajudará a colher frutos no futuro. Apesar de tudo, na festa de lançamento no Hard Club sentiu-se algum nervosismo do jovem MC (evidente sobretudo numa hesitação numa das letras), facto que não assombrou a sua boa prestação.

Tenho mais receio do medo do que daquilo que mete medo. Foi uma das novas tiradas retidas de Mundo, que se mantém (como seria de esperar) igual a si próprio, livre de qualquer tipo de apresentação. Das novas faixas destaque particular para a sarcástica “Isso é estúpido” e para “Beleza Interior” que toca na ferida de duas doenças crescentes em todo o Mundo (obesidade e anorexia), temas que, pessoalmente, não recordo terem sido abordados no rap nacional. Após a exposição da nova mixtape e da aceitação positiva da audiência, Mundo e Each despediram-se quando trouxeram a palco “Alucínio” (faixa da mixtape “2º Piso – 17 anos”).

Após a retirada da dupla portuguesa não tardou muito até Pharoahe Monch abrir a bagagem que trouxe de Nova Iorque. Antes disso, foi DJ Boogie Blind quem trouxe os primeiros laivos do talento americano, nomeadamente no que ao djing e turntablism diz respeito. De máscara na cara (fiel à capa do seu novo álbum), Pharoahe Monch surgiu com todo o gás desde o início perante toda uma sala que se incendiou ao mínimo “cheiro” de rap nova-iorquino. E Pharoahe bem cedo se mostrou deliciado com tamanho calor humano emanado pelos presentes (vindos de todo o país, diga-se). “Assassins” (do novo disco) e “Let’s Go” (do álbum “Desire”) foram os temas de uma abertura que prometeu desde logo um intenso espectáculo. Neste caso, pode-se dizer que a idade conta, e a experiência adquirida ao longo de uma carreira com mais de duas décadas reflecte-se na segurança e na normalidade com que Pharoahe contagia uma multidão.

Havia muito público juvenil na sala? Havia. Uma boa parte desconhecia os sons do americano (alguns só mesmo a “Simon Says” – ou talvez somente o get the fuck up)? Verdade. Mas convém dizer que muitos deles ficaram para conhecer as músicas de Pharoahe ou, quem sabe, somente para o dito get the fuck up. Mas ao contrário do que se sucedera com outros artistas estrangeiros que por aqui passaram noutras noites, a plateia era realmente numerosa e estava predisposta a engrandecer a festa. A forma como se viveu, por exemplo, a sequência “Fuck You“/“Desire” comprova isso mesmo. “Clap (One day)” é um dos melhores temas do álbum “W.A.R.” e ao vivo é verdadeiramente delicioso. Pharoahe Monch não trouxe nenhum MC de apoio, contando somente com o contributo de DJ Boogie Blind a partir da mesa dos pratos. Este disc-jockey do colectivo The X-Ecutioners (por onde passaram nomes como o falecido Roc Raida ou Rob Swift – que estará dia 10 no Hard Club com Dealema e Nach) teve, a certa altura, os holofotes virados unicamente para si, aproveitando para exibir todos os seus skills no turntablism. E que skills! Houve muita gente que ficou de boca e ouvidos bem abertos com o que ouviu!

Seguindo no repertório de Pharoahe, havia uma faixa, ou melhor, uma bomba prestes a rebentar no Hard Club, e por ela esperaram centenas de “suicidas” na sala 1. A expressão mais directa que se pode dar para tentar descrever o momento quando estourou “Simon Says” é que o fim do Mundo parecia ter sido antecipado para as primeiras horas do dia 6 de Novembro de 2011. Mas não, felizmente, até porque, surpreendentemente haveria mais música depois desse sonoro pesado do rap mundial que certamente deixou algumas mazelas em parte dos presentes. Já o emcee americano se despedira do público, e após uns minutos entregues a DJ Boogie Blind, Pharoahe regressa ao palco (quando já boa parte da audiência havia saído da sala convencida que a actuação tinha terminado) para encetar a sua tour europeia, precisamente na Cidade Invicta, com “The Light”, outro dos seus deliciosos clássicos. E de Pharoahe Monch foi tudo, e que tudo!

Para quem esperava voltar a sentir arrepios na pele com uma grande noite de Hip Hop isso voltou a acontecer, sem sombra de dúvidas. Casa cheia, amantes da cultura oriundos de todo o país, e artistas sérios e dedicados à sua arte. Mundo e Each aguçaram os ouvidos de quem os aprecia como dupla e corresponderam às expectativas, pese embora só terem actuado cerca de meia-hora, o que soube e saberá sempre a pouco. A expressão “monstro de palco” assenta que nem uma luva a Pharoahe Monch, e o americano pôde voltar ao seu país com a certeza que, pelo menos em Portugal (e certamente noutros cantos da Europa), arrecadou novos fãs. Ele e o seu compatriota, DJ Boogie Blind. Pharoahe Monch abriu, intermediou e fechou o seu show sem nada que se possa lamentar, a não ser a sua saída do palco...

Texto: Sempei
Fotos: Ana Mendes



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Parabéns SlimCutz!

Top 12 DMC World DJ Finalists 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Plano B (17/09/2011): Auge, Rato54 e Fuse

Sábado, 17 de Setembro de 2011. Mais uma noite festiva bombeada com rap tripeiro, um hábito no coração da Cidade Invicta. Na rua Cândido dos Reis – uma das artérias mais vivas do Porto -, o povo dispersa-se em grupinhos, ao longo do arruamento, nas esplanadas ou dentro dos vários espaços de diversão. Um deles, o Plano B, voltou a ser primeira escolha na hora de eleger um local que albergasse Auge, Rato54 e Fuse (não esquecendo os DJ’s D-One, Guze e SlimCutz).

Podia uma festa de Hip Hop em Portugal começar a horas? Podia, mas não era a mesma coisa. No fundo, a culpa é de todos. Foi já com os ponteiros do relógio abraçados a domingo, que é como quem diz, à 1 hora e picos da matina, que Auge subiu ao palco, pegou no mic e iniciou a sua actuação. Para deleite dos casalinhos que se aconchegavam na sala, “Crónica Paixão Fula” foi dos primeiros sons lançados por DJ Guze, o disk-jockey que auxiliou o MC de Mau Feitio. A dispersão da plateia por toda a sala maquilhava algumas clareiras, que, apesar da alta temperatura no espaço, foi pouco calorosa para com Auge. Culpa do MC? Culpa do público? Ficou a dúvida. A verdade é que Auge só agitou verdadeiramente os presentes quando sacou da sua maior cartada sonora: “Mambo”, claro está. De resto, teve ainda tempo para se aventurar em algumas acappellas.

Do fim da performance de Auge para o começo da de Rato54 não distaram muitos minutos mas foi o tempo suficiente para uma clara transformação no ambiente do andar subterrâneo do Plano B. Culpa do MC? Culpa do público? Nova dúvida no ar. Mas Rato54 pegou de estaca, contando com a colaboração de uma audiência mais predisposta a distribuir palmas. De Rato54 não se espera grandes cerimónias ou discursos pré-concebidos. É aquele rapper que vive sintonizado com o público, que desce até junto do mesmo e por lá se deixa estar, sem se importar que alguns espectadores subam para cima do palco, o “seu” lugar. O single “Cinco Quatro” foi recebido alegremente mas não foi o único. Com uma cartada de beats potentes desaconselhável a qualquer pescoço, a exibição de Rato mostrou ser, uma vez mais, suficiente para não defraudar os parâmetros básicos de qualquer festa de rap: beats, rimas e mãos no ar a acompanhar o mestre de cerimónias. Ex-Peão foi convidado ilustre (mas não raro) na performance de Rato54.

Com poucos minutos contados para além das 3h, Fuse entrou para fechar o tasco das actuações. Que Fusível dispensa apresentações todos nós sabemos; que goza de um estatuto alcançado a solo, mas sobretudo no quinteto dealemático não é novidade para ninguém, logo, dizer que Fuse pôs o Plano B em sobressalto é reportar o inevitável. Inevitáveis foram também as passagens pelos dois álbuns de nome pessoal. “Eterno No Teu Ouvido” e “Febre da Selva” são dois exemplos de faixas quase obrigatórias, embora se tenha notado a ausência de outras como “A Outra Face”. “A Revolução Vive dentro de ti” foi resgatada ao primeiro álbum de Mundo, num alinhamento que não deu tempo para contemplações, tendo sido percorrido a um ritmo frenético, ou não fosse "andamento" a palavra de ordem. Como o que é bom acaba rápido, não restou alternativa que não implorar por um último som, isto já depois das despedidas de Fuse. O pedido foi aceite, mas acabaria por ser mesmo o derradeiro tema.

Contas positivas para Rato54 e Fuse que conseguiram gerar um verdadeiro clima de festa de Hip Hop. Rato com o seu jeito simples e "popular", Fuse com o carisma e personalidade que lhe são reconhecidos. Por sua vez, Auge teve razões para sair um pouco arreliado do Plano B, não pela sua prestação, mas sim pelo saldo geral do concerto, pois não estava certamente nas suas cogitações gerar tão fraco entusiasmo à sua frente.

Texto: Sempei
Fotos: Ana Mendes

sexta-feira, 8 de abril de 2011

SimpLe - "Dualidade Tridimensional"

Depois da mixtape "Um1/7Sétimo", SimpLe apresenta o EP "Dualidade Tridimensional" , composto por dez temas produzidos por Kron e LT (GovSom), com participações de Redoptic e Dom Rubirosa, gravado no estudio SoundCrate por Dj SlimCutz e misturado por Dj Sistema.

O E.P encontra-se disponível - directamente com o artista num show perto de ti - ou na página do facebook. No Porto - Zona 6 e Barrako 27 - Zona Centro – SublimeVilla e baimaloja online shop.

Um pack de “teasing” encontra-se disponivel neste link para terem acesso a 3 temas + letras + capa.

"Complexidade Da Simplicidade" foi o tema escolhido para o videoclip.


Realização, câmara e edição: Artur Caiano e Tiago Lessa

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Stray - O Diabo

Confesso que não me causou tanto impacto como Monstro Robot, mas ainda assim "O Diabo" de Stray é um disco muito bom e com uma qualidade exemplar, desde o grafismo, o conceito, passando pelas letras, pelos beats, enfim, é um óptimo trabalho no seu conjunto. No cada vez menos interessante rap português, dá gosto ver (e ouvir) alguém a fazer não somente mais do mesmo mas preocupado em fazer arte, em trazer certos predicados para a sua música que lhe conferem esse estatuto. Estou sem tempo e sem motivação para fazer críticas, mas por pequeno que seja o apontamento, não podia deixar de publicitar este trabalho da Monster Jinx e dar os parabéns ao Stray por engrandecer, com este brilhantismo, o rap português. Bem-haja!

domingo, 3 de outubro de 2010

Não há uma sem duas nem duas sem três

Como o noticiário de sexta sobre a Monster Jinx se afigurou incompleto, nada como voltar ao abrigo mais monstruoso do rap indie nacional e resgatar de lá mais duas novidades.


Não é só a dupla NN (Nerve & Nexus) que se pode gabar de novo material sonoro. Também DJ Spark - o último humano a ficar sob as rédeas do Jinx, e que também gira discos numa Roulote - possui matéria prima ainda a ferver. "How Many of You" é o título da 8º faixa do álbum "Dichotomy", a ser descoberto em breve. Renato Martinho é o nome do primeiro convidado revelado.

Outra boa nova (que acaba por ser só meia novidade) é o anúncio oficial do DMC World DJ Championships 2010. Como se sabe, as aspirações portuguesas vão estar sobre DJ SlimCutz e Supa (DJ Núcleo e DJ X-Acto). O evento - que tem em cartaz três competições de DJing - terá lugar em Londres nos próximos dias 17 e 18 de Outubro. Como não poderia ser de outra forma, nós por cá desejamos que os tugas tragam o primeiro lugar para casa.

domingo, 25 de julho de 2010

Reportagem: Concerto de Simple (23/7/2010)

Arrumámos, na Sexta-Feira à noite, um tempinho para nos deslocarmos a Leça da Palmeira, no sentido de acompanharmos as incidências de um concerto de um rapper por quem os autores deste blog sentem uma indisfarçável simpatia e admiração: Simple.

É verdade, o mestre-de-cerimónias leceiro abriu a primeira parte do espectáculo da banda reggae da mesma região – Souls of Fire – e teve o agradável gesto de nos convidar a marcarmos presença naquele momento certamente importante para ele. O caso não era para menos: Simple actuava na sua zona e para bela surpresa nossa teve a chance de mostrar a sua música a uma audiência vastíssima. O recinto estava apinhado de gente. Ok, muitos nem conheceriam o Simple e estavam ali unicamente com o propósito de verem a banda cabeça-de-cartaz. Mas olhando para aquilo que Simple fez em palco, muitos terão ficado agradavelmente surpreendidos com a performance dele.

Simple, acompanhado por DJ SlimCutz e por Redoptic, trouxe uma nova luz ao olhar perplexo dos que desesperavam devido ao atraso das emoções que pretendiam usufruir com a chama da paz, amor, união e respeito de Souls of Fire. Todavia, Simple fez ecoar nas colunas de som esses predicados também. Estreando o seu concerto com uma acappella, muitos terão sentido na alma a sensação que Fernando Pessoa eternizou através dos versos: o que no início terá sido estranho para o público posteriormente harmonizou-se e entranhou-se bem fundo neles. Orgulhosos filhos da terra, os três artistas em palco exibiram radiantes o seu hip hop aos conterrâneos.

Simple calcorreou alguns temas da sua mixtape, mas não apresentou “Velha Escola” para tristeza do Sempei! Destaque para a dedicatória que fez à família, particularmente às mulheres da sua vida – filha, mulher e mãe. Um refrão inspirado nas palavras da mãe de Simple gerou um dos pontos altos da noite, com muitas pessoas a cantarem em uníssono com o MC: “Quando eu era puto/ O que ouvia mais/ Vadio, vagabundo/ Não sei a quem tu sais”. A empatia foi instantânea! Terá sido pela identificação com a situação?...

A fechar, Simple teve ainda tempo para um freestyle, numa noite bem agradável, com muitas pessoas na festa, num concerto ao ar livre, em que ele aproveitou de forma excelente a oportunidade de actuar verdadeiramente em casa.

sábado, 17 de abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Reportagem: Gare Clube, Porto (2 de Abril 2010)



O relato das peripécias da noite de Hip Hop no Gare Clube, no Porto, já pode ser visto no H2T. O nosso texto dá conta de tudo o que se passou na noite em que actuaram DJ D-One, DJ SlimCutz, Supremo G, Deau, Enigma, Fuse e Ex-Peão. À distância dum clique:

http://www.h2tuga.net/artigos-h2t/eventos/2997-gare-clube-porto-02042010.html

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pin Up, 30 de Novembro de 2009 (Fotos)

Mais um álbum para a colecção fotográfica do HIPHOPulsação. Desta vez, as fotos foram captadas no bar portuense Pin Up, na noite de 30 de Novembro, quando DJ Yoke, Soldado, DJ SlimCutz, SimpLe e Supremo G (assim como todos os convidados de cada um) subiram ao palco.

Para ver as fotos (assim como os outros álbuns) basta sentir o pulso a este link:

http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewAlbums&friendID=470195182

A qualquer momento a colecção poderá ser abonada, assim que haja material para tal. Para acompanhar o processo de enriquecimento basta, obviamente, estar atento ao myspace ou ao blog.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Evento: Hip Hop no Pin Up (30-11-09)

A reportagem, que fizemos para o H2T, da festa de Hip Hop que teve lugar no Pin Up no dia 30 de Novembro já está ao alcance dum clique. Lembro que entre os convidados dessa noite estavam DJ Yoke, DJ SlimCutz, Soldado, Supremo G, SimpLe, entre outros. Brevemente no nosso myspace podem ver mais fotos sobre este evento. Para já, acedam ao H2T para pulsarem a reportagem, através da seguinte ligação:

http://www.h2tuga.net/cronicasdeeventos/085_pinup_30nov2009.php

sábado, 5 de dezembro de 2009

DMC Portugal 2009 (As finais)

Numa semana em que os finalistas do DMC Portugal 2009 pisaram o palco do bar portuense Pin Up em dois dias diferentes, nada melhor que ver (ou rever) o derradeiro duelo de Outubro passado em Albufeira, e testemunhar como o 'puto' SlimCutz superiorizou-se ao 'cota' Nel'Assassin. Resta agora ao DJ de Monstro Robot fazer as malas rumo ao evento internacional, que decorrerá em Londres no ano que vem.


Honra aos vencidos! Também DJ Yoke (outra presença no Pin Up esta semana) e DJ Núcleo batalharam por um lugar na final, no entanto, o máximo que conseguiram aspirar foi ao último lugar do pódio. DJ Núcleo subiu mais alto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mais um cartaz

Está marcada para dia 30 de Novembro (precisamente de hoje a duas semanas) mais uma festa de Hip Hop no Pin Up - bar que anima a baixa da Cidade Invicta. Supremo G aka Jimmy P (que respondeu a algumas perguntas nossas aqui) dá a conhecer ao vivo a Mixtape "Live On Stage", contando com alguns convidados seus. Já LT aka Philly Gonzalez (Governo Sombra) apresentará a sua Mixtape "LT Primeiro". A noite contará ainda com a actuação de Soldado (Crewzada) e dos Dj's Yoke e SlimCutz (Monstro Robot), 4º classificado e campeão do último DMC Portugal, respectivamente.

* SimpLe - que foi inexplicavelmente esquecido no texto acima - fará um teaser do segundo volume da "Complexidade Da Simplicidade", não deixando de percorrer as faixas clássicas da Mixtape "Um 1/7 Sétimo".

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

SimpLe - Um 1/7 Sétimo Mixtape (Crítica)

SimpLe é um nome que paulatinamente vai sendo mais proferido por todos os que gostam de rap português. A primeira vez que ouvi falar dele foi através do Sempei. Finalmente, dediquei-me a uma audição atenta a fim de avalizar o trabalho deste mestre de cerimónias proveniente de Leça da Palmeira. Em boa hora o fiz, acrescento. SimpLe não é propriamente um novato na cena Hip Hop. Pelo contrário, já está nestas andanças há, pelo menos, 10 anos (deu o seu primeiro concerto em 17/12/1999 com um cachet de 1000 escudos!). Primeiro no breakdance, depois no mcing, SimpLe é um indivíduo profundamente marcado por esta cultura. Para se retirar essa ilação, basta ouvir “Um 1/7 Sétimo Mixtape”.

Em todo o trabalho, SimpLe demonstra qualidade técnica. Quer ao nível das letras, quer no que se refere ao seu flow, que caracterizaria como rasgadinho. O trabalho do leceiro exemplifica que a qualidade não cai do céu e nota-se, à medida que se escuta “Um 1/7 Sétimo Mixtape”, uma maturidade, experiência e um à vontade que só se adquirem com anos de prática. SimpLe dá-nos uma prova de consistência também. Rima com total paixão pela cultura Hip Hop. Destacaria ainda a mais-valia de SimpLe no que toca à construção de bons refrãos.

“Sintoniza no Canal” entra-nos como uma bala pelos ouvidos! SimpLe ataca os ouvintes com um super flow técnico e rápido, mais parecendo um sniper munido com uma arma de tecnologia de ponta. «Sentimento envolvido nesta cena musical/ Rimas e batidas em sintonia total», diz. E é assim. SimpLe passeia seguro em cima da batida, foca os temas que lhe apetece, pisca o olho às aliterações, enquanto está perfeitamente cómodo com o flow. Se por um lado, SimpLe ambiciona manipular o “som que traz o vento de mudança”, por outro, sabe que há realidades que não se alteram como a observação que faz acerca da ilusão que se apodera da juventude e que despoleta uma pose de Hollywood nalguns. Mas ficam as suas palavras gravadas na pedra: “sou rapper trago uma dica correcta” e não há cura para a pura loucura da minha rima, adianta.

Chegamos a “Vintage”. Neste apeadeiro, temos oportunidade de apanhar o comboio memorial de SimpLe, onde em curtos mas apaixonantes 4m21s fazemos a viagem do nosso protagonista na linha do Hip Hop. Em trechos de afectos e emoções pelo Hip Hop, SimpLe não prescinde da sua fluência verbal cortante, que primeiro pode estranhar-se mas que depois viciantemente se entranha nos nossos ouvidos (o criador dum certo slogan da Coca-Cola não diria melhor!). SimpLe certifica-se que captaremos com sucesso a sua mensagem de verdadeiro guardião desta cultura. Ora vejam se vos é difícil entender estes versos: “Aqui não rola 50, aqui não rola Beyoncé/ Aqui rola Velha Escola e beats do Premier”. Gostaram da visita de estudo?

Agora, vou fazer batota e avanço até à faixa 6 só para ter a oportunidade de relacionar o fim do parágrafo anterior com este. Cá vai: por falar em visita de estudo e já que isso se relaciona com a escola, que tal debatermos a sério, ou seja, sem Ministra da Educação, o estado da instrução hiphopiana? Embora fazer isso. “Velha Escola” é uma das mais belas e inteligentes odes que eu me lembro de ouvir em língua portuguesa aos mais antigos activistas desta cultura! SimpLe faz uma evidente mas magistral comparação da situação dos hiphoppers mais antigos com a de um físico edifício educativo de uso desgastado. Tal como esse monte de betão obsoleto, também as condições para a prática do Hip Hop não eram as mais favoráveis outrora. Porém, as lições aconteciam graças ao entusiasmo, boa vontade e puro amor de todos pela cultura. Os quatro cursos ministrados – mcing, djing, breakdance, graffiti - não tinham a aprovação do Ministério da Educação, é certo, mas tinham a vantagem de estarem isentos do pagamento de escandalosas propinas e de bucrocacia, estando somente à mercê de quem os quisesse cursar. E nem a inexistência de férias, fazia recuar os alunos. SimpLe relata-nos que frequentou o breakdance antes de se inscrever no mcing, num tom manifestamente emocionado. Agravado até pela inevitabilidade da “Velha Escola” ter de fechar as suas portas e dar lugar a novas instalações. Aconteceu, por via desse facto, uma “mudança radical no movimento estudantil”, que levou a que SimpLe recusasse a matrícula no novo estabelecimento de ensino. Causas para essa decisão: “A tradição já não é o que era”. No entanto, ninguém lhe tira “as recordações da Velha Escola”. Muito bom!

“Sigo a minha vida” é uma boa forma de SimpLe não se amargurar em demasia com memórias pertencentes à areia que já correu pela ampulheta. Precalços todos enfrentamos e há algures um momento em que provamos o fel da injustiça da vida. Estamos todos na mesma encruzilhada: “Presos num mundo que não dá nada a ninguém”, sintetiza SimpLe. Ele não espera nada de mão beijada e, por isso, mostra o seu empenhamento ao engajar-se nas lutas que lhe trarão a abundância: “Não aprendi a roubar, não aprendi a mentir/ Aprendi a batalhar, aprendi a sorrir”. Estes versos deviam servir de guia para muitos jovens que vivem com ideias deturpadas na cabeça, o que lhes trará amargos de boca no futuro garantidamente. Apesar do exemplo que nos oferta, SimpLe confessa que nem sempre seguiu a cartilha da moral e bons costumes. Reconhece que errou mas esforçou-se por se redimir. O nascimento da sua filha, por certo, apressou esse desejo de remissão.

Normalmente, decidimos que é no primeiro dia do novo ano que trataremos da espinhosa missão de nos tornarmos pessoas melhores. Mas quase sempre as folhas do calendário levam consigo, à medida que avançam, muitos dos projectos que havíamos delineado. SimpLe partilha connosco um caso de mudança radical, que nos é descrita em “Ano Novo”. Ele viu-se numa situação inédita a determinado momento. Não estava, como usual, a festejar na rua a passagem de ano. Tudo porque a responsabilidade chamou-o à pedra e SimpLesmente teve de abrir mão das “maluqueiras” nocturnas e festivas mas por uma nobilíssima causa: o nascimento da sua filha. O motivo que a vida deu a SimpLe para transformar para melhor a sua existência neste mundo. Ainda que sinta a nostalgia do espírito livre de jovem sem responsabilidades, tem plena consciência de que para tudo há um tempo próprio, o que revela a maturidade que se incorporou nele. A vida tantas vezes não corre como queremos, mas temos sempre de encarar com o dobro das forças o que nos aparece à frente. E SimpLe parte à conquista. A saudade de outros tempos pode cortar “como lâminas” mas ele sabe que o novo rumo que tomou é o melhor para ele. Se o melhor do mundo são as crianças, SimpLe é um afortunado por ter mudado a sua vida graças a uma!



Ressaltam em “Um 1/7 Sétimo Mixtape” dois grandes amores na vida de SimpLe: a família e o Hip Hop. Escuta-se dele um jubilo pelo nascimento da sua filha mas também nos deparamos com o respeito e gratidão que tem pelos seus pais. Ao longo desta viagem pelo mundo musical de SimpLe, o Hip Hop tem, como não podia deixar de ser, lugar cativo. Mas há uma certa descrença pelo futuro da cultura em SimpLe. Daí que não se estranhe que tenha criado um tema como “Dreads”. E o que são ou quem são estes dreads, segundo SimpLe? São aqueles que vivem o Hip Hop trocando a última letra de “modo” por um “a”, o que perfaz “moda” e não a tal filosofia de vida. São os que se adornam de bijuteria, investem no aparato e na aparência enquanto interiormente se sente o eco pelo vazio de conhecimento sobre a cultura. Não resisto a esta comparação enumerada por SimpLe: se não querem ser uma decepção como o Ricardo na baliza da Selecção portuguesa, então não peguem no microfone sem antes terem treinado muito. E Deus vos livre de terem uma voz como a do Ricardo, acrescento eu! O refrão criado para esta faixa é mais uma prova da qualidade de SimpLe, que encanta pela habilidade, destreza e naturalidade. Tão surpreendente como contagiante. SimpLe aponta o dedo aos que não mostram humildade e trazem um trabalho sem chama, pouco galvanizador. O mc de Leça da Palmeira esmaga o discurso dos “reais e verdadeiros” com um mordaz «calados dizem tudo»! E para os que procuram a fama mais do que a arte, SimpLe apela para que se tenha cuidado com o que se deseja e lembra a triste e delicada situação de... Zé Maria: “Fama sem reconhecimento é como o Big Bro(ther)/ Vai ter com o Zé Maria e pergunta-lhe como acabou”. Para quem não sabe, Zé Maria tem padecido de vários problemas psicológicos e psiquiátricos, tendo já tentado o suicídio! Já para não se referir os que querem fama e só têm difamação, como muito bem diz o outro!

Chegamos ao fim deste capítulo de SimpLe. “Um 1/7 Sétimo Mixtape” é um trabalho que surpreende a cada audição. Marcadamente autobiográfica, como é norma no rap, a linha de SimpLe agrada igualmente pela homenagem aos antigos hiphoppers, pela honestidade de cada palavra cuspida, pelo tacto com que trata o Hip Hop, pela qualidade que revela na diversidade da fluência verbal, pela experiência que transmite. SimpLe soube ser paciente. Semeou, cuidou, estudou as outras colheitas, aferiu o tempo, até lançar as mãos à terra e mostrar aos outros o seu produto. Fez-se acompanhar por DJ SlimCutz, que arranhou de forma exímia em toda a mixtape, o que ajudou a elevar a qualidade deste trabalho. «Sente a complexidade da simplicidade, com sonoridade na identidade, com habilidade, naturalidade, criatividade nata sem data de validade», eis o modo de SimpLe, expresso em “Dreads”. Para fechar, em “Vintage” deixa a sugestão: «Não percas o próximo episódio». Garantidamente não perderemos!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Monstro Robot: O Juízo Final

Monstro Robot traz frescura e muita qualidade à música portuguesa, que pode ver o lançamento do grupo como um dos mais importantes dos últimos anos. Monstro Robot reaviva no rap português o humor, tantas vezes ignorado, e traz-lhe mais uma porção de originalidade, contribuindo para a diversidade do rap intramuros. Afinal, Monstro Robot é ainda mais humano que os verdadeiros e actualiza-lhes os sonhos e anseios: liberdade, felicidade e prazer. Proveniente do éter, o grupo comandado por Jinx revelou três personagens que merecem total admiração e que provocaram um abalo de inspiração e criatividade no muitas vezes cinzento espectro da música nacional. DJ SlimCutz apresentou-se muito bem, trazendo o agradável e preciso arranhão, prometendo evoluir; DarkSunn colocou-se instantaneamente com a sua colaboração aqui na órbita dos melhores produtores de batidas a nível nacional, tendo feito um trabalho de muito bom gosto e sempre de mãos dadas com a elegância; e, por fim, Stray é um belíssimo contador de histórias e coloca-se a jeito para que lhe seja colocado o título de Cesariny do rap português. Resumindo, Monstro Robot é uma das melhores coisas que poderia ter acontecido ao rap português! Venham os concertos! E fica o desafio: para quando a B.D.?

Monstro Robot: O Ataque Pt.2

Numa aventura, qualquer herói tem de penar um bom bocado até alcançar, primeiro, a glória, depois, a gaja boa. Sem esquecer que tem de estar várias vezes a milímetros da morte e à mercê duns vilões pouco prendados na beleza e com pouco cuidado na alimentação. Ora, Stray também se vê em sarilhos mas numa versão mais moderna e tecnológica. Está na iminência de ser cortado por feixes e flashes luminosos de intratáveis “Lanternas”. É o que dá ser irredutível na busca pela liberdade. Há sempre alguém que acha que isso não é legítimo. Por isso, Stray é crítico e corrosivo com eles, repudia-lhes a exploração que infligem às pessoas. A sorte já não protege os audazes. Quem quer ter sorte, compra-a. Daí que vá de vento em popa as vendas de trevos de quatro folhas plastificados. Ninguém está imune aos sinais do tempo. O nosso mundo exige que sejamos moldáveis e movemo-nos muitas vezes pela vontade de outrem. Somos um puzzle imperfeito que se vai formando com a passagem dos anos, onde há peças que não são boas. Stray inspira-nos a não nos conformarmos e a não pactuarmos com o sistema vigente. Por ser fiel à sua ideologia e lutar contra os cânones que a sociedade dita, ele só calca cinzas, assistindo ao voo triunfante das fénixes que ressuscitam à custa sabe-se lá do quê. Repudia os que vegetam na ignorância e não arregaçam as mangas contra a máquina mortífera que os segrega. Ele promete continuar a ser livre. Mas depois das fatigantes fugas e resistências, há sempre direito ao descanso do guerreiro. “As Lanternas Já Foram Embora” e Stray está esbaforido mas orgulhoso.

A vida de uma pessoa pode mudar para sempre por culpa... de outra pessoa. Stray veste-se de um super ocupado executivo que se mantiver o “passo acelerado” chegará ao sucesso profissional. A outra personagem deste enredo ganha vida com Maze. Ele é atrasado, alcoólico, infrator das regras de trânsito, devedor da renda de casa, caloteiro, está arrependido de ter casamento marcado e de estar esperando um filho! Ufa, podia ser pior, não? Podia! Como meter-se no carro e ir para o emprego quando o trânsito está caótico. Mas se o mundo inteiro se unisse para o tramar então Maze ficava tipo sem gasolina. E não é que ficou? Chato chato era alguém começar a buzinar-lhe... É que um homem com os nervos em franja e com o dia a correr-lhe tão mal é bem capaz de matar só para se sentir melhor. E então se a potencial vítima for um chico-esperto cheio de tiques à patrão, temos um problema. Pum! Stray é alvejado por Maze! O destino de Stray sofre um rude golpe. A fúria de Maze travou-lhe a marcha. Mas alimentando a esperança de ter o dia perfeito, Stray recusa que lhe seja prestada assistência médica, pois só tem em mente a sua escalada profissional. Stray ainda pensa em agredir Maze e vingar-se. Mas de nada valia, para ambos já era “Tarde” demais para o que quer que fosse. Mas onde é que eu já vi isto? No Telejornal? Talvez.

E se a nossa vida claudicar ou estiver em vias disso e esperarmos que a TV nos atenue a dor ou melhore a nossa situação desenganem-se. As televisões também estão do lado do inimigo, prontas a deglutir-nos. Felizmente que, ao contrário de muitos técnicos intrujões das televisões, há um verdadeiro provedor televisivo que se preocupa com os telespectadores e que tem os seus próprios tempos de antena: “Dread Droid Ninja Pt.1” e “Dread Droid Ninja Pt.2”. Nesta batalha, as máquinas que não cumpram os requisitos mínimos de bom comportamento para com os telespectadores serão perseguidas, desligadas e colocadas para reciclagem. Mas se não estão dispostos a arranjar problemas e a ter de chamar alguém para vos salvar, então façam o favor de desligar a televisão e riam-se bastante dela. Caladinha!

E se não há televisão para ver, há muitas outras coisas óptimas para se fazer. Deixe-se o ócio e ligue-se o “Hiperactivizador”. Se o trabalho é um lema para muito boa gente, também o é para Monstro Robot. A inspiração não adianta de nada se não a depurarmos através do trabalho. Se sentem que vos falta energia, bebam café em quantidades generosas. Stray e os seus comparsas seguem essa receita e nem o facto de estarem à margem os desmotiva e os faz entrar em abulia. Trabalham com a energia do “combustível de foguetão”, na sua missão de vingadores, para reclamarem e justificarem o merecimento dum palmo de terreno neste planeta. Stray nesta luta não tem nada a perder, pois ele é lendário a desperdiçar a vida. A causa disso foi a falta de coolness dele no secundário. Sejam fixes na escola, putos, ou ainda acabam em vingadores, ok? É que “isto nem é guerra é alucinação, parte doença séria parte ficção”. Intitulando-se “Godzilla atómico” e capaz de disparar “fluxos de café”, Stray mesmo no nevoeiro de dúvidas, alucinações, negações e com a sanidade intermitente insiste no «Ataque à Colmeia». Ele nunca cessa da sua missão, nada o fará parar. Previne-se, daí que leve o sono num cantil e o troque por genica. As recompensas do trabalho árduo e determinado coroam-no de glória e orgulho, mas aquilo que lhe dava mesmo prazer no fim de contas era implodir-se! Quem não queria isso, Stray?! Quem?

Ora, galadoardo o herói chega a hora de aparecer a recompensa à séria, qual “Gata Borralheira”. Mas nenhuma vitória está plenamente validada se não for partilhada. Pois bem, Pulso foi então o eleito de Stray para os festejos. Porém, Pulso estava disposto a atrapalhar Stray na entrega do prémio, se é que me faço entender. Ele achou que não tinha jeito nenhum para fazer de vela e pretendia batalhar com Stray pela gata. Mas cheio de laia, Stray toma a dianteira e vai falar com a Camila. Desarma-a, afirmando que foi ter com ela pleno de intenções. Neste encontro relâmpago, Stray vai exibindo as suas qualidades, Pulso riposta, mas no final ficam ambos pendurados! Ninguém sabe para que telhado foi a arisca (escaldada?) gata! Gorada Camila, acaba por aparecer à frente de Stray mais uma mulher que não o deixa indiferente. “Ela” traz-lhe recordações. Incendiou-lhe o coração há tempos, mudara e nota-a agora igual às outras. Deixou de ser especial, após a relação que afinal mantiveram. Stray acha que está melhor sem ela, embora lhe tenha custado a perceber. Exorcismo completo. Próxima! Depois de transposta a desilusão e de afirmado o adeus a “Ela”, Stray consegue ser surpreendido, ainda que por um jovem masculino. Mostra o seu espanto pela arte e malabarismo do DJ. De facto, DJ SlimCutz exemplifica como as “Válvulas” de Monstro Robot estão em perfeitas condições, comprovando o porquê de ter sido uma exigência os seus préstimos por parte de Jinx. Com tais contratações, o Jinx está aqui está mas é no Real Madrid no lugar de Florentino Pérez!

O tempo esgota-se e Stray sente que tem de se explicar. O seu primeiro pensamento é o de que foi tudo em vão, inútil. Apesar de estar longe da verdade. Não encontra o móbil para o trabalho que desenvolveu, achando apenas que foi o ego que o instigou a gabar-se. Mas não foi só isso. Se lhe dermos graxa, ele agradece por o fazermos sentir-se melhor. Mesmo que o estejamos a enganar. O que nunca faríamos, de resto. Ele aceita perante nós que falhou, mesmo que saiba precisamente o contrário. Monstro Robot acertou-nos na mouche ao dizer que estávamos surdos. Quem ainda tiver dúvidas, pode tirá-las pois a nave está sempre com as portas abertas para quem quiser subir alto com Monstro Robot. É só pegar a “Escada de Corda” e desfrutar da viagem!