terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mais novidades!




5 de Outubro: Live on Stage

MIXTAPE LIVE ON STAGE - Dj Sir - Supremo G - Dj Deeflow

Disponível para download no dia 5 de Outubro ( próxima 2ª Feira )

O projecto Live On Stage conta com a participação de Rusty, D.K., Damani Van Dúnem, Eric P., Jêpê e Discreto ( 3 em 1 ), Contrabando 88.

Para além das faixas da mixtape, também estará disponível para download um ficheiro com videos de sessões de estúdio e concertos, e um apanhado de faixas perdidas do Supremo G.

Para descarregar o projecto, aceder aos seguintes sites:

www.myspace.com/supremog

www.myspace.com/djdeeflow
Bless

Rissa - Authentik 2008 (Experimental Mixtape)

Para quem curte o rap feito em França, aqui fica a mixtape de Rissa. Este, para além de se expressar em francês, usa igualmente as línguas portuguesa e inglesa. Deixo o comentário do próprio a cada tema da sua mixtape. Saquem-na no myspace de Rissa.

1-Intro [Authentik 2008] (French Intro)....
dedicace to the first french hiphop movement "authentik", true mind, true intention,....
2008 cause it's 25th anniversary of Hip-Hop in France.....
Just Peace, Unity, Love & Having Fun. Fuck wrong attitude.....
2-Artisfact [feat. Deezy & Mel-K] (French)....
to introduce each other....
3-Mots de tête [feat. Mel-K] (French)....
Text about all the words comin' in our minds before writing lyrics....
4-La suprématie de la Mélodie (French)....
Just to say all kind of Music is good, we have just to look for....
5-Interlude....
when i made my radio program in France in 06/07....
6-O Puto De Paris (Portuguese/French)....
because, it's the only place where i really come from, even if i have different origine and if i'm movin in another place. a part of me....
7-Un Mec Super Chargé (French)....
My activities...hiphop, never stop. Busy Busy Guy ....
8-Débales (French)....
Rissa & friends in clubs, Paris To New York....
9-Et Je M'en Vais (French/Portuguese)....
My motivation to move a year to NYC....HIPHOP Baby....
10-Freestyle (French/English/Portuguese)....
Freestyle In Montreal @ Radio Centre Ville....
11- J'ai envie de te dire (French)....
some things to say without really importance, just for fun.....
12-Kick The Rythme (English)....
Yes Kick It!!!....
13-NTM SKZ (S.V.P) (French)....
To Fuck Our Mother's French President!....
14-Ne Reviens Pas [feat. Ambre](French)....
Just A Bad Love Story.......
15-Interlude NMTP in EVR....
16-Sunshine [feat. Deezy & Mel-K] (French/Portuguese)....
Go ahead. Make Your Wish....
17-Rissa In New York (French/Portuguese/English)....
My Life in New York in 07/08, emotion, City, everything.....
18-Ramalama (French/English)....
Let the Music PLAY!!!....
19-What Kind Of Future [Feat. DJ Tracks]....
Maybe I Have a Bad Idea 'bout our future, earth, general mind....
20-Outro (French)....
Thanks and Fuck U!!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Fashawn - Life As a Shorty

Este jovem rapper da Califórnia soma vinte anos e um talento bem graúdo. A 20 de Outubro Fashawn terá, certamente, o seu álbum "Boy Meets World" a rodar por muitos aparelhos sonoros. Para além do prodigioso MC, teremos também as rimas de Evidence, Blu, Mistah F.A.B. e Aloe Blacc. Os instrumentais ficaram a cargo de Exile. Tudo somado, ou muito me engano, ou este disco será uma das relíquias do ano.

Em cima, mais um vídeo de um single do álbum, neste caso "Life As a Shorty" com J Mitchell.

sábado, 26 de setembro de 2009

Roulote Rockers - Projecto de Sábado à Tarde (Crítica)

Roulote Rockers é um trio constituído por DJ Spark, Logos e Raez. Investiram num trabalho conjunto e a consequência desse esforço criativo é o EP “Projecto de Sábado à Tarde”. São 7 temas, um para cada dia da semana, podia concluir-se. Mas o melhor mesmo é ouvir todos duma só vez em cada dia. Mas e se imaginássemos que a história de cada canção fosse mesmo dedicada a cada dia da semana? Bem, então o resultado seria mais ou menos assim...

Domingo: dia de “Definição”. Para a maioria, o Domingo pode ser pachorrento e agonizante porque é véspera da odiosa Segunda-Feira, mas o primeiro dia da semana não é assim para Roulote Rockers. Para estes, é tempo de arriscarem os dedos e os tímpanos em experiências electrónicas, de brincarem livres com os flashes ruidosos da Guerra das Estrelas, enquanto o ritmo é ditado por uma incansável batida que obriga a nossa cabeça a dizer-lhe “sim, sim, sim”, repetidamente. Domingo é por natureza aquele dia em que se traça um plano para que a semana corra sobre rodas. Dessa forma, a Roulote circula pelas ruas, neste Domingo soalheiro, sem nada a temer pois o seu plano está bem alinhavado. Os passageiros seguem de cabeça levantada, as rodas estão bem assentes no alcatrão e há tranquilidade em cada quilómetro que galgam pois, como diz Logos, têm o “crédito da rua”. A estrada que percorrem não tem crateras como a Lua mas tem invariavelmente a sujidade terrena. O que até se liga a Raez, já que se revela um compositor musical fadado para fabricar batidas agradavelmente sujas, gordas e sem resíduos de lixívia ou de cicatrizes deixadas por lipoaspirações. “Definição” é a exibição do trajecto escolhido por Roulote Rockers. Ficamos a saber para onde vão e temos vontade de ir com eles, pois ficamos cientes de que se dirigem para um sítio diferente. A semana e a viagem só agora começaram.

Segunda-Feira: dia “Electrizante”. Roulote Rockers passam o dia apostando num sentido revivalismo dos anos 80, bem cheio de electricidade, claro. O passado é a visão do paraíso para alguns. Assim, com a sua própria máquina de viajar no tempo, o trio mete mãos-à-obra e revisita a era que já lá vai: «Viajei pelos 80’s vi/ Todas as cores onde nasci/ Sonho eléctrico/ Pecado estético». Fisicamente, o passado é imperfeito porque não podemos voltar a ele, mas artisticamente isso é possível. Roulote Rockers são criadores e toda esta classe tem os seus feitiços para matar saudades do que lhes faz falta. Assim, eles para além de serem a cena são também a prova. É nessa memória do passado, desde J Dilla, a Michael Jackson, ao electro-funk, passando pelo boom bap rap, até à queda do Fascismo, que a Roulote encontra as coordenadas para recolher a força, a inspiração e a essência de que necessita. Segunda-Feira é dia de homenagear os tempos idos. Óptima dedicatória.

Terça-Feira: a jornada é dedicada ao “Vício Chave”. O quotidiano cria hábitos aos quais não se pode virar as costas. É nesta perspectiva que os membros da Roulote entendem que o sacrifício merece ser recompensado com o prazer que os corpos suplicam. Eles querem perder-se desenfreadamente nessa “overdose de sensações” que lhes é acenada. «Extâse único, sem preço», por isso se adora o vício. O clima de dependência adensasse para o ouvinte pelo efeito relaxante e pela visão de beleza que o instrumental nos faz ter. Perspectivamos inclusive a nuvem calmante que se avoluma no tecto da Roulote. Há dias de vício puro, de sadia repetição, de louca paz, de arreliável boa onda. Mesmo que arda na carne, arrisca-se a elevação ao céu. Esta Terça-Feira é tão cool!

Quarta-Feira: o dia encastela-se com a junção de saborosos “Pedaços”. Logos e Raez retalham a memória das suas vidas. O dia está agradável, com uma atmosfera tipicamente outonal. A praia está deserta e o sol morno beija-nos a pele. Tempo perfeito para se ver a nostalgia nas ondas do mar. A introspecção encontra terreno fértil para desenvolver raizes e fica mais quente o desejo de se agarrar a vida e a criação. “Pedaços” da vida são como a areia, resvalam-se das mãos, mas vale que se compartimentam na memória. A banda-sonora deste dia é inspirada pela fragância marítima e pelo borbulhar das ondas, num forte azul de subtileza e elegância. Fundamentalmente, a Quarta convida à catarse, que se consuma pela contemplação desse meditabundo oceano. Soberbo para se ouvir no crepúsculo.

Quinta-Feira: “Spark Trek” consta da agenda deste dia. Logos e Raez sentam-se confortavelmente nos bancos da Roulote e somente assistem ao espectáculo que DJ Spark proporciona. Actor principal, Spark interpreta a personagem dum gira-disquista cuja principal missão é salvar a vida a antigos vinis. Assim, DJ Spark tem de impedi-los, a todo o custo, que apanhem a fatídica doença do pó. Fazê-los rodar e rodar é garantir-lhes a sobrevivência que merecem. Sem medo de sujar as mãos, DJ Spark eleva-se pela alegria que oferece aos vinis, chegando por momentos a ver a sua cara reflectida neles, tal é o lustre que lhes dá. Nesta viagem cinematográfica, o papel desempenhado por DJ Spark é um êxito. “Spark Trek” é um filme cheio de acção, onde o protagonista não olha a meios para fazer saltar as faíscas das rodelas de plástico, quais antibióticos para a saúde delas. A plateia aplaude. Logos e Raez também, naturalmente.

Sexta-Feira: 24 horas em que “Aumenta a Munição”. À Sexta, a Roulote deixa o cheiro a alcatrão. Transforma-se em palco. Isso mesmo, dia de actuação de Roulote Rockers. A Roulote está parada mas sente-se a trepidação pela energia, emoção e entrega que se aplica aos preparativos. Hora de mostrar a magia, espalhar a palavra, riscar a música dos antigos e aumentar o volume da batida perfeita. A Roulote derreia-se com o peso de tanta qualidade. E Joe Crack nem está lá dentro porque teve uns afazeres em Nova Iorque. Mas o concerto bomba à mesma e as pessoas que assistem viajam no tempo, em "formato clássico". O público está ao rubro. A potência engorda à medida que sorve o calor dos corpos que vibram. As luzes focam a Roulote, a música atinge-nos a tiro, recarrega-se a “munição. O tempo voa, fim do concerto: «Novas paragens, desenhamos noutro sentido».

Sábado: Com febre ou sem febre, “Giró Funk”! A espontaneidade da proposta desembarca na consumação duma festa ao ar livre, juntando várias pessoas que saem à rua atraídas pela descarga de ritmo dançante. Sábado é dia de liberdade, celebração, criação. As colunas da aparelhagem expelem o Funk que incendeia o espírito das gentes. A sessão é um sucesso. A adesão à música motivará certamente a Roulote a intensificar a sua aposta neste tipo de iniciativas. Sábado é o dia por excelência de se trabalhar o groove e como tal o trio demonstra estar ao nível do mais empenhado, qualificado e exemplar dos operários. Em qualquer parte, o Funk é o rastilho ideal para a transpiração dos corpos. As hostes não resistem, o Funk não pára, o dia é uma criança. Povo, o Funk voltou!

Raez, Logos e DJ Spark parece que só se reuniam aos Sábados à tarde para fazerem música e assim se pode encontrar a explicação para o nome do EP. Mas pode imaginar-se que a impossibilidade de se dedicarem em conjunto e todos os dias a esta forma de arte, tenha resultado numa gloriosa homenagem a cada dia da semana à luz desse desejo contínuo, exclusivo, de fazerem música. Foi nesse âmbito que delineei este roteiro pelo EP “Projecto de Sábado à Tarde” de Roulote Rockers. Neste trajecto, experienciei sensações que me eram desconhecidas nos caminhos do rap português. A rota traçada pela Roulote é de valorizar, estimar e tomar como exemplo. A sonoridade é propícia a fazermo-nos à estrada memorial, sempre tomando em atenção as futuras rotas que se desenharão no mapa. Um novo caminho é mostrado com recurso a paisagens e a lugares do passado. Com Roulote, os dias não são passados no trânsito deprimente. A Roulote soube levar-nos por atalhos que nos conduziram ao melhor dos sítios: a alma. Entendemos a sua “Definição” de rap, pulsou-nos na carne a gingada “Electrizante”, concordámos que o “Vício Chave” é para ser saciado, emocionámo-nos com os “Pedaços” de Funk e com as reminiscências Old-School, aplaudimos repetidamente a película “Spark Trek”, conscientes de que levamos em ombros todo aquele que “Aumenta a Munição”, porque o nosso desejo é claro e é direccionado ao DJ: «Giró Funk»! Ficou revista a semana perfeita de Roulote Rockers. Venham mais dias assim...

Uma brincadeira tão séria

Muito pessoal ainda não terá visto este vídeo, portanto não terá ouvido estas palavras meio a sério/meio a brincar de Chris Rock. À parte do humor tão característico do actor, o 'problema' é real e confrontamo-lo diariamente. A conversa dava pano para mangas (e não só), mas duvido que houvesse consenso mais consensual (passo a redundância) do que este: o Hip Hop já não é o que era.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Havoc - Letter to P e Heart of the Grind



Extraído da nova mixtape de Havoc, "From Now On", eis o vídeo de "Letter to P", um som com um destinatário muito especial: Prodigy, o seu parceiro em Mobb Deep. Havoc já este ano lançara outro trabalho, o álbum "Hidden Files". Em baixo, o single "Heart of the Grind" para os mais desatentos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Suarez - Blue Note (Crítica)

Emergiu no Alentejo o primeiro disco de rap acústico português. Suarez, MC e produtor nascido em Beja, vestiu a bata de cientista e fez de “Visão de um Estranho” a sua cobaia. Numa iniciativa que não mudará o Mundo mas que pode muito bem transformar o panorama musical nacional (nomeadamente o rap), pegou no seu primeiro álbum, datado de 2007, apagou samples, livrou-se dos loops, desalinhou programações, enfim, dissolveu quase todas as partículas que compunham as suas músicas. O passo seguinte foi agrupar uma gama de músicos (bons músicos, diga-se) que manipulassem uma série de instrumentos vitais para o pretérito. Desde o contra-baixo à bateria, ou do trompete à guitarra (claro), todos eles foram bastante espremidos, de forma a que cada um, nota a nota, reconstruísse a obra imortalizada há dois anos por Suarez. Numa astuta operação de estética, cerca de uma dezena de faixas surgem não só com uma nova aparência, como também carregam consigo uma outra alma. Os sons que no primeiro álbum soavam rude, transparecem agora harmonia. As batidas que antes nos compeliam a agitar incessantemente a cabeça, baloiçam-nos o pescoço suavemente. “Blue Note” é um formato acústico que cheira a Soul, reflete Blues, respira Country (também!) e transpira rap.

É nos moldes mais básicos, acusticamente falando, que Suarez se inicia nesta experiência aventuresca. “Sonhos (Há Muitos)” e, sussurra o rapper, não os devemos concretizar. “Vive com eles, luta com eles”, numa clara nota introdutória de esperança e positivismo. No entanto, com a segunda faixa, rapidamente sopra uma aragem do sul dos EUA, e com ela chega a descrença e pessimismo. Que na verdade é o reflexo da sociedade dos nossos dias. A letra mantém-se actual (e não parece que nos próximos tempos se torne antiquada). Quem não “vive o dia à procura de uma luz”, com “sacrifício atrás de outro mas nada já seduz”? Porque cada vez mais “o que conta é a influência, gritamos e apelamos mas já falta paciência”. As palavras de Suarez escoam a tristeza que carrega por olhar em redor e ver um povo que não faz por honrar o esforço despendido em tempos pela glória numa revolução. Acontecimento que pertence a uma “história onde só já resta o brazão”. No final de contas, “a gente luta e conseguimos “2006 Kg de Cultura”, atingindo a amargura”. Em 2007 ou em 2009, estamos perante um enorme som.

Politicamente incorrecto, liricamente arrebatador e com um flow que, de tão ágil, coerente e certeiro, fortalece a sua atitude convicta e realista, Suarez esgrime argumentos que exprimem o seu valor, quer seja numa batida suja ou numa melodia mais suave. Como os sons que se seguem. “Preciso dum Motivo” (que teve direito a vídeo no primeiro álbum) apresenta-se numa linha diferente da original (como é óbvio), mas mantém a costela ténue porque a letra assim a obriga. As sílabas fluem a cada dedo que passa pelas cordas da guitarra, a percussão complementa-se e faz por complementar o ritmo. Sem dar-mos por isso, embarcamos numa onda harmoniosa que nos embala e carrega sem rumo. Numa sequência nada entediante, deixamo-nos levar pelas palavras sinceras, profundas e intimistas de Suarez, escutando por detrás as duas vozes femininas baterem ao de leve nos ouvidos. Luisa Casola e Helena Sardica são os nomes, fascinantes e sublimes são os adjectivos. Se há dois anos Suarez procurava nesta faixa um motivo que lhe motivasse a vida, hoje poderá dizer que o encontrou em “Blue Note”, porque, de certeza, que a sua alma estará bem viva. E se há um par de anos esta faixa cotou-se como uma das minhas eleitas, hoje reforço esse sentimento de admiração.

E como pode uma alma não ficar estarrecida quando ouve a composição seguinte? Falo do “Álbum de Fotografias”, que não foi, nem poderia ser, esquecido. Recordam-se os tempos em que Suarez, também ele um puto, partilhava as aulas com outros miúdos, “cromos” outrora, homens nos dias que correm. No início da carreira de rapper (adolescente), Suarez remava com vários parceiros (Pika, MCM, Ró, Camate e NT) no mesmo “Movimento Clandestino”, que testemunhou os primeiros concertos, as primeiras palmas, certamente. O momento é envolvente, doce e especial. Tal como um álbum de fotos palpável, este também nos deixa aquele bichinho que nos leva a pegar nele de tempos em tempos. A voz de Fábio Dias, particularmente, acaba por o elevar a um nível que, sinceramente, imaginava inatingível num registo deste género. Simplesmente fantástica toda a composição e arranjos desta canção!

Não esquecendo todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, influenciaram a sua forma de estar, Suarez volta a registar o seu “Obrigado (Outra Vez)”. O ambiente sinistro que o próprio empreendera na versão original desapareceu (pelo menos não está tão agressivo), mas a letra e a mensagem política e socialmente interventiva não. Por isso, a mira continua apontada a editoras, promotoras, fingidos, interesseiros, verdadeiros que nunca o apoiam, partidos, aos que receberam a sua ajuda e retribuiram com nada, enfim, a tudo e todos que fazem (ou fizeram) parte da sua vida, que acabaram por o fortalecer ainda mais, Suarez agradece (outra vez). O MC de Beja é um observador nato, um relatador de histórias e de comportamentos bem reais. “(...) e a democracia dele (país) vive dependente de um sistema capital parasita, “Poligamia de Bens” não é para quem necessita”. Nesta faixa é o quotidiano que inspira Suarez. O dia a dia de uma vida que ninguém escolheu, “apesar de sermos os nossos condutores dos nossos berços”. Um trompete, acarinhado por mãos que o bem tratam, enternece a música, que carrega um refrão vocalmente bem pensado e ainda melhor cantado.

Para quem é músico, que corre o país (ou por vezes apenas metade dele) sem grandes posses, actua em espaços onde muitas vezes os caches prometidos desaparecem, mas que mesmo assim continua a subir ao palco por amor ao que faz e respeito a quem o ouve, então vai-se identificar com a malha número 7. “Somos emigrantes musicais em "Movimentos Migratórios” resume praticamente tudo. O “tudo” que Suarez relata são as vivências e histórias que muitos artistas retratam naqueles documentários de bastidores. Uma letra sentida, liricamente perfeita e um hino ao rap. Sim, porque isto continua a ser rap, onde uma guitarra marca o compasso, onde não faltam os arranhões de Pass One, e um Trompete que volta a fazer estragos…

Seguem-se dois momentos díspares (curiosamente). “Sangue Novo (Pt.I)” e “Sangue Novo (Pt.II)”. No primeiro, as rimas de Suarez ausentam-se, deixando os holofotes iluminarem as cordas vocais de Pedro Bicas. No segundo, as palavras do rapper são cuspidas a todo gás. Se na parte I a melodia propicia a cantoria sobre a geração rasca contemporânea, na parte II a guitarra espicaça os versos que o alentejano já direcionara contra o governo e políticos nacionais que gostam de queimar o povo: “Somos boicotados mas o rap é o meu partido/As nossas medidas são formatos cds/assembleias são concertos e quem escolhe são vocês”
Antes de a cassete acabar, fita ainda para um encontro a três: Luís Soares, Suarez e a guitarra. Num momento largamente introspectivo, Luís, o homem, debita palavras amargas, que transbordam mágoa, tristeza, e que encontram em Suarez, o rapper, o seu amparo. Em "O Meu Nome é Luís", não podia ter sido mais honesto. Nos derradeiros quarenta e cinco segundos, uma mensagem idêntica à introdução, onde se diz que “Convicções (Há Muitas)” e “o mais cego é aquele que não quer ver… do que aquele que não vê mesmo”.

“Blue Note” é um disco recheado de surpresas, até para quem já ouviu rap acústico. Por detrás das rimas agridoces de Suarez acomodam-se melodias envolventes. O desenrolar das faixas será sempre um exercício agradável, e nada penoso. Sentimentalista, espectador e ouvinte atento na vida, activista. Umas vezes corrosivo, outras vezes pungente, completamente à vontade na escrita, super-à-vontade no flow, eis o rapper Suarez, que agora dá um passo que ninguém ousou dar em terras lusas. Depois do primeiro trabalho “Visão de Um Estranho“ ter sido inalado e aclamado por muita gente, haverá quem considere “Blue Note” uma estranha visão de rap. Mas é preciso recordar que o Hip Hop sempre se serviu de outros estilos. Por isso, “Blue Note” não demorará a entranhar-se, assim suave, suavemente...

Desde hoje, "Blue Note" está disponível para descarga e consumo completamente gratuito neste sítio: http://www.suarezbluenote.com/

Vários trabalhos para download gratuito

Para quem ficou com curiosidade para saber mais sobre alguns artistas que integraram a "Poesia Invicta", ficam aqui trabalhos gratuitos de alguns deles.






domingo, 20 de setembro de 2009

Macacos do Chinês - Machadinha



Este é o videoclip de "Machadinha", gravado ao vivo no Fórum Municipal J.M. Figueiredo, na Moita. Depois de "Plutão" e "Rolling na Reboleira", é o terceiro single que avança do registo de estreia de Skillaz, Apache, Al:x, Drupez e Tiago Morna.
"Ruídos Reais" dos Macacos do Chinês conta com doze temas e participações de Buraka Som Sistema, João Gomes e "O Chato".

New Max - Quero Mais

O novo single de "Phalasolo" foi apresentado ao público ontem à noite, no Cabaret Maxime, em Lisboa. No videoclip de "Quero Mais" (realizado por Arturo Ayerbe), Rui Reininho (com uma actuação bastante sui generis) e Kika Santos são o centro das atenções. NBC, Marta Ren, Virgul, Demo, Dino, DJ Enigma e Hugo Novo também surgem no enredo.