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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Miguel Atwood-Ferguson (cont.)

A forte adoração que prende Miguel Atwood-Ferguson ao Hip Hop (e em especial ao trabalho artístico do mui estimado Jay Dilla) levou-o a expressa-la em formato EP, de nome "Suite for Ma Dukes". Ma Dukes é a mãe de Jay Dilla, mas este disco vai muito além do nome da progenitora de Dilla no título e da foto da cerimónia fúnebre do produtor de Detroit na capa.



Miguel Atwood-Ferguson (com o precioso contributo de Carlos Niño) não se fez rogado e ousou pegar em quatro beats com a valorosa assinatura de Jay Dee (como "Fall in love" - concebida quando ele ainda se integrava nos Slum Village) e injectou-lhes um novo aroma. Uma fragrância trescalada por uma orquestra, portanto, uma sensação única, nunca antes detectada em instrumentais de Dilla. O resultado final é surpreendente, distante do original, até porque sente-se a ausência da bateria, é verdade, mas revela sobretudo que o legado de James Dewitt Yancey a.k.a. Jay Dilla atravessa a barreira do Hip Hop, com toda a naturalidade.



No ano passado "Suite for Ma Dukes" foi transportado para palco, juntamente com a armada da Miguel Atwood-Ferguson Ensemble. Por entre breves aparições de Talib Kweli, Common, Illa J ou Dwele, a alma de Jay Dilla esteve sempre bem presente, ou não tivessem desfilado apenas temas de sua autoria, embora sempre com aquele fino recorte orquestral de Miguel Atwood-Ferguson.

sábado, 25 de setembro de 2010

Miguel Atwood-Ferguson

Miguel Atwood-Ferguson Ensemble é uma orquestra americana capitaneada por (como é evidente) Miguel Atwood-Ferguson. Para além de se exercer de forma autónoma, Miguel Atwood-Ferguson é um artista multifacetado, tendo começado a acariciar as cordas dos violinos com a frágil idade de 4 anos. Os dedos de uma só mão são escassos para contabilizar a totalidade de funções por si exercidas. Para além de ser multi-instrumentalista, é compositor, arranjador, produtor, director musical, educador e até DJ.

Sobre palcos de todo o mundo, Miguel já figurou ao lado de Stevie Wonder, Quincy Jones, Roy Hargrove, Ray Brown ou Wayne Shorter. Dentro de um estúdio, como produtor musical, conta com outra lista infindável de parcerias: Ray Charles, Erykah Badu, Dr. Dre, Common, Will.i.am, Joss Stone, Raphael Saadiq, entre muitos outros.



Os gostos e influências musicais de Miguel Atwood-Ferguson deambulam entre a Clássica, Pop, Electrónica, Jazz e o Hip Hop. Em Julho deste ano, a Miguel Atwood-Ferguson Ensemble foi parte integrante do cartaz de verão dos concertos denominados Grand Performances, decorridos na California Plaza, em Los Angeles. Miguel e o seu agrupamento instrumental fizeram-se acompanhar por alguns convidados ilustres. Com o precioso contributo de Aloe Blacc, prestaram uma bela homenagem a Guru, por intermédio do tema "Betrayal", pertencente a "Moment of Truth" - o primoroso disco do duo Gang Starr. Pela voz melodiosa de Bilal lembraram Donny Hathaway, através da interpretação do tema "Someday We'll All Be Free", datado de 1973.



Ambas as versões (assim como outras duas: um tema de Flying Lotus e outro de Jay Dilla) foram gravadas e disponibilizadas para download gratuito neste domínio.