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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Beware Jack & DJ Yoke - O Mundo É Meu (crítica)

A primeira vez que ouvi Beware Jack foi numa mixtape de DJ Yoke. Por ter gostado, o rapper de Odivelas ficou-me retido na membrana auditiva. Desde aí que fiquei curioso sobre o que seria capaz de desenvolver num trabalho em nome próprio. Cá está ele. “O Mundo É Meu”, Beware Jack apresenta-se. Hora de analisá-lo.

Tal como é comum à maioria dos rappers, Beware procura neste álbum afirmar-se no panorama do rap português. É seu intento apresentar as suas perspectivas, comprometer-se a conquistas, alargar os seus horizontes, levando o ouvinte a viajar pelas suas ideias.

Se a realidade de Jack é, como diz, “uma prova de resistência”, é interessante indagar sobre o modo como o rapper ardilou o plano de tornar este disco o mais irresistível possível para quem o escuta. A primeira nota que contribui para esse propósito são as produções. De facto, Beware muniu-se de um conjunto de produtores de qualidade como Yoke, Yaksha, Praso, que lhe deram uma passadeira vermelha para ele atravessá-la e brilhar.

Todavia, o MC nem sempre se consegue sobrepor à supremacia do instrumental. Quais as razões para isso? Apesar de soar quase sempre bem nos beats, o que é revelador de uma assinalável dinâmica, Beware deveria ter tido mais rigor na composição dos temas para que eles não perdessem objectividade, recusando o vago e o indefinido, em favor de uma maior solidez. A nível temático, este trabalho de Jack acabou por redondar desfavoravelmente. Exigia-se que os assuntos fossem mais interessantes e as líricas tivessem bem mais substância.

Por exemplo, o som “O Q Faz Falta” podia ter-se tornado num clássico da carreira de Beware se este se tivesse empenhado mais a fundo em apregoar o que carece na sociedade, na relação das pessoas, no país, no rap, etc. Com Yoke a fazer de Just Blaze, era vital que Beware apostasse mais em desenvolver este assunto, pois acompanhado deste beat tinha tudo para fazer um tema excelente. Ainda assim, nem tudo se perdeu e esta faixa é uma das melhores do álbum.


Mais pontos altos de “O Mundo É Meu” são «I Will», «O Engodo» e «O Livro», com Praso. Um sublinhado especial para este último som. Praso mostra novamente o porquê de ser um dos melhores rappers portugueses e um dos grandes produtores neste país. Tem uma excelente participação aqui, no momento que considero ser o mais especial deste trabalho. Praso teve o condão de com o seu talento ofuscar tudo e todos. Não me canso de referir que Praso merecia muito, mas muito mais reconhecimento pelo seu trabalho, que é fantástico.

Neste disco, não há nada a apontar aos produtores, houve um bom trabalho e nalguns casos um excelente labor mesmo, o que justifica o que eu já argumentava há algum tempo atrás. Os produtores estão a ganhar terreno aos rappers pois estão a conseguir inovar, a adquirir novas competências, a arriscar mais e a dar um passo em frente, enquanto que os MC’s sentem uma dificuldade nata, especialmente na variação das temáticas que geralmente se referem às vicissitudes do ego. Se o Benfica ficou àquem das expectativas na época desportiva que findou, também esperava mais e melhor de Beware Jack. Pelo menos, reconheço-lhe capacidade para concretizar algo mais sólido, substancial e marcante no contexto do rap português.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Beware Jack & Dj Yoke - M&M (Megafone Music)


Faixa do albúm - "O Mundo é Meu"
Dj Yoke Beat
Gravação & Masterização - STS Estúdios

Realização/Edição:
Margarida Vaz
Pós-Produção: Tiago Reis

Site: http://www.lost-tape.com/


terça-feira, 5 de abril de 2011

Beware Jack & DJ Yoke - "O Mundo é Meu"

Sob a insígnia Lost Tape, Beware Jack e DJ Yoke surgem como parceiros no LP "O Mundo é Meu", onde o disc-jockey de Aveiro produz grande parte dos temas. Praso, Mohad Sabre e Dom Rubirosa são alguns dos convidados no mic.

O LP encontra-se para download gratuito no site oficial.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sexta, 28 de Janeiro @ Breyner85

O concerto de SimpLe será gravado e daí surgirá o seu primeiro videoclip.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

DJ Yoke - Mega Street Phone Volume 01 (Crítica)

DJ Yoke teve a amabilidade de ceder ao HIPHOPulsação duas cópias da sua mixtape “Mega Street Phone Volume 01”. Publicamente, agradecemos a oferta. Este DJ de Aveiro tem vindo a ganhar cada vez mais notoriedade no meio Hip Hop português como comprova o seu trabalho e a sua participação em muitas festas.

Partindo para uma audição da mixtape de Yoke, assim numa apreciação global, superficial e facilitista, poder-se-ia concluir que “Mega Street...” pende para o comprometimento com a descontracção, para o mero propósito de se fazer por fazer despreocupadamente os sons. Em alguns momentos, esta impressão torna-se numa evidência indesmentível. Todavia, em boa verdade e acentuando o caudal de rigor na análise de cada faixa, percebe-se que esta mixtape tem minério escondido por dentro.

A realidade mais marcante deste trabalho é a potência instrumental e uma super surpresa na produção chamada Elbolah. A qualidade melódica de “Sem Dúvidas” junta-se à vibração malandra, que força a bater o pé, de “Gafanha”, mas bem que podia ter vindo dos ares da zona sul do Rio de Janeiro. “Tamos Lá!” é mais uma pedra preciosa produto da arte de manejar as batidas, desta feita recorrendo a um sample fantástico. Finalmente, a frescura certificada do produtor Elbolah encontra-se no último tema da mixtape, onde DJ Yoke brilha, soltando o cheiro do plástico riscado num perfeito jogo de legos entre ambos os intervenientes.

Ainda apreciando a deflagração instrumental, Mohad Sabre apresenta beats mais propulsivos mas com boas camadas de sombras a pairar-lhes, como se fossem nativos de caves escuras ou de sótãos poeirentos. Em antítese, Yoke opta por trabalhar notas mais requintadas, como em “Essência”, em que parece que faz um beat de veludo, ou “Terapia de Choque Remix”, onde a simplicidade se prolonga em algo bastante gostoso para ouvidos de fina sensibilidade. Agrupe-se na elite de produção também Taseh e Polémico com bases boas para os MC’s rimarem, confirmando-se o extenso rol de artistas com a habilidade de extraírem agradável música das máquinas mágicas.

A nível de rimas, coloco sob os holofotes apenas alguns nomes. Neste particular, nota-se alguma fragilidade de alguns rappers e aqui acentuo a tal leveza a que me referia inicialmente, em que alguns por falta de estímulo ou capacidade não conseguiram causar impacto com as rimas. Colocados os devidos pontos nos is, debaixo de intensas luzes está Beware Jack. Tem grande potencial, assente num estilo que carrega no âmago originalidade e produz vício ouvi-lo, já que nos prende do início ao fim com as suas palavras. Promete! Ouvidos nele pois o próprio diz que vai escrever a sua vida numa pauta.

Apontamentos bem positivos para as participações de dois rappers com os quais estou perfeitamente consciente quanto à sua valia: Praso e Simple. Este último, com os olhos postos na permanente evolução, aproveita para ensaiar novas técnicas de rima e de flow. Quanto a Praso, já oportunamente dissequei sobre o seu trabalho aqui, já que participa na compilação de Yoke com um som do seu último disco.

Em termos da composição de temas, destacaria cabalmente dois: “Lisboa” e “Essência”. No primeiro, esforçada e briosamente Síndroma desenha uma narrativa sobre as vielas da Capital e sobre os lugares que não aparecem nos postais para os turistas comprarem. Síndroma cospe as suas rimas no mesmo ritmo frenético e nervoso da vida dos alfacinhas. El Sabe, por seu turno, rimando em castelhano, portou-se muito bem. Teve uma boa química com o instrumental de Yoke, notando-se-lhe uma dinâmica bem madura na profusão das rimas que envolvidas no beat apetece dizer que sabem à doçura dum suave caramelo, daqueles que antigamente os portugueses iam buscar a Tui, na Galiza.

Não tão especial quanto os anteriores mas digno de ser mencionado é o tema de Wuser. “Eu Já Estou Farto Remix” traduz a fadiga do artista pela situação calamitosa do país. Cansaço, esse, que contrasta com a energia com que atira o bafo das suas palavras para a cara dos seus visados. Confesso que fiquei farto deste som quando Wuser tocou no tópico Futebol Clube do Porto...

Para fechar, endereçar, mais uma vez, os parabéns ao DJ Yoke pelo trabalho e pela simpatia da sua oferta, não esquecendo o aguerrido esforço em manter a Zona Centro no mapa do Hip Hop português. Esta mixtape vale essencialmente para mostrar que o nosso Hip Hop pode estar descansado quanto a fazedores de batidas, têmo-los em bom número e em qualidade; acentua a proeminência de Yoke como gira-disquista; e por fim, dá realce a alguns rappers como Praso – que já é uma figura importante – como Beware Jack e Simple, que têm valor e que só dependerá deles a afirmação no patamar cimeiro do nosso rap, sem esquecer a participação internacional de El Sabe, que melhor contribuiu para o cosmopolitismo da mixtape.

terça-feira, 30 de março de 2010

MegaStreetPhone Vol.1

DJ Yoke está de volta ao serviço após o lançamento do primeiro álbum dos DeepNiggaz, em conjunto com G-Smooth e Aby. "MegaStreetPhone Vol.1" é a desculpa, em formato físico, para o regresso deste DJ e produtor noctívago de Aveiro. Contando com artistas oriundos de todo o país, "MegaStreetPhone" terá novos episódios posteriormente.

Para já, no primeiro pacote, para além de DJ Yoke, nomes como Beware Jack, SimpLe, Mohad Sabre, Taseh e Praso (entre outros) encarregam-se de abrir as hostes.

A mixtape, que usará e abusará (no bom sentido) do scratch, boom-bap e turntablism, tem chegada marcada para 1 de Abril, ou seja, na próxima quinta-feira. Com marca da ChupaLoops, a mixtape estará ao alcance dos interessados no site desta associada da editora GovSom. Também nesse sítio, já se fazem escutar os singles "Gafanha" e "Não Fujas Não Corras Remix", que mais abaixo disponibilizamos para download gratuito.

Download "Gafanha" aqui e "Não Fujas Não Corras Remix" ali.

http://www.chupaloops.com/