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quinta-feira, 18 de junho de 2009

À descoberta do sentimento oriental

DJ Deckstream é um daqueles indivíduos que fabrica batidas carregadíssimas de elementos jazzísticos. A abordagem melódica deste produtor japonês nos seus instrumentais assemelha-o ao compatriota Nujabes, uma das figuras de proa na produção de beats naquele continente.
Em 2007, no primeiro número de "Soundtracks", Deckstream contou com uma série de colaborações, onde predominavam nomes tão conhecidos do rap americano como DJ Premier, Pep Love, Lupe Fiasco, Talib Kweli, Bahamadia, Camp Lo ou Zion I.
Recentemente, o DJ presenteou o povo dos olhos em bico com um segundo número de "Soundtracks". O trabalho privilegia, mais uma vez, uma base instrumental que abraça a Soul e o Jazz com o Hip Hop, tendo sido toda ela posta à disposição de um leque de artistas constituído por Mos Def, N’dea Davenport, Nikki Jean, Nice & Smooth, Substantial e os Teriyaki Boys.
A participação de Mos Def em 'Life is good' é assim contada. 'Unconditional Love' contagia qualquer ouvido.

Stilla-mode é uma crew japonesa que entrou este ano nos estúdios, de onde saiu com esta "Lovexperience". O colectivo conta com as rimas de 2mo'key, o beatbox de M-oto e as batidas de Masacote. As influências destes asiáticos no processo de criação não poderia ser mais confiável: a golden era do Hip Hop dos anos 90. Gang Starr, A Tribe Called Quest e a dupla Pete Rock & CL Smooth são os primeiros nomes a serem recordados. 'Outro' continente, o mesmo sentimento.

Uma orquestra de músicos, também eles japoneses, e uma mescla de rimas provenientes do rap mais mediático do mundo. É o que encontramos em "Velvet Ballads", onde a Cradle Orchestra proporciona uma nova experiência a nomes tão portentosos como Talib Kweli, CL Smooth, O.C., Asheru, Black Thought, Aloe Blacc e Rakaa. O colectivo asiático, que inicialmente contava apenas com dois elementos, alargou para seis o grupo de músicos. Permitam-me guiar-vos nesta viagem 'So Fresh' que junta dois povos tão distintos mas, ao mesmo tempo, tão conciliáveis.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Morte & Vida



Tupac Shakur e Notorious B.I.G. são dois dos maiores ícones do Hip Hop. Venerados por uma legião imensa de fãs, ainda hoje estão facilmente no top dos melhores de sempre do rap. Tragicamente, foram ambos assassinados quando ainda tinham muitíssimo a oferecer a esta cultura. Através da música viverão para sempre.



O.C. é um dos mais talentosos artistas do panorama Hip Hop. Porém, na maior parte das listas dos melhores mc’s raramente o seu nome aparece. Neto de uma portuguesa que nunca chegou a conhecer, O.C. relembra-nos que nascemos não apenas para existir, mas para efectivamente viver. Um som clássico.



Nach Scratch é, para mim, um dos melhores mc’s do mundo. As suas letras contêm uma poeticidade que escasseia no rap que se produz actualmente. O espanhol, natural de Alicante, é um mc versátil, que se sente perfeitamente apto a tratar qualquer tema e que se ouve sem nunca enjoar, por mais complexo ou gasto que esteja o assunto. Dotado de uma elevada humanidade, Nach desfolha-nos aqui vários capítulos com uma mensagem límpida: vive!



D.R. Period é um produtor que conta já com algum currículo, embora não seja um dos nomes que nos vem à cabeça quando pensamos nos melhores beatmakers americanos. Todavia, D.R. Period produziu para M.O.P. um avassalador instrumental. Tanto que alguns até atribuem a autoria desse beat a... DJ Premier! As partículas sonoras que compõem essa «beatamina» accionam-nos os alarmes da consciência para que façamos o correcto investimento - aproveitar plenamente a preciosidade que é viver. Porque é mesmo assim: hoje estamos aqui, mas amanhã já não.