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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Melhores do Hip Hop em 2010 (Portugal)

Melhor Álbum 2010

Qualquer balanço que se faça por esta altura sobre o que melhor se colheu no panorama musical português ao longo do ano passado terá de conter necessariamente uma palavra, ou melhor, duas: Orelha Negra. Apesar de Orelha Negra não ser o típico projecto de Hip Hop - com DJ nos pratos e MC('s) no mic - não poderia, mesmo assim, deixar de elevar o seu disco homónimo até ao degrau mais alto de 2010. Mesmo que do Hip Hop sofra desvios para a Electrónica e para o Jazz, que escorregue para a Soul e para o Funk, com breves recaídas para o breakbeat, a música orquestrada pelas dez mãos deste supergrupo (sem vocalista ou maestro) não precisa de microfones para se expressar, ameaçando convencer até o cepticismo de que normalmente sofrem os artistas portugueses (DJ Shadow não olhou à nacionalidade quando há tempos os elogiou). O primeiro trabalho de Orelha Negra foi arrebatador em todos os capítulos: a nível gráfico, instrumental e live act, tudo pareceu no limiar da perfeição. O ano de 2010 ficará umbilicalmente ligado a um dos nomes musicais portugueses mais interessantes e valorosos dos últimos anos.

Um realce natural para os trabalhos de dois bastiões colectivos do rap da Invicta: "A Essência" de Mind da Gap e "Arte de Viver" de Dealema, pois claro. O álbum de MDG veio desmentir aqueles que desenhavam uma linha decadente na carreira do trio portuense. "A Essência" revelou-se uma excelente panóplia de canções, com uma sonoridade a puxar o clássico e aparições primorosas de Maze e Valete. No global, foi um disco revitalizador para Ace, Presto e DJ Serial. Com metade das faixas do álbum de MDG, o EP "Arte de Viver" de Dealema surgiu na plataforma da Optimus Discos, traduzindo-se em meia-dúzia de relíquias sonoras para mais tarde recordar. De facto, é de realçar a linha de abordagem adoptada pelo Colectivo Dealemático ao longo de seis temas ricos em proteínas e vitaminas. Um trabalho singular na extensa discografia de DLM.

Melhor Mixtape 2010

Em termos de mixtapes, confesso-me algo distante em relação ao que se produziu neste formato no último ano, contudo, enalteço o registo "2º Piso - 17 Anos", que, não contando com uma participação totalmente satisfatória por parte de todos os intervenientes, terá sido, mesmo assim, a mixtape que mais me agradou. Num patamar interessante, embora algo repetitivo, esteve Xeg com a sua mixtape "Egotripping", onde se exibiu mais mordaz e habilidoso que nunca. "Mike Phelps" bem que poderia ter arrecadado maior atenção nesta retrospectiva se não tivesse saído tardiamente e, por esse motivo, ainda não ter merecido até ao momento uma auscultação aprofundada da minha parte.

Num registo mais Soul que Hip Hop, "Utopia" de Expensive Soul merece um sublinhado, mais não seja pela produção meticulosa e exemplar de New Max. Em termos de instrumentais, este trabalho de Expensive Soul é capaz de produzir inveja em muita gente, tendo ainda conseguido reunir algumas canções elegantes e capazes de viciar, em concreto, os dois primeiros singles: "O Amor É Mágico" e "Dou-te Nada". DJ Gijoe foi dos artistas que mais surpreendeu discograficamente quando artilhou o disco "Palavra de Músico" com um exército de convidados interminável. Contudo, devido a esse congestionamento de participantes, acabou por gerar um álbum com uma qualidade algo irregular. Uma palavra para a Monster Jinx, que se manteve activa com o EP de Nexus ou a "Liga de Cavalheiros Improváveis" por exemplo, e ainda para o "rei da Linha de Sintra" - NGA, para os mais distraídos - que teve mais um ano com pouca inactividade, muito por culpa da série "Impakto".

A terminar, causará provavelmente alguma estranheza não ter mencionado o disco de estreia do colectivo Tribruto, "Algazarra", (vejo que têm surgido boas críticas), mas esse álbum ainda não foi por mim devidamente abordado, facto que lamento, mas que será certamente corrigido em breve. Outros trabalhos sofrem do mesmo mal, como por exemplo o registo pessoal de Dengaz ou as compilações "Hip-Hop Series".

Melhor Vídeo



Foi já no último mês do ano que "Olhos de Vidro" surgiu em vídeo (isto após integrar o Ep de Dealema em Março), mas chegou bem a tempo de se posicionar entre as melhoras obras videográficas de 2010. Este último videoclip de Dealema e "A Cura" de Orelha Negra foram, para mim, as realizações mais bem conseguidas do ano transacto. Outros vídeos interessantes merecedores de menção: o "Mundo Bizarro" de Maze, o "Sr. Diplomata" de Cacique'97 ou o espalhafatoso "Algazarra" de Tribruto.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Segundo single de "Utopia"

Na minha opinião, a melhor passagem do último disco de Expensive Soul está agora retratada em vídeo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Expensive Soul - Utopia (Crítica)

Os Expensive Soul têm aproveitado o verão para assentar arraiais em inúmeros palcos montados por todo o país - sobretudo em festivais - e não é por acaso. O último disco deste duo da "terra mais bonita de Portugal" alojou-se nos escaparates comerciais há relativamente pouco tempo. Editado no último mês de Maio por via independente, "Utopia" define-se em 13 faixas que redefinem parte da alma melódica do repertório de Expensive Soul. New Max vai-se assumindo um compositor de músicas de excelência (e já não é de hoje), não deixando porém de projectar as suas cordas vocais de forma cantada (e com sucesso, diga-se). Já Demo interpreta (cada vez mais) o papel de rapper do grupo, onde embarca numa onda com pouca exigência rimática, encurtando muitas vezes caminho pelo verso mais acessível e algo repetitivo, vulgarizando-se constantemente. Neste capítulo das líricas, o duo leceiro mantém-se fiel à temática romântica enraizada na música Soul e comummente adoptada pelos seus seguidores. Contudo, denota-se uma musicalidade bem mais graúda do que em discos anteriores, graças, em grande parte, ao delicioso trabalho de New Max (com a ajuda de outros comparsas, é certo) nos instrumentais.

Todo o disco procura desbravar um mundo algo fantasioso, onde nem sempre a felicidade impera, mas onde a busca pela mesma nunca é descurada. No roteiro estão gravadas histórias mas também estórias. Para nós, ouvintes, é difícil descodificar as verdadeiras das ficcionadas, mas essa acaba por ser parte da essência do utopismo deste álbum. É possível encontrar-se um fio condutor no desenrolar das faixas, como por exemplo na série "O Amor É Mágico"/ "Tem Calma Contigo"/ "Deixei de Ser Bandido". O single de avanço do disco é só a primeira grande tela pintada por este soberbo artista contemporâneo de batidas chamado Tiago Novo a.k.a. New Max. A inspiração, essa, é facilmente reconhecível nos traços de "O Amor É Mágico". As décadas de 60 e 70 são, de facto, duas épocas ricas para quem, como New Max, procura molhar o pincel em estilos como o Funk, o R&B ou a Soul para compor novas obras. A faixa faz por celebrar aquilo que há (ou havia de haver) de melhor na vida de cada um: o amor. "O amor é rápido, sádico, às vezes é trágico, mágico". É assim, com adjectivos que o refrão canta o amor em jeito de alegria. É basicamente um grito pela felicidade, logo, um tema que fica facilmente retido no ouvido.

Se a anterior canção começa por sugerir uma primeira troca de olhares entre dois apaixonados, "Tem Calma Contigo", o terceiro tema do álbum, incide-se sobre aqueles encontros de uma noite, em que as hormonas fervilham, sendo estas, muitas das vezes, a via verde para o sexo desprotegido. "Tem calma contigo ou vai ser um perigo". É o aviso tácito inserido no refrão que devia ser acatado por todos aqueles que ousam vestir a capa de super homem (como o Valete lhes chama). E porque a mensagem é séria, mais umas palavras de Demo para guardar desta música: "Mantém a consciência em permanência". O instrumental está novamente bem esculpido.

De seguida a estória ameaça avançar para o matrimónio, ou nem por isso. Porque surgem dúvidas, poucas certezas, questões pertinentes e muita insegurança. “Deixei de Ser Bandido” podia ser o princípio daquele dia com que a maioria das mulheres mais sonha, mas será assim também nos homens? Uma coisa é certa: o ser masculino também é sonhador... ou será apenas um “Contador de Histórias”?: “Sou comentador de filmes de terror/ Crio mistérios na vida sempre a meu favor/ Sou um jornalista, sigo bem a pista/ E quando se trata de falar sou bué realista/ Tento ser optimista, um tanto ou quanto egoísta/ Um consumidor futurista, e quem sou eu? Risca...”. Bem-vindos à génese do universo alucinado dos novos "EXS".

A esmagadora maioria dos temas tem New Max anexado ao refrão, surgindo antes ou depois o rap (ainda muito "adolescente") de Demo. No ar paira instantemente uma fragrância de romance, de sedução, de paixão, de conquista... Porque neste disco os Expensive Soul surgem profundamente in love, e são muitas as palavras e os minutos dedicados ao amor, como por exemplo em "Só Contigo" e "Sara" (uma música forte, passível de várias interpretações). Mas é na posição '6' do alinhamento que vive, na minha opinião, uma das melhores passagens do registo: "Dou-te Nada". Aqui a neo-soul ferve de tal maneira que é impensável esta faixa não ser futuramente extraída como single. É capaz de derreter muitos corações por aí. Curiosamente, ao ouvi-la (e isto é apenas um aparte) veio-me à lembrança Mayer Hawthorne (também ele um incurável e moderno amante do velho ambiente da Soul).

Os únicos convidados do álbum - se Dino e Catí Freitas não forem considerados como tal - são Bob da Rage Sense e A.S2. Os dois MC's surgem num dos temas com mais boa onda do disco. Porque se "Hoje É O Dia + Feliz da Minha Vida", ele tem que ser celebrado com música. Com o bpm bem acelerado, A.S2 (em particular) acaba por surgir com um jogo de palavras engraçado. Um destaque final para a disparidade das últimas duas faixas. A pragmática e crua "Gameover" (com uma questão oportuna: "De quem é que foi a mão/ Que nos pôs nesta esfera/ Que acabou com a nossa era?" ) e a festiva "Celebração", com uma roupagem fresca, algo electrofunk ou disco, que finalizada dá lugar a um trecho só instrumental, algo curto, mas com um groove bem delicioso. Como nem tudo o que parece é - e esta expressão ganha contornos inigualáveis neste disco-, 13 não é o número do azar, nem da sorte, tão pouco do total de faixas do álbum. Isto porque, à semelhança dos dois anteriores, também este esconde uma surpresa para além da tracklist.

Concluindo, acaba por não ser difícil catalogar o novo trabalho dos Expensive Soul. Em termos de sonoridade é indubitavelmente uma rajada de ar fresco na música portuguesa, muito desidratada neste género de som. Apesar de soar a novo, “Utopia” tem vestígios encantadores de uma antiguidade de 40 ou 50 anos – o que pode significar que o duo abrace novas audiências daqui para a frente (embora a juvenilidade das letras possa dificultar tal facto). Somos contemplados com muita Soul, algum Rap e também laivos de Funk (em detrimento do Reggae injectado nos dois primeiros discos). Em termos individuais, New Max partiu em vantagem para este novo registo em relação a Demo (que se manteve entretido como DJ). Porque não dizer que “Phalasolo” (o aprazível álbum pessoal de Max) serviu de estágio para este registo colectivo? É que a musicalidade de ambos é semelhante – e neste caso foi bem-vinda. Nunca será demais elevar o tacto de New Max na produção dos temas, geridos com pinças. No que toca às letras, o amor é o tópico basilar de grande parte delas, que tentam transmitir algumas mensagens importantes embora camufladas pela boa onda do grupo. Passados 11 anos desde que se juntaram, embora o país só os tenha conhecido em 2004 através do “B.I.” e definitivamente acolhido pela “Alma Cara” dois anos depois, os Expensive Soul fazem em 2010 uma viagem ao futuro através do passado.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Entrevista a Expensive Soul

1- Qual o significado do título do álbum “Utopia”?

Foram 3 razões: 1º por ser um disco que te remete para as décadas 60 e 70 e, ao mesmo tempo, está com pé em 2010, ou seja, às vezes parece que estás a ouvir uma cena oldschool, outras percebes que é actual. Depois porque nos inspirámos no Escher (Formas Impossíveis) para as ilustrações que estão no interior da capa e, por último, porque todas as nossas letras são histórias, umas vividas, outras imaginadas, mas até agora muitas delas utópicas. Estamos a caminho da felicidade.

2- Quais são as expectativas para o novo disco ao nível da recepção do público e da imprensa?

São altas porque fomos arrojados no disco, sentimos que estamos a dar um ar fresco à música nacional em relação à sonoridade. Achamos que o público estava à espera que este disco fosse diferente dos outros e também achamos que é um disco bem mais maduro, um reflexo da nossa cara.

3- Este disco vem na senda dos trabalhos anteriores ou podemos esperar algumas surpresas?

Sim, tem um lado mais experimental, um lado em que viajas com as músicas, que era um efeito que desejávamos conseguir e que nos outros não tínhamos consigo.

4- Como observam o estado da música portuguesa?

Muito boa! Achamos que cada vez mais há projectos com grande qualidade e no caminho certo, só falta mesmo o devido apoio para puderem vingar.
5- Para vocês, qual é a melhor parte de todo o processo criativo que executam?

Quando sentimos que a musica está pronta e que não lhe falta mais nada... que está com a sonoridade que desejamos.

6- Expensive Soul tem cada vez mais fãs. O céu é mesmo o limite?

Achamos que não. Para nós fazer música, dar música, partilhar música é o nosso mundo... e desejamos continuar a fazer por muito tempo porque ainda temos muito para dizer e fazer.

7- Já têm uma vasta experiência em concertos. Qual consideram o mais marcante?

Todos eles têm o seu momento especial mas claro que os grandes festivais têm um energia diferente. São a nossa praia!

8- Querem fazer o destaque sobre quais os projectos mais interessantes que vislumbram na música nacional?

Sim. Ao disco do Bob da Rage Sense que é daqueles grandes discos; ao do AS2 que também está para sair; ao do NBC que também é um excelente disco.

9- Para terminar, qual é o verdadeiro intuito de levarem as duas personagens do vídeo “O Amor é Mágico” para o Facebook?

Eles terem vida própria como no vídeo e partilharem o seu amor. E que as pessoas os conheçam melhor, por isso fiquem atentos que eles vão dar por aí!
O HIPHOPulsação agradece imenso pela entrevista!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Expensive Soul - O amor é mágico



"Utopia" é o novo trabalho dos Expensive Soul e tem edição marcada para 17 de Maio. Pela amostra do single de avanço - "O amor é mágico" - o disco irá reger-se pelas sonoridades dos primeiros registos, que se incidiram na Soul, no Funk e também no Hip Hop. New Max revela-se mais uma vez na produção dos instrumentais. A dupla leceira irá subir a um dos palcos do Rock In Rio.

http://www.myspace.com/expensivesoul

http://www.expensivesoul.com/

domingo, 18 de abril de 2010

As Queimas... (em actualização)

XIII Semana Académica de Loulé

23 de Abril - Tribruto


25º Semana Académica de Faro

5 de Maio - Orelha Negra


Noites da Queima das Fitas - Porto

5 de Maio - Marcelo D2

7 de Maio - Nneka

8 de Maio - Cacique'97

Enterro da Gata 2010 - Braga

10 de Maio - Expensive Soul