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domingo, 3 de junho de 2012

HIPHOPulsação Magazine #02 - Junho

O nº2 da HIPHOPulsação Magazine já está disponível. Esta edição de Junho estreia um artista nacional na capa, Virtus. Para além da grande entrevista com o MC/Produtor do Porto, há muito mais para ver. A revista pode ser vista ao detalhe a qualquer hora no site www.hiphopulsacao.com.

Eis alguns dos conteúdos de Junho:

Artigos de opinião
- "A Golden Age existiu?"
- "A melhor rima de sempre"
Entrevistas
- Virtus
- Dead End
Reviews
- Deau
- Kacetado
- Virtus
Reportagens
- Sam the Kid vs Mundo Segundo
- Immortal Technique
- Red Bull BC One Chyper Portugal
Graffiti
- Filmografia
- Exposição "Arte ou Vandalismo? Decida Você"


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Primeiro videoclip de Deau!



Produção: Godzilla & Chinchilla
Filmado por Artur Caiano e Tiago Lessa
Direcção de Fotografia Tiago Lessa
Edição Artur Caiano
Música e letra por Deau
Instrumental produzido por DJ D-One

A apresentação do disco de estreia de Deau será no dia 27 de Janeiro, no Hard Club, Porto.

domingo, 20 de novembro de 2011

Deau e Jimmy @ Plano B, Porto (18/11/11)

Que nos últimos anos as ruas da Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade têm moldado um jovem MC cheio de talento já não deve constar novidade para (quase) ninguém, pelo menos para os mais atentos apreciadores de bom rap. Apesar de só em Janeiro de 2012 surgir o seu primeiro registo discográfico, Deau começa a dispensar o rótulo de jovem promessa, reclamando antes o título de jovem certeza. Os acontecimentos da noite da última sexta-feira, dia 18 de Novembro, sustentam qualquer palavra atrás escrita. No andar subterrâneo do Plano B, Deau teve como primeiro plano a apresentação de novos temas, que, de boca em boca, ganharam estatuto de EP. Jimmy P foi seu convidado de abertura e DJ D-One responsável pelos pratos (aventurando-se também nas dobras).

Com o habitual compasso de espera para que a sala se povoasse o mais possível, a (curta) performance de Supremo G a.k.a. Jimmy P iniciou-se quando os ponteiros já faziam cócegas às duas horas da matina. Como o próprio fez questão de frisar, a sua actuação serviu sobretudo como warm up para o cabeça de cartaz - Deau, pois claro-, e, numa das noites mais importantes da carreira deste, terá sido também, de alguma forma, uma espécie de retribuição pelo companheirismo de Jimmy ao longo do despontar de Deau no rap nacional. “Gameover” foi o primeiro som a puxar pelas gargantas dos presentes, seguido pelo muito comentado “Dope Boy”. Jimmy P esteve sozinho na frente do palco, sem MC de apoio, por isso recaía sobre ele o bom ou o mau arranque da noite. Com maior ou menor dificuldade a tarefa foi cumprida com êxito. Já depois da faixa que selou “O Regresso” às gravações depois de uma fase de ausência, Jimmy lançou “Warrior” e foi nesse instante que sentiu o maior calor da plateia e a certeza que esta já se encontrava suficientemente aquecida para Deau.

Sem intervalo, Jimmy nem saiu do palco, pois logo de seguida serviria de apoio – juntamente com Ruca – ao MC oriundo do Candal. Numa hora e um quarto de concerto, Deau fez questão de apresentar todos os 9 temas que constituem o dito EP. “Questão de Tempo” e “Diva Suburbana” foram os dois primeiros e serviram desde logo como teste à recepção da audiência. Com o espaço quase cheio, um bom grupo de apoiantes de Deau mostrou já ter as novas letras decoradas. Por várias vezes Deau fez referência ao “seu povo”, sendo bem evidente a sua felicidade por ter gente que bem conhece e com quem convive naquele espaço, naquela noite. Prova disso, as várias vezes que partilhou o microfone com alguns deles. “Cara Metade” foi um dos clássicos (juntamente com “Lamento”) que meteu Deau na boca e nos ouvidos de muita gente, e, nesta noite especial, recorda-lo era obrigatório, até porque Supremo G (a voz metade desta música) estava mesmo ali ao lado. Deau revela-se cada vez mais maduro, indócil em algumas ideias, mas sempre com opiniões bem traçadas, seja nas suas músicas ou quando encara uma plateia de mic na mão.

Uma das habilidades que também tem catapultado Deau para os cabeçalhos do rap português é o improviso. Todo e qualquer concerto de Deau tem de ter rimas geradas na hora. Isso já parece ponto assente. No Plano B não foi excepção. Embora não tenha sido tão empolgante como noutras vezes, foi o suficiente para manter a fama que arrecadou em vários palcos e ruas onde tem improvisado. A flexibilidade enquanto MC está bem patente na diversidade de abordagens nos novos sons. Dos 7 minutos do “Advogado do Diabo” à visão teatral da “Invicta” (para mim, uma das suas melhores canções) ou o meloso “Ao Pé de Ti”, num registo algo diferente de tudo que tinha feito até agora.

"Acham que ia embora sem a ‘Lamento?'", perguntou Deau perante um público mais do que convicto da resposta. À efervescência que esta faixa provoca sempre que é tocada ao vivo, juntou-se Chek, do duo Enigma. Deau acabou levado em ombros, como se de uma condecoração se tratasse. Mas ninguém queria arredar pé da sala, nem o público, nem o próprio Deau, e isso foi notório. Mais 10 minutos de improviso improvisados (passo a redundância) fecharam a actuação. De brilho nos olhos, e depois do apoio e da cumplicidade que recebeu numa noite onde, pela primeira vez, foi o centro de todas as atenções, Deau terá se sentido nas nuvens mesmo estando no subsolo do Plano B. No final, ficou o desafio lançado pelo próprio (e que poucos artistas ousariam fazer): "Quem não gostou que faça barulho". Silêncio ensurdecedor na sala. Quem cala, consente, já diz o povo.

Texto: Sempei
Fotos: Fisko





segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Novos sons de Deau

Enquanto ultima o seu primeiro álbum a solo - o muito aguardado "RetiEssências" chegará a 15 de Janeiro de 2012 -, Deau disponibiliza alguns temas que não farão parte desse trabalho produzido na íntegra por D-One.

Download todas as faixas


sábado, 4 de junho de 2011

Hard Club (3/6/2011): Auge, Dealema, The Beatnuts

Dizerem-nos que um grupo clássico de rap como Beatnuts vem ao Porto, é o mesmo que dizerem a uma criança que a Euro Disney lhe vem ter a casa: o contentamento não tem limites! Acrescente-se à brincadeira a distinta qualidade nacional representada por Dealema, mais o promissor Auge e ainda as cinco estrelas como marca registada do freestyle de Deau e temos um super deleite musical pela frente, qual criança embevecida a criar histórias com alguns dos seus brinquedos predilectos.

Mais uma ficha, mais uma volta. Ou seja, novo cartaz interessante, mais um retorno ao Hard Club, no Porto. Começamos a habituar-nos a ver na Invicta nomes cimeiros e históricos do rap mundial. As festas acontecem agora com mais frequência (Masta Ace e Marco Polo estiveram cá nem um mês fez ainda) e o hábito de peregrinar ao mítico espaço portuense faz-se de muito bom grado.

A hora de entrada, desta vez, fez-se mais tarde, quase perto das 3h. Quando entramos já Auge estava em posição para se esgueirar para o palco, a fim de dar início ao espectáculo. Deau foi o apresentador e era com um freestyle que dava o mote para as tropas aplaudirem os artistas. Acompanhado de D-One, Auge tirou da cartola temas novos de um futuro álbum (ainda sem data de lançamento) com que presenteou a plateia tripeira como “Sonho”, tendo ainda a companhia de Deau e a certa altura de Alpha na guitarra. “Crónica Paixão Fula” aqueceu as almas presentes, porém, e tal como seria de esperar, o seu grande momento da noite foi quando interpretou “Mambo”. Auge iniciou bem a noite, com uma prestação bastante positiva, pese embora a dificuldade de agarrar com temas novos uma plateia ainda algo frouxa.

Os corações batem mais forte quando o colectivo dealemático se presta a rebentar colunas de som, a encaixar molas nos pés de toda a malta, a quebrar pescoços mais ou menos duros, a colocar mãos apontadas ao céu. Não importa quantas vezes se veja Dealema ao vivo. Cada noite é especial e única. Há sempre uma vivência nova que se adquire. Abrindo o livro de tantas páginas clássicas, Maze, Fuse, Expeão, Mundo, sempre acompanhados por DJ Guze, proporcionaram sorrisos e abraços às almas que ali quiseram espreitar pela janela do paraíso. D’«A Cena Toda» à «Família Malícia», da «Bófiafobia» à «Sala 101», a viagem pela discografia dealemática fez-se pelas passagens mais desejadas e a correspondência das dezenas de devotos na plateia esteve efervescente como de costume. Até mesmo, ou melhor, sobretudo na última paragem do alinhamento: a inesperada «Infiéis (Ninguém Teme)». Dealema é uma banda nacional que nada fica a dever a congéneres estrangeiras no que a qualidade e adoração diz respeito. Sempre muito fortes, sempre a manter os bons velhos valores do Hip Hop na ordem do dia.

Deau foi improvisando até a dupla The Beatnuts entrar em cena, tendo até arrancado de alguns dos presentes junto ao palco parte da letra de “Lamento” em acappela. JuJu e Psycho Les apareceram discretamente diante do público do Hard Club já passava das 5h30 da matina. Ainda havia energia para o bailado rítmico da dupla latina-americana? Apesar de algum esvaziamento da sala, a resposta é nim. Não é todos os dias que se pode ver ao vivo Beatnuts, mas a hora a que iniciaram a actuação e o natural desgaste causado pela frenética presença Dealemática esfriou a temperatura do espaço. Contudo, parte da plateia mantinha-se bem acordada, até porque, nem que já fosse dia (a claridade já coloria as janelas da sala 1 do Hard Club), via-se de bom grado a actuação de um dos duos mais importantes da História do rap de terras do Tio Sam.

As razões para esse “sacríficio” são bastantes claras: poder ouvir «Do You Believe», «Get Funky», «Duck Season», «No Escapin This», «We Got The Funk», «Watch Out Now», eram motivos de sobra para se pôr palitos nos olhos, limpar bem os ouvidos, agarrarmos-nos à deusa (na melhor das hipóteses!) ao nosso lado para não cairmos e ficar-se colado naquele palco. É certo que a hora tardia e consequente cansaço geral tiraram um pouco do ambiente que se esperaria mais quente, mas dadas as circunstâncias foi, sem dúvida, uma excelente experiência assistir ao vivo a um concerto de Beatnuts. Quanto a JuJu e Psycho Les, pode-se dizer que começaram algo mornos (eles próprios sentiram o resfriar na pele) mas foram sempre tentando agitar a festa com um cardápio sonoro que tinha tudo para ser melhor degustado servido umas horas antes.

Em resumo, foi mais uma boa noite. Houve música de qualidade, freestyle, as pessoas divertiram-se, o ambiente esteve animado... Se algo se podia pedir era que tivesse começado um pouco mais cedo, mas há sempre situações que não se podem controlar, além de que este hábito já está bem enraizado, é cultural mesmo. Mais uma vez, agradecemos à Versus por continuar a organizar estas festas e a trazer a Portugal grandes nomes da cena rap americana, realizando os nossos sonhos de menino (ou nem tanto) de vê-los ao vivo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Reportagem dia 17 de Dezembro @ Hard Club

Os Reys do Hardcore

Uma das noites mais frias do ano na cidade do Porto acabou por se tornar (muito provavelmente) na noite mais quente de 2010. Estranho? Só mesmo para quem não se deslocou à sala 1 do Hard Club na última sexta-feira, dia 17 de Dezembro.

As ruas da Invicta sopravam uma aragem realmente gélida, cortante até, nada convidativa a grandes voltas ao relento portanto. Se houve quem optasse pela recolha no respectivo lar, cedendo à calorosa (e reconfortante, admita-se) companhia da lareira, muitos foram aqueles que arriscaram uma ida ao Hard Club, sem que este necessitasse de emitir qualquer sinal de fogo. Na verdade, o cartaz continha nomes capazes de garantir um espectáculo fumegante do início ao fim, com promessa de um desfecho em labaredas, ou não fosse "Ante Up" a partícula do programa mais ansiada pela maioria da plateia e previsivelmente o momento mais marcante de toda a noite. Mas comecemos pelo... início.

Quando os ponteiros apontavam para a uma da manhã já SlimCutz riscava pratos e cuspia autênticos bafos cálidos pelas colunas que serviam como descongeladores dos corpos algo enregelados que entravam pela maior sala do Hard Club. A selecção musical escolhida pelo DJ de Monstro Robot foi mortífera, sacando sucessivas malhas que garantiam a satisfação geral. Contudo, com o ambiente ainda algo tépido, a dupla Each/Chek foi chamada a palco por Maze, o host do evento. O grupo portuense, sabido da importância do espaço e da própria noite festiva, esmerou-se por proporcionar ao público presente um serão animado. Foi notório da parte dos dois Mc's uma constante preocupação em contagiar a plateia com algumas das rimas mais puxadas de ambos. Os muitos admiradores de Enigma aderiram e vibraram bastantes vezes, o que indicia que saíram satisfeitos com a actuação de Each e Chek. Deixando de fora do alinhamento alguns dos temas mais conhecidos do seu repertório, o duo tocou faixas mais recentes, simulou um assalto de Chek à casa de Each e ainda convidou Kayn (Caixa Toráxica) e Asek a fazerem parte do show. Na hora de recolher ao backstage ficou a ideia de dever cumprido.

Seguiu-se um momento particularmente especial, tanto para os aficcionados de rap tripeiro como para o próprio interveniente dos minutos que se seguiram. Rey, MC bastante querido entre a massa adepta da Invicta, trocou por instantes os States para marcar presença nesta cerimónia no Hard Club. E foi assente numa bicicleta caracteristicamente norte-americana que Rey irrompeu pelo palco, para gáudio do povo. A expectativa quanto à performance do rapper era evidente, sobretudo pela longa ausência dos grandes palcos. Rey esteve descontraído, bem humorado q.b. e com um à vontade perante a plateia arrebatador. E não se pense que essa descontracção foi sinal de menos entrega, bem pelo contrário! O rapper de Gaia afastou qualquer pressão que pudesse sentir e fez da sua actuação uma verdadeira festa. Pegou em sons mais velhos para os desenferrujar, aproveitando também a estadia para colocar em práctica as suas últimas participações em trabalhos alheios, contando para isso com a ajuda de Birro e Rato 54. À postura acutilante, Rey fez-se valer de um discurso assertivo, com mensagens fortes e mostrando sempre uma fácil interacção com a plateia.

A dada altura pediu silêncio ao público (a quem ironicamente chamou de “chato”) para contar uma história. História essa que se desenrolou em modo acapella, bombeada pela sua “língua de veneno”. Para quem tinha saudades de Rey, o mínimo que se pode dizer é que a prestação do rapper foi contagiante, num regresso a uma casa onde actuou várias vezes (na outra margem do Rio Douro, obviamente). Para desfecho da performance, soltou-se o tema obrigatório para um regresso mais que perfeito: “Foda na Moda”. No palco surgiram os camaradas habituais de Rey, entre eles, Mundo, Ex-Peão, Ace, Birro, Boinas e Rato 54. A actuação de Rey mereceu justamente todos os aplausos que recolheu. Posto isto, não há como fugir ao trocadilho fácil: Rey foi... rei na noite de 17 de Dezembro.

Dono dos tempos mortos, DJ SlimCutz ia contemplando a plateia com uma série de clássicos que nem dava tempo para respirar fundo (pareciam bombas a cair no meio da multidão). O intervalo entre a saída de Rey e a entrada de Mundo Segundo foi um pouco mais prolongado devido a Deau. Ao contrário do previsto, o jovem rapper só actuou depois de Mundo e Rey, isto porque tanto ele como os americanos M.O.P. haviam constado na versão lisboeta do cartaz da mesma noite, o que os obrigou, naturalmente, a um esforço extra. Nada incomodado com isso, Mundo surgiu pouco depois das 3h30 para mais um show no Hard Club. Acompanhado (como é hábito) por Each, o MC dealemático com o currículo mais preenchido apresentou-se igual a si próprio, com a habitual comunicação com o público e os sons que todos conhecem na algibeira, intercalados com alguns temas novos. A presença de Rey na casa foi aproveitada para exercitar ao vivo a faixa conjunta pertencente à mixtape “Mike Phelps” - com Rato 54 também no grupo, o mesmo sucedendo-se com os sons “VNG” e “Rudes”. Foi um concerto em que Mundo esteve mais acompanhado do que nas suas últimas actuações, tendo a seu lado amigos de longa data do Segundo Piso, acabando numa acapella com rimas ao seu bom estilo.

Cerca de cinco horas depois do showcase em Lisboa e da (consequente) viagem de regresso ao Porto, Deau apresentou-se no antigo Mercado Ferreira Borges para uma sessão de improviso. Estabelecendo-se cada vez mais como um dos pesos pesados da improvisação em Portugal, Deau mostrou novamente argumentos que fomentam esse mesmo rótulo. Não foi uma sessão longa (não ultrapassou a meia-hora) mas a entrega do jovem rapper manteve-se linear com o que vem mostrando em cada show. Dêem-lhe um microfone, soltem um beat e o resto é com ele. Arguto como poucos, foram escassas as vezes que hesitou na rima, sinal de que se sente como peixe na água no improviso. Para surpresa dos presentes, os minutos finais foram guardados para novos temas que irão, ao que tudo indica, fazer parte do primeiro álbum a solo de Deau. Com mais ou menos fervor, a sua prestação foi positiva e bem correspondida pelo público. “Soube a pouco”, dirão alguns.

Pouco mais de dez minutos para as cinco da madrugada e entra DJ Laze E Laze para a mesa dos pratos. Afinada a maquinaria, Laze E Laze começa desde logo a disparar instrumentais de DJ Premier (a quem o duo Mash Out Posse deve muitas das suas batidas). A sala mantém-se praticamente cheia. Apesar disso, as primeiras palavras de incentivo do disck-jokey oficial de M.O.P. não têm a resposta esperada. Poucos minutos depois solta-se “Cold As Ice” e avista-se a dupla de MC’s mais desejada da noite. Ao contrário do título do tema, Billy Danze e Lil’Fame (com a bandeira das quinas na cabeça) são presenteados com uma calorosa recepção e a faixa caiu como lume num rastilho que incendiou uma plateia nada preocupada com o aumento dos graus Celsius no espaço (houve mesmo quem sentisse no corpo a falta de tensão).

Qualquer descrição do concerto dos M.O.P. neste texto poderá ser escassa tendo em conta o que verdadeiramente se viveu naquela sala! Momentos de pura loucura, de histerismo, de prazer e satisfação absoluto! A entrega do duo foi sublime, assim como a correspondência da plateia, num diálogo que se pode considerar perfeito para qualquer artista. Os sons foram-se desenrolando, tendo sido percorrida a rica discografia do grupo de Nova Iorque e os sons mais célebres da mesma, intercalados por alguns hits de outros artistas como Jay-Z ou Bob Marley. Tal como se disse atrás, a comunicação dos M.O.P. foi exemplar, puxando recorrentemente pelo público, brincando com este, mas não deixando porém de transmitir algumas opiniões sérias acerca do Hip Hop e dos problemas gerais do Mundo. George Bush teve direito a ser “mimado” em uníssono, assim como DJ Premier e Guru. Depressa se ouviu a faixa “Who Got Gunz”, seguida de “Calm Down”. A pedido dos emcees ergueram-se dezenas de isqueiros para a passagem fervorosa de “Fire”.

As músicas de M.O.P. são duras e o estilo é mesmo hardcore. Os beats, esses, parecem morteiros carregados de granadas que incendeiam qualquer sistema sonoro. E foi isso que se sucedeu no Hard Club. Uma noite inflamada por dois respeitados rappers americanos que mesmo com uma performance poucas horas antes na capital conseguiram contagiar toda uma plateia e implementar um verdadeiro clima de festa. Como complemento, DJ Laze E Laze largou a sua mesa, pegou no mic e fez-se um mestre de cerimónias improvisado, encarnando outros artistas como Fat Joe, Busta Rhymes ou até mesmo Eve. Com o espectáculo ao rubro já se fazia a contagem decrescente para a malha das malhas, o beat dos beats, o final de todos os finais. "Ante Up" acordou perto das 6h da matina com o público ainda bem desperto e com a pujança suficiente para instalar um verdadeiro pandemónio na sala com epicentro na frente do palco. Impressionante!! Parecia que o fim do mundo tinha chegado com dois anos de antecedência! Um desfecho impetuoso mas nada que ninguém não esperasse. Já depois das actuações, DJ D-One encarregou-se da música até ao fecho das portas.

A última grande festa do ano de Hip Hop no Porto pode muito bem reclamar para si todos os holofotes pois foi responsável pelo momento de maior clímax dos últimos anos! "Ante Up" e todo o resto do concerto de M.O.P. será por certo recordado por muito tempo. Billy Danze e Lil' Fame chegaram sobrecarregados com a actuação de Lisboa mas no Hard Club ninguém deu por isso. A atitude e entrega de ambos não merece o mínimo reparo e o alinhamento foi programado de forma a manter o entusiasmo elevado. Esta passagem de M.O.P. por Portugal foi um marco de relevo no que a concertos diz respeito. Para início de espectáculo, os Enigma estiveram certinhos e não claudicaram. Rey foi imperial no mic, patrão no palco e líder das actuações nacionais. Mundo manteve as hostes sintonizadas e quentes, já Deau exercitou o improviso a meias com a apresentação de novos sons. Luzes apagadas e trancas à porta, que 2011 traga muitas noites de Hip Hop como a de 17 de Dezembro de 2010.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Reportagem: Gare Clube, Porto (2 de Abril 2010)



O relato das peripécias da noite de Hip Hop no Gare Clube, no Porto, já pode ser visto no H2T. O nosso texto dá conta de tudo o que se passou na noite em que actuaram DJ D-One, DJ SlimCutz, Supremo G, Deau, Enigma, Fuse e Ex-Peão. À distância dum clique:

http://www.h2tuga.net/artigos-h2t/eventos/2997-gare-clube-porto-02042010.html

segunda-feira, 15 de março de 2010

Reportagem da noite de Hip Hop no Pin Up (6-3-2010)

Numa noite sensacional, Supremo G, Capicua, M7, Deau, Mundo, Berna, Auge e ainda Body Rock Crew proporcionaram uma portentosa festa de Hip Hop, que teve um excelente ambiente no Pin Up, no Porto. A reportagem está visível no H2T. Recordem o que viveram, se estiveram presentes, arrependam-se (e muito!), se tiveram hipóteses de ir e não o fizeram:

http://www.h2tuga.net/cronicasdeeventos/094_pinup_6mar2010.php

sábado, 13 de março de 2010

Deau

Faz hoje exactamente oito dias desde que eu e o Sempei assistimos no Pin Up, no Porto, a uma maravilhosa festa de Hip Hop. De entre os vários momentos memoráveis da noite, ficou-me gravado na memória a espectacularidade de Deau, tido como um dos rappers mais promissores da sua geração. A sua actuação pautou-se por uma entrega insana e por uma recepção não menos doida do público presente. É impressionante a colecção de fãs que Deau já tem entre os amantes de rap.

O aspecto mais relevante, todavia, da sua prestação prendeu-se com a absurda (elogio!) sessão de freestyle com que nos brindou! Absolutamente fenomenal o que se passou. Deau expeliu as suas rimas livres sabendo exactamente na hora o tema que deveria abordar. Tudo foi feito às escondidas do rapper portuense. Elementos do público subiram ao palco, escreveram palavras num quadro e no fim desse acto, Deau teve acesso ao que lhe esteve vedado e conseguiu entrecruzar todas as palavras numa construção hábil e credível. Só visto e ouvido! Complicando a tarefa, foi proposto a duas jovens que subissem ao palco e revelassem alguns pormenores sobre as suas vidas e interesses/gostos pessoais. Depois, foi pedido a Deau que recolhesse todos esses elementos e que exibisse toda a sua criatividade e imaginação na arte do improviso. O resultado foi brutal, estupendo! Com uma manha (novo elogio!) para captar todas as informações e estruturar uma história com cabeça, tronco e membros, Deau pôs toda a sala em delírio! Quem não se rendeu ao primeiro round de freestyle, certamente que naquela segunda ronda não teve hipótese de escamotear as evidências: Deau é provavelmente o melhor freestyler nacional! Ok, não conheço todos os improvisadores do rap português. Porém, a minha percepção sobre as capacidades de Deau leva-me a concluir que Deau é um prodígio naquilo que faz. E prodígios não há por aí ao virar de todas as esquinas.

Deau deitou por terra todo aquele conceito do freestyle que é decorado ou do freestyle que é constituído por dicas já trabalhadas em canções ou assim. Com Deau, tudo transpira espontaneidade e pureza, anexando a isso garra e energia. Ele envolve-se com o ambiente, trabalha os pormenores e o resto é loucura. Dele e do público! Fantástico!

terça-feira, 9 de março de 2010

Valeu a pena, não valeu?



Brevemente a nossa reportagem da noite hiphopiana do último sábado (6 de Março) no Pin Up surgirá online no H2T, mas podemos já adiantar (a quem não marcou presença) que foram cerca de 3 horas a ferver! O vídeo acima é só a ponta da labareda...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Entrevista a Supremo G a.k.a. Jimmy P

Supremo G a.k.a. Jimmy P acedeu ao nosso pedido e deu-nos a possibilidade de lhe colocarmos algumas questões. Não se escapulindo a nenhuma pergunta, Jimmy revelou-se na entrevista tão hábil como a fazer rimas. Partilhou connosco alguns aspectos da sua vida, traçou objectivos e vincou que só editará um álbum a solo quando se sentir completamente apto. Da Margem Sul a França, passando pelo Porto e Angola, Jimmy P palmilha no rap lusófono um percurso que deseja que se torne marcante. Ao talento, junta-se a sinceridade.

1- A primeira pergunta é sempre a mais fácil que fazemos. Portanto, a fim de entendermos se somos bons ou maus na arte de persuadir, diz-nos: a partir do momento em que viste o nosso pedido, quanto tempo é que demoraste a aceitar a entrevista (risos)?

No vosso caso, respondi imediatamente. Às vezes demoro um pouco a responder porque não vou muitas vezes ao space. Por acaso, tiveram sorte!! Apanharam-me num bom dia (risos).

2- Nasceste na Margem Sul, estiveste uma década em França, antes do Porto te acolher e testemunhar os teus primeiros passos como MC. Qual destas zonas pode reclamar para si a maior quota-parte de importância na tua ligação com o Hip Hop?

Mas que bela pergunta!! Apesar de me sentir intimamente ligado a todas as regiões mencionadas, o tempo que vivi em França moldou definitivamente a minha maneira de estar e o meu estado de espírito relativamente ao Rap. No que diz respeito às minhas preferências de Rap, quase tudo que oiço é francês. Oiço muito pouco Rap Americano. Mas independentemente disso, sinto uma ligação muito forte à cidade do Porto. Amo esta cidade! Também tem um peso importante naquilo que faço. Quanto à Margem Sul, e especificamente o Barreiro, tem um cantinho especial cá dentro por motivos óbvios. Até à data presente só dei um concerto na Margem Sul e foi dos sítios onde fui melhor recebido.

3- Plantaste a semente da tua carreira no Hip Hop nacional com algumas participações em álbuns alheios mas grande parte da tua projecção deu-se com o projecto Crewcial. Todavia, nos últimos tempos não temos ouvido falar muito do grupo... E Afroclick, como está?

Infelizmente (ou felizmente), os meus parceiros foram viver para Angola. Considerando que a oferta de emprego para pessoas formadas cá em Portugal é escassa, tanto o Diggy como o P acabaram por ir para lá. Quanto aos restantes membros do colectivo Afroclick, a grande maioria acabou por ir também embora. No fundo, sempre foi esse o nosso desejo, acabarmos os nossos cursos e voltar à nossa terra. Como tal, fiquei eu por cá com mais alguns tropas e dei seguimento a um projecto que começamos juntos: “Ilegal Promo”.

4- Deves ter consciência de que quem aprecia a tua música há muito que anseia marcar no calendário o dia do lançamento do teu álbum a solo. Ainda teremos que tomar medicamentos para controlar a ansiedade durante muito tempo? O que podemos esperar desse registo discográfico?

(risos) Eu tenho consciência que há pessoas que estão à espera há algum tempo. Costumo receber mensagens a perguntar pelo álbum com alguma frequência. Já tive o meu álbum pronto e conforme tenho dito às pessoas, senti que ainda não estava na altura para lançar. Simplesmente porque o produto final não me agradava. Sabem, não tenho pressa nenhuma. Confesso que quero lançar um álbum, mas não pretendo que seja mais um álbum que fica a apanhar pó nas prateleiras das Fnacs e afins. Quero reunir as condições necessárias para que o meu trabalho tenha um impacto positivo no público mas, acima de tudo, quero que traga um contributo positivo ao panorama da musica lusófona. Não quero que seja "apenas" mais um álbum de Rap.

5- Há uns tempos, fomos presenteados com a “Ilegal Promo”. Que balanço fazes desta “promoção ilegal” do rap que, diga-se, disseminou-se por vários pontos de Portugal?

Honestamente, o feedback foi mesmo muito positivo. Eu não estava cá quando o trabalho ficou disponível para download. O que posso dizer é o seguinte: tendo em conta que não fizemos tudo que era possível em termos de promoção (fizemos apenas o básico), no final da segunda semana tínhamos cerca de 3.500 downloads. O pessoal passou a palavra e a cena naturalmente chegou aos ouvidos das pessoas. Quando voltei para Portugal, fui ao Algarve gravar uma cena com o Realpunch e fiquei surpreendido ao ver que em algumas zonas havia pessoas com sons da Mixtape a tocar nos telemóveis. Não esperava mesmo. Por outro lado, permitiu-me conhecer e relacionar-me com MC's cujo Rap apreciava e com quem mantenho o contacto até hoje. Acho que dentro do que era possível fazer, tendo em conta que tudo é feito às nossas custas, o balanço é extremamente positivo para todos.

6- Na tua opinião, que prós e contras vislumbras no lançamento de uma mixtape? Há actualmente, dadas as vicissitudes do mercado musical, mais vantagem em se lançar uma mixtape em detrimento de um álbum?

Bom, a meu ver, as mixtapes também são trabalhos discográficos, logo, devem ser encaradas com a mesma seriedade que se encara um álbum porque, bem ou mal, é o teu nome que vai estar associado a esse trabalho. Acredito que é uma maneira saudável de trabalhar, isto é, para os artistas se darem a conhecer. Contudo, conforme disse há pouco, tem de haver seriedade naquilo que se faz. Normalmente oiço quase tudo que se faz cá em Portugal em termos de Rap e tenho ouvido muitas mixtapes que denotam muito pouco cuidado, seriedade e profissionalismo. Quanto ao resto, parece-me que depende muito das expectativas de cada um. Vejo o álbum como algo muito pessoal, algo muito sério. Não acho que haja mais vantagens em lançar um ou outro trabalho pois acredito que álbuns e mixtapes servem propósitos diferentes.

7- Em virtude das tuas ligações a África, é natural que a música desse continente te inspire – particularmente a música angolana. Ultimamente, têm chegado aos ouvidos dos portugueses vários nomes de rappers dos países lusófonos. Sentes que esta injecção de rap da lusofonia é importante e suficiente aqui em Portugal ou deveriam todos os países lusófonos aprofundar mais esta irmandade?

Parece-me que esta "injecção", conforme lhe chamam, é extremamente salutar para todos nós. Nesta era global, não podemos viver fechados sobre nós próprios. Há que tirar proveito daquilo que os outros nos trazem de bom. Para mim, a música, e neste caso o Rap, é partilha, é o quebrar de fronteiras e acho que é isso que estamos a começar a fazer. Só temos a ganhar em ouvir artistas de outros países! Embora algumas pessoas (os ditos puritanos) queiram preservar o estado "puro" do Rap, sem os estrangeirismos, sem influências de fora. O panorama musical mostra precisamente o contrário: o Rap lusófono é extremamente heterogéneo, isto porque se alimenta de realidades, influências e vivências distintas. Devemos cultivar essa irmandade porque só temos a ganhar com isso.

8- Inseres-te numa geração de MC’s da Invicta que tem despertado um crescente optimismo e entusiasmo nos defensores do rap nacional e nortenho, em particular. Como vês, estando por dentro da comunidade, a evolução do rap no norte do país?

Pelo que tenho observado, aqui no Norte há muita gente com talento. Lembro-me que há uns anos era muito difícil alguém impor-se se não tivesse aquela sonoridade característica do Rap nortenho. Houve um tempo em que todos os MCs da New School tinham como referências os mesmos MCs e, em consequência disso, muitos acabavam por ter sonoridades parecidas. Hoje, o contexto mudou. Há MCs que apareceram com estilos muito próprios, formas de pensar e de abordar o Rap muito próprias e, consequentemente, trouxeram um Rap diferente daquilo que as pessoas estão habituadas a ouvir. Desta nova geração de MCs, destaco alguns artistas como Deau, Enigma, Caixa Toráxica, Capicua, M7, Jêpê, Bordaz, Contrabando 88 ...

9- “O Deau é, no momento, um dos melhores MC’s de Portugal”. Esta é uma afirmação tua. Privando e acompanhando o desenvolvimento de Deau, até onde poderá ele chegar no rap? (Era inevitável perguntarmos-te sobre Deau!)

(risos) Ele é, sem dúvida, dos MCs mais talentosos que eu ouvi até hoje. A meu ver, ele reúne todas as características que um MC deve ter: escreve muito bem, tem grande flow, tem musicalidade e sabe envolver o ouvinte com palavras. É importante realçar um facto: a maior parte dos MCs só consegue ter o impacto que ele teve depois de dar uma considerável parte do seu trabalho a conhecer. Ele apareceu com um som e deixou todos de boca aberta. Acho que só isso já denota que ele é um artista muito acima da média. Considerando que tenho vindo a acompanhar o trabalho dele, posso afirmar que o Deau vai ser uma das maiores referências do Rap Lusófono. Que ninguém duvide disso!

10- Para finalizarmos, o que é que te apetece destacar positiva e negativamente no Hip Hop português actual?

Positivo: a atitude empreendedora que muitos artistas, e não só, estão a ter em prol do crescimento do Hiphop. Tenho assistido à criação de Mixtapes, Labels independentes, fóruns, blogs... Tudo isto permite manter a chama acesa. Keep it up!!

Negativo: A falta de cultura que existe no seio do Rap. Muita gente resume o Hiphop ao Rap quando há tanto para descobrir. Portugal deve ser um dos únicos países onde as vertentes do Hiphop não agem de forma articulada, funcionam independentemente umas das outras.

Posto isto, quero mandar um grande props pela iniciativa!!! Continuem a fazer um bom trabalho. Um grande abraço.

Obrigado pela entrevista, Jimmy!

Por Sempei e Druco
Foto generosamente cedida pelo artista