sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Boss AC - Acabou (Até Te Esquecer)
Já roda por aí o novo vídeo de Boss AC para o álbum «Preto no Branco». "Acabou" foi o tema eleito para ter videoclip, depois de Estou Vivo. O vídeo de Boss AC "Acabou", com participação de TC, foi gravado no Blues Café no mês de Junho e teve produção do conhecido Leonel Vieira.
domingo, 29 de março de 2009
Boss AC - Estou Vivo
Boss AC está de regresso com um novo trabalho discográfico intitulado “Preto no Branco”. Em alta rotação, está já o primeiro single do álbum e respectivo videoclip. “Estou Vivo” é uma canção que aborda as vivências, o tempo, os dramas, as alegrias. Esta foi a forma que Boss AC encontrou para fazer a sua catarse, depois do acidente de viação que sofreu. É um manifesto pela vida. Um alerta para não se desistir dos sonhos, nem dos objectivos a que quotidianamente nos propomos e que, volta e meia, achamos impossíveis de materializar. Em suma, Boss AC pretende enfatizar a bênção que é viver. O videoclip foi rodado a meias entre Lisboa e Macau, reflectindo-se no ambiente sónico a influência asiática. Boss AC empreende uma corrida, a da sua vida, passando a sua mensagem, oferecendo os seus conselhos e exorcizando os seus fantasmas. Boss AC está bem vivo e o Hip Hop Nacional dá graças por isso.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Hip Hop + Fado = Excelência
O Hip Hop é um corpo insaciável e curioso. Em tudo bebe, em tudo arrisca e mexe, para se tornar maior e melhor. A experimentação sonora desenvolvida no Hip Hop é bastante saudável, pois a capacidade que ele adquire em absorver os vários géneros musicais oferece-lhe soluções ilimitadas. Não há barreiras, a liberdade é a palavra de ordem. A influência do Funk, do Jazz, da Soul, passando pelos Blues, Rock, música brasileira, música indiana, entre outras, é por demais evidente no Hip Hop, a nível global. Mas então e o Fado, estilo musical marcadamente português, poderá apaixonar-se ou deixar-se arrebatar definitivamente pelo Hip Hop?
Ousando responder, eu diria que sim. A mescla entre o Fado e o Hip Hop tem-se vindo a intensificar nos últimos tempos. Quando os mágicos das batidas dotam o Fado de uma nova vida, o resultado é sempre surpreendente. Inicialmente, à novidade, poder-se-ia chamar “Estranha Forma de Vida”. Porém, tal como diz o poeta, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. O que acontece é que a música transpira originalidade. Deste cruzamento, o Hip Hop sai reforçado em portugalidade, devido aos condimentos únicos emprestados pelo Fado.
Há quem diga que a alma lusitana se encontra na guitarra portuguesa e não nas vozes do Fado. Sem querer enveredar por essa discussão, subscrevo apenas que a fusão quer entre as batidas e as vozes dos fadistas, quer entre as batidas e o choro das guitarras do Fado, fica sempre muito bem. Solta-se uma frescura ímpar. Nesta feliz parceria, há exemplos de canções em que a simbiose é plena. É o caso de Sam The Kid que nos emociona na fenomenal canção “Que Estranha Forma de Vida”. Samuel Mira encantou-nos ainda com o excelente tema “Viva!”, em homenagem a Carlos Paredes, e na colaboração que materializou com Jorge Fernando em “Pois é”. Recentemente, Boss AC e Mariza brilharam em conjunto no poderoso tema “Alguém Me Ouviu (Mantém-te Firme)”. Estes são apenas alguns exemplos, talvez os mais conhecidos, da união entre o Fado e o Hip Hop. O que ressalta em todos é a agradável sintonia e a excelência do resultado final.
Em Portugal, o Fado é claramente um rico e belo filão para os criadores de batidas. No exterior, o Fado, para além de continuar a ser admirado, já despertou a curiosidade de Exile, que usou um sample de Mariza, no tema “The Sound is God”. Sabe-se igualmente que DJ Premier já tomou contacto com o Fado, pois numa visita a Portugal foi presenteado com um disco de Amália Rodrigues, uma cortesia de D-Mars. Espera-se pois ouvir, um dia, um instrumental de Preemo com o Fado como elemento principal. De mãos dadas, Fado e Hip Hop, um matrimónio para vida. Com certeza.
terça-feira, 10 de março de 2009
BIOFONIA: Black Company
A poesia negraConsiderados por muitos os avós do rap nacional (tal como sucede com Kool Herc e Afrika Bambaataa em relação ao movimento hip hop nos EUA, hoje universal), os Black Company nasceram com o movimento em Portugal, retiraram-se aquando do seu crescimento e regressaram com um estilo adequado à época.
Voltando duas dezenas de anos atrás... Foi nas ruas que Maddnigga aka Bambino, Bantú aka Guto e companhia começaram por fazer o que na altura por cá não se ouvia na língua de Camões: rimas faladas em cima de batidas. Obviamente ainda embrião, o rap que inicialmente se apresentava em concertos por esse país fora era sobretudo um jogo de palavras tão puro quanto o mais natural possível. E (naturalmente) ainda pouco compreendido, conhecido e até respeitado em Portugal, o rap dos Black Company sofreu um revés quando, após três anos do seu nascimento, o grupo separou-se. Mas tão rápido quanto o seu desaparecimento foi o regresso de Guto, Bambino e Tucha como Machine Gun Poetry. Desse grupo só restaram mesmo os três elementos, até porque o nome viria a ser mudado definitivamente para Black Company. Makkas e KGB juntaram-se então à formação.

A Rapúblicação de uma Geração Rasca
Depois do primeiro concerto, o grupo da Margem Sul conseguiu espalhar a sua mensagem até chegarem à tv. Daí a virar gravação passou um ano. Em 1994, os Black Company juntaram-se a Boss Ac, Zona Dread, Family, entre outros, numa compilação que marcou tanto uma geração de mc's como uma época de apreciadores da arte que actualmente já apaixona milhões por esse mundo inteiro. A colectânea 'Rapública' ainda hoje é dos álbuns mais vendidos de rap em português. Com esse estrondoso e (talvez) inesperado sucesso, lucraram os rappers que nela deixaram o seu testemunho, lucrou o hip hop nacional e lucraram os Black Company, obviamente. A faixa 'um' ('Nadar') retirada desse cd acomodou-se nos nossos ouvidos e de lá não mais saiu. A não ser quando a letra andou de boca em boca até se consolidar como o primeiro grande clássico do nosso rap. Um ano após esse verão escaldante, ninguém ficou admirado que Bambino e seus manos imortalizassem em disco as suas rimas e batidas. 'Geração Rasca' surgiu com muita expectativa mas desapareceu com falta de reconhecimento. Mesmo assim ficaram faixas como 'Abreu' e 'Geração Rasca'.
Os Filhos fora de série!Apostados em voltar a retribuir solidamente tudo que de bom o hip hop lhes proporcionava, e depois de três anos em rotação nacional, os Black Company reuniram tropas pra bombardearem-nos com o segundo disco oficial do grupo. 'Os Filhos da rua' saiu directamente para as prateleiras dos críticos e adeptos do movimento. Temas como 'Gina', 'Chico Dread' ou 'Genuíno' ajudaram definitivamente o grupo a marcar o seu território no rap tuga. O hip hop era escutado, era reconhecido, mas, sobretudo, era respeitado!
Sem razão aparente, os Black Company desapareceram do activo. Pelo menos colectivamente, já que continuaram a participar em vários projectos, quer a nível de produção, quer a nível de pequenas participações. Guto abrilhantou o seu caminho a solo com uma parceria discográfica com Boss AC. 'Private Show' foi a contribuição do duo para uma nova abordagem no rap português que passava pelo R&B e a Soul. Seguiram-se 'Chokolate' e 'Corpo e Alma' no repertório de Guto, projectos notoriamente influenciados pelo lado mais soft do rap.
Durante os últimos anos, o rap vem fazendo-se ouvir cada vez mais. E é notório que o movimento hip hop vem sendo cultivado e progressivamente consumido por um número cada vez maior de pessoas, embora nem sempre pelos motivos mais endógenos. Aproveitando este 'boom' da atenção e propaganda dada a este estilo, os Black Company regressaram o ano passado com 'Fora de Série'. Já sem KJB (actualmente na Holanda), os 'filhos da rua' apresentam-se agora num estilo menos old school e mais na onda party. 'Só Malucos' foi single de apresentação e teve direito a participação de Adelaide Ferreira.
Pode-se dizer que os Black Company cultivaram a semente do movimento hip hop em terras lusas, viram crescer o produto (quase) por fora, e voltaram para colher os seus frutos. Nada mais justo.