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domingo, 18 de março de 2012

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dealema, Nach e Rob Swift @ Hard Club, Porto (10/12/11)

Dia 10 de Dezembro. O Natal aproxima-se e é tempo de se pensar em prendas. Como bens materiais não aquecem nem arrefecem a alma (esqueçam lá as meias e as cuecas), os fãs de rap queriam era um cartaz atractivo no sapatinho. Rob Swift, Dealema e Nach no Porto (depois de passagens por Faro e Lisboa). Rica prenda, Pai Natal.

Animada pela óptima recepção do livro, a comitiva HIPHOPulsação seguiu rumo ao Hard Club, na expectativa de mais uma noite histórica. De facto, assim aconteceu: ver uma lenda do turntablism como Rob Swift, ex-integrante do colectivo X-Ecutioners, sentir as novas malhas de “A Grande Tribulação” de Dealema e contemplar pela primeira vez na Invicta um dos mais talentosos MC’s do Mundo, o espanhol Nach. Acrescente-se à história o recorde estabelecido em concertos de rap no Hard Club, com mais de mil pessoas assistindo ao show (curiosamente, quase um ano depois da então histórica passagem dos americanos M.O.P. a 17 de Dezembro de 2010).

Quando entrámos, já Rob Swift dava largas ao seu trabalho. A sua passagem pela Invicta serviu para promover um DVD seu e claro para mostrar ao vivo toda a capacidade técnica no manuseamento dos pratos. Sempre animado, dialogante e servindo vários clássicos de Hip Hop, Rob Swift deixou boa impressão, motivando até alguns b-boys a exercitarem-se no meio da multidão.

Dealema. Bastava esta palavra para deixar em polvorosa toda uma audiência. 4 MC’s e 1 DJ. Basta entrarem em palco, não dizerem uma palavra, não haver um arranhão no vinil, para que o delírio se instale. Fuse, Ex-Peão, Mundo, Maze e DJ Guze quiseram provar que não vivem dos louros do passado e no presente pretendem justificar toda esta idolatria. A massiva correria ao Hard Club reforça-os como os grandes estandartes do rap nortenho.

Com “A Grande Tribulação” prometem ainda aumentar mais a base de fãs, embora não seja o álbum mais fácil de se digerir à primeira auscultação. A entrada no palco fez-se um a um, ao som da faixa homónima do disco. “A Última Criança” e “Verdade ou Consequência” já estão na boca do povo e os restantes temas, com convidados como Ace ou Ana, é só uma questão de dias para estarem sabidos de cor e salteado. A festa de apresentação do novo trabalho foi intensa e longa, com a recordação de alguns clássicos do Pentágono como “Bófiafobia” ou “Sala 101”, que incendiaram uma sala que transpirava por todos os “poros” . Um concerto à Dealema, portanto. Mais uma vez, foram os mais aclamados da noite, e, convém que fique bem registado para mais tarde recordar, foram eles os grandes responsáveis por uma afluência pouco vista no Hard Club.

Para fechar a noite, o alicantino Nach, acompanhado de Abram, ZPU e do multifacetado DJ Joaking. Foi sempre um dos sonhos aqui dos escribas assistir a um concerto do MC espanhol. A concretização do sonho foi mais especial ainda por ter acontecido na nossa cidade. Uma pequena parte da plateia não ficou para ver Nach, mesmo assim a sala maior do HC manteve-se muito bem povoada quando “Hambre de victoria” deu o mote no espectáculo de apresentação ao povo portuense do seu disco mais recente. Nesta sua primeira actuação em solo tripeiro, Nach viajou por temas de “Mejor que el silencio”, mas também passou por “Un dia en suburbia” (“Infama”), não esquecendo “Poesia difusa” (“Ser o no ser”), “Ars Magna - Miradas” (“Palabras”) e até “En la brevedad de los dias” (“Basado en hechos reales”).

Momento épico da noite foi quando Nach desceu do palco e circulou pelo meio do público que já contava, na altura, com algumas clareiras. Joaking, DJ em grande parte do show, acolheu todas as atenções quando mostrou dotes como beatboxer ou b-boy. O concerto foi forte, a presença de Nach foi notável, de alguém em pleno estado de forma enquanto MC e atravessando uma maturidade artística. Para fecho do tasco guardou “Efectos Vocales”, e que melhor tema para concluir uma mini-tour que se estendeu por três cantos do país? Como dizemos no Porto: do carago!

A conclusão nem necessita de ser muito extensa, basta apontar os nomes em cartaz e classificar esse conjunto de artistas e as suas prestações na noite portuense: Rob Swift + Dealema + Nach = Perfeição.





Texto: Druco e Sempei
Fotos: Ana Mendes
Vídeos: André Silva (Primouz)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Novo disco de DLM!



Apresentação oficial de "A Grande Tribulação"
8 de Dezembro - Faro
9 de Dezembro - Lisboa
10 de Dezembro - Porto

domingo, 23 de outubro de 2011

Minidoc Optimus Discos/180: Dealema



Optimus Discos em colaboração com Canal 180
Dealema - Arte de Viver
Um filme de Vasco Mendes

sábado, 4 de junho de 2011

Hard Club (3/6/2011): Auge, Dealema, The Beatnuts

Dizerem-nos que um grupo clássico de rap como Beatnuts vem ao Porto, é o mesmo que dizerem a uma criança que a Euro Disney lhe vem ter a casa: o contentamento não tem limites! Acrescente-se à brincadeira a distinta qualidade nacional representada por Dealema, mais o promissor Auge e ainda as cinco estrelas como marca registada do freestyle de Deau e temos um super deleite musical pela frente, qual criança embevecida a criar histórias com alguns dos seus brinquedos predilectos.

Mais uma ficha, mais uma volta. Ou seja, novo cartaz interessante, mais um retorno ao Hard Club, no Porto. Começamos a habituar-nos a ver na Invicta nomes cimeiros e históricos do rap mundial. As festas acontecem agora com mais frequência (Masta Ace e Marco Polo estiveram cá nem um mês fez ainda) e o hábito de peregrinar ao mítico espaço portuense faz-se de muito bom grado.

A hora de entrada, desta vez, fez-se mais tarde, quase perto das 3h. Quando entramos já Auge estava em posição para se esgueirar para o palco, a fim de dar início ao espectáculo. Deau foi o apresentador e era com um freestyle que dava o mote para as tropas aplaudirem os artistas. Acompanhado de D-One, Auge tirou da cartola temas novos de um futuro álbum (ainda sem data de lançamento) com que presenteou a plateia tripeira como “Sonho”, tendo ainda a companhia de Deau e a certa altura de Alpha na guitarra. “Crónica Paixão Fula” aqueceu as almas presentes, porém, e tal como seria de esperar, o seu grande momento da noite foi quando interpretou “Mambo”. Auge iniciou bem a noite, com uma prestação bastante positiva, pese embora a dificuldade de agarrar com temas novos uma plateia ainda algo frouxa.

Os corações batem mais forte quando o colectivo dealemático se presta a rebentar colunas de som, a encaixar molas nos pés de toda a malta, a quebrar pescoços mais ou menos duros, a colocar mãos apontadas ao céu. Não importa quantas vezes se veja Dealema ao vivo. Cada noite é especial e única. Há sempre uma vivência nova que se adquire. Abrindo o livro de tantas páginas clássicas, Maze, Fuse, Expeão, Mundo, sempre acompanhados por DJ Guze, proporcionaram sorrisos e abraços às almas que ali quiseram espreitar pela janela do paraíso. D’«A Cena Toda» à «Família Malícia», da «Bófiafobia» à «Sala 101», a viagem pela discografia dealemática fez-se pelas passagens mais desejadas e a correspondência das dezenas de devotos na plateia esteve efervescente como de costume. Até mesmo, ou melhor, sobretudo na última paragem do alinhamento: a inesperada «Infiéis (Ninguém Teme)». Dealema é uma banda nacional que nada fica a dever a congéneres estrangeiras no que a qualidade e adoração diz respeito. Sempre muito fortes, sempre a manter os bons velhos valores do Hip Hop na ordem do dia.

Deau foi improvisando até a dupla The Beatnuts entrar em cena, tendo até arrancado de alguns dos presentes junto ao palco parte da letra de “Lamento” em acappela. JuJu e Psycho Les apareceram discretamente diante do público do Hard Club já passava das 5h30 da matina. Ainda havia energia para o bailado rítmico da dupla latina-americana? Apesar de algum esvaziamento da sala, a resposta é nim. Não é todos os dias que se pode ver ao vivo Beatnuts, mas a hora a que iniciaram a actuação e o natural desgaste causado pela frenética presença Dealemática esfriou a temperatura do espaço. Contudo, parte da plateia mantinha-se bem acordada, até porque, nem que já fosse dia (a claridade já coloria as janelas da sala 1 do Hard Club), via-se de bom grado a actuação de um dos duos mais importantes da História do rap de terras do Tio Sam.

As razões para esse “sacríficio” são bastantes claras: poder ouvir «Do You Believe», «Get Funky», «Duck Season», «No Escapin This», «We Got The Funk», «Watch Out Now», eram motivos de sobra para se pôr palitos nos olhos, limpar bem os ouvidos, agarrarmos-nos à deusa (na melhor das hipóteses!) ao nosso lado para não cairmos e ficar-se colado naquele palco. É certo que a hora tardia e consequente cansaço geral tiraram um pouco do ambiente que se esperaria mais quente, mas dadas as circunstâncias foi, sem dúvida, uma excelente experiência assistir ao vivo a um concerto de Beatnuts. Quanto a JuJu e Psycho Les, pode-se dizer que começaram algo mornos (eles próprios sentiram o resfriar na pele) mas foram sempre tentando agitar a festa com um cardápio sonoro que tinha tudo para ser melhor degustado servido umas horas antes.

Em resumo, foi mais uma boa noite. Houve música de qualidade, freestyle, as pessoas divertiram-se, o ambiente esteve animado... Se algo se podia pedir era que tivesse começado um pouco mais cedo, mas há sempre situações que não se podem controlar, além de que este hábito já está bem enraizado, é cultural mesmo. Mais uma vez, agradecemos à Versus por continuar a organizar estas festas e a trazer a Portugal grandes nomes da cena rap americana, realizando os nossos sonhos de menino (ou nem tanto) de vê-los ao vivo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dealema - Família Malícia (Vídeo não oficial)

Ilustração por: Trip (DTOS Crew)
Tema: "Família Malícia"
EP "
Arte de Viver" de Dealema

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Melhores do Hip Hop em 2010 (Portugal)

Melhor Álbum 2010

Qualquer balanço que se faça por esta altura sobre o que melhor se colheu no panorama musical português ao longo do ano passado terá de conter necessariamente uma palavra, ou melhor, duas: Orelha Negra. Apesar de Orelha Negra não ser o típico projecto de Hip Hop - com DJ nos pratos e MC('s) no mic - não poderia, mesmo assim, deixar de elevar o seu disco homónimo até ao degrau mais alto de 2010. Mesmo que do Hip Hop sofra desvios para a Electrónica e para o Jazz, que escorregue para a Soul e para o Funk, com breves recaídas para o breakbeat, a música orquestrada pelas dez mãos deste supergrupo (sem vocalista ou maestro) não precisa de microfones para se expressar, ameaçando convencer até o cepticismo de que normalmente sofrem os artistas portugueses (DJ Shadow não olhou à nacionalidade quando há tempos os elogiou). O primeiro trabalho de Orelha Negra foi arrebatador em todos os capítulos: a nível gráfico, instrumental e live act, tudo pareceu no limiar da perfeição. O ano de 2010 ficará umbilicalmente ligado a um dos nomes musicais portugueses mais interessantes e valorosos dos últimos anos.

Um realce natural para os trabalhos de dois bastiões colectivos do rap da Invicta: "A Essência" de Mind da Gap e "Arte de Viver" de Dealema, pois claro. O álbum de MDG veio desmentir aqueles que desenhavam uma linha decadente na carreira do trio portuense. "A Essência" revelou-se uma excelente panóplia de canções, com uma sonoridade a puxar o clássico e aparições primorosas de Maze e Valete. No global, foi um disco revitalizador para Ace, Presto e DJ Serial. Com metade das faixas do álbum de MDG, o EP "Arte de Viver" de Dealema surgiu na plataforma da Optimus Discos, traduzindo-se em meia-dúzia de relíquias sonoras para mais tarde recordar. De facto, é de realçar a linha de abordagem adoptada pelo Colectivo Dealemático ao longo de seis temas ricos em proteínas e vitaminas. Um trabalho singular na extensa discografia de DLM.

Melhor Mixtape 2010

Em termos de mixtapes, confesso-me algo distante em relação ao que se produziu neste formato no último ano, contudo, enalteço o registo "2º Piso - 17 Anos", que, não contando com uma participação totalmente satisfatória por parte de todos os intervenientes, terá sido, mesmo assim, a mixtape que mais me agradou. Num patamar interessante, embora algo repetitivo, esteve Xeg com a sua mixtape "Egotripping", onde se exibiu mais mordaz e habilidoso que nunca. "Mike Phelps" bem que poderia ter arrecadado maior atenção nesta retrospectiva se não tivesse saído tardiamente e, por esse motivo, ainda não ter merecido até ao momento uma auscultação aprofundada da minha parte.

Num registo mais Soul que Hip Hop, "Utopia" de Expensive Soul merece um sublinhado, mais não seja pela produção meticulosa e exemplar de New Max. Em termos de instrumentais, este trabalho de Expensive Soul é capaz de produzir inveja em muita gente, tendo ainda conseguido reunir algumas canções elegantes e capazes de viciar, em concreto, os dois primeiros singles: "O Amor É Mágico" e "Dou-te Nada". DJ Gijoe foi dos artistas que mais surpreendeu discograficamente quando artilhou o disco "Palavra de Músico" com um exército de convidados interminável. Contudo, devido a esse congestionamento de participantes, acabou por gerar um álbum com uma qualidade algo irregular. Uma palavra para a Monster Jinx, que se manteve activa com o EP de Nexus ou a "Liga de Cavalheiros Improváveis" por exemplo, e ainda para o "rei da Linha de Sintra" - NGA, para os mais distraídos - que teve mais um ano com pouca inactividade, muito por culpa da série "Impakto".

A terminar, causará provavelmente alguma estranheza não ter mencionado o disco de estreia do colectivo Tribruto, "Algazarra", (vejo que têm surgido boas críticas), mas esse álbum ainda não foi por mim devidamente abordado, facto que lamento, mas que será certamente corrigido em breve. Outros trabalhos sofrem do mesmo mal, como por exemplo o registo pessoal de Dengaz ou as compilações "Hip-Hop Series".

Melhor Vídeo



Foi já no último mês do ano que "Olhos de Vidro" surgiu em vídeo (isto após integrar o Ep de Dealema em Março), mas chegou bem a tempo de se posicionar entre as melhoras obras videográficas de 2010. Este último videoclip de Dealema e "A Cura" de Orelha Negra foram, para mim, as realizações mais bem conseguidas do ano transacto. Outros vídeos interessantes merecedores de menção: o "Mundo Bizarro" de Maze, o "Sr. Diplomata" de Cacique'97 ou o espalhafatoso "Algazarra" de Tribruto.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Novo videoclip: Dealema



Produção vídeo: Riot Films
Faixa: "Olhos de Vidro"
EP "Arte de Viver" - Março 2010

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Festival Às 3 Pancadas, Barcelos (21/8/2010) 2º dia

No segundo dia do festival, as actividades começaram mais cedo. Às 18 horas, iniciou-se uma palestra com Rui Miguel Abreu sobre o pretexto “O que é o Hip Hop?”. Simpaticamente, Rui Miguel foi oferecendo a quem chegava discos da editora que ele fundou, a Loop Recordings. Com a tenda razoavelmente bem composta por curiosos do movimento dispostos a ouvir as palavras deste orador muito especial, que tem uma importante história no panorama desta cultura em Portugal. Foi precisamente por uma interessante apresentação sobre o seu primeiro contacto com o Hip Hop e todo o seu trajecto no meio que começou esta iniciativa louvável de aproximar alguém tão conhecedor não só do Hip Hop mas da música, em geral, a todos os amantes que o quiseram escutar, marcando presença naquela sessão. Houve uma interacção boa entre o jornalista e a plateia, que foi convidada a pronunciar-se sobre o que representava o Hip Hop e que esclarecidamente falou de sua justiça. De entre muitas histórias e curiosas revelações, tanto do seu trajecto pessoal como profissional, destacaríamos as palavras de Rui Miguel Abreu sobre o rapper NGA. Confessando nutrir uma grande admiração pessoal por NGA, embora ressalvando que não faz o tipo de rap que mais aprecia, a voz do programa “Rimas e Batidas” da Antena 3 revelou uma frase que o marcou dita por NGA por ocasião de uma entrevista radiofónica. As palavras de NGA foram as seguintes: “O Hip Hop salvou-me a vida”. E por que é que isto tocou de forma especial Rui Miguel Abreu e toca todos quanto a ouviram ou a lêem? Porque o Hip Hop foi uma oportunidade que NGA agarrou com as duas mãos para fugir a uma vida difícil para quem é proveniente de uma das zonas mais complicadas do país, porque NGA graças ao Hip Hop não acabou como muitos dos seus amigos de infância na cadeia por terem enveredado por uma vida de crime ou mortos por essas mesmas malhas... Tudo isto para exemplificar que o Hip Hop pode ser uma escapatória, uma oportunidade, na vida das pessoas, que lhes pode trazer efeitos benéficos. Salvaguardando as devidas distâncias, foi isso que aconteceu àquelas pessoas que inventaram o Hip Hop, no Bronx, e seguiram a sua filosofia. Tiveram uma oportunidade de melhorar as suas vidas.

A palestra fluiu bem, nem se deu pelo tempo passar, revelou-se interessantíssima pela presença da figura em questão e por todas as histórias que foram desembrulhadas. Foi uma óptima experiência. E não acabou sem música!

Aproveitámos o tempo de pausa entre o fim da conferência e o início das actividades nocturnas para vaguear pela cidade, onde estreámos um autocolante do HIPHOPulsação dedicado ao genial J Dilla. Enquanto conhecíamos cada recanto e esquina da cidade de Barcelos, fomos colando o nosso adesivo em alguns sítios e fotografamo-lo junto de alguns locais emblemáticos lá do burgo. Nota para a beleza do centro da cidade com o edifício municipal e demais monumentos em redor, mas também para a degradação e abandono de muitos edifícios públicos e não só, o que é uma pena.

A vadiagem provocou-nos cansaço e fome, o que nos conduziu a um restaurante, onde depois de jantarmos, o Sempei teve uma péssima digestão pela clamorosa derrota do Benfica!... O Roberto não mais lhe saiu da cabeça mas a perspectiva do início do festival deu-lhe a possibilidade de desanuviamento e animação que precisava!

Havia uma grande expectativa relativamente às finais dos concursos. A luta prometia ser muito renhida no Beatbox e muito desequilibrada no MCing. Assim foi. No Beatbox, Fubu, Beats, Robinho, Rizumik, Pedro Alexandre e Vítor Hugo iam com legítimas aspirações de arrecadarem o grande prémio. As prestações foram de grande nível e ficaram pelo caminho numa primeira etapa os dois últimos nomes mencionados. No tira-teimas, os intervenientes deram o seu máximo e complicaram bastante a decisão do júri (Woyza, Mundo e Rui Miguel Abreu). O desfecho foi surpreendente e o vencedor foi Beats! Rizumik ficou em segundo e o campeão da edição passada – Robinho – a quedar-se no 3º posto. Não questionámos de modo algum a decisão do júri, demonstrámos apenas a nossa surpresa pois o nosso preferido e a quem prognosticámos a vitória era Rizumik. Mas Beats esteve em muito bom plano também e a vitória assenta-lhe bem. Qualquer um dos três primeiros classificados tinha nível para ser o campeão.

Na componente do MCing, havia um super favorito, o vencedor das duas primeiras edições Zeka e que no dia anterior nas eliminatórias já nos tinha convencido de que era realmente o melhor. A nossa dúvida era saber qual seria o concorrente que mais se aproximaria do nível dele. Na verdade, nenhum. Zeka venceu sem surpresas e sem oposição forte numa finalíssima que teve a surpresa de ter a presença de Beats (sim, o mesmo do Beatbox), quando se esperava que Cálculo pudesse apresentar melhores argumentos, mas este foi penalizado por usar muitas muletas e até por se repetir em dicas que tinha usado no dia anterior, nas eliminatórias! O júri valorizou mais a espontaneidade de Beats e até a sua comicidade, quiçá, no modo dele enfrentar o opositor nos olhos e sempre em pleno desafio. Zeka foi demolidor na finalíssima, venceu justamente e de todos é o que apresenta melhor nível de improvisação, melhor linguagem e melhor interacção com o espaço e situação. Nota ainda para a presença de Zé Pequeno na final, onde fortuitamente chegou. Muito jovem ainda, muito imberbe nas rimas, fica-lhe a experiência de palco e o estímulo de ter atingido uma final para melhorar as suas ainda débeis capacidades.

Balanço dos concursos: reinou o equilíbrio no Beatbox, onde o nível foi mesmo muito bom, não nos cansamos de realçar este aspecto, e contra todas as previsões de favoritismo de Robinho ou Rizumik, Beats com mérito a surpreender a concorrência e a convencer o júri; na outra modalidade, reinou o desequilíbrio. Com excepção de Zeka, que desde a primeira performance convenceu de imediato, mais nenhum MC provou ter nível para o improviso, usando e abusando de muletas (tal como Mundo frisou) e de rimas decoradas, nuns casos, e noutros tentando ser espontâneos mas faltando-lhes o traquejo de melhor se desenvencilharem com o recurso a uma maior originalidade. Por favor, usar “n” vezes num improviso a expressão “tou-me a cagar” é de bradar aos céus e de pedir com urgência uma retrete para MC’s que só verbalizam merda... Colocado o dedo na ferida, era muito interessante que freestylers de outras zonas do país se dispusessem a participar neste tipo de eventos de modo a que a qualidade aumentasse. Assim, só se fica com a certeza que regionalmente Zeka é o rei do improviso e tricampeão do festival “Às 3 Pancadas”. Mas fica difícil manter o interesse neste tipo de concursos quando a organização decide anunciar apenas os resultados depois dos concertos (já passava das 4h da manhã). Quando os apresentadores tentam criar um clima de suspense que redonda num profundo aborrecimento e numa atordoante agonia, pior ainda! A maioria do público já se tinha ido embora quando se conheceram os vencedores dos concursos pois Sonoplastia e Dealema já tinham actuado. Uma situação que fica para a organização rever.

Relativamente aos concertos, não há muito a dizer. Sonoplastia é um colectivo da terra, bastante jovem que apresentou argumentos interessantes para singrar, mas que só o trabalho deles e o tempo dirá se isso é uma realidade. Sentiram o apoio dos amigos, actuaram na sua zona e abriram caminho para Dealema. Foi uma actuação positiva mas sem nenhuma relevância especial a destacar.

Quanto a Dealema, se se diz que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, adaptando isto à realidade dealemática ficará algo como «muda-se o lugar, mantém-se a euforia». Onde quer que Dealema actue, eles varrem a feira. A apoteose e adoração dos jovens por eles não conhece limites. Seguem as letras em uníssono, gesticulam, saltam, enfim, vibram imenso com o Pentágono, que tem sempre uma entrega total, um puro compromisso com o Hip Hop.

Sintetizando os dois dias de festival, achamos ter sido uma iniciativa louvável que reuniu muitos patrocinadores sendo de assinalar o apoio do município local. Moveu-nos mais nesta ida a Barcelos a curiosidade e oportunidade de assistirmos aos concursos, mais do que os concertos. Todavia, as actuações, apesar de nem todas terem sido novidade para nós, foram exemplares. Oxalá houvesse mais iniciativas como esta no nosso país. Nem tudo correu bem no “Às 3 Pancadas”, mas felizmente houve muito mais pontos positivos do que negativos. O festival está de parabéns por isso. Que volte, que venha ainda melhor, com mais força, com mais gente, com mais talento, pois tudo isto é a bem do Hip Hop nacional.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Festival Hipnotik - Barcelona

O Festival Hipnotik www.hipnotikfestival.com confirmou os Dealema para a edição de 2010 deste Festival que vai já na sua 8 edição.

O Hipnotiik acontece no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, é completamente dedicado á Cultura HipHop com uma programação exemplar que este ano inclui entre outros o Californiano Dj QBert, os Espanhóis SFDK e MORODO, entre muitos outros artistas Espanhóis apresentam-se também no Festival vindos de Miami os Artofficial, da Venezuela Gabylonia, ou seja uma grande montra internacional de nomes consagrados e novos Artistas.

Podem conhecer toda a programação no Site do Festival - www.hipnotikfestival.com

Depois de uma série de espectáculos na Galiza esta apresentação em Barcelona dá seguimento e é consequência do trabalho que tem vindo a ser feito de forma a divulgar os Dealema no País vizinho.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Novo vídeo de Maze



Pertencente ao EP "Homem Em Missão", que Maze editou em 2007, "Mundo Bizarro" foi o som escolhido para este novo registo videográfico. O MC dealemático continua também a preparar o seu primeiro álbum a solo.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

Musicbox Club Docs: Dealema



Quem deixou escapar o documentário relativo ao Colectivo Dealemático exibido recentemente no Cinema São Jorge e posteriormente na RTP2 pode agora testemunhá-lo, pois o mesmo já se instalou no Youtube. Está dividido em 6 partes, onde se recorda uma actuação ao vivo no Musicbox, para além de uma conversa com os 5 elementos do grupo sobre o movimento Hip Hop, pois claro.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Reportagem: Festival Villa Viarizi, Póvoa de Varzim (10/4/2010) no H2T

A reportagem dos concertos de Hip Hop realizados no passado Sábado na Villa Viarizi encontra-se desde hoje disponível para visualização no H2T. Se tiverem curiosidade, sigam por esta via:

http://www.h2tuga.net/artigos-h2t/eventos/3021-festival-villa-viarizi-povoa-de-varzim-dealema-activa-som-contrab.html

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dealema - Arte de Viver (crítica)

Dealema revisita os nossos ouvidos com o trabalho “Arte de Viver”. Distribuído gratuitamente através da plataforma Optimus Discos, este EP assinala e reforça, novamente, toda a importância do pentágono na nossa cultura Hip Hop. Maze, Fuse, Mundo, Ex-Peão e DJ Guze enriquecem-nos, mais uma vez, com a sua música. Desta feita, à borla!

«Arte de Viver» é um emaranhado de soturnos, brutais e estranhos ambientes donde pingam pequenas luzes que contribuem para a natural e vital respiração do Homem. Com o planeta debatendo-se com graves cancros e amputações, Dealema palpa o terreno e agita as mentes para a descoberta do remédio que nos salve. Da parte do colectivo dealemático, o antibiótico é a prescrição do costume: lutadores permanentes, eternos sonhadores e caçadores de emoções, nutridos com cantis de liberdade e criação.

Num mundo onde, mais tarde ou mais cedo, tudo é perda, Dealema orgulha-se em potenciar os ganhos. Desde 1993 em actividade, é perfeitamente compreensível que as transformações e o virar das folhas do calendário lhes tragam a percepção de que o sentimento característico da velha escola fique preso nas esferas do tempo. Mas em vez de ficarem agarrados ao passado, os cinco profetas mergulham no mar ainda inexplorado, pisam a terra ainda intacta, gravitam na lua onde ainda não se levantou poeira.

Esmiuçar a vida, o mundo, as pessoas, os confins do mistério, eis a proposta. Observar o que nos escapa à vista desarmada. Sentir e degustar os climas chuvosos, nublados, enigmáticos, tenebrosos, que não permitem antever o que está para lá da cortina de fumo. Ouvir os tique-taques sinistros, os risinhos fantasmagóricos, os recados blindados ao entendimento humano das forças do além. Vamos no comboio-fantasma até à casinha dos horrores. Somos passageiros no próprio mundo, pois claro.

Viver é a confrontação do real que imaginamos com a ficção que somos. Duramos pouco mais do que uma película de terror e, no entanto, sentimos a dor em potência máxima. Quando chega o carro fúnebre? Trivialidade da vida que nega o reconhecimento. Indigência que, no fim, arrasta o corpo para um só e tão apertado buraco. Depressão, degradação, suicídio. Qual o poeta maldito que nunca consumou isto? Histórias de comprimidos por goelas abaixo, de problemas que rasgam peles, de conflitos interiores que dinamitam crânios, de pobreza humana que assalta e viola o próprio corpo. Abaixamento de braços, apertos no coração, olhares absortos e cheiros a pólvora queimada.

É difícil encontrar esperança quando se tem de resistir ao «magnetismo pelo abismo». Mas ela existe. A cabeça erguida é a sina dos guerreiros. O mais justo prémio. Avança-se contra tudo e contra todos, o que importa é mesmo a honra. O Apocalipse não há-de assustar os de bons instintos, nem que venham os corvos agoirar. Como pode a causa ser perdida se pequenas manifestações de vida se agigantam perante a morte? No meio do caos também se operam milagres, é verdade.

Vidas que se cruzam em seis (sete?) graus de separação. Relatos marados. Malícia no abrir das portas. Dentes que rangem com o adeus do crepúsculo. Pesadelos até à alvorada. Bruxas, psicólogos, coveiros, a tratar da sociedade anónima. Viagem ao subconsciente, estados de transe, arrastamentos de pedras tumulares, ressurreições. Sonambulismo e hipnose, com adornos de lividez. «Erosão da sanidade» que faz a ponte para o desconhecido. Visões de hospitais, flashes do inferno, levitações, suspensão do tempo. Anjos e demónios. Como não ficar com “olhos de vidro” (e com ar de rock) quando se entra em dicotomia: vida e morte, beleza e fealdade, resistência e desistência, opulência e miséria, fortaleza e fragilidade, princípio e fim?! Impossível. «Arte de Viver» compreende tudo isto... E o mais que não se pode dizer... É só ouvir.

Dealema ensaiou no seu laboratório sonoro uma série de experimentações e interessantes abordagens que tiveram resultados entusiasmantes. Os relatos da vida, do surreal, dos sonhos, dos simples pensamentos a olhares fogueados no autocarro, enfim, os sentimentos que nos atravessam a espinha e brotam faiscantes no pensamento. O grupo expressou os constrangimentos e os dilemas que são colocados às pessoas, que têm de escolher e arcar com as consequências disso neste mundo cão. Não obstante toda a acidez presente neste EP, o sumo musical daqui espremido servirá certamente para fortalecer o organismo do nosso Hip Hop. Em «Arte de Viver», deixo um reparo apenas para o tema “Mais Uma Sessão” que, não sendo mau, antes pelo contrário, aparece, no entanto, a destoar na linhagem, no fio condutor, de grande parte do EP. Nessa faixa três, Dealema aperalta-se, alista-se na equipa do Rocky e distribui elegantes murros a quem ousar meter-se no ringue poético para confrontá-los. Todavia, não é por este erro de casting que Dealema vê obliterada a magia, a originalidade e a qualidade lírica e instrumental patenteada em toda a “Arte de Viver”. Pena somente para o facto de Dealema ter perdido uma bela oportunidade de apresentar um trabalho verdadeiramente temático e conceptual, escapando um pouco à simples e rotineira compilação de sons.

sábado, 3 de abril de 2010

A festa do rap da Invicta



Mais uma noite de rap exclusivamente nortenho no Porto, desta vez no Gare Clube. Nós estivemos lá e, como é habitual, revelaremos a nossa reportagem no H2T. Mas porque não contemplar já os mais curiosos com um cheirinho da noite tripeira de 2 de Abril?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Dealema - EP "Arte de Viver" (download)

Como havíamos escrito no início da semana, o novo EP dos Dealema, "Arte de Viver", estava prestes a sair do escuro, e eis que hoje já foi visto na plataforma da Optimus Discos. As 6 novas faixas do colectivo dealemático estão então à distância de um simples registo (para quem ainda não o tem) e um (ainda mais simples) click.

O primeiro single tem aguçado muitos ouvidos por aí. Vão já devorar o resto dos sons que vos falta!

http://www.optimusdiscos.com/discos/arte-de-viver

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dealema - Mais uma sessão (vídeo)



Novo ano, novo trabalho, novos sons, novo vídeo, a mesma autenticidade de Mundo, Expeão, Fuse, Maze e DJ Guze. O conjunto dealemático mantém-se fiel à sua "Arte de Viver". Este é o título do novo registo dos quatro MC's (e DJ) nortenhos, e que se prevê que esteja acessível ainda este mês de Março. O EP (de 6 faixas) dará continuidade à saga de lançamentos gratuitos na plataforma Optimus Discos, mas terá também edição física.

Em cima, o primeiro vídeo e single "Mais uma sessão"...