Segundo tema do novo álbum de MDG "Regresso ao Futuro" com edição prevista para Setembro.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Mind da Gap feat. Rey - O Jardim
Segundo tema do novo álbum de MDG "Regresso ao Futuro" com edição prevista para Setembro.
terça-feira, 24 de abril de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Mind da Gap - "Este Beat"
"Este Beat" é o primeiro tema conhecido do novo álbum de estúdio de Mind da Gap. O sexto disco de Ace, Presto e Serial terá edição em Maio pela Meifumado e conta com participações de Sam The Kid, Dealema, Berna, Rey, DJ SlimCutz, Sérgio Freitas e Zé Lima.
quinta-feira, 17 de março de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Melhores do Hip Hop em 2010 (Portugal)
Qualquer balanço que se faça por esta altura sobre o que melhor se colheu no panorama musical português ao longo do ano passado terá de conter necessariamente uma palavra, ou melhor, duas: Orelha Negra. Apesar de Orelha Negra não ser o típico projecto de Hip Hop - com DJ nos pratos e MC('s) no mic - não poderia, mesmo assim, deixar de elevar o seu disco homónimo até ao degrau mais alto de 2010. Mesmo que do Hip Hop sofra desvios para a Electrónica e para o Jazz, que escorregue para a Soul e para o Funk, com breves recaídas para o breakbeat, a música orquestrada pelas dez mãos deste supergrupo (sem vocalista ou maestro) não precisa de microfones para se expressar, ameaçando convencer até o cepticismo de que normalmente sofrem os artistas portugueses (DJ Shadow não olhou à nacionalidade quando há tempos os elogiou). O primeiro trabalho de Orelha Negra foi arrebatador em todos os capítulos: a nível gráfico, instrumental e live act, tudo pareceu no limiar da perfeição. O ano de 2010 ficará umbilicalmente ligado a um dos nomes musicais portugueses mais interessantes e valorosos dos últimos anos.
Um realce natural para os trabalhos de dois bastiões colectivos do rap da Invicta: "A Essência" de Mind da Gap e "Arte de Viver" de Dealema, pois claro. O álbum de MDG veio desmentir aqueles que desenhavam uma linha decadente na carreira do trio portuense. "A Essência" revelou-se uma excelente panóplia de canções, com uma sonoridade a puxar o clássico e aparições primorosas de Maze e Valete. No global, foi um disco revitalizador para Ace, Presto e DJ Serial. Com metade das faixas do álbum de MDG, o EP "Arte de Viver" de Dealema surgiu na plataforma da Optimus Discos, traduzindo-se em meia-dúzia de relíquias sonoras para mais tarde recordar. De facto, é de realçar a linha de abordagem adoptada pelo Colectivo Dealemático ao longo de seis temas ricos em proteínas e vitaminas. Um trabalho singular na extensa discografia de DLM.
Em termos de mixtapes, confesso-me algo distante em relação ao que se produziu neste formato no último ano, contudo, enalteço o registo "2º Piso - 17 Anos", que, não contando com uma participação totalmente satisfatória por parte de todos os intervenientes, terá sido, mesmo assim, a mixtape que mais me agradou. Num patamar interessante, embora algo repetitivo, esteve Xeg com a sua mixtape "Egotripping", onde se exibiu mais mordaz e habilidoso que nunca. "Mike Phelps" bem que poderia ter arrecadado maior atenção nesta retrospectiva se não tivesse saído tardiamente e, por esse motivo, ainda não ter merecido até ao momento uma auscultação aprofundada da minha parte.
Num registo mais Soul que Hip Hop, "Utopia" de Expensive Soul merece um sublinhado, mais não seja pela produção meticulosa e exemplar de New Max. Em termos de instrumentais, este trabalho de Expensive Soul é capaz de produzir inveja em muita gente, tendo ainda conseguido reunir algumas canções elegantes e capazes de viciar, em concreto, os dois primeiros singles: "O Amor É Mágico" e "Dou-te Nada". DJ Gijoe foi dos artistas que mais surpreendeu discograficamente quando artilhou o disco "Palavra de Músico" com um exército de convidados interminável. Contudo, devido a esse congestionamento de participantes, acabou por gerar um álbum com uma qualidade algo irregular. Uma palavra para a Monster Jinx, que se manteve activa com o EP de Nexus ou a "Liga de Cavalheiros Improváveis" por exemplo, e ainda para o "rei da Linha de Sintra" - NGA, para os mais distraídos - que teve mais um ano com pouca inactividade, muito por culpa da série "Impakto".
A terminar, causará provavelmente alguma estranheza não ter mencionado o disco de estreia do colectivo Tribruto, "Algazarra", (vejo que têm surgido boas críticas), mas esse álbum ainda não foi por mim devidamente abordado, facto que lamento, mas que será certamente corrigido em breve. Outros trabalhos sofrem do mesmo mal, como por exemplo o registo pessoal de Dengaz ou as compilações "Hip-Hop Series".
Foi já no último mês do ano que "Olhos de Vidro" surgiu em vídeo (isto após integrar o Ep de Dealema em Março), mas chegou bem a tempo de se posicionar entre as melhoras obras videográficas de 2010. Este último videoclip de Dealema e "A Cura" de Orelha Negra foram, para mim, as realizações mais bem conseguidas do ano transacto. Outros vídeos interessantes merecedores de menção: o "Mundo Bizarro" de Maze, o "Sr. Diplomata" de Cacique'97 ou o espalhafatoso "Algazarra" de Tribruto.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Concerto de Mind da Gap adiado
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Novo vídeo arrancado d'"A essência"
Os Mind Da Gap mostram a partir de hoje, num exclusivo online da Antena 3, as imagens que acompanham o novo single do disco "A Essência". Depois de "Abre os Olhos", "A Essência" e "Não Pára", com Valete, os Mind Da Gap escolheram "Sintonia" para, mais uma vez, mostrar um som inspirado no passado e que celebra a vida do trio Ace, Presto e Serial.
Amanhã este vídeo terá a sua estreia em TV no programa Top + da RTP, depois do jornal da tarde
Ficha Técnica Vídeo “Sintonia”
Realizador: Luis Pedro Cardoso - Cimbalino Filmes
Filmagem e Fotografia: André Tentúgal
Produção: Cimbalino Filmes
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
Reportagem: GSM Fest 2010 (4-9-2010): Mind da Gap, Berna, Sonoplastia, Contrabando88, entre outros
Chegámos a Galegos com algumas dificuldades. Conhecíamos o centro de Barcelos mas foi-nos algo difícil descobrir o Estádio das Devesas, onde se realizaram os concertos. Como quem tem boca vai a Roma, depois de uns quantos pedidos de informações, encontrámos finalmente o local. Por volta das 21 horas, o ambiente era ainda calmo mas já algumas pessoas circulavam pelas redondezas. Sabíamos que existiam dois palcos para que todos mantivessem o entretenimento e se evitassem quebras. Assim, depois do palco secundário acender as primeiras luzes e desbobinar os primeiros sons, estava dado o mote para o início das festividades.
Claro que o grande interesse residia no palco principal, mas houve sempre curiosos que, no intervalo dos concertos no palco mor, iam espreitar quem se exibia na tenda que acolheu gente como Caixa Toráxica ou Consultório Lírico. A primeira atracção para as grandes andanças foi Contrabando88 que contou, como sempre, com a sua aguerrida base de fãs, proveniente da Póvoa de Varzim. Já se contava uma boa assistência para ver, ouvir e aplaudir o grupo, mas quem vibrava com toda a alma e intensidade eram mesmo os amigos do grupo, que vão a qualquer lado para os apoiar. O Contrabando88 mostrou a garra do costume, sempre entusiastas no debitar das rimas, houve tempo para apresentarem um tema novo e, para além de outras, a chamada sempre especial ao palco de Supremo G para interpretar com o grupo os temas “Pequenos Heróis” e o mortífero “Revolu-som” para fechar a prestação.
Sonoplastia revezou Contrabando88 e mostrou, em casa, o que é, de facto, “pé na porta”. Confiantes, com o apoio da sua gente, desfilaram temas que farão parte do seu novo trabalho, sempre com energia e pedindo o apoio de todos para que a performance fosse mais forte. Conseguiram uma actuação boa, com Cálculo a assumir-se na linha da frente do grupo, destacando-se ainda a subida ao palco de Alice para dar o seu contributo nas cantorias. Estiveram na mesma linha do que protagonizaram há, mais ou menos, quinze dias no concerto do festival “Às 3 Pancadas”.
Quem se deslocou ao GSM Fest 2010, no dia consagrado ao Hip Hop, certamente que levava em mais evidência na mente os nomes de Mind da Gap e Berna. Seriam mesmo eles os grandes senhores da noite. Primeiro, Berna. Directamente de Aldoar, o tripeiro de gema, esteve mesmo muito muito bem em palco. Quer na interpretação das faixas que alinhavou para apresentar, quer pelo discurso, diríamos, importantíssimo, que teve com o público. Mostrou realmente ser um Mestre de Cerimónias com uma vastíssima experiência nos meandros do Hip Hop, com um profundo conhecimento do movimento, da vida e do mundo e foi isso que partilhou com todas as pessoas, quer fosse através da música, quer fosse através da brilhante comunicação que fazia na pausa daquelas. A empatia com o público foi soberba, viu-se no rosto de Berna a felicidade estampada pelo apoio dispensado e o povo esteve ao rubro a cada clássico desfiado pelo rapper portuense. Uma muito boa actuação de Berna!
Depois do MC de Aldoar ter fomentado sérios abanamentos do “melão”, Mind da Gap veio com a corda toda para que os pescoços dos presentes atingissem o torcicolo justo. DJ Serial, Presto e Ace trouxeram para o palco uma grande panóplia de canções, desde temas do mais recente disco até memórias mais antigas, mas sempre clássicas, que levaram o público ao êxtase. Movimentando-se em palco com grande adrenalina, exemplificaram que a idade é um posto, que o estatuto que têm é fruto do seu trabalho, que o pioneirismo que engrenaram é um dos seus cartões de visita e um sinal de respeito dos fãs. Maze foi o convidado especial de Mind da Gap para a entoação de “A Essência”. Mind da Gap deu uma grande prova de vitalidade, qualidade e festividade. Havia dúvidas?Em resumo, o “Gallus Sonorus Musicallis Fest 2010” foi uma óptima surpresa para nós, pelo cartaz que conseguiu reunir, por ter tido a versatilidade de apontar em dois estilos musicais diferentes, em dois dias, o Metal e o Hip Hop, por ter conseguido atrair bastante público e com todo o valor, o mérito e uma merecida vénia concretizou esta festa no sentido de angariar fundos para o Núcleo de Barcelos da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP). A cidade de Barcelos está de parabéns pela proactividade que demonstra na divulgação cultural, concretamente na música, e os organizadores deste evento merecem igualmente a nossa congratulação, bem como todo o público envolvido, já que reinou uma aura de verdadeira festa e paz. Uma pequena nota nossa apenas para o facto de nos ter sido impossível acompanhar um concurso de B-Boying que paralelamente decorria. Pelo facto, assinalamos a nossa pena.
terça-feira, 29 de junho de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Sábado foi assim...
* Vídeos do blogger Pedro - Hora H
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Mind da Gap e Gil Scott-Heron na Casa da Música
Os Mind da Gap estarão sábado, dia 15 de Maio a partir das 23h, no Porto para o concerto de apresentação do novo álbum. O espectáculo será na Casa da Música inserido no Clubbing Optimus de Maio onde actuará, também, Gil Scott-Heron, visto por muitos como o precursor do hip-hop. Uma noite a não perder.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Entrevista com Mind da Gap
Ainda não se passaram quinze dias desde que Mind da Gap editou a sua mais recente pedrada musical, intitulada "A Essência", e já corre a ideia generalizada do grande regresso do grupo. Com um vasto historial de sucessos e com uma decisiva preponderância no rap feito em Portugal, Mind da Gap aflora temáticas pertinentes, levanta bem alto a bandeira do Hip Hop, expande a sua própria discografia para um outro nível. O HIPHOPulsação teve a feliz oportunidade de colocar umas questões ao grupo e as respostas não desiludiram. Ace, Presto e Serial a provarem porque continuam essenciais neste Hip Hop que é o corpo e a alma deles.
1- Afinal, o que é estar “sintonizado no modo alternativo”?MDG- É viver numa sintonia diferente daquela em que é suposto estarmos todos, ou daquela em que gostariam que estivéssemos. É seres verdadeiro - contigo e com os outros, teres espírito crítico e não engolires tudo o que te “dão a comer”, lutares por aquilo em que acreditas, fazeres aquilo que sentes que deves fazer, ter vontade de ser feliz e estar preparado para fazer o que for preciso para isso acontecer, não seguires o estado de espírito geral do “rebanho”, não viver no medo, alimentar o rebelde que há em ti com informação fora dos esquemas de controlo. No fundo, seres fiel a ti mesmo e às tuas convicções.
2- Existe um traço sublinhado a grosso neste vosso disco relativamente ao mal-estar social. Acreditam, tal como Camões, que «um rei fraco faz fraca a forte gente»?
MDG- Sem sombra de dúvida. Pior do que isso, diríamos “um rei actor faz pouco inteligente e amorfa a forte gente”. A política em Portugal parece uma “filial” de Hollywood. E enquanto tu, quando vais ver um filme ao cinema, se não gostares do mesmo, podes sempre levantar-te e ir embora, aqui o “público” parece estar amarrado às cadeiras. Faz-nos pensar naquela frase de “estar à beira do abismo e dar um passo em frente”- todos os dias são assim no nosso jardim à beira mar plantado.
3- São cada vez mais os elogios feitos ao rap português. Todavia, o que é que lhe falta para que vingue em pleno na música nacional?MDG- Não sei bem o que é o “vingar em pleno na música nacional”. Acredito que o rap português avançou muito a todos os níveis desde o nosso começo até agora. Mas não nos podemos alhear do facto de que o mercado musical caiu muito nos últimos anos e ao rap português quase não foi deixado espaço para além da “barreira do download ilegal”. Hoje em dia, quem vinga (vou considerar o “vingar” como um sinónimo de popularidade e vendas) na música são quase exclusivamente os produtos feitos para grande consumo, a versão musical do fast-food - e nesse sentido, talvez até seja positivo o não vingarmos, é quase um sinónimo de qualidade esse “selo” do não vingar.
4- Sonhar é um dos pressupostos da arte. Que sonhos tem Mind da Gap?
MDG- Boa pergunta… Acho que podemos resumir os sonhos todos a um estado de espírito global muito diferente daquele que temos hoje em dia. Se o mundo fosse um “sítio” completamente diferente, os sonhos de todos eram possíveis de concretizar. Um mundo menos “cerebral”, menos centrado no capital e no lucro, com menos ganância, menos corrupção, menos injustiças, menos preconceitos. Uma frequência mais espiritual, mais livre (realmente livre), com mais espaço para a realização individual de todos, com mais verdade, honra, respeito - este seria um mundo onde os sonhos de todos podiam ser realizados. Mas este não é o mundo que temos, não é o mundo para o qual nos condicionam, não é o mundo para o qual estamos preparados.
5- Espalham por todo o álbum um celestial amor pela cultura Hip Hop. Ainda se lembram quando e como se apaixonaram pelo movimento, quando aconteceu aquele clique?
6- “Não Pára” é uma das faixas mais fortes do disco. Encontram explicação para se dizer tão insistentemente que o Hip Hop está morto?
MDG- Suspeitamos que sim… A verdade é que morto, morto, não está “somos a prova disso, vivos”. Mas que está longe de ser aquilo que já foi e que possivelmente poderia ser, está. E percebemos que alguém possa dizer que o hip hop está morto para provocar uma reacção em quem faz e em quem ouve rap e vive o hip hop. Hoje em dia tornou-se muito fácil fazer música - mais ainda (supostamente) se for Rap - e principalmente na América, o rap é uma saída profissional como outra qualquer, um bilhete de saída do gueto e/ou do negócio do tráfico ou outras actividades ilícitas. Por isso mesmo, o meio hip hop está inundado de música de fraca qualidade, baixo teor de conteúdo e praticada por pessoas sem o mínimo talento, interesse, cultura ou conhecimento, cujo único objectivo é ganhar muito dinheiro para poderem dar azo às suas ânsias e vaidades. Não queremos com isto dizer que o hip hop deva ser reservado para uma elite de bom gosto musical (e interesse, cultura e conhecimento, etc). O hip hop quer-se pluricultural, multirracial, universal. Mas pode ser tudo isto com bom gosto, com interesse, com um sentido de existência menos fútil, menos oco, menos plástico, menos formulaico. E não tem sido - e talvez seja por isso que haja quem afirma que o hip hop está morto.
7- Como é que Mind da Gap vê a relação Internet / Hip Hop português?MDG- Mal e bem. Bem pelo lado do público, porque sabemos que nem toda a gente tem possibilidade de comprar CDs ao preço que a indústria e o Estado insistem em vendê-los e a internet é o meio que essas pessoas têm de ter acesso à música que querem ouvir. Mal, porque sabemos que a maior parte das pessoas (jovens) não tem a mínima consciência do mal que pode estar a causar a um artista (ou grupo) ao descarregar o seu CD. Há despesas envolvidas no processo de lançamento de um CD - antes e depois de ele sair para a rua - e elas têm de ser pagas, as editoras não são instituições de caridade ou beneficiência e para quem faz edições de autor é ainda mais grave porque essas despesas saem do “bolso” de quem resolveu apostar em si mesmo. Mas para nós, os reais responsáveis desta situação, são os únicos de que nunca ninguém fala - isto é muito mais do que uma relação músico/público - as empresas que fornecem acesso à internet, lucram bastante com os downloads ilegais - que os próprios encorajam e publicitam - e ninguém tem coragem para os obrigar a pagar uma taxa que seja distribuída pelos autores que são pilhados de forma aberta e com conhecimento e conivência dessas empresas.
8- “Injecto misticismo na visão da cidade”, refere Ace. Sendo Mind da Gap um grupo embaixador da cidade do Porto e orgulhoso das suas raízes, como vêem estes anos de governação de Rui Rio?
MDG- Em termos culturais, que é a parte à qual estamos mais atentos, esta presidência de câmara tem sido muito fraca. Numa cidade com um Rio D’ouro, temos uma governação por um Rio muito pobre.
9- A fechar, em Portugal, o que vos inspira para fazer arte?
MDG- Em primeiro lugar, a nossa sincera vontade de o fazer. Depois, em Portugal, assim como no resto do mundo, não falta inspiração. Positiva e infelizmente, menos positiva. De certa forma, tudo pode ser inspiração, tudo o que nos rodeia. Talvez essa inspiração não nos apareça, na maior parte das vezes, de forma absolutamente consciente, de maneira a conseguirmos materializá-la de imediato. Mas há coisas que ficam gravadas algures nos nossos cérebros e na altura de criar, quando são necessárias, saem em forma de letras e/ou instrumentais.
Por: Druco e Sempei
Fotos: André Tentúgal
O HIPHOPulsação agradece a Mind da Gap e à editora Meifumado por terem tornado possível esta entrevista.
Mind da Gap feat. Valete - Não Pára (vídeo)
Depois de "A Essência", novo videoclip de Mind da Gap para o segundo single do mais recente registo do grupo tripeiro. "Não Pára", com a participação de Valete, foi o tema escolhido. O vídeo foi lançado hoje mesmo, tendo sido realizado por André Tentúgal.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Mind da Gap - A Essência (crítica)
Mind da Gap está de volta às lides discográficas com o álbum “A Essência”, que tem etiqueta da Meifumado e conta ainda com o apoio da Antena3. É o regresso de uma das bandas históricas do rap português que, ao longo do tempo, muito tem ajudado a alicerçar a cultura Hip Hop no nosso território. Ace, Presto e Serial continuam determinados em fazer viver saudavelmente a cultura que representam. “A Essência” é a prova disso.O disco inicia com o tema “Só Pra Ti” dedicado àqueles que se sintonizam, tal como Mind da Gap, no modo alternativo, já que é aí que encontram um significado real para as suas vidas. Segundo o grupo, a felicidade brota de se ser original, de se escolher a direcção e de se ter a coragem de se lhe manter fiel. Serial brinda-nos com uma deliciosa ambiência capaz de nos fazer furar as nuvens e de nos colocar no pico de uma estrela.
Se o Hip Hop é um movimento, então este “Não Pára”. Celebra-se aqui a cultura e realça-se a sua vitalidade e solidez, devido aos muitos guerreiros que lutam por ela e que honradamente a defendem. Em todos os elementos, ainda há muito para criar e por explorar. A missão está traçada e o troféu é a evolução. A participação de Valete, nesta faixa, transforma-a num autêntico morteiro para os odiosos do Hip Hop. Na verdade, Valete acentua a grande ironia e a factual mudança que ocorreu na sociedade portuguesa e que se verifica igualmente no Hip Hop, nomeadamente na forma de ver o movimento e nos preconceitos que foram desfeitos. As palavras de Ace, Presto e Valete, com o auxílio de Serial na MPC, rebentam com qualquer barreira que possa ser colocada ao Hip Hop!
Fica claro que o movimento é um amor de todos os dias. Mas a própria vida também o é. Isso mesmo está explícito no tema “Carpe Diem”, em que se assinala que cada momento nesta Terra deve ser sagrado. Para que vingue a aura celestial, a cabeça é nevrálgica nesse processo, é mesmo a melhor máquina há no mundo. É ela que nos deve impelir para a acção porque o tempo não tem paciência para aguardar por ninguém. Sem dúvida que o trio cultiva em si a inflamação da alma!
Modo de vida, missão em acção... “O Eremita” em plena labuta. Ace empreende uma análise às vicissitudes do escritor de versos, aludindo naturalmente ao elogio do poeta. O entrelaçar de dedos entre os artesãos de rimas e o público pode ser entendido como uma espécie de comemoração espiritual que se reveste do maior simbolismo e da maior solenidade. A batida proveniente das mãos pensantes de Serial é linda, o que faz resplandecer ainda mais esta malha. A vibração conscienciosa indica-nos que o poeta é um ser diferente, especial, sendo prendado com a graça dos deuses.
“Todos os Dias” é uma viagem pelo ritual humano. As dicotomias que nos assaltam, a visão da inesgotável roda do mundo que não pára, o pessimismo que vaza os corações e que fica a comandar as pessoas. Sobre um calmo instrumental, Ace e Presto debitam os seus pensamentos, frisando com maior impacto a exigência para as pessoas colocarem em prática o seu juízo crítico.
O confessionário perfeito afinal não está nas igrejas. Não só para exorcizar fantasmas, aliviar as consciências pelo pecado materializado ou encontrar a paz interior, a música é a via mais directa para falar com Deus. Neste caso, em Mind da Gap, para falar com a deusa. No fundo, esta canção proclama a “Sintonia”, a soma de todos os pedacinhos valorosos, que unidos perfazem um grande bom. Tudo isto explanado em mais uma batida de Serial que nos faz andar em órbita pela galáxia. Demais!
Porque é difícil esquecer quem nos esquece, Mind da Gap aponta o dedo e fala olhos nos olhos a quem promove a futilidade social, ao invés de valorizar quem, de facto, merece. Todavia, o tempo – o grande juiz que decide quem ficará para a posteridade – encarregar-se-á de separar o trigo do joio. “Votados ao Esquecimento” acentua também a mais-valia em se ser politicamente incorrecto em detrimento do ser-se hipócrita e cínico no formalismo pindérico do «sim, senhor».
Na senda dos sons mais introspectivos de MDG surge «Como Conseguem?». Ace e Presto parecem empoleirar-se numa das galerias da Assembleia da República e do alto da sua razão reprovam a falta de decoro de alguns políticos. O questionamento da falta de ética e de consciência são dois cartões vermelhos firmemente exibidos à classe política que, neste tema, fica verdadeiramente com as orelhas a arder!
Mas como a vida não são só chatices, é sempre bom tornear o colapso cerebral através do prazer. “Faço a Festa” é uma demanda do corpo e é um implícito lema de Mind da Gap em concertos. Eles fazem a comemoração em palco como se não houvesse amanhã. Ressuscitada a mente e retemperado o corpo, estão reunidas as condições para penetrarmos fundo no interior do coração. A propriedade mais latente, o sumo mais vitamínico, a dose de morfina mais forte que podemos receber: o amor – traduzido como “A Essência”. Com a participação especial de Maze e com mais um brilhante diamante polido por Serial, esta canção exalta os benefícios da melhor coisa do mundo que é capaz de funcionar como um bálsamo para o espírito, uma fonte de energia, o melhor combustível para a vida. «O amor é livre, essencial»!
A temática revolucionária continua saliente no discurso dos rimadores. “Não Me Habituo” é o repto para a revolta, para a (re)acção, rumo à evolução. Serial demonstra também que não se resigna com batidas de baixo nível e apresenta nova bomba sonora, na qual os rappers se mostram inconformados perante várias situações da vida. Pela via do activismo mais radical, Mind da Gap mostra novamente a sua fibra e a sua pujança. Intitulando-se “Guerreiros”, marcam no éter a sua posição e mostram sedução pelo poder da luta. Em síntese, artistas destemidos pois contam com a melhor das armas: a música.
“Marcas”, que fecha este disco de Mind da Gap, conta com um sample fantástico que muitos reconhecerão duma canção clássica das rimas e batidas portuguesas. Trabalhando naturalmente o sample à sua maneira, imprimindo-lhe o seu cunho pessoal, Serial engendra um instrumental com o poder de fazer levitar uma bigorna. Os rappers cristalizam no beat a retrospectiva do caminho que tomaram desde há 17 anos. Com frontalidade, pureza e realidade, ouvimos o rabiscar da cosmologia de Mind da Gap, sustentada na complementaridade entre as três individualidades que compõem o colectivo. Um som que fecha em beleza o álbum.
Concluído o périplo por “A Essência”, apraz referir o grande regresso de Mind da Gap. Fiéis a si próprios, espalhando o amor pela cultura Hip Hop, trazendo rimas e batidas de excelente qualidade, o trio pode almejar o melhor dos acolhimentos por parte dos ouvintes. “A Essência” é mais uma demonstração da maturidade artística do trio e consequentemente é mais um álbum que ajudará o rap português a atingir uma maior projecção. Num outro plano, o título deste disco e todo o design fazem igualmente emergir uma ideia de infindável dedicação e amor ao Hip Hop português, por parte de MDG, independentemente do que o futuro possa reservar. Afinal o Hip Hop será sempre um universo com uma esquina por encontrar, com um caminho por mapear, com uma luz por admirar. Serial, Ace e Presto voltam em excelente forma, reforçando a sua condição de guardiões da essência do Hip Hop português. terça-feira, 20 de abril de 2010
Pré-escuta de "A Essência" de Mind da Gap
quinta-feira, 8 de abril de 2010
"A Essência" de Mind da Gap a 26 de Abril
Já se conhece o dia oficial para a chegada do novo trabalho de Mind da Gap: 26 de Abril. "A Essência" será assim o quinto álbum de originais do trio portuense, depois do último "Edição Ilimitada" de 2006. Na tracklist do novo registo avistam-se as participações de Valete e Maze, sendo que DJ Serial ficou responsável por todos os instrumentais. Revelamos mais abaixo o alinhamento das faixas e relembramos o single homónimo do álbum.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Mind da Gap - A Essência (com Maze)
O próximo álbum dos Mind da Gap vai saltar para os escaparates em meados de Abril. Até lá, todos os apreciadores da música engendrada por este trio portuense terão a possibilidade de saborear o primeiro laivo de "A Essência", isto porque o single que dá nome ao disco (e conta com a contribuição de Maze - um velho amigo de Ace, Presto e DJ Serial) tem rodado em exclusivo na Antena 3. O video oficial desse mesmo som também está concluído e pronto a ser testemunhado a partir de hoje.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
El Puto Coke - Piya Esto III (download)
Directamente de Vigo, El Puto Coke disponibiliza mais um trabalho inteiramente grátis para download. Com o carimbo da sua própria editora - Likor Kafé - El Puto Coke realizou todos os instrumentais de "Piya Esto III" e convidou diversos artistas, entre os quais Mind da Gap. São onze os temas. Em baixo, podem fazer o download deste e de muitos mais trabalhos da Likor Kafé. 2- Superarme (con Make D y Woyza)
3- Ma nansac (con Shidi)
4- Paulinha (con Gran Purismo)
5- Le temps secouler (con Pumpkin)
6- Dejate llevar (con Woyza y Mind da Gap)
7- Como lo transformo (con Dr.Valda y Nalia)
8- La epoca dorada (con Sale y Zentinela)
9- Mira los que matan (con Cartel Hispano)
10- Y quiero (con Kesia)
11- Si termina (con Shelar)
El Puto Coke - Piya Esto III (download)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Teddy Pendergrass VS Raekwon & Mind da Gap
Enquanto integrante de Harold Melvin and The Blue Brothers, Teddy Pendergrass ajudou à construção de sucessos como "You Know How to Make Me Feel So Good". Quando fiz o post anterior, esqueci-me de incluir o fantástico uso dum sample desta música num dos temas clássicos de Raekwon: "Rainy Dayz (Remix)". Mr Dalvin foi o autor desta remistura, trabalhando com mestria o sample. Muito bom resultado:
Quem também usou um sample de Teddy Pendergrass foi o grupo português Mind da Gap. "Come Go With Me" serviu de inspiração para a realização do instrumental do tema "Despedidas", incluído no álbum A Verdade de Mind da Gap.


