
Partindo de um conceito sugestivo e explorando uma imagem atraente, o melhor de “Incendiários Mixtape” é tudo aquilo que um incendiário florestal sonharia verbalizar quando as chamas brilhassem nas suas íris. O pior da mixtape é que em demasiadas vezes alguns incendiários tentaram atear um fogo em pleno dia de chuva. Ou, pelo menos, quiseram de fósforos molhados pegar fogo ao que quer que fosse. E porque a maioria das pessoas prefere saber as más notícias primeiro para depois se confortar na macieza da bonança, cá vão então as palavras azedas. Brincar com o fogo é perigoso para qualquer um mas também é sabido que quem anda à chuva molha-se, não é?

Sem Chama
Raf Tag esteve num nível glaciar. A sua participação em duas faixas era perfeitamente dispensável. Em ambas, Raf Tag não conseguiu entusiasmar. Atente-se nalgumas expressões do rapper: “o rap vai ser ardido” (???); “faz verter sangue, bebe sangue, vive para o sangue”; “não conheço ninguém, não respeito ninguém”; “usa palavrões”; “sinto-me importante, super arrogante”; “super bonito, não tenhas ilusões”. Se Raf Tag lança a acusação de que alguns “rimam sem sentido”, era engraçado perceber qual o alcance destas expressões. Não me parece que tenha granjeado um único fã nesta sua participação na “Incendiários Mixtape”. Por sua vez, QQ compôs um tema completamente escusado. E nem sei mais o que escrever sobre esta faixa, sinceramente. Brasileiro num belíssimo beat, não acrescentou nada de relevante à mixtape, sendo que rimou muito pouco tempo. Parece ter entrado para fazer número. Lancelot teve uma prestação fraca, tendo em conta o nível a que nos habituou outrora. Este mc de Odivelas já fez de longe muito melhores rimas do que as que se escutaram aqui. Esperava-se mais de Lancelot. A participação de Zuka deixou também bastante a desejar. O rapper que veio do Brasil e que o rap português adoptou relatou-nos como é viver no Catujal, mas duvido que a localidade se tenha sentido representada nas palavras de Zuka.
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