Dia 10 de Dezembro. O Natal aproxima-se e é tempo de se pensar em prendas. Como bens materiais não aquecem nem arrefecem a alma (esqueçam lá as meias e as cuecas), os fãs de rap queriam era um cartaz atractivo no sapatinho. Rob Swift, Dealema e Nach no Porto (depois de passagens por Faro e Lisboa). Rica prenda, Pai Natal.
Animada pela óptima recepção do livro, a comitiva HIPHOPulsação seguiu rumo ao Hard Club, na expectativa de mais uma noite histórica. De facto, assim aconteceu: ver uma lenda do turntablism como Rob Swift, ex-integrante do colectivo X-Ecutioners, sentir as novas malhas de “A Grande Tribulação” de Dealema e contemplar pela primeira vez na Invicta um dos mais talentosos MC’s do Mundo, o espanhol Nach. Acrescente-se à história o recorde estabelecido em concertos de rap no Hard Club, com mais de mil pessoas assistindo ao show (curiosamente, quase um ano depois da então histórica passagem dos americanos M.O.P. a 17 de Dezembro de 2010).
Quando entrámos, já Rob Swift dava largas ao seu trabalho. A sua passagem pela Invicta serviu para promover um DVD seu e claro para mostrar ao vivo toda a capacidade técnica no manuseamento dos pratos. Sempre animado, dialogante e servindo vários clássicos de Hip Hop, Rob Swift deixou boa impressão, motivando até alguns b-boys a exercitarem-se no meio da multidão.
Dealema. Bastava esta palavra para deixar em polvorosa toda uma audiência. 4 MC’s e 1 DJ. Basta entrarem em palco, não dizerem uma palavra, não haver um arranhão no vinil, para que o delírio se instale. Fuse, Ex-Peão, Mundo, Maze e DJ Guze quiseram provar que não vivem dos louros do passado e no presente pretendem justificar toda esta idolatria. A massiva correria ao Hard Club reforça-os como os grandes estandartes do rap nortenho.
Com “A Grande Tribulação” prometem ainda aumentar mais a base de fãs, embora não seja o álbum mais fácil de se digerir à primeira auscultação. A entrada no palco fez-se um a um, ao som da faixa homónima do disco. “A Última Criança” e “Verdade ou Consequência” já estão na boca do povo e os restantes temas, com convidados como Ace ou Ana, é só uma questão de dias para estarem sabidos de cor e salteado. A festa de apresentação do novo trabalho foi intensa e longa, com a recordação de alguns clássicos do Pentágono como “Bófiafobia” ou “Sala 101”, que incendiaram uma sala que transpirava por todos os “poros” . Um concerto à Dealema, portanto. Mais uma vez, foram os mais aclamados da noite, e, convém que fique bem registado para mais tarde recordar, foram eles os grandes responsáveis por uma afluência pouco vista no Hard Club.
Para fechar a noite, o alicantino Nach, acompanhado de Abram, ZPU e do multifacetado DJ Joaking. Foi sempre um dos sonhos aqui dos escribas assistir a um concerto do MC espanhol. A concretização do sonho foi mais especial ainda por ter acontecido na nossa cidade. Uma pequena parte da plateia não ficou para ver Nach, mesmo assim a sala maior do HC manteve-se muito bem povoada quando “Hambre de victoria” deu o mote no espectáculo de apresentação ao povo portuense do seu disco mais recente. Nesta sua primeira actuação em solo tripeiro, Nach viajou por temas de “Mejor que el silencio”, mas também passou por “Un dia en suburbia” (“Infama”), não esquecendo “Poesia difusa” (“Ser o no ser”), “Ars Magna - Miradas” (“Palabras”) e até “En la brevedad de los dias” (“Basado en hechos reales”).
Momento épico da noite foi quando Nach desceu do palco e circulou pelo meio do público que já contava, na altura, com algumas clareiras. Joaking, DJ em grande parte do show, acolheu todas as atenções quando mostrou dotes como beatboxer ou b-boy. O concerto foi forte, a presença de Nach foi notável, de alguém em pleno estado de forma enquanto MC e atravessando uma maturidade artística. Para fecho do tasco guardou “Efectos Vocales”, e que melhor tema para concluir uma mini-tour que se estendeu por três cantos do país? Como dizemos no Porto: do carago!
A conclusão nem necessita de ser muito extensa, basta apontar os nomes em cartaz e classificar esse conjunto de artistas e as suas prestações na noite portuense: Rob Swift + Dealema + Nach = Perfeição.Texto: Druco e Sempei
Fotos: Ana Mendes
Vídeos: André Silva (Primouz)























No passado Sábado à tarde, o HIPHOPulsação assistiu ao baptismo em palco de um grupo que promete vir a apoiar: Golden Age. São dois MC's, Tigui (de Valongo) e Vadio (de Felgueiras), que brevemente lançarão uma mixtape, onde darão a conhecer o seu rap. Como aperitivo, na Associação Recreativa Brás-Oleiro (na zona de Águas Santas, Maia), apresentaram alguns sons, numa festa muito descontraída que contou com outros jovens rappers, que ainda trabalham para conquistar o seu lugar ao sol no rap nacional. Golden Age também o faz naturalmente. No entanto, para primeiro espectáculo, apresentaram-se bem à vontade, a actuação fluiu muito bem, sempre com o sentimento de seriedade para com os presentes. Dos sons de Tigui e Vadio dá para perceber as preocupações sociais de ambos, o estado do rap português também é aflorado, em linhas que se percebe que estão recheadas de consciência e honestidade. A mixtape sairá este ano e o HIPHOPulsação terá o maior prazer em apoiar oficialmente este projecto que, apesar da jovialidade dos membros, procurará manter viva a essência dum estilo musical com mais de 30 anos de existência. 

















