sexta-feira, 31 de julho de 2009

Skyzoo - The Beautiful Decay



"The Beautiful Decay" é o primeiro single e vídeo do novo trabalho do rapper nova-iorquino Skyzoo. A belíssima batida foi engendrada por 9th Wonder, um dos produtores do álbum, a par de Just Blaze, Illmind, Black Milk, Eric G, Cyrus Tha Great, Best Kept Secret, Nottz e Needlz. "The Salvation" vê a luz do dia a 29 de Setembro pelas labels Duck Down e Jamla Records.

Boss AC - Acabou (Até Te Esquecer)



Já roda por aí o novo vídeo de Boss AC para o álbum «Preto no Branco». "Acabou" foi o tema eleito para ter videoclip, depois de Estou Vivo. O vídeo de Boss AC "Acabou", com participação de TC, foi gravado no Blues Café no mês de Junho e teve produção do conhecido Leonel Vieira.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Cartaz HipHopiano


DJ Maskarilha na HipHop TV

DJ Maskarilha entrará, daqui a sensivelmente duas horas (21h30), na emissão da HipHop TV para responder a algumas perguntas. O disc jokey oficial do grupo Nigga Poison torna-se assim no primeiro entrevistado do canal que 'gasta' as vinte e quatro horas diárias em videoclips de rap nacional, não ignorando, porém, todas as outras vertentes do Hip Hop.

Transmissão a partir do seguinte canal: http://www.hiphoptv.pt.to/

Covil - Lost Tape Vol.1

Denominada pelas próprias raposas que lá se albergam como uma «toca» bastante acolhedora, a Covil Produções Estúdios leva a cabo a missão de conceber e gravar projectos musicais. Fruto das muitas noites de uivos ininterruptos, a Covil foi coleccionando material que foi ficando para consumo interno dos que encontram conforto naquele espaço. Mas decididos a partilhar esses segredos ritualistas ainda sem eco fora da «toca», as raposas lançam assim “Lost Tape Vol.1”, o primeiro de vários volumes estilo mixtape, que conhecerão edição até ao fim de 2009. Cada mês, cada uivo, preparem-se! Algures em Beja, na calada da noite, apenas com o brilho dos olhos a sobressaírem na escuridão, DJ Parasita, Suarez, JV e MCM seguem liderando a trupe de raposas. Em “Lost Tape Vol.1”, Suarez, Zikler, Sacana, Asma, Bastos e os espanhóis KFR e Plumbico, desvendam-nos auditivamente as cerimónias paridas além do Tejo. Ouçam as raposas aqui ou dirijam-se ao próprio Covil:

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Azagaia no Nação HipHop BXL

A partir de Maputo, Edson da Luz aka Azagaia troca umas palavras com o programa Nação HipHop BXL da Rádio Alma, que emite a partir da Bélgica, mais concretamente de Bruxelas. Entre outras questões, o rapper testemunha a actual situação do movimento Hip Hop moçambicano, revelando ainda alguns dos artistas que mais o influenciam.
Convém dizer também que a emissão dura sensivelmente uma hora e, para além das habituais entrevistas, contempla todos os seus ouvintes com um combinado de malhas de rap.

Para escuta directa no blog da Nação HipHop BXL.

Rapper Big Pooh - Rear View Mirror

Rapper Big Pooh extraiu o terceiro vídeo de "The Delightful Bars". Os créditos do instrumental de "Rear View Mirror" vão inteiramente para o elemento mais talentoso de Little Brother no que toca à produção: 9th Wonder, pois claro.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Beastie Boys "Hot Sauce Committee Pt.1"


Em actividade desde 1979, os Beastie Boys preparam-se para o oitavo álbum. "Hot Sauce Committee Pt. 1" estará concluído ainda este ano e terá uma segunda parte em 2010. Para já, o trio Nova-Iorquino concentra-se neste primeiro registo, que os próprios adjectivaram de "bizarro". Nas será um dos poucos convidados de Adrock, Mike D e MCA, tendo contribuído liricamente num som onde o título diz praticamente tudo: "Too Many Rappers".

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pizzol - Paraiso Incomum

Lucas Pizzol é um jovem MC de São Paulo, de apenas 17 anos, que edita agora o seu primeiro trabalho. Para a estruturação e concretização do projecto, que dá pelo nome de "16 anos" (a sua idade quando o escreveu), Pizzol teve em DJ Caique um alicerce fundamental em todo o processo de produção e gravação.
A primeira amostra do álbum, "Paraiso Incomum", está contada em vídeo e acessível em link.

sábado, 25 de julho de 2009

Mixtape Manutenção de Infinito Nocas

É com muito gosto que escrevo hoje, anunciando a mixtape “Manutenção” de Nocas. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que ouvi Nocas. Foi com o tema “Expansão Suspeita”. Uma canção muito forte, considerada por NBC na Hip Hop Nation nº6 como uma das melhores do ano 2003. Fiquei entusiasmado com o potencial deste rapper natural do Porto e aguardei sempre com expectativa novas cenas dele. Agora que, para gáudio dos seus fãs, lançou “Manutenção”, após ouvirmos a mixtape, ficamos sintonizados nas razões que levam Nocas a dar tão poucas canções ao rap nacional.

Como uma casta do Douro necessita de tempo para se tornar excelente, Nocas tem a perfeita consciência de que o passar dos anos é fundamental para existir uma maturação humana e artística. Natural de Aldoar, começou a ouvir rap em 1994 e quatro anos mais tarde dedicou-se a fazê-lo. Passou pelo graffiti e pelo breakdance. Estabeleceu a crew L.C.R. que se extinguiu por volta de 2000. De lá para cá, Nocas tem dado o seu contributo em trabalhos de alguns camaradas seus como Mundo, Berna, Barrako 27, Syzygy, entre outros. Com “Manutenção”, Nocas, que pretende dar-se a conhecer também como Infinito, apresenta seis temas, recorrendo a instrumentais do exterior.

“Não quero vender, prefiro me conhecer”. Uma das mais profundas ambições que temos enquanto seres humanos é conhecermo-nos a nós mesmos. Nocas não é a excepção à regra e abre-nos, em “Manutenção”, as páginas que já conhece do livro da sua vida. Se há algo de intransigente que emerge do seu aglomerado de folhas isso é a liberdade! Nocas assume-se como um autodidacta, que em cada experiência quotidiana encontra as coordenadas para seguir avante. Crê que é responsabilidade nossa construir hoje mesmo o paraíso, caso contrário, “o inferno espera-te lá fora”. Embrenha-se na espiritualidade, seu tesouro, para alcançar a calma, para palpar o pensamento, saboreando a vida e sustentando com músculo os seus ideais. A solidão é a terapia que lhe desintoxica a mente, que a natureza faz voar. Quer professar o êxodo citadino pois é defensor da equação cidade igual a lugar limitativo. Nocas tem noção de que não quer pertencer a uma sociedade boçal, em que uma pessoa não é mais do que uma plasticina ridícula. O tripeiro empenha-se na procura dos instintos que a vida actual faz adormecer. Anseia pela elevação e revolta humanas, pela total liberdade, porto de abrigo por excelência, pelo alastramento da arte e gnose e fidelidade aos mandamentos do nosso coração: “faz amor com a tua deusa e serás abençoado”. Todos nós somos uma súmula de muitas coisas. Em “Influências”, Nocas verte os nomes de todos aqueles em que se inspira e que tem como modelos. Através dessas referências, Nocas explica-se a si mesmo.

Através de “Pacto”, fica expresso que independentemente do que se possa suceder, haverá sempre uma corrente inquebrável entre Nocas e o Hip Hop. Aliás, é na música que suga motivação e energia. Ela é a sua medicina alternativa. No tema “Espiritualidade e Êxodo”, Nocas reforça que a música é o atalho mais certeiro para se atingir o espírito e proporcionar que um sol brilhante raie em nós. Uma das belezas do Universo, considera, é o acontecimento mágico da eclosão da arte, em que um minúsculo estímulo pode desencadear o clique transformista. Nocas aconselha que se tenha calma e persistência pois criar um clássico na música requer muito tempo investido nesse objectivo. Isso não se faz da noite para o dia. Em “Não Preciso”, Nocas conclui que tem uma “carreira refunda”. Por outras palavras, mais do que o mcing, o portuense preza sobretudo a escrita, que lhe é essencial pelo prazer que dela retira. E só a morte lhe pode roubar a paz que uma caneta na mão lhe garante. Nocas admite que é lento na redacção pois tem a paciência necessária para procurar a melhor frase no sentido de se exprimir lapidarmente.


Nocas assinala em “Manutenção” uma afiada crítica à cultura Hip Hop em Portugal. Acusa gente de fugir da essência do Hip Hop como o diabo foge da cruz. O pior é que nadam à deriva porque não conhecem a cultura e sem isso não podem senti-la e muito menos preconizar os seus valores. “Que se foda o movimento, ele já morreu há muito tempo” – causas, segundo Nocas: a má-língua e a ignorância. Já se sabe que mc’s precisam de mudar as atitudes e deixarem-se de zangas e ataques pessoais. Mas lá está, como bem diz Nocas, o que move muitos rappers é a competição e não a criação, que logicamente deveria ser primordial. Salienta ainda a falta de diversidade no nosso meio. Nocas é desprendido. Dispensa tudo aquilo que um artista usualmente quer. Acredita no Hip Hop mas a impressão que lhe dá é a de que existem quatro movimentos para cada vertente do Hip Hop! Se com “Expansão Suspeita” assumia as suas dúvidas quanto à saudável progressão do Hip Hop luso, Nocas hoje concretiza dizendo que já não tem ilusões. De poses, rudeza, contos e ditos, boatos, Nocas não precisa. Nem nós!

“Loucura?” é um exercício a que Nocas procede, sugerindo que todas as pessoas que pensem ou ajam de forma diferente, estão sujeitas a que a sociedade as recomende para tratamento. Nocas é um rebelde. Viajamos à sua infância. O seu crescimento é-nos explicado com minúcia, o seu processo de transformação, auto-educação, autonomia, até que deixou de se encaixar na sociedade esquematizada. Simplesmente não lhe acredita, nem nas suas instituições. Abomina a educação formatada e a TV. Repele com nojo o consumismo, a ignorância, a moda, que motiva a comprar-se o que não se necessita.

Na sua mixtape, Nocas evoca ainda os tempos em que nas festas circulavam as maquetas. Presta igualmente uma homenagem aos pioneiros nortenhos que davam (dão!) uma lição a todos os que amam esta cultura. Não se coíbe em referir Dealema, Mind da Gap e MatoZoo. Classifica o ambiente daqueles tempos como “contagiante, consciente e inteligente”. No seu entender, esses grupos foram os guardiões da autenticidade do Hip Hop, solidificaram-no a Norte e fizeram-no seguir pelo rumo certo.

“Manutenção” de Infinito Nocas é o trabalho de alguém com bastantes anos de cultura Hip Hop mas que se encontra actualmente desgostoso com ela. Noutra componente, esta mixtape é a afirmação da filosofia de vida que escolheu e o explanar de razões que o levaram a atingir o limite mental e a desdenhar as normas que regem a sociedade. Nocas partilha connosco passos da sua vida e as suas influências. Para além das juras de amor que faz ao Hip Hop, Nocas apresenta-se como um profundo conhecedor e observador do nosso movimento, não se abstendo – e bem – de fazer todos os reparos que entende. Em “Manutenção”, está expresso o pensamento do artista, do crítico, do cidadão, do hiphopper. Neste ponto, ele não se arrepende das horas que dedicou ao Hip Hop. Se nunca teve álbuns ou os seus projectos foram curtos, considera que a sua evolução pessoal deve-a aos versos que glosou. Mc honesto e empenhado, considera que antes de ser praticante é um eterno seguidor da mensagem que o Hip Hop veicula. Nocas faz da simplicidade a sua arte.

P.S.:Uma vez que se afigura algo pesado e lento o download de “Manutenção” no myspace do artista, tomámos a liberdade de facultar o acesso mais rápido à mixtape através dum novo empacotamento dos sons. Tudo para que não tenham desculpas para baixar este trabalho, que merece ser ouvido. “Manutenção” de Infinito Nocas aqui.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mr. J. Medeiros - Holding On


Para quem nunca ouviu falar de Mr. J. Medeiros, já dispensamos algumas palavras sobre o seu trajecto a solo ou no grupo The Procussions aqui. Sobre o novo álbum "Friends Enemies Apples Apples", que se apresentará a 1 de Setembro, sabe-se que trará consigo meia dúzia de faixas, entre elas esta "Holding On", com a participação vocal de Tara Ellis, e que conta já com um vídeo deveras original.

Hip Hop Sinfónico

Já podem acessar ao H2Tuga e ler o texto que fizemos sobre o inédito espectáculo, em solo português, "Hip Hop Sinfónico". Brevemente poderão ver mais fotos sobre este concerto no nosso myspace. Aqui fica a ligação para a crónica do evento:

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Termanology "Time Machine"

Só em Setembro de 2008 surgiu o primeiro álbum, "Politics As Usual", mas a colecção de mixtapes de Termanology aproxima-se dos dois dígitos. Nomeadamente a série "Hood Politics", que contará em Setembro próximo com o sexto número. "Time Machine" eclodiu de produções de DJ Premier, Large Pro, Pete Rock, The Alchemist, MoSS ou de Statik Selektah. Um dos dois contributos deste último ("Nobody’s Smilin") faz-se ouvir mais acima. Em baixo, a lista completa de tracks e dos respectivos participantes.


Tracklist:
1. Nobody’s Smilin’ (prod Statik Selektah)
2. Brown Paper Bag (prod Don Cannon)
3. Stick Up f. Sheek Louch & Quest Tha Young’n (prod. Vinny Idol)
4. Time Machine f. Reks (prod. Large Professor)
5. Wild Puerto Ricans f. Tony Touch & Ea$y Money (prod. Shortfyuz)
6. Forever f. Superstah Snuk (prod. Shortfyuz)
7. My Boston f. Singapore Kane & Big Shug (prod. DJ Premier)
8. Hold That (prod. Pete Rock)
9. It’s A Shame f. Joell Ortiz (prod. Statik Selektah)
10. Gods World (prod. M Will The Shogun/additional production by Paul Thompson)
11. Music Industry (rmx) f. Royce Da 5′9, Crooked I, Akrobatik & Consequence (prod. Fizzy “Fame” Womack)
12. Passion Iz Money f. Lil Fame & Quest Tha Young’n (prod. Shortfyuz)
13. Bout To Go Down f. Superstah Snuk & H Blanco (prod. Shortfyuz)
14. Nothing Iz Real (prod. M Will The Shogun)
15. Good Day feat. Ghetto & Hectic (prod. MoSS)
16. I See Dead People (prod. The Alchemist)

Tekilla - Triunfo



O último trabalho discográfico de Tekilla saltou para as lojas há precisamente um mês. O único single extraído de "A Preview" aguardava pelo vídeo oficial. Com aparições de Xeg, Petty, 12 Makakos, DJ Kronic, entre muitos outros, "Triunfo" já se pode gabar de ter aparecido na televisão.

MySpace entrevista Stray (Monstro Robot)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Biofonia: Royalistick



Royalistick nasceu em Lisboa a 4 de Fevereiro de 1982. Ainda adolescente, quis que o rap fosse para si mais do que uma paixão. Era ambição dele tornar-se interveniente directo por via do mcing. Enveredando por esse caminho, fez parte de projectos como Eskumalha Click, DHC e Organização. Em 1999, Royalistick estreou-se na mixtape de DJ Sas chamada “2ª Vaga”. Seria ainda o mesmo DJ Sas a dar-lhe uma nova oportunidade com a mixtape “Flowmasters”.

Também conhecido como Don R1, projectou a edição de um EP - “2003 Decibéis de Escrita”. Passaram-se alguns anos após a sua estreia e a sua vontade em evoluir no rap não refreava. O desejo de rimar era latente faltavam-lhe apenas as oportunidades.

No belo ano de 2004, Royalistick recebe uma boa-nova que o entusiasmará e o fará sair definitivamente do anonimato no seio da comunidade Hip Hop em Portugal. Twism, recém-fundador da editora Chocolate Bars, teve a ideia de fazer uma compilação com vários artistas para precisamente celebrar o surgimento do seu selo discográfico. Royalistick foi então desafiado por Twism para compor um tema para “Beats & Rimas”, nome da empreitada de Twism. O mc de Almada apresentou o tema “Xlibris”, que se cotou como um dos melhores desse projecto.

Royalistick pretendia cimentar a sua posição no rap nacional através da concepção de um álbum em nome próprio. Assim, em 2005, “Visão Periférica” sai do estúdio e conhece as montras das lojas, naquele que seria o primeiro disco de Royalistick. O álbum foi fruto de uma parceria entre a Chocolate Bars de Twism e a Lucky Link Records do próprio Royalistick, contando ainda com a distribuição da SóHipHop.

As reacções a “Visão Periférica” foram de uma forma geral bastante positivas e Royalistick via-lhe ser reconhecido o mérito e confirmavam-se as expectativas daqueles que lhe auguravam um bom futuro. O disco foi-se entranhando nos ouvidos da comunidade Hip Hop portuguesa e os elogios foram-se espalhando em várias plataformas de comunicação. Chegou 2006 e com ele novidades. Royalistick mudou-se para a editora Footmovin’ Records a fim de elevar a qualidade do seu trabalho e os níveis de exposição.



Os objectivos passavam por trazer mais qualidade e mostrar a evolução que o seu trabalho sofrera. “Portfólio” saiu em 2008 e foi uma aposta forte de Royalistick. E ganha, diga-se. Com um disco assente numa linha bastante pessoal, Royalistick fez-se acompanhar dos produtores Madkutz e SP e reuniu um leque de convidados que lhe garantiram que este documento musical ficava na memória dos ouvintes de rap português. À custa de temas fortes, o rapper da Margem Sul teve a possibilidade de levar a sua música a outros públicos pois actuou em alguns programas de televisão.



Para além dos seus dois discos, Royalistick participou em trabalhos alheios como os de Madkutz, Twism, Núcleo e Vokábulo. Olhando para trás, Royalistick conseguiu revelar-se como um bom valor do nosso rap. Gostos à parte, ninguém lhe pode retirar a solidez dos vários projectos em que se envolveu. Só assisti a um concerto ao vivo de Royalistick, na Casa da Música, e gostei bastante da sua atitude durante o concerto. Curiosamente, Royalistick afirmou que essa foi uma das melhores noites que viveu em palco. Anunciada a sua retirada, espera-se que, um dia, possa regressar com o ânimo renovado, com mais energia, com mais qualidade, pois há certamente muitos fãs que deverão estar tristes com esta situação. Que isto seja uma vírgula e não um ponto final no seu percurso. Por todo o seu trabalho e dedicação, a nossa saudação a Royalistick!

Royalistick retira-se do rap

domingo, 19 de julho de 2009

KRS-One & Buckshot - Robot (Vídeo)

Aqui estão as imagens do som que tem feito pulsar muitos indivíduos. Com o vídeo de "Robot", onde KRS-One e Buckshot desdobram-se nas rimas, pode ser que o Jay-Z acate finalmente estas palavras como hino oficial que enterra o auto-tune.
O resto de "Survival Skills" será digerido a partir de 15 de Setembro.

sábado, 18 de julho de 2009

Mind da Gap - Abre os olhos



Os Mind da Gap estão prestes a enriquecer (ainda mais) a sua já vasta matéria prima. Mais de um ano após a compilação que reuniu clássicos e alguns inéditos, o trio portuense aperfeiçoa os derradeiros pormenores do novo álbum, contando oferecer o produto final a este ano de 2009.
Com as arestas bem limadas, o primeiro single apressou-se e já verte toda a pujança de Ace, Presto e Serial, com uma evidente adopção das tendências do Hip Hop actual. Download de "Abre os olhos" neste link.

Hip Hop Sinfónico: Cadê o Sam The Kid?

O relato aprofundado sobre o que se passou na Casa da Música neste Hip Hop Sinfónico ficará para mais tarde, num texto que faremos em exclusivo para o H2Tuga. Mas pode-se adiantar que este espectáculo ficou indubitavelmente marcado pela ausência do nome que possivelmente mais pessoas terá atraído à Casa da Música: Sam The Kid! Alguém sabe os motivos para a ausência do prodígio de Chelas? À parte isso, STK comemorou 30 anos de vida. Muito parabéns, Sam!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

MDC com Mixtape do C$%&!

Com o álbum "Ruídos Reais" ainda a rodar nas rádios e TV nacionais (a "Machadinha" avançou agora como segundo single), os Macacos do Chinês pretendem reforçar os ecos da sua música, desta vez com a "Mixtape MDC", que, segundo os próprios, é do "C$%&"! O trabalho encontra-se enjaulado na casa da Enchufada, tendo os interessados em adquirir o mesmo de inserir um email pessoal e um código em troca do download, podendo, contudo, habilitarem-se a uns brindes extras.

A faixa "Farix" faz parte da ementa e conta com Sam The Kid e Filipe Gonçalves. Nas 11 restantes, Slize, Drupez e Espectro Clichê são os convidados de honra, assim como Amália Rodrigues, Carlos Paredes e Lara Li, que voltam a ser saudosamente lembrados, graças ao engenho destes símios patriotas.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Hip Hop Sinfónico na Casa da Música




Amanhã, Sexta-Feira, a Casa da Música, no Porto, promete viver uma noite única no panorama musical português. A Orquestra Nacional do Porto irá colocar-se à disposição de Sam The Kid, NBC, New Max e do convidado especial Ono. Isso mesmo: o germânico Miki comprometeu-se na coordenação e nos arranjos e o maestro Alexander Shelley estará na direcção musical deste espectáculo que irá juntar o Hip Hop à música sinfónica. O Porto prepara-se para apadrinhar um momento único para o Hip Hop português! O concerto terá o seu início às 22 horas.

Rakim - Holy Are You


Rakim está prestes a deixar para trás os dez anos que separaram o último trabalho ("The Master") do novo. "The Seventh Seal" surgirá este ano e promete não desiludir os fãs do rapper.
Rakim a.k.a. The God MC é dos artistas mais consagrados da old school, tendo eternizado uma época gloriosa da carreira quando desfilou ao lado de Eric B. A solo conta apenas três álbuns editados. No ano passado foi servido "The Archive: Live, Lost & Found", um pacote especial que aglomerou sons nunca lançados e outros gravados ao vivo.
"Holy Are You" é então a primeira amostra do material do novo registo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Rock The Bells 2009













"Rock The Bells" é um festival americano que anualmente brinda várias cidades do país com uma mescla de artistas de Hip Hop. Desde a sua criação o evento tem vindo a crescer de popularidade e de número de sessões ao vivo.
No final da edição de 2009 cerca de quarenta nomes (dos mais contemporâneos aos mestres da velha escola) terão subido ao cimo dos inúmeros palcos. Do cartaz anunciado já desfilaram, entre outros, Buckshot & KRS-One, Raekwon, GZA, Nas & Damien Marley, The Roots, Slum Village e os SlaughterHouse, tendo a plateia sido bombardeada com vários clássicos e outros novos sons que estão para estourar nos próximos tempos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Underground Music Awards 2009

Será a 23 de Agosto que Nova Iorque entregará os "Underground Music Awards" de 2009. A eleição dos vencedores nas diferentes categorias está ao alcance dos votos de qualquer aficionado em todo o Mundo via internet e finda no próximo dia 6 de Agosto. Para participar basta acessar o site do evento e fazer o melhor uso da paciência de modo a congratular as trinta e seis categorias.

Entre os destacáveis encontram-se Talib Kweli e Asher Roth para melhor artista masculino; Tiye Phoenix ou Jean Grae na versão feminina; Dead Prez, Slaughter House e Smif N Wesson nos grupos que se realçaram; os novos álbuns independentes de Alchemist, Blaq Poet e Torae; Black Milk, Sean Price e Immortal Technique entre os mais excitantes do ano; Statik Selektah, 9th Wonder e Jake One dominam na produção e Skyzoo, Reks ou Termanology são dos melhores outsiders, entre muitas outras categorias...

Beatbox



O beatbox é a arte de reproduzir sons com a boca, servindo também como amparo rítmico ao rap. Neste sentido, o beatbox é tido por muitos como mais um elemento do Hip Hop. Consiste na habilidade de imitar batidas, ritmos, melodias, assim como instrumentos, o arranhar da agulha com o vinil, entre outras possibilidades.



Tacitamente ligado às ruas, a origem do beatbox remonta à era da velha escola do Hip Hop. A emergência do beatbox está relacionada com a escassez, no passado, de cassetes de rádio com beats para que qualquer pessoa pudesse treinar o seu freestyle nas rimas. Num meio pobre, não havia a possibilidade de se comprar as tais cassetes, hoje uma memória do passado, pois o seu custo era incomportável para os bolsos dos negros e dos latinos. Porém, o beatbox foi uma inovação que permitiu o suporte ao rap praticado nas ruas e, além disso, tinha a vantagem relativamente às cassetes de se poder reproduzir em qualquer lugar ou momento.



O beatbox fica a dever principalmente a sua criação e divulgação a três pessoas: Darren “Buffy” Robinson, Doug E. Fresh e Biz Markie. Buffy revelou-se num concurso de talentos praticando o beatbox, juntamente com outras pessoas. Mais tarde tiveram a possibilidade de gravar um disco já com o grupo que viria a ser conhecido como The Fat Boys. O beatbox viu serem-lhe aumentados os níveis de publicidade e exposição. Corria o ano de 1983. Ainda neste espaço temporal, Doug E. Fresh lançou o single “Pass the Budda” auxiliado por Spoonie Gee e DJ Spivey. Doug E. Fresh gerou a polémica ao afiançar que tinha inventado o beatbox em 1980!



Com um estilo inventivo e pejado de criatividade, Biz Markie notabilizou-se em 1985 como um dos mais marcantes nomes do beatbox. Algumas das suas técnicas continuam hoje a ser usadas. Avançando no tempo, Razhel, em 1999, apareceu com “Make Music 2000”, o primeiro disco integralmente composto por beatbox. Razhel tornou-se num dos mais exímios praticantes e num dos mais idolatrados e influentes artistas de beatbox. “If Your Mother Only Knew” é um marco que o ajudou a arrebatar tanta admiração. O beatbox expandiu-se e existem muitos apaixonados por esta arte que a dignificam bastante. O trabalho desenvolvido por Felix Zenger, Poolpo, Eklips, entre outros, é notável!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

NGA & Sam The Kid

Desta junção pouco mais se sabe do que os nomes dos intervenientes, no entanto, fica a garantia de que a fusão provocará muitos estragos, ou não fossem NGA e Sam The Kid duas personagens que coleccionam inúmeros adeptos.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Buckshot - Ready (Brand New Day)



Tal como o clássico de 2005 "Chemistry", também "The Formula"(2008) brotou dos dedos de 9th Wonder e da voz de Buckshot. Desde o primeiro dia em que foi lançado surgiram dois vídeos oficiais: "Hold It Down" e "Go All Out". Recentemente foi gravado um street vídeo ao som de "Ready (Brand New Day)".

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Monstro Robot: O Juízo Final

Monstro Robot traz frescura e muita qualidade à música portuguesa, que pode ver o lançamento do grupo como um dos mais importantes dos últimos anos. Monstro Robot reaviva no rap português o humor, tantas vezes ignorado, e traz-lhe mais uma porção de originalidade, contribuindo para a diversidade do rap intramuros. Afinal, Monstro Robot é ainda mais humano que os verdadeiros e actualiza-lhes os sonhos e anseios: liberdade, felicidade e prazer. Proveniente do éter, o grupo comandado por Jinx revelou três personagens que merecem total admiração e que provocaram um abalo de inspiração e criatividade no muitas vezes cinzento espectro da música nacional. DJ SlimCutz apresentou-se muito bem, trazendo o agradável e preciso arranhão, prometendo evoluir; DarkSunn colocou-se instantaneamente com a sua colaboração aqui na órbita dos melhores produtores de batidas a nível nacional, tendo feito um trabalho de muito bom gosto e sempre de mãos dadas com a elegância; e, por fim, Stray é um belíssimo contador de histórias e coloca-se a jeito para que lhe seja colocado o título de Cesariny do rap português. Resumindo, Monstro Robot é uma das melhores coisas que poderia ter acontecido ao rap português! Venham os concertos! E fica o desafio: para quando a B.D.?

Monstro Robot: O Ataque Pt.2

Numa aventura, qualquer herói tem de penar um bom bocado até alcançar, primeiro, a glória, depois, a gaja boa. Sem esquecer que tem de estar várias vezes a milímetros da morte e à mercê duns vilões pouco prendados na beleza e com pouco cuidado na alimentação. Ora, Stray também se vê em sarilhos mas numa versão mais moderna e tecnológica. Está na iminência de ser cortado por feixes e flashes luminosos de intratáveis “Lanternas”. É o que dá ser irredutível na busca pela liberdade. Há sempre alguém que acha que isso não é legítimo. Por isso, Stray é crítico e corrosivo com eles, repudia-lhes a exploração que infligem às pessoas. A sorte já não protege os audazes. Quem quer ter sorte, compra-a. Daí que vá de vento em popa as vendas de trevos de quatro folhas plastificados. Ninguém está imune aos sinais do tempo. O nosso mundo exige que sejamos moldáveis e movemo-nos muitas vezes pela vontade de outrem. Somos um puzzle imperfeito que se vai formando com a passagem dos anos, onde há peças que não são boas. Stray inspira-nos a não nos conformarmos e a não pactuarmos com o sistema vigente. Por ser fiel à sua ideologia e lutar contra os cânones que a sociedade dita, ele só calca cinzas, assistindo ao voo triunfante das fénixes que ressuscitam à custa sabe-se lá do quê. Repudia os que vegetam na ignorância e não arregaçam as mangas contra a máquina mortífera que os segrega. Ele promete continuar a ser livre. Mas depois das fatigantes fugas e resistências, há sempre direito ao descanso do guerreiro. “As Lanternas Já Foram Embora” e Stray está esbaforido mas orgulhoso.

A vida de uma pessoa pode mudar para sempre por culpa... de outra pessoa. Stray veste-se de um super ocupado executivo que se mantiver o “passo acelerado” chegará ao sucesso profissional. A outra personagem deste enredo ganha vida com Maze. Ele é atrasado, alcoólico, infrator das regras de trânsito, devedor da renda de casa, caloteiro, está arrependido de ter casamento marcado e de estar esperando um filho! Ufa, podia ser pior, não? Podia! Como meter-se no carro e ir para o emprego quando o trânsito está caótico. Mas se o mundo inteiro se unisse para o tramar então Maze ficava tipo sem gasolina. E não é que ficou? Chato chato era alguém começar a buzinar-lhe... É que um homem com os nervos em franja e com o dia a correr-lhe tão mal é bem capaz de matar só para se sentir melhor. E então se a potencial vítima for um chico-esperto cheio de tiques à patrão, temos um problema. Pum! Stray é alvejado por Maze! O destino de Stray sofre um rude golpe. A fúria de Maze travou-lhe a marcha. Mas alimentando a esperança de ter o dia perfeito, Stray recusa que lhe seja prestada assistência médica, pois só tem em mente a sua escalada profissional. Stray ainda pensa em agredir Maze e vingar-se. Mas de nada valia, para ambos já era “Tarde” demais para o que quer que fosse. Mas onde é que eu já vi isto? No Telejornal? Talvez.

E se a nossa vida claudicar ou estiver em vias disso e esperarmos que a TV nos atenue a dor ou melhore a nossa situação desenganem-se. As televisões também estão do lado do inimigo, prontas a deglutir-nos. Felizmente que, ao contrário de muitos técnicos intrujões das televisões, há um verdadeiro provedor televisivo que se preocupa com os telespectadores e que tem os seus próprios tempos de antena: “Dread Droid Ninja Pt.1” e “Dread Droid Ninja Pt.2”. Nesta batalha, as máquinas que não cumpram os requisitos mínimos de bom comportamento para com os telespectadores serão perseguidas, desligadas e colocadas para reciclagem. Mas se não estão dispostos a arranjar problemas e a ter de chamar alguém para vos salvar, então façam o favor de desligar a televisão e riam-se bastante dela. Caladinha!

E se não há televisão para ver, há muitas outras coisas óptimas para se fazer. Deixe-se o ócio e ligue-se o “Hiperactivizador”. Se o trabalho é um lema para muito boa gente, também o é para Monstro Robot. A inspiração não adianta de nada se não a depurarmos através do trabalho. Se sentem que vos falta energia, bebam café em quantidades generosas. Stray e os seus comparsas seguem essa receita e nem o facto de estarem à margem os desmotiva e os faz entrar em abulia. Trabalham com a energia do “combustível de foguetão”, na sua missão de vingadores, para reclamarem e justificarem o merecimento dum palmo de terreno neste planeta. Stray nesta luta não tem nada a perder, pois ele é lendário a desperdiçar a vida. A causa disso foi a falta de coolness dele no secundário. Sejam fixes na escola, putos, ou ainda acabam em vingadores, ok? É que “isto nem é guerra é alucinação, parte doença séria parte ficção”. Intitulando-se “Godzilla atómico” e capaz de disparar “fluxos de café”, Stray mesmo no nevoeiro de dúvidas, alucinações, negações e com a sanidade intermitente insiste no «Ataque à Colmeia». Ele nunca cessa da sua missão, nada o fará parar. Previne-se, daí que leve o sono num cantil e o troque por genica. As recompensas do trabalho árduo e determinado coroam-no de glória e orgulho, mas aquilo que lhe dava mesmo prazer no fim de contas era implodir-se! Quem não queria isso, Stray?! Quem?

Ora, galadoardo o herói chega a hora de aparecer a recompensa à séria, qual “Gata Borralheira”. Mas nenhuma vitória está plenamente validada se não for partilhada. Pois bem, Pulso foi então o eleito de Stray para os festejos. Porém, Pulso estava disposto a atrapalhar Stray na entrega do prémio, se é que me faço entender. Ele achou que não tinha jeito nenhum para fazer de vela e pretendia batalhar com Stray pela gata. Mas cheio de laia, Stray toma a dianteira e vai falar com a Camila. Desarma-a, afirmando que foi ter com ela pleno de intenções. Neste encontro relâmpago, Stray vai exibindo as suas qualidades, Pulso riposta, mas no final ficam ambos pendurados! Ninguém sabe para que telhado foi a arisca (escaldada?) gata! Gorada Camila, acaba por aparecer à frente de Stray mais uma mulher que não o deixa indiferente. “Ela” traz-lhe recordações. Incendiou-lhe o coração há tempos, mudara e nota-a agora igual às outras. Deixou de ser especial, após a relação que afinal mantiveram. Stray acha que está melhor sem ela, embora lhe tenha custado a perceber. Exorcismo completo. Próxima! Depois de transposta a desilusão e de afirmado o adeus a “Ela”, Stray consegue ser surpreendido, ainda que por um jovem masculino. Mostra o seu espanto pela arte e malabarismo do DJ. De facto, DJ SlimCutz exemplifica como as “Válvulas” de Monstro Robot estão em perfeitas condições, comprovando o porquê de ter sido uma exigência os seus préstimos por parte de Jinx. Com tais contratações, o Jinx está aqui está mas é no Real Madrid no lugar de Florentino Pérez!

O tempo esgota-se e Stray sente que tem de se explicar. O seu primeiro pensamento é o de que foi tudo em vão, inútil. Apesar de estar longe da verdade. Não encontra o móbil para o trabalho que desenvolveu, achando apenas que foi o ego que o instigou a gabar-se. Mas não foi só isso. Se lhe dermos graxa, ele agradece por o fazermos sentir-se melhor. Mesmo que o estejamos a enganar. O que nunca faríamos, de resto. Ele aceita perante nós que falhou, mesmo que saiba precisamente o contrário. Monstro Robot acertou-nos na mouche ao dizer que estávamos surdos. Quem ainda tiver dúvidas, pode tirá-las pois a nave está sempre com as portas abertas para quem quiser subir alto com Monstro Robot. É só pegar a “Escada de Corda” e desfrutar da viagem!

Monstro Robot: O Ataque Pt.1

No início do manifesto de Monstro Robot, em que Stray é o porta-voz, encontramos indícios irrefutáveis para descortinarmos a causa de Portugal estar a ser atacado por três seres híbridos que, cada um à sua maneira, se expressam de forma tão eloquente. Stray confessa-o: “Não aguento este relento reles dentro de portas”. Ele admite o insucesso na adaptação ao mundo em que nasceu. Criou um universo paralelo e agora conta com Monstros e Robots para efectuar a revolução. Aquilo em que pensou Stray confirma um traço português muito intrínseco. No século XVI, os portugueses preferiram meter-se em caravelas e abalar daqui. A claustrofobia de Stray é compreensível mas, fruto dos novos tempos, a fuga já não se faz em gamelas flutuantes. Na época dos Descobrimentos, os portugueses tornaram-se grandes pela sua audácia e coragem, levando a sua portugalidade a outros pontos do globo. Stray sabe que também para onde quer que rume levará consigo a estranheza que lhe é inata. Encham-lhe a chávena com “Combustível de Foguetão” que a viagem começa aqui. Curiosamente, a batida de DarkSunn, por si só, já bastava para nos pôr a gravitar em torno de qualquer planeta!

E se DarkSunn já tem com as batidas forma de voar, Stray já parece ter-se desenrascado, como nos conta em “Asas no Correio”. Ai não sabiam que era possível? Estamos sempre a aprender! Foram os deuses que lhas enviou, provocando-lhe excitação. Porém, os deuses quiserem colocar Stray no seu lugar provando que ainda são mais loucos do que ele. Ou não fossem deuses, claro! Então, pregaram-lhe uma partida, enviando-lhe as instruções de montagem das asas em japonês, pasmem-se! Todavia, a galvanização de Stray era de tal forma latente que não havia meio de lhe destruírem ou simplesmente lhe adiarem o sonho de voar e ganhar a sua autonomia. Recorrendo ao instinto, com uma boa dose de paciência e imaginação, Stray cumpriu com sucesso a montagem das asas, sem que infelizmente tivesse conseguido evitar alguns percalços como o entornamento do café. Oxalá, não tenha sujado a roupa. E se os deuses não se vêem à nora, como nós, com a justiça, não têm escapatória relativamente à catalogação dos códigos postais. À pois é, sofram também! Só que como eles escrevem em linhas tortas isso é mais um estratagema para não lhes descobrirmos a careca e não lhes enchamos as caixas do correio com missivas amargas. Mas vá lá que satisfizeram prontamente o desejo de Stray e não cobraram um balúrdio como os padres cobram a quem queira entrar no paraíso (há-de lá estar muita gente, há-de, com esses preços!). Devidamente equipado, Stray sabe que qualquer sonho está agora à distância de um bater de asas, como adormecer em cima dum telhado. Stray alcançou a sua liberdade e nem que tenha de ir sozinho seguirá desafiando o vento.

Dono do seu destino, convém-lhe agora estar “Vestido a Rigor”. Acordado ou não, há que se fazer de quando em vez uma bela vadiagem. Com asas nas sapatilhas ou chamando um táxi lá da zona mais conhecido por “nuvem mágica”, interessava era ver e ser visto. Contacta com uma miúda, após uma atribulada aterragem, que estava cheia de curiosidades, confrontando-o com os seus rendimentos e chamando-o à pedra sobre o seu comportamento lunático. Pobre Stray, ainda não tinha engatado a rapariga e já ela denunciava querer prendas e infernizar-lhe a vida com aquelas perguntas que só esse género especial sabe fazer. Continuando com a sua sede em socializar, ruma à floresta, fornecendo o seu código especial de acesso. O lugar secreto revela personagens tão peculiares como o próprio Stray. Melhor do que isto, só assistindo ao “Desfile”! E provando que a vingança se serve tão fria como uma raposa do Ártico, a própria castiga o amigo narrador com uma poderosa e certeira estalada, por núpcias mal resolvidas. Era hora de voltar ao lar. Defraudado com os resultados da viagem mas com muitas lições para rever quando se deitasse na cama antes de adormecer. Ou no telhado, que também servia perfeitamente para reflectir.

Mesmo com asas, a vida não era um mar de rosas para Stray. O pecado também sabia voar e alimentava-se com uma sumarenta “Maçã”. A cama de cartão de Stray estava mais fria por ter um colchão de fita adesiva. Mas esse era o desejo da sua vida e nada se pode fazer contra isso. Melhor do que aguentar com as tragédias quando elas aparecessem, era antecipá-las para não ser apanhado de surpresa. Stray fá-lo. Todos os seus erros e quedas não são mais do que aquilo que ele sempre quis e sempre pensou que atingiria. Solitário que busca a companhia do pecado, pecador que oferece o colo à inocência mascarada. Já não tem coração, tem uma pedra sedimentada por um golpe duma ladina. Mas provando o seu poder de superação, Stray até que acha piada à destruição da sua vida. Pudera, está paulatinamente a construir uma nova!

Mas vaguear pela Terra e conviver com as pessoas desgasta-nos, ficamos com “Cabelos Brancos”. A sina de Stray é a minha também. É como diz alguém: as pessoas é que são o inferno. Sim, são os outros que nos infligem o castigo. Depois, não se pode preservar a riqueza que é a solidão. Forçam-nos ao convívio e já se desconfia claro que isso irá descambar em problemas. Aturar as pessoas é fazer com que as nossas pequenas células capilares morram e revelem a cor que afinal é comum e natural a todos – a branca. Totalmente encavacados, titubeando, sem capacidade para falar com as outras pessoas, mais vale demitirmo-nos de falar para lhes pouparmos o incómodo, não é, Stray? O colapso está ao virar da esquina e a extinção humana ainda está um bocadinho longe de acontecer. Era um regalo também para mim ter o mesmo sonho que Stray: viver sozinho com as próprias ideias, reflexões, numa casa situada numa copa duma árvore. Porém, ao contrário dele, era capaz de não dispensar as saídas com as super modelos. Eu acho que essas falam muito pouco, Stray. E se estiverem com o pó-de-arroz a espirrar pelo nariz, ainda falam menos (ai o que eu fui dizer!...).

Há sempre uma distância entre aquilo que nos consideramos e o que outros pensam sobre nós. Stray sente a amargura de ser considerado “Velho” por alguns «miúdos». O mestre de cerimónias de Monstro Robot é um amante incurável da extravagância, do caos, do complexo, do contraditório, do surreal, do vanguardismo e, claro, do café. Enamorado por tais paixões e disposto a lutar por elas, na verdade, não é Stray que deve ser considerado o “velho”. Reavivando a História de Portugal, sempre que alguém quis ir mais além foi achincalhado, apontado, reprimido, condenado. Quem tem vontade de conquistar, independentemente da idade, tem sempre um espírito jovem. Estes putos de hoje em dia é que, coitados, surgem como os novos “Velhos do Restelo”. Sois vós quem fica mal no fim da história, putos!

Monstro Robot: A Génese

A ameaça veio em duplicado. Não é só um Monstro. Não é apenas um Robot. Quiseram fundir-se para nos fundirem o juízo, só pode! E quem foi o engraçadinho que teve a bela ideia de se querer emancipar à Humanidade? Jinx. Quem? Um monstro felpudo de coloração “sui generis”, chefão da Monster Jinx, que esconde um plano cheio de filantropia para conquistar o rap português! A mim não me enganas, Jinx. Não tinhas mais o que fazer senão arquitectar esquemas para endireitar o mundo? Nós, terrestres, já não podemos espezinhar quem queremos? Três seres humanos – Stray, DarkSunn e DJ SlimCutz – foram apanhados na teia de cantigas do bizarro bicho de forma a reivindicarem a retórica das lesmas gigantes e dos monte de lata, com o objectivo de fundar a harmonia na Terra. O pior, meus amigos, é que estes seres humanos ludibriados já não eram 100% puros e fiéis à nossa causa. Sem o saberem, já possuíam dons para entenderem os excomungados.

Sarah O’Connor viu serem recolhidos para um albergue Stray, DarkSunn e DJ SlimCutz, sendo que todos foram submetidos a intensos e rigorosos exames à imaginação. DarkSunn, que curiosamente vivia sobressaltado com a impressão de que viria a ser raptado por forças estranhas, possuía a cobiçada aptidão de hipnotizar os ouvidos humanos com a sua parafernália de sons, detendo um toque especial de alquimia que lhe permite comunicar eficientemente com as máquinas, capturando-lhes a alma. Neste terrorismo monstro-maquinal, DJ SlimCutz foi persuadido a apresentar os seus dotes de criador de ruídos viciantes e agradáveis em superfícies plásticas para que a mensagem proferida por Stray corresse sem interferências pelos nossos túneis auditivos. Stray, que em pequeno queimara repetidamente a língua em chávenas com café, foi naturalmente um alvo de Jinx pois esses ferimentos na boca dotaram-no da capacidade de pronunciar correctamente o Monstrês mas com a salvaguarda especial de nem todos os humanos entenderem as palavras traduzidas por Stray. Esta osmose usada por Stray e envenenada pelas criaturas atinge-nos sob a forma de rap.

Após os árduos testes de calibragem sonora, os três são oficialmente representantes de Monstro Robot. Podem agora a seu bel-prazer tingir de púrpura este mundo com o pretexto de consciencializarem a humanidade para as atrocidades que são cometidas contra os freaks. Várias fontes, que mais adiante são rios de óleo industrial e banheira de monstros como o Loch Ness, confirmam que estes seres adulterados infiltraram-nos uma mensagem nas brechas sensíveis que designamos por ouvidos. Minaram-nos a réstia de inocência que guardávamos não sei em que confins, ao difundirem avisos na internet e ao alugarem aviões (isto já é o meu lado humano de sensacionalista a adivinhar) para passarem com longas tarjas junto às praias para que todos pudéssemos ler o seguinte: “Vocês estão surdos!”. Com esta infame acusação, ficámos com os ouvidos em alerta máximo, fizemos com que eles funcionassem como os nossos olhos.

O mundo tal como o conhecemos hoje está perdido! A não ser que Deus mande as chuvadas da praxe e ordene ao bom do Noé que não meta Monstros nem Robots na sua arca! Ou se calhar o mundo está salvo e todos querem ser também apologistas de Monstro Robot e pregar uma grande seca a Deus! É deixá-los verter a ladainha para que digam tudo de uma vez e não nos chateiem muito porque nós, humanos, ainda temos bastante trabalho pela frente na nossa divisa de semearmos a infelicidade pelo mundo e concretizarmos a missão final de nos auto-destruirmos... A não ser que a corja liderada pelo Jinx nos faça a cabeça, nos converta a todos e gostemos disso. Será? É! O quê?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Wale & 9th Wonder

"Back To The Feature" é a mixtape que mistura a voz de Wale com a produção de 9th Wonder (sobretudo) e de alguns outros nomes. Ao passearmos pelo registo deparamo-nos com inúmeros convidados, uns mais ilustres do que outros. A saber: Skyzoo, Talib Kweli, Joe Budden, Joell Ortiz, Black Thought, Jean Grae, Royce da 5'9'', K'Naan, Bun B, Memphis Bleek, Ken Starr ou Freeway.

A participação de Jean Grae é assim contada.

A mixtape pode ser livremente fisgada por aqui.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Chali 2na - Lock Shit Down



"Fish Outta Water", o álbum a solo de Chali 2na, pode, a partir de hoje, ser pescado nas lojas americanas. Como estes dias parecem ser férteis para os fãs do carismático elemento dos extintos Jurassic 5, também o vídeo do single "Lock Shit Down", que conta com a participação de Talib Kweli, foi posto à mercê dos olhos e ouvidos mais atentos.

Tributo a Michael Jackson



No dia em que Los Angeles assiste e participa na grandiosa homenagem (seguida da cerimónia fúnebre) a Michael Jackson, contam-se inúmeros tributos ao rei da pop desde que se soube que sucumbiu.
Um deles teve como protagonistas The Roots e Erykah Badu. O lendário grupo de Philadelphia e a artista Soul fizeram de "I wanna Be Where You Are" a última vénia ao legado de Michael Jackson.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Wöyza - Vendrás Detrás

Todos aqueles que estiveram no "Eixo Rap", em Gaia, ficaram certamente bem impressionados com Wöyza. Para quem ficou enamorado pela música da artista galega e pretende saber mais sobre ela, aqui fica uma novidade bem recente. O seu primeiro videoclip oficial "Vendrás Detrás". Esta canção faz parte do seu disco "Pisando el Suelo que Ves", o primeiro de Wöyza. Podem fazer o download grátis deste trabalho no site da artista, onde é possível baixarem igualmente outros trabalhos do selo Licor Kafé.

www.woyza.es

domingo, 5 de julho de 2009

Saigon - Change Gon' Come



Vídeo oficial da mixtape "Inside A Change", que é uma espécie de banda sonora do filme com o mesmo nome de Rik Cordero. Para além de Saigon, a compilação conta com Joell Ortiz, Royce Da 5'9'', Consequence, DJ Jazzy Jeff, Illmind, The Kickdrums, Statik Selektah e muitos outros.

Para os mais distraídos, Saigon havia confeccionado, em meados de Março, o álbum "All In A Day's Work". Contando com o precioso testemunho de Statik Selektah, a concepção deu-se em vinte e quatro horas. Para os próximos meses nascerá a sequela da mixtape "Warning Shots".

Eixo Rap - 2º Dia (4 de Julho de 2009)

Quatro de Julho, segundo e último dia do “Eixo Rap” em Vila Nova de Gaia. Após uma estreia fantástica, as expectativas para a noite de ontem eram também elevadas. Sabia-se, porém, que seria muito difícil vivenciar-se sensações semelhantes à noite anterior, onde o povo esteve em polvorosa. Mas a esperança mantinha-se em se passar um bom momento, curtindo boa música. Felizmente, os artistas fizeram-nos a vontade.

Devemos dizer que não pudemos satisfazer o pedido que Mundo fizera, na noite de Sexta-Feira. Ele tinha solicitado que o pessoal ontem chegasse cedo para que quem abrisse as hostes tivesse uma plateia minimamente composta. À hora em que pisámos as ruas de Miramar, Império Norte ultimava os preparativos para soltar a sua música. No “Eixo Rap”, foi nota dominante o entusiasmo e o suor que os artistas deixaram no palco. DJ Guze, Wöyza, Mundo, Ex-Peão e El Puto Coke proporcionaram aos presentes um show agradável, apesar de curto. A potencialidade deste grupo é grande e será curioso acompanhar a evolução deste projecto, bem como a carreira individual dos artistas que compõem este colectivo luso-galego.

Wöyza era a seguinte no alinhamento do “Eixo Rap” de 4 de Julho, mas agora a solo. Bem, também não esteve completamente sozinha durante a sua actuação já que DJ Limbo esteve na sua retaguarda. E logicamente o público presente deu a maior força à artista natural de Vigo. Assim, a lindíssima Wöyza cantou e encantou. Misturando o Hip Hop com a Soul, a música de Wöyza tem todos aqueles pozinhos especiais que nos fazem levitar. A interpretação sentida de cada tema seu aliada ao bom suporte musical, faz com que o nosso corpo e mente retenham das canções de Wöyza propriedades como a elegância, a excelência e a frescura. Apesar de se expressar numa outra língua que não o português sentia-se toda a classe que Wöyza destilava em cada palavra cantada. Depois, o jogo corporal dela é um espectáculo à parte. Sempre enérgica, Wöyza conseguia fazer emergir toda uma comunicação corporal que complementava a verbal. Canta com alma, com garra e empenha-se em fazer com que a sua mensagem seja decifrável para as pessoas. Daí a constante interacção que privilegiou com a plateia. Despediu-se em grande, agradecendo aos portugueses a forma como sempre a recebem. Portugal já adoptou esta galega. A noite foi dela.

Mind da Gap era o grupo mais esperado da noite. DJ Serial, Presto e Ace subiram ao palanque e os aficionados do grupo saudaram os músicos com gritos de boas-vindas. Ace e Presto estiveram também cheios de pica, mostrando-se irrequietos, movimentando-se por todos os espaços do palco. Os mc’s desde logo estabeleceram um diálogo com as suas gentes. Ace mostrou um humor muito particular. Não que estivesse mal disposto, longe disso, mas contou umas piadas cuja decifração era de alcance bastante complicado. Mas todos se riram e divertiram com a intenção de Ace, que ou não estava muito inspirado para o humor ou as suas piadas são mesmo muito rebuscadas. Foram momentos engraçados em que o próprio mc teve a capacidade de se rir de si próprio. No plano musical, foram sendo tocados alguns clássicos de Mind da Gap. Os fãs não cabiam em si de contentes e acompanhavam em uníssono os mc’s. Destaque para a estreia ao vivo duma nova canção de Mind da Gap – “Abre os Olhos” – que fará parte do novo álbum do grupo nortenho. O pano caiu ao som da emocionante “Invicta”. Mind da Gap em boa forma num concerto que foi certamente do agrado da legião de apoiantes da tríade.

Cabe-nos fazer um balanço do festival “Eixo Rap”. Não nos foi possível, infelizmente, acompanhar todos os artistas e grupos que actuaram nesta iniciativa. Todavia, no que observámos dos instantes em que estivemos presentes, pode garantir-se que o festival foi francamente positivo. Assistiu-se à entrega total de todos, o público respondeu à chamada e nos dois dias o recinto esteve sempre praticamente cheio na hora em que actuavam os nomes mais consagrados. O primeiro dia do “Eixo Rap” foi mais electrizante e emblemático muito graças à soberba actuação de Dealema e do impacto que teve em todos aqueles que acompanhavam o evento. Ontem, não se sentiu tanto essa atmosfera vibrante mas, em abono da verdade, houve momentos de muito boa música e duma grande sintonia entre os artistas e as pessoas. Saúde-se a Câmara Municipal de Gaia e os restantes mentores pela excelente iniciativa que desenvolveram, mostrando que estão atentos ao fenómeno do rap, que tem profundas raízes e tradição na cidade. Enalteça-se também a conexão entre o Norte de Portugal e a Galiza, que sempre tiveram historicamente uma forte ligação. Uma palavra sentida de apreço pelos artistas espanhóis que deixaram uma óptima impressão em Gaia e foram muito bem acolhidos pelos portugueses. Afinal de contas é isto o rap, é isto o Hip Hop – irmandade e intercâmbio de mentalidades entre os povos, através da fomentação e elevação da arte. Parabéns a todos os que contribuíram para o sucesso do “Eixo Rap”, numa iniciativa «Gaia – Capital da Cultura do Eixo Atlântico 2009».

sábado, 4 de julho de 2009

Eixo Rap - 1º Dia (3 de Julho de 2009)

A elevação de Gaia a “Capital da Cultura do Eixo Atlântico” foi coroada com a organização de um festival de dois dias completamente à borla. Entre a realização de algumas iniciativas culturais, destaca-se a mostra de sons luso-galegos no halo do Hip Hop. Nomes importantes do movimento ibérico juntam-se assim em Gaia, na Alameda do Senhor da Pedra, para estreitarem laços culturais insolúveis com o rap como pólo agregador. Neste primeiro dia do Eixo Rap, as nuvens no céu pareciam querer abençoar o festival. Dito e feito. As minúsculas lágrimas que os deuses brotaram sobre as nossas cabeças, num curtíssimo espaço de tempo, benzeram os presentes, e a acreditar na sabedoria popular, auguravam então uma noite especial.

Quando chegámos a Miramar, artistas espanhóis já actuavam no palco perante um reduzidíssimo número de espectadores. Seria o efeito chuva, seria ainda cedo? Aproveitámos para dar um giro pelas redondezas e contemplar da belíssima praia o imenso mar e a castiça morada do Senhor da Pedra (uma pequena capela construída em plena praia sobre os rochedos). Aproximava-se a hora de Syzygy actuar e acorremos para junto do palco expectantes sobre se o recinto já estava mais composto. Felizmente, as muitas pessoas que vagueavam pelos espaços de lazer próximos aglomeraram-se junto do palco e deram calor humano a M7, Capicua e D-One.

O concerto foi bom, com o repertório escolhido a recair em temas presentes nas mixtapes que as mc’s de serviço lançaram a título individual. A entrega de M7 e Capicua foi salutar e a intensidade foi diabólica! Autênticas diabas com o microfone na mão, espalharam a sua energia, atitude e boas rimas, sempre sem filtro. D-One naturalmente também contribuiu com a sua colaboração para enriquecer a actuação. Syzygy despediu-se dos presentes com um caloroso agradecimento e Capicua anunciou que seguiria para Lisboa. Boa viagem, rebenta com eles!

Seguiu-se El Puto Coke, com o seu DJ. Após a exibição de skillz do segundo, El Puto Coke entrou no palco a fim de conquistar Gaia. O começo não foi muito animador, pois não conseguiu cativar muito o público. A dificuldade em se entender a língua, mas também a linha mais morna e lenta dos beats talvez tenha contribuído para esse início. Porém, isso durou dois temas. El Puto Coke estabeleceu um diálogo com o público, interpretando dali em diante canções mais intensas, com mais garra e mais agressividade nos instrumentais e isso emocionou mais o público. À medida que o tempo passava mais pessoas El Puto Coke alcançava. Nos dois últimos temas seus, antes de chamar um seu convidado ao palco, El Puto já nos tinha deixado rendidos ao seu rap consciente, onde são evocados relatos e sensações da vida quotidiana com que todos se identificam. Depois do tal dueto com o amigo que trouxe da Galiza, que rima ainda mais depressa dificultando a percepção, despediram-se do público português com um enorme agradecimento e aliciando os espectadores a chamarem o grupo por que todos ansiavam: DLM.

Um pequeno interlúdio para organização do material logístico era tudo o que separava o público de ver Dealema. Todas as brechas que existiam nos lugares da frente foram prontamente preenchidas por aqueles que estavam mais atrás. Nessa altura, o recinto era já um mar de gente. A maré estava a encher em direcção ao palco. Às pessoas não lhes bastava serem o tal mar de gente pois estavam era sedentas por ver os seus ídolos. Aos primeiros indícios de Dealema se apresentar ao serviço, as gentes agitaram-se, entraram numa convulsão de emoções e a loucura foi de tal ordem que parecia que de repente tínhamos sido teletransportados para uma outra dimensão. Ou, no mínimo, para um festival à parte. Assim foi, efectivamente. Dealema a jogar em casa nem sequer precisava de pedir para as pessoas se manifestarem, elas faziam ruído naturalmente. Foi algo único, extraordinário mesmo. Os momentos foram de cumplicidade total entre público e DJ Guze, Mundo, Ex-Peão, Fuse e Maze! Não será atrevimento nem andará longe da verdade dizer-se que é ímpar no Hip Hop português a corrente de entusiasmo que une o público a um artista ou grupo, neste caso o Pentágono. Os elos de identificação criaram uma sinergia maravilhosa e perfeita que catapultou o espectáculo para níveis galácticos!

O Colectivo Dealemático é um verdadeiro embaixador cultural da região. A sua influência na juventude é impressionante e a sua mensagem é extraordinária também pela eficácia com que capta a atenção dessa camada da nossa sociedade. Não se deve estranhar portanto que dessa empatia se atinga a idolatração por parte dos seguidores do grupo. Dealema foi desfilando os seus hinos e o povo foi acompanhando em uníssono e rejubilando. A satisfação do colectivo era indisfarçável por ver tantas pessoas a celebrarem a sua música e prestando-lhes tributo com a sua presença e participação no concerto. Maze tirava fotos ao público, Mundo logo no início filmara-o. O delírio aconteceu quando Wöyza foi chamada ao palco para interpretar “Segunda Vinda (A Profecia)” – suposto último tema do concerto. Os níveis de ruído atmosférico atingiam o píncaro e ganhavam com certeza em altura no duelo com os vapores da planta mágica. Foi um momento arrepiante a que se assistiu em Gaia, com os músicos e fãs num perfeito e envolvente abraço. Depois, as luzes apagavam-se, os artistas disseram adeus e abandonaram o palco mas o público não se fiou na cantiga. Sabíamos todos que eles iam voltar porque o clássico “Portugal Surreal” não tinha sido ainda tocado e exigia-se que o tema ecoasse alto pois está mais actual que nunca.

Dealema voltou ao palco, o barulho foi ensurdecedor e os mc’s apelavam que para neste último tema ensaiássemos uma coreografia a preceito. Vai daí tudo se preparou para fazer uma enorme chifrada ao ex-ministro da Economia Manuel Pinho e aproveitando a deixa dedicou-se ainda aquele gesto primoroso ao Ministério da Cultura que tem tido uma prestação execrável nos últimos anos, num desempenho transversal em todas as administrações que têm governado Portugal. O êxtase tomou conta de Miramar. Emocionados e convocando todos para estarem presentes no dia de hoje nas actuações que serão feitas, Dealema despediu-se com a certeza de que toda a sua carreira e trabalho tem compensado. O amor que receberam na actuação foi indescritível. Só quem sente entende! Não se esqueçam, hoje há mais!