Vídeo por Primouz
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sábado, 31 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Deau, Mundo & Maze e Dilated Peoples @ Hard Club
Video por Dréz
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Dealema, Nach e Rob Swift @ Hard Club, Porto (10/12/11)
Dia 10 de Dezembro. O Natal aproxima-se e é tempo de se pensar em prendas. Como bens materiais não aquecem nem arrefecem a alma (esqueçam lá as meias e as cuecas), os fãs de rap queriam era um cartaz atractivo no sapatinho. Rob Swift, Dealema e Nach no Porto (depois de passagens por Faro e Lisboa). Rica prenda, Pai Natal.
Animada pela óptima recepção do livro, a comitiva HIPHOPulsação seguiu rumo ao Hard Club, na expectativa de mais uma noite histórica. De facto, assim aconteceu: ver uma lenda do turntablism como Rob Swift, ex-integrante do colectivo X-Ecutioners, sentir as novas malhas de “A Grande Tribulação” de Dealema e contemplar pela primeira vez na Invicta um dos mais talentosos MC’s do Mundo, o espanhol Nach. Acrescente-se à história o recorde estabelecido em concertos de rap no Hard Club, com mais de mil pessoas assistindo ao show (curiosamente, quase um ano depois da então histórica passagem dos americanos M.O.P. a 17 de Dezembro de 2010).
Quando entrámos, já Rob Swift dava largas ao seu trabalho. A sua passagem pela Invicta serviu para promover um DVD seu e claro para mostrar ao vivo toda a capacidade técnica no manuseamento dos pratos. Sempre animado, dialogante e servindo vários clássicos de Hip Hop, Rob Swift deixou boa impressão, motivando até alguns b-boys a exercitarem-se no meio da multidão.
Dealema. Bastava esta palavra para deixar em polvorosa toda uma audiência. 4 MC’s e 1 DJ. Basta entrarem em palco, não dizerem uma palavra, não haver um arranhão no vinil, para que o delírio se instale. Fuse, Ex-Peão, Mundo, Maze e DJ Guze quiseram provar que não vivem dos louros do passado e no presente pretendem justificar toda esta idolatria. A massiva correria ao Hard Club reforça-os como os grandes estandartes do rap nortenho.
Com “A Grande Tribulação” prometem ainda aumentar mais a base de fãs, embora não seja o álbum mais fácil de se digerir à primeira auscultação. A entrada no palco fez-se um a um, ao som da faixa homónima do disco. “A Última Criança” e “Verdade ou Consequência” já estão na boca do povo e os restantes temas, com convidados como Ace ou Ana, é só uma questão de dias para estarem sabidos de cor e salteado. A festa de apresentação do novo trabalho foi intensa e longa, com a recordação de alguns clássicos do Pentágono como “Bófiafobia” ou “Sala 101”, que incendiaram uma sala que transpirava por todos os “poros” . Um concerto à Dealema, portanto. Mais uma vez, foram os mais aclamados da noite, e, convém que fique bem registado para mais tarde recordar, foram eles os grandes responsáveis por uma afluência pouco vista no Hard Club.
Para fechar a noite, o alicantino Nach, acompanhado de Abram, ZPU e do multifacetado DJ Joaking. Foi sempre um dos sonhos aqui dos escribas assistir a um concerto do MC espanhol. A concretização do sonho foi mais especial ainda por ter acontecido na nossa cidade. Uma pequena parte da plateia não ficou para ver Nach, mesmo assim a sala maior do HC manteve-se muito bem povoada quando “Hambre de victoria” deu o mote no espectáculo de apresentação ao povo portuense do seu disco mais recente. Nesta sua primeira actuação em solo tripeiro, Nach viajou por temas de “Mejor que el silencio”, mas também passou por “Un dia en suburbia” (“Infama”), não esquecendo “Poesia difusa” (“Ser o no ser”), “Ars Magna - Miradas” (“Palabras”) e até “En la brevedad de los dias” (“Basado en hechos reales”).
Momento épico da noite foi quando Nach desceu do palco e circulou pelo meio do público que já contava, na altura, com algumas clareiras. Joaking, DJ em grande parte do show, acolheu todas as atenções quando mostrou dotes como beatboxer ou b-boy. O concerto foi forte, a presença de Nach foi notável, de alguém em pleno estado de forma enquanto MC e atravessando uma maturidade artística. Para fecho do tasco guardou “Efectos Vocales”, e que melhor tema para concluir uma mini-tour que se estendeu por três cantos do país? Como dizemos no Porto: do carago!
A conclusão nem necessita de ser muito extensa, basta apontar os nomes em cartaz e classificar esse conjunto de artistas e as suas prestações na noite portuense: Rob Swift + Dealema + Nach = Perfeição.Texto: Druco e Sempei
Fotos: Ana Mendes
Vídeos: André Silva (Primouz)
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
L.C.R. - "Essencial" (Álbum para download)
Foram largos anos a pairar no ar da Invicta, mormente em Aldoar, sob forma de "fumo" à espera que este originasse o "fogo". "Essencial", o mais-do-que-esperado-e-pedido álbum de L.C.R. (Livre Comunidade Rimática), que junta Nocas e Berna a DJ D-One, chega finalmente às ruas do Porto, embora não da forma por que todos aguardavam.
Gratuito, sem edição física, nem masterização e mistura, o trabalho estende-se por 14 temas, entre eles alguns já virados emblemáticos, como "Criativo", "Turista" ou "Namoros". Mundo (DLM) e Presto (MDG) são convidados de honra de um álbum onde D-One se encarrega da maior fatia de instrumentais, juntando-se-lhe um beat de Mundo, Auge e outro de Xis.
Apesar de várias participações alheias como L.C.R. nos últimos anos (depois do término em 2000), Nocas e Berna têm trilhado carreiras a solo. A mixtape "Manutenção" (2009) foi o último registo de Nocas Infinito. Já Berna lançou o ano passado o EP "Como Deve ser", tendo depois regressado ao lado de Mundo e Né num EP de Sindicato Sonoro.
Gratuito, sem edição física, nem masterização e mistura, o trabalho estende-se por 14 temas, entre eles alguns já virados emblemáticos, como "Criativo", "Turista" ou "Namoros". Mundo (DLM) e Presto (MDG) são convidados de honra de um álbum onde D-One se encarrega da maior fatia de instrumentais, juntando-se-lhe um beat de Mundo, Auge e outro de Xis.
Apesar de várias participações alheias como L.C.R. nos últimos anos (depois do término em 2000), Nocas e Berna têm trilhado carreiras a solo. A mixtape "Manutenção" (2009) foi o último registo de Nocas Infinito. Já Berna lançou o ano passado o EP "Como Deve ser", tendo depois regressado ao lado de Mundo e Né num EP de Sindicato Sonoro.
L.C.R. - "Essencial"
(download)
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
Mundo & Each e Pharoahe Monch @ Hard Club, Porto (05/11/2011)
Quem tinha saudades de uma grande noite festiva de Hip Hop com grandes nomes nacionais e internacionais? Foram várias as centenas que responderam afirmativamente e que quase encheram a sala 1 do Hard Club (com capacidade para albergar cerca de 800 pessoas). Havia duas boas desculpas para uma ida até ao HC apesar do frio pungente desta noite de 5 de Novembro: as apresentações ao vivo da mixtape conjunta de Mundo e Each e do álbum “W.A.R.” do americano Pharoahe Monch. O anunciado showcase de Sir Scratch em cartaz foi abortado por “questões logísticas”, segundo a editora do próprio artista. Os Dj’s D-One e SlimCutz completaram o line up. Maze foi o apresentador de serviço.
Mundo Segundo e Each entraram em cena às 3h quando muita gente ainda entrava na sala (já muito bem composta, mesmo assim). A expectativa em volta da actuação de ambos era grande, pela novidade dos sons e, sobretudo, por estes fundirem dois reconhecidos liricistas exímios em roer cacos. De Each, cara-e-voz-metade de Enigma e habitual companheiro de Mundo nas performances deste a solo, recaía talvez a maior dose de curiosidade, até porque uma coisa é acompanhar Mundo nas dobras, outra é complementa-lo (e ser complementado) em vários temas. Numa primeira auscultação geral dir-se-á que Each não desiludiu, um cenário que só lhe ajudará a colher frutos no futuro. Apesar de tudo, na festa de lançamento no Hard Club sentiu-se algum nervosismo do jovem MC (evidente sobretudo numa hesitação numa das letras), facto que não assombrou a sua boa prestação.
Tenho mais receio do medo do que daquilo que mete medo. Foi uma das novas tiradas retidas de Mundo, que se mantém (como seria de esperar) igual a si próprio, livre de qualquer tipo de apresentação. Das novas faixas destaque particular para a sarcástica “Isso é estúpido” e para “Beleza Interior” que toca na ferida de duas doenças crescentes em todo o Mundo (obesidade e anorexia), temas que, pessoalmente, não recordo terem sido abordados no rap nacional. Após a exposição da nova mixtape e da aceitação positiva da audiência, Mundo e Each despediram-se quando trouxeram a palco “Alucínio” (faixa da mixtape “2º Piso – 17 anos”).
Após a retirada da dupla portuguesa não tardou muito até Pharoahe Monch abrir a bagagem que trouxe de Nova Iorque. Antes disso, foi DJ Boogie Blind quem trouxe os primeiros laivos do talento americano, nomeadamente no que ao djing e turntablism diz respeito. De máscara na cara (fiel à capa do seu novo álbum), Pharoahe Monch surgiu com todo o gás desde o início perante toda uma sala que se incendiou ao mínimo “cheiro” de rap nova-iorquino. E Pharoahe bem cedo se mostrou deliciado com tamanho calor humano emanado pelos presentes (vindos de todo o país, diga-se). “Assassins” (do novo disco) e “Let’s Go” (do álbum “Desire”) foram os temas de uma abertura que prometeu desde logo um intenso espectáculo. Neste caso, pode-se dizer que a idade conta, e a experiência adquirida ao longo de uma carreira com mais de duas décadas reflecte-se na segurança e na normalidade com que Pharoahe contagia uma multidão.
Havia muito público juvenil na sala? Havia. Uma boa parte desconhecia os sons do americano (alguns só mesmo a “Simon Says” – ou talvez somente o get the fuck up)? Verdade. Mas convém dizer que muitos deles ficaram para conhecer as músicas de Pharoahe ou, quem sabe, somente para o dito get the fuck up. Mas ao contrário do que se sucedera com outros artistas estrangeiros que por aqui passaram noutras noites, a plateia era realmente numerosa e estava predisposta a engrandecer a festa. A forma como se viveu, por exemplo, a sequência “Fuck You“/“Desire” comprova isso mesmo. “Clap (One day)” é um dos melhores temas do álbum “W.A.R.” e ao vivo é verdadeiramente delicioso. Pharoahe Monch não trouxe nenhum MC de apoio, contando somente com o contributo de DJ Boogie Blind a partir da mesa dos pratos. Este disc-jockey do colectivo The X-Ecutioners (por onde passaram nomes como o falecido Roc Raida ou Rob Swift – que estará dia 10 no Hard Club com Dealema e Nach) teve, a certa altura, os holofotes virados unicamente para si, aproveitando para exibir todos os seus skills no turntablism. E que skills! Houve muita gente que ficou de boca e ouvidos bem abertos com o que ouviu!
Seguindo no repertório de Pharoahe, havia uma faixa, ou melhor, uma bomba prestes a rebentar no Hard Club, e por ela esperaram centenas de “suicidas” na sala 1. A expressão mais directa que se pode dar para tentar descrever o momento quando estourou “Simon Says” é que o fim do Mundo parecia ter sido antecipado para as primeiras horas do dia 6 de Novembro de 2011. Mas não, felizmente, até porque, surpreendentemente haveria mais música depois desse sonoro pesado do rap mundial que certamente deixou algumas mazelas em parte dos presentes. Já o emcee americano se despedira do público, e após uns minutos entregues a DJ Boogie Blind, Pharoahe regressa ao palco (quando já boa parte da audiência havia saído da sala convencida que a actuação tinha terminado) para encetar a sua tour europeia, precisamente na Cidade Invicta, com “The Light”, outro dos seus deliciosos clássicos. E de Pharoahe Monch foi tudo, e que tudo!
Para quem esperava voltar a sentir arrepios na pele com uma grande noite de Hip Hop isso voltou a acontecer, sem sombra de dúvidas. Casa cheia, amantes da cultura oriundos de todo o país, e artistas sérios e dedicados à sua arte. Mundo e Each aguçaram os ouvidos de quem os aprecia como dupla e corresponderam às expectativas, pese embora só terem actuado cerca de meia-hora, o que soube e saberá sempre a pouco. A expressão “monstro de palco” assenta que nem uma luva a Pharoahe Monch, e o americano pôde voltar ao seu país com a certeza que, pelo menos em Portugal (e certamente noutros cantos da Europa), arrecadou novos fãs. Ele e o seu compatriota, DJ Boogie Blind. Pharoahe Monch abriu, intermediou e fechou o seu show sem nada que se possa lamentar, a não ser a sua saída do palco...Texto: Sempei
Fotos: Ana Mendes
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Mundo Segundo & Each - Beleza Interior
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Maze e Terrorismo Sónico @ Porto-Rio (08/10/2011)
8 de Outubro de 2011. Foi este o dia, ou melhor, a noite, que cravou o ressurgimento discográfico de Terrorismo Sónico nas ruas do Porto (isto depois de uma primeira aparição no dia anterior, em Santo Tirso). Mundo e Ex-Peão são os dois rostos e vozes deste projecto que até este ano de 2011 tinha gerado apenas um trabalho há precisamente dez anos atrás, o álbum “1º Assalto”. A festa do último sábado no Porto-Rio serviu de apresentação ao segundo registo desta dupla história do rap tripeiro com um título que dispensa justificações: “2º Assalto”. Para o seu lançamento foram convidados: Maze, Sagaz, DJ Guze e DJ A.C. (ACTS). Chullage seria certamente outra ilustre presença caso não lhe tivesse surgido, para a mesma noite, outro compromisso inadiável.
Como é hábito em qualquer festa hiphopiana, foi um dos DJ’s de serviço que abriu as hostes, neste caso DJ Guze. Guze estendeu o seu set até por volta da 1h30, altura em que se iniciou o primeiro round, que é como quem diz, a primeira actuação. Maze, novamente em missão a solo (ou quase), surgiu com a descrição e segurança que lhe são reconhecidas e com alguma dose de bom-humor, anunciando a cada passagem de tema o novo álbum de Dealema (com lançamento público assinalado para Dezembro). No piso inferior do barco mais festivo da margem portuense do Douro, Maze jogou pelo seguro, com as faixas de cunho pessoal que o público melhor conhece. Exemplo disso, “Lágrimas de Gratidão” (da compilação “Roka Forte Vol.1”) ou “Brilhantes Diamantes”. Por outro lado, também foi buscar ao baú Dealemático dois êxitos, “Sonhar Acordado”, com a colaboração de Mundo, e mais tarde também Ex-Peão se juntaria a Maze para o eclodir de “Bofiafobia”. Pouco depois terminaria o showcase de cerca de 30 minutos, sem falhas, com boa disposição e uma boa empatia com a plateia presente que esteve, contudo, longe de encher a sala.
A rondar as 2h15, Mundo e Ex-Peão subiram ao ringue (leia-se palco) para o despontar do “2º Assalto”. De logótipo “terrorista” estampado no peito e sem ninguém nos pratos, os dois MC’s embarcaram no Porto-Rio com a lição bem estudada. Antes de trilharem o segundo disco fizeram questão de invocar o primeiro. Invadimos o palco/Ponham já as mãos no alto/Isto é um assalto. O grito de guerra elevado por dezenas de pulmões pôs desde logo o barco em polvorosa. Após o tema de abertura, entrou então em rotação o “2º Assalto”. Num primeiro contacto, este segundo trabalho de Terrorismo Sónico revela-se mais consciente e maduro (como seria de esperar) e menos cru. “Calão Distinto” foi provavelmente o som do novo repertório que maior receptividade recolheu.
Sagaz foi convidado de honra na performance de Terrorismo Sónico. Com uma bela participação na faixa “Desliguei a Máquina” (responsável por 16 barras e refrão), Sagaz claudicou um par de vezes na letra, falhas que Mundo e Ex-Peão prontamente colmataram, mas que não impediram o lisboeta de sair cabisbaixo do palco. À parte dos dois “Assaltos”, Mundo e Ex-Peão trouxeram sons a solo para loucura (literalmente) da audiência e ainda remisturaram o clássico “Bairro” de Ex-Peão com “Eles Andam Ao Cheiro” de Mundo. Para fechar em beleza, ou melhor, em histeria, marcaram um encore com “Lei da Ruas”, talvez o tema mais hardcore com selo Terrorismo Sónico. Não tivesse o barco atracado à margem e nessa altura teria certamente se deslocado dali com a agitação humana que se gerou no piso inferior. Findadas as actuações, DJ A.C. fechou o tasco.
Em suma, foi uma noite onde todas as boas previsões se cumpriram, exceptuando talvez o facto de a plateia ter sido um pouco menos numerosa do que se esperaria. Maze cumpriu as perspectivas, numa altura em que começa a ser evidente a falta de temas novos que dêem uma lufada de ar fresco nos seus concertos de cariz pessoal, isto apesar do MC ter normalmente poucas actuações sozinho. O duo Terrorismo Sónico abriu e fechou o show com as duas malhas mais pesadas do primeiro disco, desvendou o novo como se já se tratasse de um clássico e ainda teve a feliz ideia de juntar sons que marcaram o percurso de ambos a solo. Perfeito. Texto: Sempei
Fotos: Ana Mendes
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Terrorismo Sónico - "2º Assalto"
Dez anos volvidos sobre o "1º Assalto", Mundo & Ex-Peão a.k.a. Terrorismo Sónico regressam para uma segunda ronda, um "2º Assalto". Produzido pelos dois MC's/produtores de Dealema, o disco conta com três convidados: Chullage, Sagaz e a fadista Alexandra Guimarães.A apresentação oficial do EP está marcada para o próximo dia 8 de Outubro no Porto-Rio, antecedida por um showcase de Maze.
Clientela garantida-TERRORISMO SÓNICO "2º ASSALTO" by mundosegundo
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Raw Beats Vol. 001 (15/07/2011): Seada, Enigma, Jimmy P, Keso e Maze @ Plano B

Foi na sexta-feira, 15 de Julho, que, cerca de mês e meio após a última festa de Hip Hop por si engendrada, a promotora Versus voltou a delinear um cartaz de rap – sem nomes internacionais, é certo-, mas com uma bela mão cheia de artistas nacionais, todos eles nortenhos: Seada, Enigma, Jimmy, Keso e Maze (juntando-lhes os DJ’s D-One e SlimCutz). O local escolhido foi o Plano B, um espaço exíguo, impróprio para grandes multidões, mas aconchegante para um ambiente muito caloroso e vibrante em caso de casa cheia. E foi isso que se sucedeu.
Muitas caras conhecidas de outros dias festivos. É caso para dizer que há já um núcleo duro de aficionados que frequenta a maioria das grandes noites de Hip Hop no Porto. Em sentido inverso, se há artista que ultimamente não tem por hábito pisar os palcos destes shows esse dá pelo nome de Seada. O MC/produtor portuense abriu as hostes das actuações um pouco depois da uma hora da manhã, já após SlimCutz ter dado as boas-vindas com um set a seu gosto. Seada não tem muita música editada, por isso fez-se valer dos sons que mesmo assim lhe conferem algum respeito no seio da cena underground tripeira, pese embora o seu modus operandi bastante discreto.
Ao segundo tema já Seada contagiara a plateia, que se deleitou com o single “Táxi”, pertencente à compilação “Best Off”. Kayn (Caixa Toráxica) foi o braço direito de Seada, que ainda teve a certa altura outro parceiro especial: Supremo G aka Jimmy P. Um sublinhado para o momento acústico da performance do duo. “Digam a verdade às crianças” pôs os presentes embevecidos e solenemente à escuta dos acordes da guitarra nas mãos de Seada e da mensagem conjunta com Jimmy. O reverso sucedeu-se à passagem de “Cartão de visita”, canção que teve o condão de erguer muitos braços no ar, devido até à própria tónica algo revolucionária da letra. Excelente na entrega e na interactividade com o público, Seada conseguiu uma das melhores actuações da noite, e logo na abertura. Muito, muito bom!
Seguiu-se Enigma para uma curta estadia em palco. Each e Chek actuaram durante pouco tempo, cerca de um quarto de hora, e aproveitaram esses 15 minutos de mic na mão para darem a conhecer novas músicas. E a julgar pela reacção da plateia, as novas rimas da dupla deixaram muita gente a salivar. De facto, tanto Each como Chek têm crescido permanentemente e ganho com o tempo o seu espaço no rap nacional. De negativo na performance no Plano B apenas uma ou duas falhas de memória de Each que, apesar de pouco notadas, fez questão de se desculpar por isso. No final da noite viria a certeza de que conseguiram, mesmo em pouco tempo, uma das actuações mais aplaudidas.
Já passavam das duas da matina e o cartaz ia a meio, sendo que Mundo foi o host da festa que trouxe de volta Jimmy P à rotina dos shows ao vivo. De facto, Jimmy selou o regresso à actividade depois de algum tempo ausente por razões menos felizes. Mas o MC trouxe muita vontade e boas vibrações embora os novos sons não parecem ter cativado tanto o público que o admira, como por exemplo o dubplate com Celebration Sound. Jimmy fez-se acompanhar pelos seus tropas habituais, JêPê nas dobras e nos sons que partilham e Damani Van Dúnem apenas no novíssimo “Soletra”.
Sons tradicionais como “Game Over” foram revisitados, tendo o badalado single “Dope Boy” do EP que ainda está a caminho também feito parte do alinhamento, assim como “Mãe”, tema que Jimmy pôde dedicar directamente à sua progenitora que se encontrava no Plano B. Generoso como de costume, Jimmy P fez questão de dar tempo de antena a Contrabando 88. O grupo, acompanhado como é tradição por uma barulhenta camioneta humana vinda da Póvoa de Varzim, matou igualmente um hiato fora dos palcos recorrendo aos dois sons que o junta a Supremo G: “Oportunidades” (com Sandra) e “Revolu-som”. Prometido está um EP com lançamento para os próximos meses.
Keso foi o homem que seguiu. Com a sala ainda praticamente cheia, o MC e produtor tripeiro levou à letra o desígnio da festa (Raw Beats) e inovou renovando alguns instrumentais dos seus sons. Como foi o caso de“Acólito por alcoólico”, tema de abertura que surgiu com nova companheira (leia-se batida) e que por isso inicialmente causou estranheza mas foi-se entranhando nos tímpanos naturalmente. Keso apresentou-se no espaço de concertos subterrâneo do Plano B divertido como sempre, mais descontraído que nunca e em drunk style como não há memória... Mas ninguém se importou com isso, bem pelo contrário.
O seu show foi uma risota do princípio ao fim, com um excesso ou outro, mas gerindo bem a faceta de mestre de cerimónias com a de rapper. Ou seja, Keso intercalou o dom de comediante com as rimas e os beats, com os clássicos e com o KS Xaval. Foi notório que muita boa gente tem guardada no disco rígido das lembranças a época “Raios Te Partam” de Keso, ou melhor, de KS Xaval, por isso músicas como “Pintor de Interiores” foram debitadas por mais de que uma garganta. “Insólito kesone” e “2º Capítulo” foram outras faixas degustadas como autênticas guloseimas auditivas. “Eternamente em cena” foi a cereja no topo do bolo.
O último homem a pisar o palco foi Maze. Completamente sozinho em acção, Maze tinha a missão de fechar as actuações, numa altura em que a assistência já apresentava algumas clareiras e não se exibia com o mesmo fulgor. O EP em registo próprio datado de 2007 deu o mote com “Mundo Bizarro” (mais tarde “Quando o Céu Desaba” teve uma inédita aparição). Apesar do estatuto dealemático, a tarefa de Maze não foi fácil, precisando de muito suor para cativar a atenção dos presentes. Com mais ou menos dificuldade assim foi. Não é hábito ver Maze em modo one man show, até porque só conta com um trabalho em nome pessoal, por isso foi entremeando algumas acappelas de excertos seus em temas de Dealema. “Sonhar Acordado” foi excepção, rodando com beat e o contributo de Mundo. Foi sem dúvida um dos pontos de maior agitação. Outro veio com a última faixa, “Brilhantes Diamantes”. A partir das quatro horas, D-One girou discos até às 6h sempre com a sala lotada.
O rescaldo desta noite é francamente positivo, com o regresso de alguns artistas e o surgimento de outros pouco vistos em shows a solo. Seada abriu magistralmente a cortina do espectáculo; os Enigma aguçaram o apetite para futuros projectos; Jimmy matou com emoção as saudades de estar de mic na mão perante uma plateia; Keso divertiu-se e fez divertir num dos seus últimos concertos antes de rumar ao estrangeiro (confissão de Mundo) e Maze fechou o tasco com carisma e alguma sobriedade mas nada se lhe pode apontar.
Muitas caras conhecidas de outros dias festivos. É caso para dizer que há já um núcleo duro de aficionados que frequenta a maioria das grandes noites de Hip Hop no Porto. Em sentido inverso, se há artista que ultimamente não tem por hábito pisar os palcos destes shows esse dá pelo nome de Seada. O MC/produtor portuense abriu as hostes das actuações um pouco depois da uma hora da manhã, já após SlimCutz ter dado as boas-vindas com um set a seu gosto. Seada não tem muita música editada, por isso fez-se valer dos sons que mesmo assim lhe conferem algum respeito no seio da cena underground tripeira, pese embora o seu modus operandi bastante discreto. Ao segundo tema já Seada contagiara a plateia, que se deleitou com o single “Táxi”, pertencente à compilação “Best Off”. Kayn (Caixa Toráxica) foi o braço direito de Seada, que ainda teve a certa altura outro parceiro especial: Supremo G aka Jimmy P. Um sublinhado para o momento acústico da performance do duo. “Digam a verdade às crianças” pôs os presentes embevecidos e solenemente à escuta dos acordes da guitarra nas mãos de Seada e da mensagem conjunta com Jimmy. O reverso sucedeu-se à passagem de “Cartão de visita”, canção que teve o condão de erguer muitos braços no ar, devido até à própria tónica algo revolucionária da letra. Excelente na entrega e na interactividade com o público, Seada conseguiu uma das melhores actuações da noite, e logo na abertura. Muito, muito bom!
Seguiu-se Enigma para uma curta estadia em palco. Each e Chek actuaram durante pouco tempo, cerca de um quarto de hora, e aproveitaram esses 15 minutos de mic na mão para darem a conhecer novas músicas. E a julgar pela reacção da plateia, as novas rimas da dupla deixaram muita gente a salivar. De facto, tanto Each como Chek têm crescido permanentemente e ganho com o tempo o seu espaço no rap nacional. De negativo na performance no Plano B apenas uma ou duas falhas de memória de Each que, apesar de pouco notadas, fez questão de se desculpar por isso. No final da noite viria a certeza de que conseguiram, mesmo em pouco tempo, uma das actuações mais aplaudidas.
Já passavam das duas da matina e o cartaz ia a meio, sendo que Mundo foi o host da festa que trouxe de volta Jimmy P à rotina dos shows ao vivo. De facto, Jimmy selou o regresso à actividade depois de algum tempo ausente por razões menos felizes. Mas o MC trouxe muita vontade e boas vibrações embora os novos sons não parecem ter cativado tanto o público que o admira, como por exemplo o dubplate com Celebration Sound. Jimmy fez-se acompanhar pelos seus tropas habituais, JêPê nas dobras e nos sons que partilham e Damani Van Dúnem apenas no novíssimo “Soletra”. Sons tradicionais como “Game Over” foram revisitados, tendo o badalado single “Dope Boy” do EP que ainda está a caminho também feito parte do alinhamento, assim como “Mãe”, tema que Jimmy pôde dedicar directamente à sua progenitora que se encontrava no Plano B. Generoso como de costume, Jimmy P fez questão de dar tempo de antena a Contrabando 88. O grupo, acompanhado como é tradição por uma barulhenta camioneta humana vinda da Póvoa de Varzim, matou igualmente um hiato fora dos palcos recorrendo aos dois sons que o junta a Supremo G: “Oportunidades” (com Sandra) e “Revolu-som”. Prometido está um EP com lançamento para os próximos meses.
Keso foi o homem que seguiu. Com a sala ainda praticamente cheia, o MC e produtor tripeiro levou à letra o desígnio da festa (Raw Beats) e inovou renovando alguns instrumentais dos seus sons. Como foi o caso de“Acólito por alcoólico”, tema de abertura que surgiu com nova companheira (leia-se batida) e que por isso inicialmente causou estranheza mas foi-se entranhando nos tímpanos naturalmente. Keso apresentou-se no espaço de concertos subterrâneo do Plano B divertido como sempre, mais descontraído que nunca e em drunk style como não há memória... Mas ninguém se importou com isso, bem pelo contrário. O seu show foi uma risota do princípio ao fim, com um excesso ou outro, mas gerindo bem a faceta de mestre de cerimónias com a de rapper. Ou seja, Keso intercalou o dom de comediante com as rimas e os beats, com os clássicos e com o KS Xaval. Foi notório que muita boa gente tem guardada no disco rígido das lembranças a época “Raios Te Partam” de Keso, ou melhor, de KS Xaval, por isso músicas como “Pintor de Interiores” foram debitadas por mais de que uma garganta. “Insólito kesone” e “2º Capítulo” foram outras faixas degustadas como autênticas guloseimas auditivas. “Eternamente em cena” foi a cereja no topo do bolo.
O último homem a pisar o palco foi Maze. Completamente sozinho em acção, Maze tinha a missão de fechar as actuações, numa altura em que a assistência já apresentava algumas clareiras e não se exibia com o mesmo fulgor. O EP em registo próprio datado de 2007 deu o mote com “Mundo Bizarro” (mais tarde “Quando o Céu Desaba” teve uma inédita aparição). Apesar do estatuto dealemático, a tarefa de Maze não foi fácil, precisando de muito suor para cativar a atenção dos presentes. Com mais ou menos dificuldade assim foi. Não é hábito ver Maze em modo one man show, até porque só conta com um trabalho em nome pessoal, por isso foi entremeando algumas acappelas de excertos seus em temas de Dealema. “Sonhar Acordado” foi excepção, rodando com beat e o contributo de Mundo. Foi sem dúvida um dos pontos de maior agitação. Outro veio com a última faixa, “Brilhantes Diamantes”. A partir das quatro horas, D-One girou discos até às 6h sempre com a sala lotada.O rescaldo desta noite é francamente positivo, com o regresso de alguns artistas e o surgimento de outros pouco vistos em shows a solo. Seada abriu magistralmente a cortina do espectáculo; os Enigma aguçaram o apetite para futuros projectos; Jimmy matou com emoção as saudades de estar de mic na mão perante uma plateia; Keso divertiu-se e fez divertir num dos seus últimos concertos antes de rumar ao estrangeiro (confissão de Mundo) e Maze fechou o tasco com carisma e alguma sobriedade mas nada se lhe pode apontar.
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
Porto Rio (02/07/2011): Rato54 e Sindicato Sonoro

No último sábado, dia 2 de Julho, o Porto Rio teve mais uma noite em que o barco atracado na margem direita do Douro andou perto de virar submarino tamanha a quantidade de gente que se instalou no piso inferior da embarcação. Os DJ’s Casca e Guze, Rato54 e Sindicato Sonoro eram os nomes em cartaz, numa altura em que do outro lado do rio chegava o ruído e a agitação da folia do São Pedro da Afurada - festa importante para a comunidade piscatória daquela zona.
As portas do Porto Rio abriram-se por volta da meia-noite, altura em que o fogo de artifício da festa popular de Gaia explodia lá bem no alto. Embora não propositado, o lançamento dos foguetes parecia um chamariz para a multidão começar a embarcar num dos espaços festivos mais peculiares da Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto. E a verdade é que a sala esteve praticamente a abarrotar e o ambiente literalmente quente! A primeira actuação iniciou-se por volta da 1h e esteve a cargo de Rato54, que, tal como Sindicato Sonoro, apresentou oficialmente o seu EP. O mc e writer do colectivo Doink (juntamente com Ortega, Alex, Guito e Lois) foi bastante aplaudido, tendo tido o mérito de agarrar uma plateia naturalmente expectante quanto ao seu primeiro trabalho a solo. E foi notória a cumplicidade entre o público e Rato54. Momentos altos da performance: a parceria a meio com Ex-Peão e o single mais visível do EP, “Cinco Quatro”, que até conduziu Rato até junto da multidão. Rato54 só pode sentir-se feliz por ter tido uma festa de apresentação tão concorrida e vivida intensamente com muitos braços no ar e aplausos. Convém dizer que aquele espaço não proporciona grandes possibilidades de visionamento a quem se acomoda muito para trás, sendo por isso normal o acotovelamento em busca de uma posição mais privilegiada. Nos pratos esteve sempre o produtor e DJ D-One.
Por volta das 2h30 surgiu no palco o trio sindical: Mundo, Berna e Né. Se a atmosfera já estava a ferver então a partir daqui ardeu a valer! “Não Há Crise” é o segundo disco de Sindicato Sonoro e surge cinco anos após “Tempo d’Antena”. E foi com o supa clássico “Abram Alas” do álbum de estreia que Mundo, Berna e Né deram o mote para uma performance sempre muito bem correspondida por uma plateia que tinha a maioria das letras na ponta da língua e que desfrutou da noite de uma forma realmente muito intensa. A temperatura na sala foi ficando cada vez mais elevada, mas não foi por isso que houve falta de ânimo, aplausos e mãos no ar, muito pelo contrário. Que o diga, por exemplo, o single que dá nome ao novo EP “Não Há Crise”, que deve ter saído do barco Gandufe de ego inchado depois de ouvir o seu nome ser gritado a plenos pulmões e em uníssono.
Quem teve uma actuação com alguns momentos para esquecer foi Né, que várias vezes tropeçou nas letras, tendo sido mais visível a branca que graças à perspicácia do próprio virou improviso e até acabou por gerar grande entusiasmo na plateia. “Não Há Crise”, foi o que alguns oportunamente gritaram. Alguns dos obreiros do novo disco (Virtus e DJ Upgrade, por exemplo) subiram ao palco para o devido reconhecimento, mesmo antes de “O Elo Mais Forte” (quanto a mim, um dos temas mais valorosos do EP) fechar o alinhamento... até o encore. Depois do regresso, para fechar verdadeiramente a actuação, e tal como na abertura, o trio optou por um som do primeiro álbum, neste caso “Três”. Após os concertos, DJ Guze tomou de assalto as colunas com um set carregado de rap português, o que agradou bastante aos presentes.Em suma, Rato54 e Sindicato Sonoro proporcionaram uma excelente festa a quem se dirigiu até ao Porto Rio e não poderiam desejar melhor noite para apresentar os respectivos trabalhos. Casa cheia, com gente de vários pontos do norte do país, excelente ambiente e nem as falhas de Né assombraram o espectáculo. Se há ideia que fica da noite de 2 de Julho é a de que o rap no Porto está tudo menos morto.
Texto: Sempei
Fotos por: Ana Mendes
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sábado, 19 de março de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
Mixtape Mundo Segundo Volume II (Download)
A contribuição de Mundo Segundo para o florescer da cultura Hip Hop a norte do país é sobejamente conhecida. A nível de rap, a proactividade de Mundo é assinalável, sendo que todos os anos surge em vários projectos, tanto a solo como em conjunto.A mixtape "Mundo Segundo Volume II" é a sua nova obra pessoal (o primeiro capítulo desta série data de 2008), apresentada ontem à noite a bordo do Porto Rio e disponível para livre consumo gratuito a partir de hoje (podendo ser igualmente encomendada em edição física por este email: banze.info@gmail.com). Na dúzia de temas que a compõem (alguns deles dados a conhecer nas últimas actuações de Mundo), Each (Enigma) é o único corpo "estranho" presente.
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Reportagem dia 17 de Dezembro @ Hard Club
Os Reys do HardcoreUma das noites mais frias do ano na cidade do Porto acabou por se tornar (muito provavelmente) na noite mais quente de 2010. Estranho? Só mesmo para quem não se deslocou à sala 1 do Hard Club na última sexta-feira, dia 17 de Dezembro.
As ruas da Invicta sopravam uma aragem realmente gélida, cortante até, nada convidativa a grandes voltas ao relento portanto. Se houve quem optasse pela recolha no respectivo lar, cedendo à calorosa (e reconfortante, admita-se) companhia da lareira, muitos foram aqueles que arriscaram uma ida ao Hard Club, sem que este necessitasse de emitir qualquer sinal de fogo. Na verdade, o cartaz continha nomes capazes de garantir um espectáculo fumegante do início ao fim, com promessa de um desfecho em labaredas, ou não fosse "Ante Up" a partícula do programa mais ansiada pela maioria da plateia e previsivelmente o momento mais marcante de toda a noite. Mas comecemos pelo... início.
Quando os ponteiros apontavam para a uma da manhã já SlimCutz riscava pratos e cuspia autênticos bafos cálidos pelas colunas que serviam como descongeladores dos corpos algo enregelados que entravam pela maior sala do Hard Club. A selecção musical escolhida pelo DJ de Monstro Robot foi mortífera, sacando sucessivas malhas que garantiam a satisfação geral. Contudo, com o ambiente ainda algo tépido, a dupla Each/Chek foi chamada a palco por Maze, o host do evento. O grupo portuense, sabido da importância do espaço e da própria noite festiva, esmerou-se por proporcionar ao público presente um serão animado. Foi notório da parte dos dois Mc's uma constante preocupação em contagiar a plateia com algumas das rimas mais puxadas de ambos. Os muitos admiradores de Enigma aderiram e vibraram bastantes vezes, o que indicia que saíram satisfeitos com a actuação de Each e Chek. Deixando de fora do alinhamento alguns dos temas mais conhecidos do seu repertório, o duo tocou faixas mais recentes, simulou um assalto de Chek à casa de Each e ainda convidou Kayn (Caixa Toráxica) e Asek a fazerem parte do show. Na hora de recolher ao backstage ficou a ideia de dever cumprido.
Seguiu-se um momento particularmente especial, tanto para os aficcionados de rap tripeiro como para o próprio interveniente dos minutos que se seguiram. Rey, MC bastante querido entre a massa adepta da Invicta, trocou por instantes os States para marcar presença nesta cerimónia no Hard Club. E foi assente numa bicicleta caracteristicamente norte-americana que Rey irrompeu pelo palco, para gáudio do povo. A expectativa quanto à performance do rapper era evidente, sobretudo pela longa ausência dos grandes palcos. Rey esteve descontraído, bem humorado q.b. e com um à vontade perante a plateia arrebatador. E não se pense que essa descontracção foi sinal de menos entrega, bem pelo contrário! O rapper de Gaia afastou qualquer pressão que pudesse sentir e fez da sua actuação uma verdadeira festa. Pegou em sons mais velhos para os desenferrujar, aproveitando também a estadia para colocar em práctica as suas últimas participações em trabalhos alheios, contando para isso com a ajuda de Birro e Rato 54. À postura acutilante, Rey fez-se valer de um discurso assertivo, com mensagens fortes e mostrando sempre uma fácil interacção com a plateia.
A dada altura pediu silêncio ao público (a quem ironicamente chamou de “chato”) para contar uma história. História essa que se desenrolou em modo acapella, bombeada pela sua “língua de veneno”. Para quem tinha saudades de Rey, o mínimo que se pode dizer é que a prestação do rapper foi contagiante, num regresso a uma casa onde actuou várias vezes (na outra margem do Rio Douro, obviamente). Para desfecho da performance, soltou-se o tema obrigatório para um regresso mais que perfeito: “Foda na Moda”. No palco surgiram os camaradas habituais de Rey, entre eles, Mundo, Ex-Peão, Ace, Birro, Boinas e Rato 54. A actuação de Rey mereceu justamente todos os aplausos que recolheu. Posto isto, não há como fugir ao trocadilho fácil: Rey foi... rei na noite de 17 de Dezembro.
Dono dos tempos mortos, DJ SlimCutz ia contemplando a plateia com uma série de clássicos que nem dava tempo para respirar fundo (pareciam bombas a cair no meio da multidão). O intervalo entre a saída de Rey e a entrada de Mundo Segundo foi um pouco mais prolongado devido a Deau. Ao contrário do previsto, o jovem rapper só actuou depois de Mundo e Rey, isto porque tanto ele como os americanos M.O.P. haviam constado na versão lisboeta do cartaz da mesma noite, o que os obrigou, naturalmente, a um esforço extra. Nada incomodado com isso, Mundo surgiu pouco depois das 3h30 para mais um show no Hard Club. Acompanhado (como é hábito) por Each, o MC dealemático com o currículo mais preenchido apresentou-se igual a si próprio, com a habitual comunicação com o público e os sons que todos conhecem na algibeira, intercalados com alguns temas novos. A presença de Rey na casa foi aproveitada para exercitar ao vivo a faixa conjunta pertencente à mixtape “Mike Phelps” - com Rato 54 também no grupo, o mesmo sucedendo-se com os sons “VNG” e “Rudes”. Foi um concerto em que Mundo esteve mais acompanhado do que nas suas últimas actuações, tendo a seu lado amigos de longa data do Segundo Piso, acabando numa acapella com rimas ao seu bom estilo.
Cerca de cinco horas depois do showcase em Lisboa e da (consequente) viagem de regresso ao Porto, Deau apresentou-se no antigo Mercado Ferreira Borges para uma sessão de improviso. Estabelecendo-se cada vez mais como um dos pesos pesados da improvisação em Portugal, Deau mostrou novamente argumentos que fomentam esse mesmo rótulo. Não foi uma sessão longa (não ultrapassou a meia-hora) mas a entrega do jovem rapper manteve-se linear com o que vem mostrando em cada show. Dêem-lhe um microfone, soltem um beat e o resto é com ele. Arguto como poucos, foram escassas as vezes que hesitou na rima, sinal de que se sente como peixe na água no improviso. Para surpresa dos presentes, os minutos finais foram guardados para novos temas que irão, ao que tudo indica, fazer parte do primeiro álbum a solo de Deau. Com mais ou menos fervor, a sua prestação foi positiva e bem correspondida pelo público. “Soube a pouco”, dirão alguns.
Pouco mais de dez minutos para as cinco da madrugada e entra DJ Laze E Laze para a mesa dos pratos. Afinada a maquinaria, Laze E Laze começa desde logo a disparar instrumentais de DJ Premier (a quem o duo Mash Out Posse deve muitas das suas batidas). A sala mantém-se praticamente cheia. Apesar disso, as primeiras palavras de incentivo do disck-jokey oficial de M.O.P. não têm a resposta esperada. Poucos minutos depois solta-se “Cold As Ice” e avista-se a dupla de MC’s mais desejada da noite. Ao contrário do título do tema, Billy Danze e Lil’Fame (com a bandeira das quinas na cabeça) são presenteados com uma calorosa recepção e a faixa caiu como lume num rastilho que incendiou uma plateia nada preocupada com o aumento dos graus Celsius no espaço (houve mesmo quem sentisse no corpo a falta de tensão). Qualquer descrição do concerto dos M.O.P. neste texto poderá ser escassa tendo em conta o que verdadeiramente se viveu naquela sala! Momentos de pura loucura, de histerismo, de prazer e satisfação absoluto! A entrega do duo foi sublime, assim como a correspondência da plateia, num diálogo que se pode considerar perfeito para qualquer artista. Os sons foram-se desenrolando, tendo sido percorrida a rica discografia do grupo de Nova Iorque e os sons mais célebres da mesma, intercalados por alguns hits de outros artistas como Jay-Z ou Bob Marley. Tal como se disse atrás, a comunicação dos M.O.P. foi exemplar, puxando recorrentemente pelo público, brincando com este, mas não deixando porém de transmitir algumas opiniões sérias acerca do Hip Hop e dos problemas gerais do Mundo. George Bush teve direito a ser “mimado” em uníssono, assim como DJ Premier e Guru. Depressa se ouviu a faixa “Who Got Gunz”, seguida de “Calm Down”. A pedido dos emcees ergueram-se dezenas de isqueiros para a passagem fervorosa de “Fire”.
As músicas de M.O.P. são duras e o estilo é mesmo hardcore. Os beats, esses, parecem morteiros carregados de granadas que incendeiam qualquer sistema sonoro. E foi isso que se sucedeu no Hard Club. Uma noite inflamada por dois respeitados rappers americanos que mesmo com uma performance poucas horas antes na capital conseguiram contagiar toda uma plateia e implementar um verdadeiro clima de festa. Como complemento, DJ Laze E Laze largou a sua mesa, pegou no mic e fez-se um mestre de cerimónias improvisado, encarnando outros artistas como Fat Joe, Busta Rhymes ou até mesmo Eve. Com o espectáculo ao rubro já se fazia a contagem decrescente para a malha das malhas, o beat dos beats, o final de todos os finais. "Ante Up" acordou perto das 6h da matina com o público ainda bem desperto e com a pujança suficiente para instalar um verdadeiro pandemónio na sala com epicentro na frente do palco. Impressionante!! Parecia que o fim do mundo tinha chegado com dois anos de antecedência! Um desfecho impetuoso mas nada que ninguém não esperasse. Já depois das actuações, DJ D-One encarregou-se da música até ao fecho das portas.
A última grande festa do ano de Hip Hop no Porto pode muito bem reclamar para si todos os holofotes pois foi responsável pelo momento de maior clímax dos últimos anos! "Ante Up" e todo o resto do concerto de M.O.P. será por certo recordado por muito tempo. Billy Danze e Lil' Fame chegaram sobrecarregados com a actuação de Lisboa mas no Hard Club ninguém deu por isso. A atitude e entrega de ambos não merece o mínimo reparo e o alinhamento foi programado de forma a manter o entusiasmo elevado. Esta passagem de M.O.P. por Portugal foi um marco de relevo no que a concertos diz respeito. Para início de espectáculo, os Enigma estiveram certinhos e não claudicaram. Rey foi imperial no mic, patrão no palco e líder das actuações nacionais. Mundo manteve as hostes sintonizadas e quentes, já Deau exercitou o improviso a meias com a apresentação de novos sons. Luzes apagadas e trancas à porta, que 2011 traga muitas noites de Hip Hop como a de 17 de Dezembro de 2010.
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Reportagem: 1ª "Hard Club Hip Hop Sessions" (22/10/2010)
Nos finais da década de 90 – considerada a época dourada do Hip Hop – surgia em Portugal a primeira versão das então denominadas “Nova Gaia Hip Hop Sessions”, muito graças à intervenção decisiva de Mundo Segundo (um dos grandes impulsionadores da cultura Hip Hop no nosso país). Ao longo de cerca de dez anos, o Hard Club foi um importante berço para inúmeros artistas, numa altura em que grande parte deles ainda gatinhava no rap. O espaço foi, com o passar do tempo, adquirindo o simbolismo de uma espécie de Meca do Hip Hop nacional situada a norte, numa época em que o Hip Hop português ia também ele ganhando notoriedade no panorama musical.Porém, as festas que se tornaram míticas na promoção da cultura (até porque não só abrangiam o MC'ing, como também as restantes vertentes) teriam a sua última sessão em 2006. Desde aí, as “Nova Gaia Hip Hop Sessions” passaram a ter vida apenas na memória de todos aqueles que as testemunharam e que dificilmente esquecerão o fervor daquelas noites. O Hard Club, esse, por muito que aguardasse por novas edições, acabaria destruído (por razões que o tempo apagou) e abandonado, restando-lhe a bela paisagem do Rio Douro como consolo. Com o edifício não só se ruíram momentos históricos do Hip Hop português como também de outras faunas musicais, fruto do enorme ecletismo do espaço.
Na última sexta-feira, dia 22 de Outubro de 2010, o Hard Club voltou a abraçar uma "Hip Hop Session", não só refeito no nome das novas festas, como também na sua localização, que o dista das velhas instalações pouco mais de uma ponte. Gaia já faz parte do passado, tal como o Mercado Ferreira Borges, edifício histórico do Porto que mantinha as prácticas de animação cultural após o término do dito mercado e que continuará com os mesmos pretéritos agora como Hard Club. A mudança do espaço físico será mesmo a única alteração desejada, esperando-se que o HC marque as noites portuenses tal como marcou as de Gaia. Desejo esse que se estende, obviamente, ao Hip Hop, que até já teve a sua primeira grande festa há cerca de duas semanas, na memorável noite de sexta-feira, dia 8 de Outubro.E que tal estrear o primeiro capítulo das "Hard Club Hip Hop Sessions" com velhos conhecidos dos antigos serões? Dito e feito. Body Rock Crew (DJ D-One, Deck'97 e Maze), M7, Barrako 27 (com DJ Guze), Sagas (com DJ Nel'Assassin) e Terrorismo Sónico (Mundo e Ex-Peão). Todos estes elementos conheceram de perto (uns mais que outros) o palco de Gaia, e todos eles esperariam, por certo, entrar com o pé direito na nova casa. Dito e feito, novamente. Na pista esteve ainda o colectivo de B-Boys Zoo Gang e, num palco exterior à sala, Mr.Dheo representou as cores do graffiti.
Com o despertar marcado para depois da meia-noite, a festa começou algo fria. Na tentativa de aquecer o ambiente, esteve o trio Body Rock Crew que, como vem sendo recorrente, foi chamado para agitar o início, os intervalos e o fim do espectáculo com as suas malhas carregadas do bom gosto que o caracteriza. Poucos eram os presentes no interior da sala 1 e já Mr.Dheo coloria no exterior três telas alinhadas para o efeito. Verdade seja dita: o primeiro impacto de quem entrava no edifício era da performance do writer de Gaia, no entanto, a mesma parecia simultaneamente algo distante da festa devido à localização do palco de actuação. Quem lá se dirigiu pôde atestar bem de perto um pouco da habilidade de um dos mais simbólicos writers de Portugal.
Com a sala principal ainda pouco povoada, os Body Rock Crew deixaram os pratos para DJ Nel'Assassin, que veio para acompanhar Sagas mas também para riscar discos a solo. Maze foi o host da noite, e foi ele a chamar M7 ao palco. Pode-se dizer que a actuação da MC foi mais do mesmo. E isso é mau? Não necessariamente. Com M7 esteve a companheira do costume (Capicua) e das colunas saíram os temas do costume, da mixtape do costume ("Martataca"). E porque é que a performance não foi aborrecida? Porque M7 não é aborrecida, tem tudo menos falta de força e genica, é capaz de atrair a atenção de uma sala inteira e revela boa escolha de instrumentais.Foi com "Rainha" que se deu a primeira trinca nas palavras apimentadas de Marta Isabel a.k.a. M7. Se havia alguém na plateia que nunca tinha provado o sabor das suas rimas, por certo se alarmou num instante. Insurrecta como sempre, M7 não é mulher de falinhas mansas, bem pelo contrário, facto que pode agradar a gregos mas não a troianos. Já a colega Capicua é o oposto, o que acaba por servir como complemento. Mais cuidadosa naquilo que diz, Capicua também exibiu, por exemplo, a faixa "7 Dias", da sua mixtape "produzida" por DJ Premier. Numa actuação conjunta que teve os seus altos e baixos a nível de correspondência do público, M7 e Capicua contaram com DJ D-One nos pratos e acabaram em clima de festa ao som de "Ooh Wee" de Mark Ronson.
Intervalo no palco, início de show na pista. A plateia agita-se, forma num ápice uma roda onde os elementos do Zoo Gang se posicionam. Ao longo de largos minutos os B-Boys acariciaram o solo da forma menos ortodoxa possível, pois é daí que provém o espectáculo. Ao som de batidas que nos relegaram aos tempos primórdios do Hip Hop, a exibição de Zoo Gang foi um regalo nesta noite de cerimónia, embora a actuação não fosse visível a todos os presentes (só mesmo para quem cercou de perto a roda). Verdadeiro espírito de festa de Hip Hop! Seguiu-se Barrako 27, com Speg e seus tropas. À espera deles estava uma legião de adeptos que desde o primeiro minuto se fez ouvir na sala. Com uma entrada encenada com percussionistas e uma violinista, Barrako 27 partiu para um concerto emotivo e bem acolhido em grande parte da audiência, que, a esta altura, já ultrapassava a meia lotação (que ronda as 800 pessoas)."De Cabeça Erguida" é um dos últimos trabalhos de Barrako, em parceria com DJ Guze, mas o alinhamento não se limitou ao EP, nem podia. "Abraço Forte" foi provavelmente a passagem mais sentida de todo o show, pois teve o condor de fazer Né descer do palco até junto dos seus seguidores e, rodeado dos mesmos, debitou as rimas dessa faixa incontornável do seu repertório. Nota para a interpretação do jovem Koffy Jr. (do colectivo trofense TRF) em "No Fundo (Do Túnel)" e para o êxtase e interacção constantes com o público em outras faixas como "Bla Bla Bla". Antes da retirada de Barrako 27, eis que dispara o som que todos aguardavam ouvir naquele preciso momento: "Saudoso Hard Club", pois claro. A plateia fez Né sentir-se verdadeiramente em casa, o que o deixou visivelmente feliz e emocionado e com o ego elevado. A prová-lo está a tirada a dada altura do concerto: "Depois de Dealema, eu fiz o melhor álbum português!".
De Carcavelos até à Invicta, Sagas veio trazer uma nova fragrância ao Hard Club, sem sotaque tripeiro mas com uma mistela de português e crioulo. Nada que fizesse confusão aos presentes. A sintonia entre o rapper e Nel'Assassin é evidente e reflecte-se na performance de ambos. Não foi um show só de Sagas mas também de DJ Assassino. Este último pôde dar a conhecer algumas malhas da mixtape "Mike Phelps" que, garantia do próprio, estará (finalmente) para sair em breve. Nela, o DJ e produtor irá revelar uma outra faceta: a de MC. Compelido por uma batida de Alchemist, Nel'Assassin rimou mesmo no Hard Club. O seu talento para as rimas pode ser imberbe mas nem isso o acanhou.Sagas não trouxe alguns clássicos do seu primeiro álbum a solo, como "Anjo de Luz" ou "Quem És Tu?", mas também desvendou músicas novas. Uma delas, com base instrumental de DJ Ride, conta com um refrão que foi particularmente bem acolhido pelo público. Todo o concerto de Sagas foi pautado por uma animação constante, tendo o MC caído nas graças da plateia pela energia e boas vibrações disseminadas pelas suas canções. No rap de Sagas não mora a rima de teor sexual nem de estímulo à violência, reina antes a mensagem positiva e alegre. Mundo Segundo foi o convidado de honra de Sagas Demolidor para uma breve participação. Já o Sr. Alfaiate foi "obrigado" a participar numa batalha (aparentemente ensaiada) com o percussionista. Bom concerto de Sagas que atingiu um dos pontos altos com a malha "Som Pesado" (do álbum de Assassino "Reconstrução").
A última exibição da noite estava reservada para o duo Terrorismo Sónico. E Mundo e Ex-Peão conseguiram provocar o caos no Hard Club apesar do adiantado da hora e do previsível cansaço dos presentes. Cansaço? Puro engano! Os dois MC's dealemáticos gozam de uma popularidade e respeito na Invicta consolidados ao longo dos anos e, quer a solo, em duo ou em grupo como Dealema, contam sempre com uma fervorosa massa adepta na plateia. Esta tem as letras na ponta da língua e a empatia flui naturalmente. O primeiro álbum de Terrorismo Sónico, "1º Assalto", foi revisitado, mas também foi dado um cheirinho do seu sucessor, "Antes do Atentado". Os clássicos que marcam o repertório a solo de Mundo e Ex-Peão são sempre recebidos com grande impacto. "Pombas Brancas da Cidade" e "Real e Verdadeiro" de Ex-Peão ou "Puro Prazer" de Mundo, todas elas foram cantaloradas em uníssono. Especial foi o enlace de "Eles Andam Ao Cheiro" a meio do beat de "Bairro".Por muito que se diga que o concerto foi inebriante, enérgico e empolgante, faltarão palavras para descrever a parte final do mesmo. Mundo e Ex-Peão tinham dado por terminado o alinhamento, mas a plateia não queria arredar pé do recinto, muito menos deixar de ouvir a dupla. Ora o desejo de um grupo de ferrenhos adeptos parecia só um: "Lei das Ruas". Desejo concedido, a música foi, não cantada, mas sim berrada a plenos pulmões: "Esta é a lei das ruas, filhos das p*tas!" Este ambiente escaldante deu azo a um endiabrado moche na frente do palco. E foi assim, em brasas, que terminaram as actuações. Daí em adiante a música voltou a rodar nos discos de Body Rock Crew.
Mais uma noite histórica no mês de Outubro que o Hard Club terá para contar mais tarde, isto precisamente quatro anos após o anúncio do encerramento do espaço de Gaia. As "Hip Hop Sessions" começaram oficialmente a agitar de novo a cidade do Porto e o Hip Hop nacional. Ao longo das próximas sessões é de aguardar o desfilar de novos e velhos talentos da nossa cultura, quer do MC'ing, DJ'ing, BBoy'ing ou do Graffiti. Zoo Gang e Mr.Dheo foram os primeiros representantes destas duas últimas vertentes. Body Rock Crew tomou conta dos pratos e dos momentos mortos da festa, que teve Maze como apresentador. Barrako 27 e Terrorismo Sónico foram os nomes mais aplaudidos da noite. Sagas teve uma actuação meritória e M7, apesar de não ter agarrado o público como os restantes, fez o que lhe competia. A sala 1 não esteve lotada mas contou com uma boa afluência. Ainda sem cartaz revelado, o próximo capítulo, diz-se, está para breve. As velhas festas no Hard Club estão mesmo para ficar.
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